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Porto dos EUA vai gastar US$ 642 milhões para abrir espaço no mar, alargar áreas de manobra em até 334 pés e permitir que navios gigantes de 400 metros consigam girar onde hoje enfrentam restrições

Porto dos EUA vai gastar US$ 642 milhões para abrir espaço no mar, alargar áreas de manobra em até 334 pés e permitir que navios gigantes de 400 metros consigam girar onde hoje enfrentam restrições

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Porto dos EUA vai gastar US$ 642 milhões para abrir espaço no mar, alargar áreas de manobra em até 334 pés e permitir que navios gigantes de 400 metros consigam girar onde hoje enfrentam restrições

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 01/09/2026 às 20:45

Marítimo

Canal

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Projeto do Porto de Oakland entra na fase de engenharia após acordo assinado com o Exército dos EUA. Obra vai ampliar duas bacias, retirar milhões de jardas cúbicas de material e preparar terminal para cargueiros de até 19 mil contêineres

O Porto de Oakland, na Califórnia, avançou com um projeto de aproximadamente US$ 642 milhões para resolver um problema criado pelo crescimento dos navios porta-contêineres: as embarcações modernas ficaram grandes demais para realizar algumas manobras com eficiência nas áreas projetadas décadas atrás. Em 27 de agosto de 2026, autoridades portuárias e o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos assinaram o acordo que inicia a etapa de projeto e engenharia da ampliação das duas bacias de giro do porto, conforme informações divulgadas pelo U.S. Army Corps of Engineers (USACE).

A mudança será enorme. A bacia interna passará de 1.500 para 1.834 pés de diâmetro, enquanto a externa crescerá de 1.650 para 1.965 pés. Na prática, serão acrescentados respectivamente 334 e 315 pés às áreas disponíveis para que os cargueiros façam a volta. O objetivo é acomodar navios de aproximadamente 1.310 pés, ou 399 metros de comprimento, pertencentes à classe de até 19 mil TEUs.

Hoje, embarcações maiores que 1.139 pés já enfrentam restrições de trânsito em Oakland. Isso ocorre porque as bacias atuais foram dimensionadas para um navio de aproximadamente 6.500 TEUs, muito menor do que vários cargueiros que passaram a frequentar os grandes portos internacionais.

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Navios cresceram, mas espaço para fazer a curva continuou praticamente o mesmo

O problema fica mais fácil de entender quando se imagina a bacia de giro como uma espécie de rotatória construída dentro do porto.

Os canais interno e externo de Oakland terminam em áreas onde grandes embarcações de calado profundo precisam conseguir fazer a volta.

Por isso, existem dois espaços alargados destinados especificamente à manobra.

Imagem Ilustrativa

O próprio Porto de Oakland compara essas estruturas aos cul-de-sacs utilizados por automóveis para fazer o retorno.

Só que os “veículos” cresceram.

E muito.

As bacias existentes passaram por sua última grande melhoria por volta de 2009 e foram dimensionadas tendo como referência uma embarcação de 6.500 TEUs e 1.139 pés de comprimento.

Hoje, navios maiores e principalmente mais compridos chegam regularmente ao porto.

Quando ultrapassam aquele comprimento de referência, surgem restrições operacionais.

Sem espaço suficiente, cargueiro pode até precisar deixar o porto de ré

Existe uma consequência particularmente chamativa.

Sem bacias adequadas, um navio pode não conseguir simplesmente entrar, descarregar, virar e sair.

Segundo o Porto de Oakland, sem essas áreas de giro, embarcações poderiam ficar impedidas de atracar em determinados terminais ou precisariam deixar o porto navegando de ré.

Para uma embarcação de centenas de metros carregando milhares de contêineres, isso está muito longe de ser uma situação operacional ideal.

Além da segurança, entram na conta tempo e custos.

Por isso, o projeto pretende eliminar parte das restrições enfrentadas pelos cargueiros maiores.

A expectativa oficial é reduzir tempo de trânsito dentro do porto, emissões e custos de transporte, além de aumentar a segurança das operações.

Bacia interna ganha 334 pés e chega a 1.834 pés

A maior expansão em números absolutos acontecerá na Inner Harbor Turning Basin.

Atualmente, ela possui aproximadamente 1.500 pés de diâmetro.

O projeto acrescentará 334 pés.

Assim, o espaço chegará a aproximadamente 1.834 pés, equivalentes a cerca de 559 metros de diâmetro.

Não se trata simplesmente de dragar um círculo maior.

A intervenção interna também envolve áreas terrestres nas margens de Oakland e Alameda.

Isso aumenta significativamente a complexidade da engenharia.

A obra precisa criar espaço para o navio sem comprometer a infraestrutura existente ao redor do porto.

Outra bacia chegará perto de 600 metros de diâmetro

A Outer Harbor Turning Basin também será ampliada.

Seu diâmetro atual é de aproximadamente 1.650 pés.

Depois da intervenção, chegará a 1.965 pés.

São 315 pés adicionais, levando a área de manobra para algo próximo de 599 metros de diâmetro.

Nesse caso, a expansão ocorrerá principalmente por dragagem.

O resultado será um espaço suficientemente grande para acomodar uma geração de navios muito diferente daquela utilizada como referência quando a infraestrutura existente foi planejada.

Projeto mira cargueiros de quase 400 metros e capacidade de 19 mil TEUs

O tamanho da embarcação de projeto ajuda a mostrar a escala.

A nova configuração foi pensada para permitir a manobra de um cargueiro com aproximadamente 1.310 pés de comprimento.

Isso representa praticamente 400 metros de uma extremidade à outra.

A capacidade de referência chega a 19 mil TEUs.

TEU corresponde a uma unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Não significa necessariamente que cada navio chegará carregando exatamente 19 mil caixas individuais.

A medida serve como padrão internacional para comparar capacidade.

Ainda assim, o salto diante dos 6.500 TEUs considerados no projeto anterior mostra como a indústria naval mudou.

A embarcação de referência praticamente triplicou em capacidade.

US$ 642 milhões entram na conta da modernização

O Corpo de Engenheiros informou em agosto de 2026 que o empreendimento está estimado em aproximadamente US$ 642 milhões.

O custo será compartilhado entre o governo federal e o Porto de Oakland.

Uma estimativa anterior, baseada em preços de outubro de 2023 e registrada no relatório técnico do USACE, calculava o primeiro custo do projeto em cerca de US$ 608,9 milhões.

A atualização para US$ 642 milhões é, portanto, a referência mais recente divulgada pelo Corpo de Engenheiros.

O projeto já recebeu aprovação federal e local.

Entretanto, isso não significa que toda a construção esteja financiada ou que as máquinas já estejam executando a ampliação.

A obra ainda está na etapa de projeto.

Acordo assinado em agosto coloca engenharia em movimento

O marco mais recente ocorreu em 27 de agosto de 2026.

A diretora do Porto de Oakland, Kristi McKenney, e a comandante do Distrito de São Francisco do Corpo de Engenheiros, tenente-coronel Virginia Brickner, assinaram o acordo inaugural de projeto.

A cerimônia ocorreu a bordo do USS Potomac.

Com isso, a iniciativa avançou para a fase de pré-construção, engenharia e design.

O cronograma divulgado pelo porto prevê a etapa inicial de projeto entre agosto de 2025 e dezembro de 2026.

Já o início da primeira fase de construção está previsto para meados de 2027.

Esse calendário ainda é apresentado como previsão.

Portanto, não seria correto dizer que a construção pesada já começou.

Antes da obra, projeto passou por estudo iniciado em 2020

A preparação começou anos antes.

Em 1º de julho de 2020, o porto iniciou o estudo de viabilidade com o Corpo de Engenheiros.

Em maio de 2022, começou o processo ambiental estadual.

Depois, em 30 de maio de 2024, o estudo de viabilidade terminou com a assinatura do relatório do chefe do USACE.

Em janeiro de 2025, o projeto recebeu autorização federal por meio do Water Resources Development Act de 2024.

Em julho daquele mesmo ano, os comissários do porto certificaram o relatório ambiental e aprovaram o empreendimento.

Agora, a engenharia detalhada prepara o caminho para transformar os desenhos em obra.

Milhões de jardas cúbicas terão de sair do caminho

Para criar espaço para os cargueiros, será necessário movimentar uma quantidade gigantesca de material.

A documentação do projeto trabalha com estimativas na casa de milhões de jardas cúbicas de sedimentos dragados e material escavado.

O FAQ do porto cita aproximadamente 2,4 milhões de jardas cúbicas, ressaltando que o volume final ainda depende do projeto detalhado.

Já o relatório do chefe do USACE de 2024 trabalhava com aproximadamente 2,7 milhões de jardas cúbicas de material dragado e escavado.

A diferença ocorre porque os documentos pertencem a etapas distintas do planejamento e as quantidades continuam sujeitas a revisão durante o design.

O ponto central permanece: a ampliação exigirá uma operação de dragagem e escavação de enorme escala.

Parte do material retirado poderá virar área úmida

Nem tudo aquilo que sair do porto necessariamente será tratado apenas como descarte.

O plano prevê o uso benéfico de parte do material dragado em projetos de áreas úmidas.

A estratégia permite manter sedimentos dentro do sistema da Baía de São Francisco e utilizá-los para acelerar expansão e recuperação de habitats.

O relatório de 2024 previa aproximadamente 454 mil jardas cúbicas destinadas ao uso benéfico durante a construção.

Outros materiais poderão seguir para instalações apropriadas dependendo de sua composição.

Assim, a logística não envolve apenas retirar milhões de toneladas equivalentes de sedimento.

Também exige decidir para onde cada categoria desse material irá.

Dragas elétricas entram no planejamento

Outro elemento pouco comum está na forma de executar a dragagem.

O plano considera o emprego de dragas elétricas durante a construção, além do uso benéfico dos sedimentos.

Para isso, será necessária infraestrutura terrestre capaz de fornecer energia aos equipamentos.

Segundo o USACE, o uso das dragas elétricas foi solicitado pelo Porto de Oakland como uma melhoria adicional do projeto.

Os custos extras associados especificamente a essa escolha ficam sob responsabilidade do porto.

A proposta busca reduzir impactos relacionados a emissões e ruído durante a construção.

O projeto possui ainda uma particularidade.

Segundo o Porto de Oakland, este foi o primeiro estudo de navegação do Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos a recomendar um Comprehensive Benefits Plan.

A alternativa incorpora custos adicionais justamente para produzir benefícios que ultrapassem a solução de engenharia mais barata.

Entre eles aparecem o uso de equipamentos elétricos e a destinação benéfica de material dragado para recuperação ambiental.

O porto afirma que preocupações apresentadas por comunidades locais sobre resiliência climática, emissões e ruído ajudaram a moldar essa alternativa.

Navios maiores podem transportar mais carga com menos escalas

A lógica econômica por trás da expansão não depende apenas de conseguir colocar um cargueiro maior dentro do porto.

Navios maiores conseguem transportar mais carga em uma única escala.

Assim, teoricamente, o mesmo volume de mercadorias pode exigir menos viagens de embarcações menores.

O Porto de Oakland afirma que isso melhora o uso dos porta-contêineres e gera benefícios econômicos.

Também existe impacto sobre o tempo parado.

Uma embarcação que enfrenta restrições para entrar, virar ou sair consome recursos enquanto permanece no porto.

Ao ampliar as bacias, Oakland pretende tornar esse fluxo mais eficiente.

Até a tomada elétrica do navio depende de conseguir virar na posição correta

Existe ainda um detalhe operacional curioso.

Grandes embarcações precisam atracar com o lado adequado voltado para a infraestrutura de shore power.

Esse sistema permite conectar o navio à rede elétrica terrestre enquanto permanece no cais.

Então, os motores auxiliares podem ser desligados.

Para conseguir posicionar a embarcação corretamente, o comandante precisa ter flexibilidade para girar o navio na chegada ou na saída.

Ou seja, aumentar a área de manobra também está relacionado à redução das emissões durante a permanência no terminal.

Não é apenas uma questão de “caber”.

É uma questão de conseguir entrar, virar, posicionar e sair de forma eficiente.

Porto terá de adaptar infraestrutura construída para outra geração de navios

O projeto ilustra um problema enfrentado por grandes portos no mundo.

Um terminal pode continuar operacional durante décadas.

Os navios, porém, não permanecem do mesmo tamanho.

Armadores passaram a operar cargueiros cada vez maiores para ganhar escala.

Então, canais, pontes, berços e bacias construídos para gerações anteriores começam a impor limitações.

Oakland chegou justamente a esse ponto.

A infraestrutura projetada tendo como referência 6.500 TEUs precisa agora abrir espaço para embarcações da classe de 19 mil TEUs.

Em vez de construir outro porto, a solução escolhida foi aumentar fisicamente o espaço disponível dentro do porto existente.

Projeto mexerá também com áreas terrestres de Oakland e Alameda

Na bacia interna, a intervenção não ficará restrita à água.

A expansão exigirá alterações em terrenos nas margens de Oakland e Alameda.

O plano preliminar prevê novos trechos de estruturas de contenção e impactos sobre áreas terrestres próximas ao canal.

Os números ainda podem mudar durante o projeto detalhado.

Esse é um dos motivos pelos quais a fase de engenharia importa tanto.

Antes de começar a dragagem, os responsáveis precisam definir exatamente como ampliar o espaço navegável mantendo a estabilidade das margens e reorganizando a infraestrutura existente.

Construção pode começar em 2027

Se o cronograma atual avançar como previsto, a primeira fase da construção poderá começar em meados de 2027.

Até lá, continuam os trabalhos de engenharia e financiamento.

O projeto já possui autorização federal e aprovação local.

O Porto de Oakland também mantém articulação para obter recursos federais para as próximas etapas.

Portanto, o empreendimento atravessou uma etapa importante, mas ainda existe caminho entre o acordo de engenharia e as grandes dragas trabalhando na baía.

De 1.139 para 1.310 pés: porto abre espaço porque navios não pararam de crescer

Os números resumem a transformação.

As bacias existentes foram projetadas tendo como referência um navio de 1.139 pés e 6.500 TEUs.

Agora, Oakland prepara infraestrutura para cargueiros de aproximadamente 1.310 pés e 19 mil TEUs.

A bacia interna passará de 1.500 para 1.834 pés.

A externa irá de 1.650 para 1.965 pés.

E a conta atual do empreendimento chega a aproximadamente US$ 642 milhões.

É um investimento enorme para resolver um problema que parece simples quando colocado em poucas palavras:

os navios ficaram tão grandes que o porto precisa aumentar o próprio espaço disponível para que eles consigam fazer a curva.

Fonte

U.S. Army Corps of Engine


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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