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Petróleo Brent fecha a US$ 106,60, o barril passa de R$ 550 e a conta da Abicom põe o diesel importado a quase o dobro do preço da Petrobras e a gasolina 42% acima

Petróleo Brent fecha a US$ 106,60, o barril passa de R$ 550 e a conta da Abicom põe o diesel importado a quase o dobro do preço da Petrobras e a gasolina 42% acima

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Petróleo Brent fecha a US$ 106,60, o barril passa de R$ 550 e a conta da Abicom põe o diesel importado a quase o dobro do preço da Petrobras e a gasolina 42% acima

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 24/09/2026 às 20:17

Petróleo e Gás

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Abastecimento em posto de combustível (foto de arquivo). Foto: José Cruz/Agência Brasil

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O petróleo Brent subiu 3,41% nesta quinta (24) com o impasse entre EUA e Irã sobre Ormuz; no Brasil, o preço líquido da Petrobras está parado desde junho no diesel e desde 10 de setembro na gasolina, e dois descontos federais somam R$ 2,12 por litro de diesel.

O petróleo Brent fechou a US$ 106,60 nesta quinta-feira, 24 de setembro, alta de 3,41%, e cada barril passou a valer cerca de R$ 553 com o dólar a R$ 5,19.

Foi a segunda alta seguida do petróleo Brent. O barril tinha fechado a terça (22) na casa de US$ 99, depois de cinco quedas, e voltou a passar de US$ 100 na quarta (23).

Do lado brasileiro, a análise diária de paridade de importação da Abicom, a associação dos importadores de combustíveis, mostra a distância entre a Petrobras e o importado.

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Impasse sobre Ormuz levou o petróleo Brent ao segundo dia de alta

Na bolsa ICE de Londres, o petróleo Brent para dezembro subiu US$ 3,52. Pelo relato do Estadão Conteúdo, pesou a “falta de clareza” nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito. Em jogo está a navegação no Estreito de Ormuz.

Tabela da Abicom de 24/09 compara os preços da Petrobras com o custo de importação em cada polo. Foto: Abicom/StoneX/Reprodução

O WTI americano para novembro subiu 2,65%, a US$ 94,61. À tarde, o barril se afastou das máximas.

A Reuters informou que os dois países discutem em Nova York um acordo em etapas para reabrir Ormuz. O acordo trataria também do fim do bloqueio naval americano sobre Teerã.

No Mar Vermelho, a Arábia Saudita disse ter interceptado seis mísseis balísticos disparados pelos houthis contra a cidade portuária de Yanbu e contra Taif.

Dados de rastreamento citados pela AFP mostram três navios-tanque cruzando o Atlântico rumo aos EUA. Os navios, apreendidos pelo governo americano, levam quase 6 milhões de barris de petróleo iraniano. Dois deles estavam na costa brasileira.

O barril do petróleo Brent a R$ 553 e o litro de óleo cru a R$ 3,48

A conta do barril em reais é direta. US$ 106,60 vezes R$ 5,19, o dólar do fechamento desta quinta, dá R$ 553,25. Como o barril tem 159 litros, cada litro de petróleo cru sai por R$ 3,48 a preço de Londres.

FPSO Alexandre de Gusmão, plataforma da Petrobras no pré-sal. Foto: Petrobras/Divulgação

Paulínia (SP) abriga a maior refinaria da Petrobras. Ali, a tabela da Abicom de 24/09 registra a gasolina A da estatal a R$ 3,06 por litro e o diesel A a R$ 3,33. Os dois combustíveis já refinados saíam mais baratos que o litro de óleo bruto cotado lá fora.

A comparação não mede lucro nem prejuízo. A Petrobras refina em boa parte o óleo que ela mesma tira do pré-sal, a um custo que não é o de Londres. O que a conta mostra é o tamanho do buraco para quem precisa trazer combustível de fora.

A Abicom calcula todo dia quanto custa trazer diesel e gasolina de fora

O cálculo tem nome: preço de paridade de importação, o PPI. O boletim mensal da Abicom detalha o que move a conta. Entram a cotação da gasolina e do diesel já refinados no Golfo dos EUA, o frete de navio até o Sudeste e o câmbio.

O petróleo Brent entra por tabela, porque os derivados costumam acompanhar o barril. A análise diária é feita com a consultoria StoneX. Na de 24/09, o Brent aparece acima de US$ 105 e o dólar, pela Ptax, a R$ 5,14.

Desde a última mudança de preço da Petrobras, o PPI do diesel subiu R$ 1,80 por litro, mostra o relatório. O da gasolina, R$ 0,50.

A própria Abicom informa dois limites da conta. Ela compara o preço de hoje com o custo de importação de hoje, e os estoques podem ter sido comprados em outra base. Também deixa de fora o diesel russo, que pode chegar aos portos brasileiros com desconto.

Diesel importado sai pelo dobro do preço da Petrobras em Paulínia

É no diesel que a defasagem fica maior. Em Paulínia, o litro de diesel A da Petrobras custava R$ 3,33, e o PPI calculado para o mesmo polo, R$ 6,65. A diferença é de R$ 3,31 por litro, praticamente o preço inteiro de novo, registra a tabela.

Em vermelho, o custo de importar diesel em Paulínia; em verde, o preço da Petrobras. Foto: Abicom/Reprodução

Na média de seis polos, a defasagem do diesel ficou em R$ 3,01 por litro, ou 89%, segundo a Abicom. Entram na conta cinco polos da Petrobras e o de Aratu, na Bahia. Só nos polos da Petrobras, a média chega a 99%.

O gráfico da associação mostra o PPI de Paulínia acima de R$ 7 em setembro, antes de recuar nos últimos dias. Com uma diferença desse tamanho, importar deixa de fechar a conta para quem não é a Petrobras.

O relatório mostra a janela de importação do diesel fechada há 254 dias, na média dos polos. Na gasolina, há 211 dias.

Na gasolina, a defasagem passou de R$ 0,77 para R$ 1,13 em nove dias

Nos cinco polos da Petrobras, a gasolina importada sai em média 42% acima do preço da estatal, R$ 1,25 por litro, mostra a tabela da Abicom de 24/09.

O degrau na linha verde é o fim do desconto de R$ 0,44 na gasolina A, em 10/09. Foto: Abicom/Reprodução

Com o polo de Aratu, da Acelen, a média dos seis polos cai para 37%, ou R$ 1,13 por litro. Em Paulínia, a distância era de R$ 1,33: o litro saía a R$ 3,06 e o PPI, a R$ 4,39.

Nove dias antes, o relatório de 15/09 mostrava uma defasagem média de R$ 0,77 na gasolina, ou 26%, com o Brent acima de US$ 107. Naquele dia, o PPI da gasolina acumulava queda de R$ 0,15 desde o último reajuste. Agora, acumula alta de R$ 0,50.

A última mudança na gasolina foi em 10/09. Naquele dia, o litro da gasolina A subiu R$ 0,44 com o fim do desconto da MP 1.358, conforme a nota da tabela da Petrobras reproduzida pela Abicom.

O corte federal de R$ 0,63 no PIS/Cofins, válido até 9 de outubro, deixou o litro R$ 0,19 mais barato para as distribuidoras, já com impostos.

O polo de Aratu, na Bahia, é abastecido pela Acelen, que opera a refinaria de Mataripe. Ali, a gasolina A saía a R$ 3,74 e o diesel A, a R$ 4,63. A distância para o importado caía a 14% na gasolina e a 40% no diesel, mostra a mesma tabela.

Do barril à bomba, o caminho tem cinco paradas

Tudo começa em Londres, onde o petróleo Brent é cotado em dólar. Os derivados vendidos no Golfo dos EUA seguem o barril, e o importador brasileiro paga por eles em dólar, mais o frete. Essa soma tem o nome de PPI.

A Petrobras vende gasolina A e diesel A às distribuidoras pela própria tabela, hoje abaixo do PPI. As distribuidoras misturam etanol anidro na gasolina, 30% desde agosto de 2025, e biodiesel no diesel. Depois vêm impostos, frete e a margem do posto.

O anidro não segue o barril: vem das usinas de cana e de milho e tem preço próprio. Na gasolina comum, 70% do litro é gasolina A e acompanha a tabela da Petrobras. Com a gasolina A a R$ 3,06 em Paulínia, a parte da Petrobras em cada litro de gasolina comum fica perto de R$ 2,14.

A conta dá o tamanho da pressão. Se a Petrobras cobrisse os R$ 1,25 de defasagem média dos seus cinco polos, medidos pela Abicom, cada litro de gasolina comum ficaria cerca de R$ 0,88 mais caro.

É 70% de R$ 1,25, antes das margens de distribuidora e posto. A conta é hipotética: no relatório desta quinta, a tabela da gasolina seguia a mesma de 10/09.

Petrobras diz que evita repassar a volatilidade de fora

Em comunicado de 16/09, a Petrobras afirmou que mantém sua estratégia comercial. A nota fala em evitar “o repasse imediato aos preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

A estratégia, diz a nota, é orientada “pela participação de mercado” e “pela otimização de seus ativos de refino”. Cita ainda a busca de rentabilidade.

Na prática, o preço líquido do diesel A não muda desde 1º de junho, quando caiu R$ 0,35 por litro, registra a Abicom. Em 17/09, a Petrobras aumentou o diesel em R$ 1 e deu desconto do mesmo valor, bancado pela subvenção federal. O preço às distribuidoras ficou onde estava.

Dois descontos federais seguram o diesel, e um vence no sábado

Na tabela da Petrobras, o diesel A carrega dois descontos pagos pelo governo federal. O de R$ 1,12 por litro vem da MP 1.363, de 30 de maio, conforme a nota da estatal reproduzida pela Abicom.

O de R$ 1,00 vem da MP 1.391 e vale desde 17/09. Somados, dão R$ 2,12 por litro.

O desconto de R$ 1,12 vence no sábado (26). O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse nesta quinta (24) que o governo deve manter os R$ 2,12 por mais 30 dias. O anúncio está previsto para esta semana.

Restrição ao diesel dos EUA entrou na conta do mercado

Um risco novo vem de Washington. Para a consultoria Capital Economics, citada pelo Estadão Conteúdo, ficou “mais provável do que não” que haja restrição às exportações de diesel dos EUA.

O Golfo dos EUA é justamente a origem que a Abicom usa no cálculo do PPI, com o frete até o Sudeste. Se o diesel americano encarecer, o preço de importação sobe e a defasagem em relação à tabela da Petrobras cresce.

O próximo sinal para o petróleo Brent vem de Nova York, onde EUA e Irã discutem a reabertura de Ormuz. Em Brasília, o governo precisa decidir até sábado (26) se renova o desconto de R$ 1,12 do diesel. O corte do PIS/Cofins da gasolina vale até 9 de outubro.

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preço dos combustíveis


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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