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Poço geotérmico de rocha superquente chega a 10.350 pés em apenas 15 dias de perfuração no Oregon, 80% mais rápido que o poço anterior da mesma empresa, e coloca o quilowatt instalado a caminho de US$ 3.200

Poço geotérmico de rocha superquente chega a 10.350 pés em apenas 15 dias de perfuração no Oregon, 80% mais rápido que o poço anterior da mesma empresa, e coloca o quilowatt instalado a caminho de US$ 3.200

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Poço geotérmico de rocha superquente chega a 10.350 pés em apenas 15 dias de perfuração no Oregon, 80% mais rápido que o poço anterior da mesma empresa, e coloca o quilowatt instalado a caminho de US$ 3.200

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 03/09/2026 às 16:53

Atualizado em 03/09/2026 às 16:55

Ciência e Tecnologia

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Um poço geotérmico de rocha superquente chegou a 10.350 pés de profundidade em apenas quinze dias de perfuração no Oregon, oitenta por cento mais rápido que o poço anterior da mesma empresa, e o número que muda o jogo não é a profundidade alcançada e sim o relógio parado no fim do serviço.

A Mazama Energy divulgou o resultado em comunicado de 1º de setembro. Segundo a empresa, o poço batizado de Athena, perfurado em Newberry, no estado do Oregon, atingiu 10.350 pés, algo em torno de 3.155 metros, em 15 dias de operação de sonda.

Para efeito de comparação, o poço que a mesma companhia perfurou em 2025 levou cinco vezes mais tempo para chegar ao mesmo ponto. Ou seja, foram 80% menos dias de sonda para o mesmo trabalho. Durante a operação, conforme o comunicado, a broca chegou a picos instantâneos acima de 350 pés por hora e sustentou média superior a 130 pés por hora.

Sonda de perfuração iluminada ao lado de turbina eólica

O gargalo da geotermia nunca foi o calor

Aqui está, no entanto, o ponto que costuma escapar de quem olha o setor de fora. Calor no subsolo profundo existe em quantidade absurda e em quase todo lugar do planeta. O que sempre impediu essa energia de sair do papel foi o custo de chegar até ele: perfurar rocha muito quente destrói broca, cansa equipamento e consome dias de sonda, e dia de sonda é a linha mais cara da planilha inteira.

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Por isso o tempo importa mais que o recorde de profundidade. Cada dia a menos de perfuração se converte direto em dólar por quilowatt instalado. A empresa projeta que seu primeiro projeto comercial saia entre US$ 4.500 e US$ 4.950 por quilowatt e enxerga um caminho para US$ 3.200 por quilowatt conforme a tecnologia ganhar escala. Esse segundo número é o que coloca a geotermia profunda na mesma conversa que outras fontes firmes.

Vista aérea de sonda de perfuração à noite

Rocha superquente é outra categoria de problema

A expressão rocha superquente descreve formações em temperaturas muito acima do que a geotermia convencional costuma explorar. Em 2025, de acordo com a companhia, o piloto anterior alcançou 629 graus Fahrenheit, ou 331 graus Celsius, e foi apresentado como o sistema geotérmico aprimorado mais quente do mundo. Agora a meta declarada passa dos 750 graus Fahrenheit.

Ademais, quanto mais quente o fluido que sobe, mais eletricidade se extrai de cada litro bombeado. É a mesma lógica de qualquer termelétrica: a eficiência do ciclo depende da diferença de temperatura entre o que entra e o que sai. Chegar a temperaturas mais altas, portanto, não é vaidade de engenharia, é o que permite usar menos poços para gerar a mesma energia. E poço, nesse setor, é praticamente sinônimo de custo.

Vale entender, isto é, o que torna essa faixa de temperatura tão hostil. Acima de certo ponto, a rocha deixa de se comportar como material rígido e passa a fluir devagar sob pressão, o que fecha o poço nas costas de quem está perfurando. A eletrônica que desce junto com a coluna também tem limite: sensores comuns de fundo de poço simplesmente param de funcionar em ambientes assim. Cada uma dessas barreiras precisou de solução própria antes que a velocidade de avanço pudesse subir.

O passo seguinte, ainda segundo a empresa, é o Project Ceres, que conta com apoio do Departamento de Energia dos Estados Unidos e prevê perfurar os primeiros poços horizontais de rocha superquente em escala comercial. A técnica horizontal, emprestada da indústria de óleo e gás, expõe muito mais rocha quente ao fluido sem precisar furar mais fundo.

Torre de perfuração ao entardecer

A corrida está acontecendo em mais de um deserto

A Mazama, contudo, não corre sozinha. No mesmo ano, a Fervo Energy anunciou que seu poço Sawtooth 7, na Cape Station, em Utah, atingiu 19.448 pés de profundidade medida, cerca de 5.927 metros, incluindo um trecho lateral de 7.500 pés, em 21 dias entre o início e a profundidade final. São abordagens diferentes, mas a mensagem que as duas empresas mandam ao mercado é idêntica: a curva de aprendizado da perfuração geotérmica está descendo rápido.

Além disso, há uma diferença prática que separa essa fonte das renováveis mais conhecidas. Sol e vento entregam energia quando o tempo deixa, e por isso precisam de bateria ou de uma usina de reserva atrás. Um poço geotérmico, ao contrário, roda de madrugada, no inverno e em dia nublado, com fator de capacidade parecido com o de uma térmica convencional. É energia firme, que serve de base para o sistema elétrico, e não apenas de complemento. Essa característica explica por que data centers e indústrias de consumo contínuo vêm olhando para o setor com interesse crescente.

Confesso que essa é a parte que mais me chama atenção nessa história toda. A geotermia passou décadas sendo tratada como energia de nicho, coisa para Islândia e para vale vulcânico, exatamente porque só fazia sentido onde o calor já estava quase na superfície. Se furar fundo virar barato e previsível, a restrição geográfica cai, e a lista de lugares onde essa energia funciona deixa de ser uma exceção no mapa.

Nada disso significa, porém, que a conta já fechou. Um poço rápido não é uma usina operando, e o setor tem histórico de anunciar recordes técnicos que demoram anos para virar megawatt no fio. No entanto, quando o número que cai é o de dias de sonda, e não o de promessa futura, a diferença costuma aparecer no preço.

Enquanto isso, quem acompanha o setor de energia no Brasil tem motivo para prestar atenção. O país tem gradiente geotérmico modesto perto da superfície, o que sempre manteve essa fonte fora da conversa por aqui. Dessa forma, se a perfuração profunda barateou de verdade, a régua muda, e vale rever a conta antes de dar o assunto por encerrado. Fico curioso para saber o que você acha disso.

Você confiaria em uma usina alimentada por um poço de mais de três mil metros embaixo dos seus pés?

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Fontes

Mazama Energy

ThinkGeoEnergy


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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