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PIX perde força logo após proibição das bets, registra queda de 10% em três dias e levanta uma pergunta: até que ponto as apostas movimentavam o sistema de pagamentos brasileiro?
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/09/2026 às 16:46
Economia
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O PIX registrou 608,6 milhões de transações entre sábado e segunda-feira, volume 10% menor que a média dos mesmos dias nas quatro semanas anteriores, logo após a proibição das bets, mas o Banco Central não estabeleceu relação causal entre a medida e a queda no sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
O PIX apresentou uma queda relevante no volume de operações logo depois da publicação da medida provisória que proibiu as apostas esportivas on-line, conhecidas como bets. Nos três dias seguintes à medida, foram registradas 608,6 milhões de transações, quantidade aproximadamente 10% menor que a média observada nos mesmos dias das quatro semanas anteriores.
Os números foram divulgados pelo g1 em 29 de setembro de 2026, com base nas estatísticas do Sistema de Pagamentos Instantâneos, o SPI, do Banco Central. A sequência chama atenção pela proximidade entre os eventos, mas os próprios dados disponíveis não permitem concluir, sozinhos, que a proibição das bets tenha provocado diretamente a redução.
PIX caiu 11% já no primeiro dia após a publicação da medida
A medida provisória foi publicada na sexta-feira, 25 de setembro. No sábado seguinte, dia 26, o sistema registrou 229,6 milhões de transações, segundo os dados do Banco Central utilizados pelo g1.
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Esse resultado ficou 11% abaixo da média dos quatro sábados anteriores. A comparação é importante porque não confronta o sábado simplesmente com o dia anterior, mas com outros dias equivalentes, reduzindo parte da distorção que poderia ocorrer por diferenças naturais de comportamento ao longo da semana.
Domingo aprofundou a queda e chegou a 12%
No domingo, 27 de setembro, o movimento de redução continuou. Foram registradas 165,9 milhões de operações com PIX, volume 12% inferior à média observada nos quatro domingos anteriores.
Entre os três dias analisados, essa foi a maior queda percentual. O recuo apareceu, portanto, tanto no sábado quanto no domingo, formando uma sequência imediatamente posterior à entrada da proibição das bets no cenário nacional.
Segunda-feira ainda ficou 7,4% abaixo da média recente
A segunda-feira, 28 de setembro, apresentou uma diferença menor, mas manteve o mesmo sentido. O Banco Central contabilizou 213 milhões de transações, número 7,4% inferior à média das quatro segundas-feiras anteriores.
Esse era o dado mais recente disponível quando o levantamento foi publicado. Somados os resultados de sábado, domingo e segunda-feira, o sistema acumulou as 608,6 milhões de operações, consolidando redução de aproximadamente 10% em relação ao padrão das quatro semanas anteriores.
Queda ocorreu logo após proibição das bets, mas isso não prova causa
A proximidade temporal é o elemento que torna os números especialmente relevantes. A medida que proibiu as bets foi publicada na sexta-feira e, já nos três dias seguintes, o volume de transações ficou consistentemente abaixo das médias recentes.
Isso, porém, não significa automaticamente que uma coisa tenha provocado a outra. Os dados mostram que os dois acontecimentos ocorreram em sequência, mas não demonstram quanto das transações anteriores estava diretamente ligado às plataformas de apostas.
Banco Central foi questionado sobre possível relação
O g1 procurou o Banco Central justamente para esclarecer esse ponto. O veículo perguntou se havia uma relação identificável entre a redução das operações e a publicação da medida provisória que proibiu as apostas.
Também questionou se as informações disponíveis no sistema permitiam estabelecer essa associação. Até a última atualização da reportagem original, o Banco Central ainda não havia respondido às perguntas, deixando aberta justamente a principal questão levantada pelos números.
Dados vêm do Sistema de Pagamentos Instantâneos
Os números usados na comparação fazem parte das estatísticas do Sistema de Pagamentos Instantâneos, o SPI, administrado pelo Banco Central.
A base reúne as transações PIX efetivamente liquidadas no sistema. Isso permite acompanhar a quantidade de operações realizadas, mas o total agregado apresentado na reportagem não identifica, por si só, a finalidade individual de cada pagamento.
Três dias somaram quase 68 milhões de operações a menos proporcionalmente
O principal dado do levantamento está na comparação percentual. Se o intervalo de sábado a segunda-feira tivesse repetido aproximadamente o comportamento médio observado nos mesmos dias das quatro semanas anteriores, o volume teria sido maior.
O resultado efetivo ficou 10% abaixo dessa referência, chegando a 608,6 milhões de operações. É essa diferença que colocou em evidência a discussão sobre o tamanho da participação das bets dentro do fluxo cotidiano de pagamentos instantâneos no país.
Mudança foi registrada em três dias consecutivos
Outro detalhe relevante é que a queda não ficou concentrada em apenas um dia fora da curva. Os três períodos comparados apresentaram retração: 11% no sábado, 12% no domingo e 7,4% na segunda-feira.
A repetição do movimento torna o comportamento estatístico mais interessante, mas ainda não resolve a questão da causa. Para determinar quanto as apostas efetivamente representavam nas transferências anteriores, seriam necessárias informações capazes de separar ou identificar a natureza dessas operações.
PIX é usado para uma enorme variedade de pagamentos
O volume total do PIX reúne transferências realizadas para inúmeras finalidades, de pagamentos cotidianos a movimentações comerciais e financeiras. Por isso, uma alteração no total agregado pode refletir diferentes comportamentos acontecendo ao mesmo tempo.
No caso analisado, a coincidência com a proibição das bets chama atenção justamente pelo tamanho e pela velocidade do recuo. O que ainda permanece sem resposta é qual parcela dessa mudança pode ser efetivamente atribuída ao mercado de apostas.
Números ajudam a dimensionar a força do sistema brasileiro
Mesmo depois da queda, o volume permanece expressivo. Em somente três dias, foram contabilizadas mais de 608 milhões de transações, mostrando a escala alcançada pelo sistema de pagamentos instantâneos no Brasil.
Ao mesmo tempo, uma variação de 10% nesse universo significa uma mudança de dezenas de milhões de operações em poucos dias. É por isso que alterações relativamente pequenas em termos percentuais podem representar movimentos muito grandes quando aplicadas ao volume total do PIX.
Proibição das bets cria um teste inesperado para os dados do PIX
A sequência registrada após a medida provisória acabou criando uma espécie de comparação natural entre o comportamento do sistema antes e depois da mudança regulatória.
Até o momento, porém, o levantamento permite afirmar apenas que as transações caíram de maneira relevante imediatamente após a publicação da proibição. A ligação direta entre os dois eventos continua dependente de análise adicional e de dados capazes de identificar a origem das operações.
Queda de 10% deixa uma pergunta que os números ainda não respondem
Os dados do Banco Central colocam um número concreto no centro da discussão: 608,6 milhões de transações em três dias, 10% abaixo da média recente para os mesmos períodos da semana. O recuo começou imediatamente após a publicação da medida que proibiu as apostas esportivas on-line.
A coincidência é clara; a causalidade, ainda não. A questão agora é saber quanto desse movimento estava relacionado às bets e quanto pode ter vindo de outros fatores que influenciam o uso cotidiano do PIX. Na sua opinião, a queda de 10% mostra que as apostas tinham peso muito maior no sistema de pagamentos do que parecia? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

