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Pombim é um touro da raça Tabapuã usado como reprodutor numa propriedade da região serrana do Espírito Santo, levou um empurrão de outro boi numa briga, foi parar num penhasco e ficou cinco dias lá em cima até os bombeiros montarem dois sistemas de ancoragem e descê-lo de rapel
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 04/09/2026 às 14:43
Atualizado em 04/09/2026 às 14:50
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Ele desceu sem nenhuma fratura, só com escoriações, e o dono acompanhou os três dias de operação de perto.
Resgate em altura costuma ser gente pendurada em corda para tirar outra gente de um lugar ruim. Desta vez, quem estava no lugar ruim tinha quatro patas, chifres e um nome: Pombim, touro da raça Tabapuã usado como reprodutor numa propriedade no bairro da Grama, em Afonso Cláudio, na região serrana do Espírito Santo, conforme reportagem de A Gazeta.
Ele passou cinco dias preso numa área de difícil acesso, e o Corpo de Bombeiros levou três dias de operação para tirá-lo de lá, segundo o mesmo veículo. O resgate foi acompanhado pelo proprietário, Darli Ahnert.
Como um touro vai parar num penhasco
A causa não foi descuido nem fuga. Segundo os bombeiros, o touro foi parar no penhasco após uma briga com outro bovino, que teria empurrado o animal, conforme A Gazeta.
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Disputa entre machos é rotina em propriedade que mantém reprodutor, e o empurrão é o golpe mais comum nesse tipo de embate. O que muda o desfecho é o que existe atrás do animal empurrado, e ali atrás havia queda.
O chamado das 17h de quinta
Os bombeiros foram acionados na tarde de quinta-feira, dia 27 de agosto, por volta das 17h, mas, por causa do horário e da dificuldade de acesso, os trabalhos só começaram na manhã de sexta-feira, dia 28, conforme a Folha Vitória.
Trabalhar em encosta rochosa no escuro multiplica o risco para quem desce e para o animal. Adiar algumas horas foi a decisão que manteve a equipe inteira. Ocorrência com bicho preso em lugar impossível é rotina no serviço, como no caso já noticiado das vacas que sumiam de uma pastagem na Bélgica até um vizinho usar um drone e achar treze animais presos no fundo de um poço.
O touro é manso, e mesmo assim travou a operação
Durante a primeira tentativa de retirada, apesar de ser manso, Pombim ficou bastante estressado, o que dificultou a operação, segundo A Gazeta. A Folha Vitória registra que o animal se agitou ao ser laçado, e que foi essa reação que levou os socorristas a mudarem a estratégia.
É uma resposta previsível em bovino. O laço restringe o pescoço e o animal reage puxando na direção oposta, o que num terreno de pedra transforma qualquer tranco em risco de queda. Insistir teria sido pior do que recuar.
O que é um ponto de ancoragem
A equipe instalou pontos de ancoragem na rocha e montou um sistema de cordas para fazer a descida controlada do animal, conforme as duas reportagens. Ancoragem é a fixação que segura todo o sistema, presa na própria estrutura do terreno.
A partir dela dá para controlar a velocidade da descida em vez de simplesmente deixar a carga cair. Num resgate de animal, é isso que separa retirar o bicho de derrubar o bicho, e vale para qualquer espécie, como no caso já noticiado da ursa e dos três filhotes que entraram por uma abertura estreita e ficaram mais de doze horas presos num tanque de água.
A primeira descida, na sexta-feira
A equipe decidiu então instalar os pontos de ancoragem e realizar uma primeira descida controlada até uma área mais plana, com pastagem, onde o touro permaneceu em segurança durante a noite, conforme A Gazeta.
Essa etapa começou por volta das 11h de sexta-feira e terminou perto das 19 horas, segundo a Folha Vitória. São cerca de oito horas de trabalho contínuo em encosta para vencer o primeiro trecho.
O sábado em que o dono tentou resolver sozinho
No sábado, dia 29, o proprietário levou água e alimento ao touro na expectativa de que ele conseguisse deixar o local por conta própria, mas isso não ocorreu, de acordo com A Gazeta. Foi um dia inteiro de espera sem resultado.
A aposta fazia sentido. Bovino que se enrosca em terreno acidentado às vezes desce sozinho depois que se acalma e recupera energia, e nesses casos o resgate se resolve sem equipe nenhuma.
Por que o animal não desceu
O que costuma travar um bovino nessas situações não é falta de força, é geometria. O animal sobe por um caminho que consegue percorrer para cima e depois não enxerga apoio para o mesmo trajeto na descida, porque o eixo de visão e o centro de massa mudam.
Some-se a isso o estresse acumulado depois de dias no mesmo ponto, que a própria reportagem descreve. Animal tenso testa menos o terreno e tende a ficar parado onde está.
O domingo, com um segundo sistema de cordas
No domingo, dia 30, os bombeiros montaram um novo sistema de ancoragem e, utilizando técnicas de rapel, realizaram outra descida controlada até uma área segura, concluindo o resgate, conforme A Gazeta. Foram dois sistemas montados em dois dias diferentes.
O encerramento foi registrado às 16h20 daquele domingo, segundo a Folha Vitória. Da primeira chamada até esse horário foram três dias de operação, dentro dos cinco dias em que o touro ficou preso.
O peão que entrou no time de resgate
Um detalhe diz muito sobre resgate de animal de grande porte: a operação contou com o apoio de trabalhadores experientes no manejo de gado, conforme as duas reportagens. A amarração e a condução do touro passaram por eles.
Bombeiro sabe montar sistema de cordas. Quem sabe onde passar a corda num touro sem machucá-lo, e como conduzi-lo sem provocar nova reação, é quem lida com gado todo dia. A operação juntou as duas competências.
Como Pombim saiu de lá
O resultado é a parte que costuma faltar nesse tipo de notícia. Pombim não sofreu fraturas e teve apenas pequenas escoriações, segundo A Gazeta.
Para um animal que passou cinco dias numa saliência de rocha e desceu duas vezes preso a um sistema de cordas, é um desfecho melhor do que a média desse tipo de ocorrência.
Por que esse touro valia uma operação de três dias
Pombim é utilizado como reprodutor na propriedade, conforme A Gazeta. Um reprodutor não é gado de abate: ele carrega a genética do rebanho e concentra anos de seleção do criador.
É por isso que o proprietário acompanhou os três dias de operação em vez de deixar o animal por lá. O prejuízo de perder um reprodutor não se resolve comprando outro bicho qualquer no mercado.
O que costuma dar errado nesses casos
O erro mais comum é a pressa de quem chega primeiro. Tentar puxar o animal antes de montar o sistema de segurança é o que provoca queda, fratura e, em parte dos casos, a morte do bicho no meio da operação.
Foi por isso que a mudança de estratégia depois da primeira tentativa, descrita pelas duas reportagens, importa mais do que parece. A equipe interrompeu o método que não estava funcionando em vez de insistir nele.
Quando o tempo joga contra
Em resgate de animal preso, o relógio é adversário. Sem água e sem pasto o quadro se agrava rápido, e num terreno de pedra o risco de queda cresce à medida que o bicho enfraquece.
Casos que se arrastam por muitas horas costumam ficar mais difíceis, como no episódio já noticiado do cão que passou quase vinte horas soterrado depois de um muro desabar em temporal e foi achado vivo porque continuou latindo sob os escombros.
O que ficou registrado
A ocorrência entrou na estatística do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo como resgate em altura, com duas montagens de ancoragem, duas descidas controladas e uma mudança de plano no meio do caminho, conforme o relato das duas reportagens.
Pombim voltou para a área segura na tarde de domingo, sem fratura, e o dono levou o reprodutor de volta para a propriedade. A briga que começou tudo isso não teve testemunha registrada.
Fontes
A Gazeta, Touro fica preso em penhasco e é resgatado com rapel no ES
Folha Vitória, Boi fica preso em rocha e bombeiros descem de rapel para resgatá-lo no ES
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

