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Pintor combatia ferrugem em farol quando encontrou garrafa escondida na parede com relato de uma reforma realizada 122 anos antes

Pintor combatia ferrugem em farol quando encontrou garrafa escondida na parede com relato de uma reforma realizada 122 anos antes

4 min de leitura

Pintor combatia ferrugem em farol quando encontrou garrafa escondida na parede com relato de uma reforma realizada 122 anos antes

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 01/09/2026 às 10:04

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Documento datado de 1903 estava protegido por uma rolha vedada com betume e descreve reformas, custos, equipamentos e trabalhadores ligados à modernização do farol de Cape Bruny.

Uma mensagem em garrafa escondida havia 122 anos foi encontrada durante serviços de conservação no farol de Cape Bruny, na ilha de Bruny, na Tasmânia. O recipiente guardava uma carta de duas páginas, datada de 29 de janeiro de 1903, com detalhes sobre uma importante reforma realizada na estrutura.

A descoberta aconteceu em 2025, quando um pintor especializado trabalhava no tratamento de uma área afetada pela ferrugem. Ao remover parte da corrosão na parede da sala da lanterna, ele percebeu algo incomum dentro de uma cavidade.

O brilho do vidro revelou a presença da garrafa. Pelo recipiente, ainda era possível enxergar o documento e parte da escrita preservada durante mais de um século.

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A garrafa foi retirada da parede e encaminhada para Hobart, onde conservadores do Tasmanian Museum and Art Gallery, o TMAG, ficaram responsáveis pela abertura e pela recuperação do conteúdo.

Mensagem em garrafa estava atrás de uma placa instalada em 1903

Segundo o Serviço de Parques e Vida Selvagem da Tasmânia, a garrafa estava escondida atrás da última placa colocada no revestimento da sala da lanterna em 29 de janeiro de 1903.

A localização ajudou a explicar por que o objeto permaneceu fora do alcance de trabalhadores e visitantes durante 122 anos. Annita Waghorn, gerente de patrimônio histórico do serviço de parques, declarou à ABC que, até então, não havia conhecimento de que alguém tivesse conseguido acessar aquela cavidade desde a instalação da sala da lanterna.

O pintor responsável pelo achado foi identificado como Brian Burford. Ele trabalhava em uma parte particularmente afetada pela corrosão quando abriu passagem para o espaço interno e percebeu o vidro.

Dentro da garrafa havia um envelope. A equipe inicialmente imaginou que encontraria apenas uma folha, mas, depois da retirada, descobriu duas páginas cobertas por uma escrita cursiva detalhada.

Betume e gargalo estreito dificultaram retirada da carta

A abertura do recipiente exigiu um procedimento cuidadoso. A garrafa estava fechada com uma rolha mergulhada e revestida com betume, material que havia endurecido e funcionava como uma forte vedação.

As conservadoras de objetos Irene Finkelde e Michelle Berry cortaram a camada de betume e trabalharam ao redor da rolha para separá-la do vidro. Parte superior da rolha precisou ser serrada para permitir o acesso ao interior do recipiente.

Depois da abertura, o conservador de papel Cobus Van Breda retirou o envelope pelo gargalo com uma pinça longa. O documento estava dobrado de uma maneira que dificultava sua passagem pela abertura estreita, criando risco de rasgos ou perda de partes do papel.

Apesar dos 122 anos dentro da parede, a carta permanecia em condições consideradas muito boas. A proteção contra o clima e a umidade externa contribuiu para a preservação.

Posteriormente, os conservadores empregaram um processo de umidificação controlada para relaxar e reidratar delicadamente as fibras, permitindo que as páginas fossem abertas e aplainadas.

Carta descreve reformas, custo e funcionamento do farol

O documento foi escrito pelo engenheiro James Robert Meech, identificado também como J.R. Meech. Ele ocupava o cargo de inspetor de faróis do Hobart Marine Board e supervisionava o planejamento, a construção, a manutenção e a operação de estruturas marítimas ao redor da costa da Tasmânia.

A carta apresenta uma descrição das modificações realizadas no farol de Cape Bruny. Entre elas estavam a instalação de uma escada espiral de ferro no lugar da antiga escada de madeira e a substituição de um piso de madeira por uma estrutura de concreto.

Também foram registradas a troca da sala da lanterna e a modernização do sistema óptico. Em entrevista à ABC Radio Hobart, Waghorn explicou que o novo mecanismo da lente havia sido importado da Inglaterra e representava uma tecnologia avançada para aquele período.

A carta informa ainda que as obras custaram £2.200. O governo da Tasmânia estimou que esse montante corresponderia a aproximadamente 473,9 mil dólares australianos em valores atuais, embora não tenha detalhado o método utilizado na conversão.

O documento também registra a mudança no padrão luminoso. O novo sistema funcionava com três segundos de luz seguidos por 19,5 segundos de escuridão. Antes da modernização, eram 50 segundos de luz e outros 50 segundos de eclipse.

Ao final, Meech relacionou os nomes dos faroleiros ligados à estação, preservando um registro dos trabalhadores presentes naquele momento da história marítima da Tasmânia.

Farol começou a operar em 1838

O farol de Cape Bruny começou a ser construído em 1836, depois de uma série de naufrágios na costa sul da Tasmânia. Sua luz foi acesa pela primeira vez em 1838, tornando a estrutura o terceiro farol do estado e o quarto da Austrália.

De acordo com a página histórica do farol mantida pelo governo da Tasmânia, a modernização ocorreu entre 1901 e 1903. Uma nova lanterna fabricada pela companhia britânica Chance Brothers substituiu o equipamento original de Wilkins.

A luz principal de Cape Bruny operou até 1996, quando foi substituída por um equipamento alimentado por energia solar instalado nas proximidades. Em dezembro de 2000, a área passou a integrar o Parque Nacional South Bruny.

O TMAG e o serviço de parques pretendem apresentar a garrafa e a carta ao público futuramente. Até a divulgação do achado, porém, ainda não havia definição sobre o local onde o conjunto histórico seria exposto.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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