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Produtor rural que escoa a safra pela BR-464 entre Delfinópolis e Sacramento encara 200 quilômetros a mais e uma travessia de balsa se a ponte do Ribeirão Forquilha fechar de vez, depois de o laudo apontar agravamento nos apoios das vigas

Produtor rural que escoa a safra pela BR-464 entre Delfinópolis e Sacramento encara 200 quilômetros a mais e uma travessia de balsa se a ponte do Ribeirão Forquilha fechar de vez, depois de o laudo apontar agravamento nos apoios das vigas

MG

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Produtor rural que escoa a safra pela BR-464 entre Delfinópolis e Sacramento encara 200 quilômetros a mais e uma travessia de balsa se a ponte do Ribeirão Forquilha fechar de vez, depois de o laudo apontar agravamento nos apoios das vigas

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 10/09/2026 às 20:16

Atualizado em 10/09/2026 às 20:46

Logística e Transporte

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A ponte do Ribeirão Forquilha foi interditada duas vezes em menos de uma semana, com uma liberação curta no meio, e essa hesitação basta para desarrumar a rotina de quem tem caminhão carregado no pátio, colheita marcada no calendário e uma única saída asfaltada para o outro lado do rio

A ponte fica no km 428,9 da BR-464, em Minas Gerais, no trecho que liga Sacramento a Delfinópolis, e não tem substituta próxima.

Quem roda por ali sabe que a alternativa não é uma rua paralela, e sim uma volta longa que passa por outro estado antes de voltar.

Segundo o DNIT, a estrutura foi interditada depois de uma vistoria apontar piora nos apoios das vigas, termo técnico que a autarquia usou no comunicado.

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O DNIT interditou a ponte no sábado e liberou o tráfego já no domingo

A primeira interdição total foi no sábado, 5 de setembro de 2026, e durou pouco: no domingo, 6, a ponte estava aberta de novo.

Para quem depende da travessia, esse vaivém é pior que uma interdição longa e anunciada, porque impede qualquer planejamento de carga com dois ou três dias de antecedência.

Dá pra entender a pressa em reabrir. Sem a ponte, a ligação entre as duas cidades some do mapa asfaltado e vira desvio de centenas de quilômetros.

A liberação de domingo criou uma sensação de normalidade que durou pouco, e é justamente esse tipo de alívio curto que atrapalha quem precisa programar carga.

Uma nova avaliação técnica apontou agravamento e a ponte fechou de novo na quarta

Na quarta-feira, 9 de setembro, a ponte voltou a ser interditada. Conforme o DNIT, uma nova avaliação técnica apontou agravamento no mesmo ponto observado antes.

O comunicado é curto e direto, e está no site da autarquia, no alerta sobre a interdição total da ponte sobre o Ribeirão Forquilha, com a rota de contorno detalhada.

Entre a primeira interdição e a segunda, passaram quatro dias. Nesse intervalo, muita gente atravessou a ponte sem imaginar que ela fecharia outra vez.

O desvio lateral começou a ser construído na segunda, com prazo de até três dias

Na segunda-feira, 7 de setembro, o DNIT começou a construir um desvio lateral ao lado da ponte, com prazo estimado de até 3 dias para ficar pronto.

A ideia é não cortar a ligação enquanto a estrutura principal segue interditada, de modo que o tráfego use a passagem provisória em vez de encarar a rota oficial de contorno.

Um desvio lateral resolve o trânsito, não resolve a ponte. Enquanto a passagem provisória funciona, a estrutura antiga continua fora de uso, à espera de uma definição.

Não há confirmação pública de que o desvio já estivesse liberado no dia 9, quando a nova interdição foi anunciada, e essa dúvida vale bastante para quem carrega.

A rota oficial de contorno começa na MG-428 e cruza para o interior paulista

O roteiro fica mais claro quando lido como quem dirige. Primeiro vem a MG-428, até a ponte sobre o Rio Grande, com o odômetro já trabalhando.

Em seguida, a SP-334 leva até Franca, no interior de São Paulo. Depois, a SP-345 segue até a divisa, e o motorista volta para Minas.

Portanto, para ir de uma cidade mineira a outra ligada pela mesma rodovia, o caminho oficial obriga a atravessar um pedaço inteiro de outro estado antes de voltar.

Depois do trevo de Cássia, o caminho encolhe para estradas de sigla local

De volta a Minas, a MG-444 conduz até o trevo de Cássia. Dali, segundo o DNIT, são 6,3 quilômetros de MG-344 antes da próxima troca.

Vem então a LMG-856, com 22 quilômetros até o Porto. É o trecho em que a viagem deixa de ser rodovia federal e passa a ser paciência.

Além disso, cada troca de via cobra seu pedágio de tempo: reduzir, entrar, achar a sinalização, seguir. São seis rodovias diferentes antes da última reta.

A balsa de 1 quilômetro entra no meio do trajeto e impõe o próprio ritmo

No Porto, o asfalto acaba na água. A travessia de balsa tem 1 quilômetro, conforme a rota divulgada pelo DNIT, e não depende do pé do motorista.

Balsa tem horário, tem capacidade e tem fila. Quem chega com carreta carregada entra na conta de quantos veículos cabem por viagem e espera a próxima.

Depois da travessia, ainda faltam 10,7 quilômetros de LMG-856 até Delfinópolis. Só aí o trajeto termina, e o motorista finalmente estaciona.

Os moradores calculam cerca de 200 quilômetros a mais no desvio completo

Moradores da região relatam cerca de 200 quilômetros a mais quando é preciso usar a rota alternativa inteira, com a balsa incluída no meio do caminho.

Duzentos quilômetros a mais não é detalhe de mapa. É diesel, é hora de motorista, é pneu e é uma janela de entrega que simplesmente não fecha.

É difícil não ver o tamanho do problema quando a conta é feita ida e volta, porque o mesmo caminhão precisa voltar pelo mesmo desvio.

O produtor que espera a ponte abrir não consegue fechar o frete

Produtores da região manifestaram preocupação com custo e atraso no escoamento, e o motivo é simples: safra não espera decisão de engenharia.

Frete se contrata com antecedência. Contudo, ninguém contrata caminhão para um trecho que pode estar aberto de manhã e interditado à tarde.

O problema não é atravessar uma vez, é atravessar todo dia, com caminhão, com ônibus escolar e com carro de passeio.

Fico imaginando a cena do produtor conferindo o comunicado do DNIT antes de decidir se manda a carga hoje ou se segura mais um dia.

O transporte escolar depende da mesma travessia que o caminhão da safra

A ponte também é usada no transporte escolar, o que muda a natureza do problema. Não é só carga parada, é criança dentro do ônibus.

Uma rota alternativa de centenas de quilômetros não cabe em rotina escolar, portanto o desvio lateral vira, na prática, a única solução viável no curto prazo.

O DNIT cuida da BR-464 em Minas há cerca de nove anos e ainda não deu prazo

O DNIT responde pela manutenção da BR-464/MG há cerca de 9 anos, conforme a própria autarquia. Portanto, a estrutura não é novidade no radar do órgão.

Não há, no entanto, prazo divulgado para uma solução permanente, nem custo estimado da obra definitiva. O que existe é o desvio provisório e a rota longa.

Enquanto isso, quem mora entre Sacramento e Delfinópolis acorda, abre o celular e checa se a ponte do km 428,9 está aberta naquele dia.

Quantos quilômetros a mais o seu bolso aguenta rodar por causa de uma ponte que ninguém sabe quando volta em definitivo?

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Fontes

DNIT

Jornal Folha Regional


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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