7 min de leitura
Pesquisadores retiram 47 castores considerados “problemáticos” de áreas urbanas e agrícolas de Utah e os levam para regiões áridas, onde suas barragens ajudam a reter água, criar lagoas e recuperar riachos; anos depois, projeto cresce para cerca de 60 animais realocados por ano e ecossistemas começam a prosperar
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 04/09/2026 às 10:30
Atualizado em 04/09/2026 às 11:00
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Em Utah, 47 castores considerados problemáticos foram realocados em 2019 e 2020 para paisagens áridas, onde suas barragens passaram a reter água, criar lagoas e recuperar habitats. Anos depois, o programa se expandiu pelo estado, alcançou cerca de 60 animais por ano e registrou sinais de ecossistemas em recuperação local.
Pesquisadores de Utah começaram em 2019 a transferir castores considerados “problemáticos” para áreas secas e áridas, tentando aproveitar a capacidade natural desses animais de construir barragens para recuperar níveis de água e aumentar a complexidade dos habitats. Nas fases iniciais, em 2019 e 2020, 47 castores foram levados para paisagens desérticas; atualmente, o programa captura e solta cerca de 60 animais por ano.
Segundo reportagem da People, publicada em 31 de agosto de 2026 e assinada por Charlotte Phillipp, a iniciativa começou como uma solução para conflitos provocados pelos animais em propriedades e áreas agrícolas e passou a ser utilizada como ferramenta de recuperação ambiental. Sete anos depois do início do projeto, autoridades e pesquisadores afirmavam que a estratégia havia se espalhado por Utah.
Projeto começou em Utah em 2019
A iniciativa de translocação foi iniciada em 2019 por pesquisadores e especialistas em vida selvagem que buscavam alternativas para recuperar ecossistemas em dificuldades.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Logística e Transporte
ANTT prorroga por dois anos a concessão da Ferrovia Centro-Atlântica para manter o transporte de cargas enquanto define o futuro de 7 mil quilômetros de trilhos
A Ferrovia Centro-Atlântica terá a concessão prorrogada por 24 meses para manter o transporte de cargas e preservar bens da malha enquanto o governo define uma solução definitiva para cerca…
Paulo Nogueira
6
Emma Doden, então estudante de pós-graduação da Universidade Estadual de Utah, participou da criação do trabalho que posteriormente passou a ser chamado de Colaboração em Ecologia e Relocação de Castores.
Rios Price e San Rafael receberam animais realocados
Os pesquisadores escolheram paisagens secas e áridas de Utah para receber parte dos castores removidos de locais onde provocavam conflitos.
Entre as áreas citadas estão os rios Price e San Rafael, onde a expectativa era que os animais construíssem barragens e ajudassem os ecossistemas locais a recuperar condições mais favoráveis.
Objetivo era convencer castores a construir barragens
Doden explicou que a construção das barragens estava no centro da estratégia.
Segundo ela, essas estruturas poderiam aumentar a complexidade do habitat e restaurar os níveis de água, utilizando o comportamento natural dos castores em vez de depender apenas de intervenções humanas.
Castores eram considerados “pragas” antes da transferência
Muitos dos animais incluídos no programa já haviam causado problemas nos lugares onde viviam.
As barragens podiam danificar infraestrutura local e terras agrícolas, enquanto alguns castores entravam em propriedades privadas, derrubavam árvores e provocavam transtornos para moradores.
Essas situações geravam denúncias às autoridades e pedidos para que os animais fossem removidos.
Animais denunciados podem passar três dias em quarentena
Quando um castor considerado problemático é denunciado, o programa estadual e instituições como o Serviço Florestal dos Estados Unidos podem capturar e retirar o animal.
Alguns deles passam por três dias de quarentena no chamado Beaver Bunkhouse, estrutura mantida pelo estado de Utah, antes de serem levados para os novos habitats.
Microchips ajudam pesquisadores a acompanhar os castores
Parte dos animais também recebe microchips antes da soltura.
O acompanhamento permite que pesquisadores tentem descobrir para onde os castores vão depois da transferência e se permanecem próximos das áreas escolhidas para a recuperação dos cursos d’água.
Barragens reduzem fluxo e formam lagoas e áreas úmidas
O principal impacto ambiental ocorre quando os castores começam a modificar os riachos.
Suas barragens restringem o fluxo da água e podem formar lagoas e pântanos, mantendo maior quantidade de água disponível na paisagem.
Em regiões densamente ocupadas, esse efeito pode causar problemas. Nos desertos de Utah, porém, ambientes úmidos são particularmente valiosos diante das secas frequentes e das altas temperaturas.
Temperaturas podem chegar regularmente a 38°C
As áreas áridas escolhidas para parte das realocações enfrentam condições severas.
Segundo a fonte, as temperaturas em regiões desérticas de Utah chegam rotineiramente a 38°C, enquanto a fauna nativa depende do acesso à água em um ambiente sujeito a secas recorrentes.
A capacidade dos castores de manter água represada passa, nesse contexto, a ter importância para outras espécies.
Presença dos castores pode beneficiar peixes e qualidade da água
Foto: Emma Doden
Pesquisas realizadas ao longo dos anos associaram a presença dos animais a diferentes benefícios ambientais.
Segundo a National Forest Foundation citada pela reportagem, os efeitos incluem melhoria da qualidade da água, populações de peixes mais saudáveis e criação de habitats para outras espécies.
Os benefícios relatados também incluem incêndios florestais menos severos e menos frequentes e melhora no acesso à água potável.
Castores são classificados como espécie-chave
O impacto das barragens vai além da sobrevivência dos próprios animais.
Os castores norte-americanos são considerados uma espécie-chave, expressão usada para animais cuja presença exerce papel fundamental para outras espécies que vivem no mesmo ecossistema.
A transformação física dos cursos d’água ajuda a explicar esse papel.
Estruturas humanas não reproduziam trabalho dos animais
Antes do projeto, o ecologista aquático Nick Bouwes e colegas tentavam recuperar riachos construindo estruturas que imitavam barragens de castores.
Bouwes contou ao New York Times que passou a observar o que os próprios animais conseguiam fazer e a velocidade com que modificavam os ambientes.
Na avaliação do pesquisador, as estruturas construídas pela equipe não se comparavam ao resultado produzido naturalmente pelos roedores.
Fêmea realocada em 2022 formou família e alargou riacho
Um caso acompanhado pelos cientistas ocorreu nas Montanhas Raft River, no noroeste de Utah.
Em 2022, pesquisadores capturaram uma fêmea e a transferiram para a região na esperança de que ela ajudasse a criar habitat para a truta-cutthroat de Yellowstone.
Quando os pesquisadores conseguiram localizá-la novamente, descobriram que ela havia formado uma família e trabalhava para alargar um riacho.
Lago recém-formado apareceu cheio de trutas
O acompanhamento revelou também uma mudança no ambiente próximo.
Os pesquisadores encontraram evidências de um lago recém-formado repleto de trutas-cutthroat de Yellowstone, resultado observado na mesma região onde a fêmea havia sido realocada.
O caso passou a integrar os exemplos utilizados para acompanhar os efeitos ambientais do programa.
Novo rastreamento por satélite começou em 2025
A localização dessa fêmea fez parte de uma nova etapa tecnológica do projeto.
Em 2025, os pesquisadores começaram a desenvolver um método que combina satélites e microchips para rastrear os castores envolvidos nas realocações.
A tecnologia permite acompanhar melhor o destino dos animais depois da soltura e verificar mudanças ocorridas nos habitats.
Castores realocados também enfrentam predadores e dispersão
A transferência não garante que todos os animais permaneçam ou sobrevivam no ponto escolhido.
Castores realocados apresentam risco maior de ataques de predadores como pumas e frequentemente deixam o lugar onde foram inicialmente soltos.
Essas dificuldades continuam sendo parte do acompanhamento do projeto.
Caçadores matam centenas de castores por ano em Utah
A pressão sobre a população também ocorre por ação humana.
Segundo o New York Times citado pela reportagem, caçadores matam centenas de castores anualmente em Utah.
A fonte acrescenta que, somente em 2024, o governo federal matou mais de 23 mil castores.
Programa passou de 47 castores para cerca de 60 por ano
Nas primeiras fases, durante 2019 e 2020, Doden e outros pesquisadores transferiram um total de 47 castores para paisagens desérticas.
O interesse pela estratégia aumentou nos anos seguintes. Teresa Griffin, gestora de vida selvagem da Divisão de Recursos da Vida Selvagem de Utah, afirmou em 2025 que o grupo já capturava e soltava aproximadamente 60 castores por ano.
Projeto que começou no sudoeste se espalhou por Utah
A própria distribuição geográfica das realocações aumentou.
Griffin explicou que, no início, o trabalho ficava concentrado no canto sudoeste do estado, mas posteriormente outras regiões passaram a aderir à estratégia.
Sete anos depois da criação da iniciativa, pesquisadores relatavam resultados positivos em diferentes habitats, enquanto continuavam rastreando os animais e observando como barragens, lagoas e riachos modificados interferiam nos ecossistemas.
Na sua opinião, o que mais chama atenção nesse projeto: transformar castores considerados problemáticos em agentes de recuperação ambiental, usar suas barragens para manter água em regiões áridas ou ampliar a iniciativa de 47 animais iniciais para cerca de 60 realocações por ano? Deixe sua opinião nos comentários.
Tags
castorescriar lagoas
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

