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Polônia publica manual de ataque aéreo de 12 páginas com regra das 2 paredes e mochila pronta, e se prepara para exercício de evacuação com a Lituânia

Polônia publica manual de ataque aéreo de 12 páginas com regra das 2 paredes e mochila pronta, e se prepara para exercício de evacuação com a Lituânia

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Polônia publica manual de ataque aéreo de 12 páginas com regra das 2 paredes e mochila pronta, e se prepara para exercício de evacuação com a Lituânia

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/09/2026 às 07:18

Atualizado em 28/09/2026 às 07:19

Ciência e Tecnologia

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Representantes da Lituânia, da Letônia e da Polônia na visita de estudo sobre evacuação em massa, na Polônia, em setembro de 2026. Foto: Ochrona ludności i obrona cywilna/gov.pl (Governo da Polônia)

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O manual de ataque aéreo de 12 páginas do governo polonês ensina onde se abrigar, o que levar e o que evitar dentro de casa, enquanto a Lituânia faz até 3 de outubro o exercício Vyčio skliautas 2026, com sirenes no país inteiro.

A Polônia publicou em 25 de setembro um manual de ataque aéreo de 12 páginas: abrigo, mochila pronta e a regra de ficar atrás de pelo menos duas paredes sólidas.

O documento saiu do Ministério do Interior e da Administração, o MSWiA. Na nota oficial do ministério, o governo diz que a instrução foi feita com bombeiros do Corpo de Bombeiros do Estado polonês e especialistas em proteção da população.

No mesmo dia, a vizinha Lituânia abriu o exercício nacional Vyčio skliautas 2026, que vai de 25 de setembro a 3 de outubro, segundo o aviso oficial da prefeitura de Kazlų Rūda, um dos municípios que participam.

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Os dois países também trabalham juntos na evacuação. O governo polonês informou que a Polônia se prepara para participar de um exercício lituano de evacuação em massa de moradores através da fronteira. A seguir, o manual traduzido passo a passo e o que muda nos dois países.

O que é o manual de ataque aéreo que a Polônia acaba de publicar

O nome oficial, segundo o MSWiA, é “Zagrożenie atakiem z powietrza: instrukcja reagowania”, algo como “ameaça de ataque aéreo: instrução de reação”. São 12 páginas ilustradas, em linguagem direta, feitas para qualquer morador entender em poucos minutos.

A regra das duas paredes e os cômodos indicados, na instrução oficial polonesa. Foto: MSWiA/gov.pl

Segundo o MSWiA, o texto é um desdobramento do “Poradnik Bezpieczeństwa”, o guia de segurança que no começo de 2026 chegou a quase 17 milhões de lares poloneses. O manual de ataque aéreo aprofunda uma parte específica daquele guia.

O documento já está no portal do governo e, segundo o ministério, vai aparecer em breve no mObywatel, o aplicativo oficial do cidadão polonês. A instrução também foi enviada às prefeituras de todo o país por meio dos governadores regionais.

A vice-ministra do Interior, Magdalena Roguska, resumiu o objetivo: “É importante se preparar já hoje”. Segundo ela, a ideia é criar o hábito de reagir rápido e do jeito certo quando tocarem as sirenes ou chegarem os alertas oficiais no celular.

Antes do alarme: os 7 passos que o governo polonês pede

A primeira página prática do manual de ataque aéreo lista sete tarefas para antes de qualquer ameaça. Uma delas é combinar com a família como agir, incluindo um ponto de encontro e a forma de manter contato.

Outra, pela instrução, é descobrir onde fica o abrigo mais próximo. O governo indica o site gdziesieukryc.pl, cujo nome significa “onde se esconder”, com o mapa dos pontos de abrigo marcados pelas autoridades.

Também entra na lista conhecer os sinais de alarme. O manual informa que o significado de cada toque de sirene aparece no aplicativo mObywatel e numa página oficial do Centro Governamental de Segurança, o RCB.

Completam a lista, de acordo com o texto oficial, ler o guia de segurança distribuído às casas e montar a mochila de evacuação, cuja lista completa está na última página. O manual ainda pede para testar o caminho até o abrigo e o jeito de entrar nele, e para conversar sobre as regras de segurança com os próximos, principalmente com as crianças e com quem precisa de apoio.

Onde se abrigar, na ordem que o manual indica

São quatro tipos de lugar no manual, conforme o tempo disponível. O melhor é o ponto de abrigo sinalizado ou indicado pelos serviços de emergência. No desenho do manual, a placa aparece com um triângulo azul sobre fundo laranja.

Na sequência vem a estrutura subterrânea bem preparada, diz a instrução: garagem subterrânea, porão, túnel ou passagem subterrânea. O terceiro é um prédio com paredes e lajes sólidas, sem danos visíveis.

O quarto é o próprio apartamento ou casa, no cômodo central, usando a regra das duas paredes. Em qualquer caso, o governo polonês orienta a preferir cômodos no andar mais baixo do prédio.

A decisão na hora do alarme no manual de ataque aéreo

A página mais importante do documento é a da decisão. Se o abrigo sinalizado estiver disponível, o caminho for seguro e houver tempo, a ordem é ir até lá levando a mochila de evacuação e os remédios indispensáveis.

Página da instrução oficial polonesa sobre a decisão na hora do alarme. Foto: MSWiA/gov.pl

Uma regra aparece em vermelho no manual: não usar elevador. O deslocamento deve ser feito só pela escada, segundo o governo polonês.

Se a pessoa estiver em casa e não conseguir chegar com segurança ao abrigo, deve ficar no prédio e ir para o cômodo central sem janelas. Em todos os casos, vale seguir as ordens dos serviços de emergência e os alertas oficiais.

A instrução também afasta o heroísmo. Se chegar ao abrigo exigir muito tempo na rua, o texto diz para não tentar chegar a qualquer custo. A pessoa deve ficar no prédio, se ele estiver inteiro, ou entrar no prédio sólido mais próximo.

A regra das duas paredes, explicada pelo governo

É a regra central do manual de ataque aéreo. Entre a pessoa e o lado de fora devem existir pelo menos duas paredes sólidas, segundo a nota do MSWiA.

O ministério explica a lógica. A primeira parede pode segurar parte dos estilhaços e dos escombros. A segunda reduz o risco de ferimentos. Por isso, a orientação é escolher cômodos dentro do prédio, junto a uma parede interna de sustentação.

Os 7 cômodos que servem de abrigo dentro de casa

O manual de ataque aéreo dá uma lista objetiva de lugares adequados. São sete: corredor interno, hall de entrada ou antessala, banheiro, closet, porão, garagem subterrânea e depósito sem janelas.

O banheiro tem uma condição, avisa o governo polonês. Ele só serve se não tiver janela, caldeira ou aquecedor a gás. Mesmo assim, a pessoa deve ficar longe de espelhos, peças de vidro, boiler e armários pesados.

A escada do prédio também tem ressalva. Pelo texto, ela serve antes de tudo para circular, e não deve ser escolhida como abrigo se tiver janelas grandes.

O que evitar no cômodo escolhido

A lista do que tirar da frente é tão importante quanto a do que procurar. O cômodo não deve ter caldeira, fogão ou aquecedor a gás, nem botijões de gás, segundo o manual.

Também entram na lista de risco, conforme a página 6, os espelhos grandes e os objetos pesados pendurados na parede. Na página 10, o documento pede para tirar do caminho tudo o que possa cair, quebrar ou bloquear a saída.

O manual pede ainda para retirar antes do caminho e do abrigo a gasolina e outros combustíveis, tintas e solventes, botijões, fogos de artifício e grandes volumes de madeira e papel.

Porão e garagem subterrânea: quando servem e quando não

Duas páginas do documento tratam do subsolo, com um aviso direto: nem todo cômodo subterrâneo é seguro. Antes de usar o porão, o morador deve conferir cinco pontos.

Os cinco são paredes e lajes sólidas sem danos, entrada desobstruída, caminho de saída seguro, iluminação de emergência e ventilação funcionando. Com isso, porão e garagem bem preparados podem dar proteção, segundo o manual.

Os sinais de alerta são quatro: laje danificada, rachaduras na estrutura, uma única saída fácil de bloquear e tubulação de gás passando pelo espaço. Com qualquer um deles, o porão não deve ser usado.

Dentro da garagem, conforme o manual, a instrução é escolher uma área sem combustível, botijões e produtos químicos, longe de carregadores e salas técnicas, e o mais distante possível do portão e da rampa. Motores não podem ser ligados.

Se o morador não tiver certeza de que o subsolo é seguro, ou se o prédio não tiver porão nem garagem, o manual de ataque aéreo manda ficar no cômodo central do apartamento ou da casa.

Se o alarme pegar você no carro ou na rua

Quem está no trânsito ganhou uma página própria no manual. A orientação é sair do veículo e ir para o abrigo mais próximo, de acordo com os avisos e as ordens dos serviços de emergência.

O carro não pode ser deixado de qualquer jeito. Segundo o documento, ele deve ser estacionado de forma a não atrapalhar a passagem de ambulâncias, bombeiros e outros veículos de emergência.

Para quem está em área aberta, a regra é outra. Se ouvir uma explosão, a pessoa deve se jogar no chão, de preferência num buraco ou depressão do terreno, e proteger a cabeça.

A mochila de evacuação: os 11 itens da lista oficial

A última página do manual traz a lista do que a mochila de evacuação deve ter antes de tudo. Contando item por item no documento, são 11 itens, com espaço para marcar cada um.

A lista oficial da mochila de evacuação, na última página da instrução polonesa. Foto: MSWiA/gov.pl

A lista oficial começa pelo kit de primeiros socorros com os remédios de uso contínuo, água engarrafada e comida pronta para consumo. Em seguida vêm o celular, o carregador portátil carregado com o cabo e um rádio a pilha ou a manivela.

Fecham a lista as pilhas de reserva, a lanterna, roupa quente, documento de identidade e um caderno com os telefones das pessoas próximas, para o caso de o celular falhar.

A mochila deve ser adaptada, pede o governo polonês, à idade, à saúde e aos cuidados com crianças, idosos, pessoas com necessidades especiais e animais de estimação. Para crianças, o manual cita até protetor de ouvido.

Como o morador treina: 154 mil pessoas no treino nacional

O manual de ataque aéreo não chegou sozinho. Em nota de 14 de setembro, o governo polonês informou que mais de 154 mil pessoas participaram do treino nacional de reação a sinais de alarme, feito em 29 e 30 de agosto.

O treino ocorreu em quase 1.500 pontos pelo país. Pela conta com os números oficiais, 154 mil pessoas divididas por até 1.500 pontos dão mais de 100 participantes por ponto, em média.

Os participantes treinaram um esquema de três passos: reconhecer o sinal de alarme, conferir a mensagem numa fonte oficial, como o Alerta RCB, e agir, verificando o abrigo e montando a mochila de evacuação.

O governo polonês também informou que destinou 34 bilhões de zlotys ao Programa de Proteção da População e Defesa Civil em 2025 e 2026.

O que é o Vyčio skliautas 2026, o exercício da Lituânia

Do outro lado da fronteira, a Lituânia faz o maior teste do ano do seu sistema de mobilização. Segundo o aviso oficial de Kazlų Rūda, o exercício Vyčio skliautas 2026 ocorre em todo o território lituano, de 25 de setembro a 3 de outubro.

Apresentação do projeto MassMovement, da Letônia e da Lituânia, durante a visita de estudo na Polônia. Foto: Mariola Główka/Państwowa Straż Pożarna (gov.pl)

Contando as datas do aviso, são nove dias de exercício, de uma sexta-feira a um sábado. A Lituânia faz fronteira terrestre com a Polônia no sudoeste do país.

O aviso descreve o que está sendo avaliado. É a preparação do Estado e das prefeituras para agir em mobilização, manter as funções vitais funcionando e fazer as instituições trabalharem juntas.

Em Kazlų Rūda, a prefeitura informa que faz exercícios de mesa. São simulações em que os membros do centro de operações de emergência tomam decisões sobre cenários de crise, sem ações reais na rua.

Por isso, segundo a prefeitura, os moradores não precisam fazer nada durante esses exercícios de mesa. O aviso pede que a população fique calma e siga só as informações oficiais.

As sirenes que tocam na Lituânia na terça-feira (29)

O momento que o morador lituano vai ouvir tem hora marcada. Segundo a prefeitura de Kazlų Rūda, na terça-feira, 29 de setembro, às 11h52 no horário local, as sirenes serão ligadas em toda a Lituânia.

No mesmo teste, o sistema oficial de alerta à população vai mandar mensagens para os celulares. As sirenes tocam por 3 minutos, segundo o aviso.

A prefeitura insiste que é um teste programado do sistema, e não um alerta de perigo real. “Ao ouvir as sirenes, não se assuste”, diz o texto oficial.

Às 11h52 de Vilnius, no horário de verão lituano, são 5h52 em Brasília. Para saber como se preparar para emergências, o aviso indica o site oficial lituano LT72.

Polônia e Lituânia: a evacuação que cruza a fronteira

A ligação entre os dois países está numa nota do governo polonês de 17 de setembro. Entre 7 e 9 de setembro, representantes da Lituânia e da Letônia fizeram na Polônia uma visita de estudo sobre evacuação em massa.

Reunião da visita de estudo sobre proteção da população e evacuação, em setembro de 2026. Foto: Ochrona ludności i obrona cywilna/gov.pl (Governo da Polônia)

A visita fez parte do projeto dos dois países bálticos chamado “MassMovement: From Strategy to Safety”, voltado à preparação para evacuação em massa e à resiliência da população, segundo a nota da área de proteção da população do governo polonês.

O governo polonês informa que a delegação passou pelo Ministério do Interior, pelo governo da região de Mazóvia, pelo Centro de Segurança de Varsóvia e pelo comando-geral dos bombeiros. Também participaram o Estado-Maior-Geral das Forças Armadas polonesas e a agência da ONU para refugiados.

Segundo a nota, os temas foram a evacuação transfronteiriça com os países bálticos e as regras para receber, abrigar e registrar pessoas evacuadas, além de coordenar as rotas de deslocamento.

A nota afirma que a visita foi parte da preparação da Polônia para participar de um exercício lituano de evacuação em massa através da fronteira. Para a Polônia, será o primeiro exercício internacional de proteção da população desde a nova lei do setor.

Por que o assunto chega ao leitor brasileiro

O preparo civil não é assunto só da Polônia. No CPG, já mostramos como a Finlândia esconde cidades inteiras debaixo da terra com academias e parques infantis, um modelo de abrigo em escala de país.

A lógica da mochila pronta também aparece longe dali. O governo japonês orienta famílias a manter água, comida e banheiro de emergência para uma semana, pensando em terremoto e apagão.

A regra das duas paredes, a mochila com 11 itens e o hábito de conhecer o som da sirene são o tipo de preparo que qualquer família pode entender.

Você saberia dizer, agora, qual cômodo da sua casa tem duas paredes entre você e a rua?

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manual de ataque aéreo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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