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Produtor boliviano de Dourados morreu aos 83 anos sem testamento conhecido e deixou R$ 367 milhões em seis fazendas e terras na Bolívia, a briga dos herdeiros podia durar 20 anos até um desembargador soltar uma frase na cara deles
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 18/09/2026 às 19:10
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Um produtor boliviano que viveu grande parte da vida em Dourados morreu aos 83 anos e deixou uma herança estimada em R$ 367 milhões, com seis fazendas no Mato Grosso e terras na Bolívia. Os herdeiros brigavam até pela posse das terras, e o caso caminhava para décadas de processo.
Um produtor rural boliviano que viveu grande parte da vida em Dourados, no Mato Grosso do Sul, morreu em setembro de 2025, aos 83 anos, e deixou uma herança estimada em R$ 367 milhões, segundo o Campo Grande News. Pelas primeiras declarações do inventário, ele deixou a companheira e quatro filhos, e não havia testamento conhecido.
O patrimônio inclui imóveis em Dourados, seis fazendas que somam quase 9 mil hectares no Mato Grosso e uma extensa área de terras na Bolívia, informa o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A divisão virou briga entre a inventariante e os herdeiros, com disputa até pela posse das terras, segundo o Campo Grande News.
A frase do desembargador aos herdeiros de Dourados
O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, relator de um recurso ligado ao caso, olhou o processo e viu uma briga sem fim. “A demanda envolvia muitas áreas de terra e eu vislumbrei demanda de anos, de ao menos 20 anos”, contou ao Campo Grande News.
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Aí veio a frase. “Falei na reunião que todos, em algum momento, vão morrer e não iriam usufruir dos bens”, disse o desembargador ao Campo Grande News. Segundo ele, a espera não seria justa com os herdeiros, alguns já em idade avançada.
Mais de sete horas de audiência
A conversa foi longa. A audiência de conciliação começou às 9h e só terminou às 16h25 de quarta-feira, 16 de setembro de 2026, na sala de reuniões da Presidência do TJMS, em Campo Grande, informa o tribunal.
Cerca de 15 pessoas participaram, entre elas herdeiros que viajaram de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para negociar pessoalmente, segundo o TJMS. Foi a segunda tentativa de conciliação conduzida pelo desembargador no caso, contou ele ao Campo Grande News.
O que tem na herança de R$ 367 milhões
No Brasil, a herança tem imóveis urbanos em Dourados e grandes áreas rurais no Mato Grosso, principalmente em Paranatinga e Gaúcha do Norte, segundo documentos do inventário citados pelo Campo Grande News. Só duas fazendas em nome do próprio produtor somam cerca de 3,4 mil hectares.
Outras áreas rurais estão ligadas a uma empresa em que o produtor tinha 1% das cotas, informa o Campo Grande News. Os próprios documentos do inventário dizem que seria preciso uma avaliação técnica das terras para saber quanto vale essa participação.
Quase 9 mil hectares de fazendas
As seis fazendas do Mato Grosso somam quase 9 mil hectares, segundo o TJMS. Para ter uma ideia, é uma área de cerca de 90 quilômetros quadrados, o equivalente a uns 12,6 mil campos de futebol de tamanho oficial, de 105 por 68 metros.
As terras ficam principalmente em Paranatinga e Gaúcha do Norte, municípios do Mato Grosso, segundo o Campo Grande News. Parte das fazendas pertence direto ao espólio, e outra parte está no patrimônio de empresas em que o produtor tinha participação.
Máquinas agrícolas, gado e até sucata
O patrimônio brasileiro inclui ainda participação em empresas, veículo, participação em atividade pecuária e maquinário agrícola, segundo o Campo Grande News. O inventário lista 33 máquinas e implementos agrícolas.
Nem tudo brilha. Parte dessas máquinas é bastante antiga, e algumas já aparecem descritas como em estado de sucata no inventário, informa o Campo Grande News.
As terras na Bolívia vão para a Justiça boliviana
O acordo também alcança uma extensa área de terras na Bolívia. Como os imóveis ficam fora do Brasil, a solução acertada entre os herdeiros será levada à Justiça boliviana, segundo o TJMS.
As leis do país vizinho são diferentes, mas todos saíram da reunião dispostos a fechar acordos também sobre os bens de lá, disse o desembargador Barbosa Silva ao Campo Grande News. Parte dos herdeiros mora em Santa Cruz de la Sierra.
Briga pela posse das fazendas no Mato Grosso
A disputa foi além da divisão no papel. Documentos juntados ao inventário relatam conflitos pela posse e pela administração de fazendas no Mato Grosso, segundo o Campo Grande News.
A briga chegou a gerar uma ação de reintegração de posse na 1ª Vara Cível de Paranatinga, informa o Campo Grande News. O acordo fechado no TJMS põe fim às disputas pela partilha e aos conflitos pelas terras incluídos na conciliação.
Presidente do TJMS chamou todo mundo para um brinde
Depois de mais de sete horas, o movimento perto da Presidência chamou a atenção do presidente do tribunal, desembargador Dorival Renato Pavan. Ele se aproximou, soube que os herdeiros tinham chegado a um acordo e convidou todos para um brinde na sala da Presidência, informa o TJMS.
“Num momento em que o Judiciário é exposto a tantas críticas, a melhor resposta para a sociedade é esse tipo de iniciativa, que celebra não só o acordo, mas o reinício da união em família”, afirmou Pavan, segundo o TJMS. Por causa dos herdeiros vindos da Bolívia, ele também falou com o grupo em espanhol.
Herança vai ser dividida como os herdeiros combinaram
Com o acordo, o inventário será convertido em arrolamento sumário, um procedimento usado quando há acordo entre os interessados, o que permite homologar a partilha amigável, segundo o TJMS.
Na prática, a divisão das fazendas, dos imóveis de Dourados e dos demais bens seguirá os termos acertados pela família. No lugar de uma disputa que poderia atravessar mais duas décadas no Judiciário, a partilha agora tem caminho definido, informa o Campo Grande News.
Advogados de Dourados e de Brasília
O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva atribuiu o resultado à disposição das partes e dos advogados para negociar, segundo o TJMS. Participaram os advogados Ewerton Araújo de Brito e Osvaldo Feitosa de Lima, de Dourados, e Rômulo Rodrigo Lemos Ferreira e Saulo José de Oliveira, de Brasília.
O presidente do TJMS lembrou que a conciliação se soma a outras de grande porte conduzidas pelo desembargador na 4ª Câmara Cível, informa o tribunal. “Estou gratificado com essa iniciativa e com esse resultado”, disse Pavan, segundo o TJMS.
Herança do produtor de Dourados termina em acordo e brinde
O produtor rural boliviano que viveu em Dourados morreu aos 83 anos, sem testamento conhecido, e deixou R$ 367 milhões em bens no Brasil e na Bolívia. Depois de mais de sete horas de audiência em 16 de setembro de 2026, os herdeiros fecharam acordo e brindaram na Presidência do TJMS, segundo o tribunal e o Campo Grande News.
O Superior Tribunal de Justiça explica como funciona o testamento:
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Na sua opinião, a frase do desembargador de que todos vão morrer sem aproveitar os bens foi o que salvou o acordo dessa família? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

