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Professor de Maringá encara adoção solo, acolhe dois irmãos para impedir a separação da família e transforma um desejo da juventude na realização de ser pai de quatro
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 03/09/2026 às 07:49
Atualizado em 03/09/2026 às 07:50
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O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que grupos de irmãos sejam mantidos na mesma família substituta, salvo exceções justificadas. No caso de Valdir, a escolha ampliou uma casa onde dois adolescentes já viviam e concentrou nele a rotina de escola, creche, trabalho e cuidados domésticos.
Ser solteiro não impede uma pessoa de adotar no Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente permite a adoção por maiores de 18 anos independentemente do estado civil, regra que ajuda a contextualizar a trajetória do professor universitário Valdir Zucareli, morador de Maringá.
A história foi relatada por Valdir ao GMC Online. Ele já criava dois adolescentes quando voltou ao processo de adoção e recebeu a informação de que havia um menino disponível, André, sem imaginar que aquela aproximação também o colocaria diante da irmã da criança.
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Paulo Nogueira
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Desejo de adotar começou na juventude
O projeto de paternidade havia começado muito antes. Valdir contou que pensava em adotar desde a adolescência e que, durante a graduação, uma disciplina de Biologia para a Saúde levou sua turma a visitar uma casa de acolhimento, onde conheceu de perto crianças que aguardavam uma família.
Aos 22 anos, ele procurou informações sobre os procedimentos de adoção, mas avaliou que ainda não tinha a estabilidade financeira necessária para assumir a criação de um filho. O desejo permaneceu enquanto avançava na vida profissional e organizava as condições para concretizá-lo.
O primeiro filho adotado foi Luan Vicente, que tinha 17 anos quando a reportagem foi publicada. Cerca de dez meses depois, Jairo Vinicius também passou a viver com o professor e tinha 15 anos na mesma ocasião, e a família passou a reunir Valdir e os dois adolescentes.
As duas adoções já haviam transformado a rotina doméstica antes de qualquer decisão de ampliar novamente a casa. Escola, trabalho, refeições e tarefas passaram a ser organizados pelo próprio professor, que assumiu sozinho as responsabilidades cotidianas pelos dois adolescentes.
Depois da chegada de Jairo, ele não planejava uma nova adoção naquele momento. Quando o Fórum perguntou se havia interesse em receber outra criança, Valdir pediu para permanecer em espera e só mais tarde decidiu retomar o processo.
André e Ísis chegaram juntos
Ao voltar ao processo, Valdir soube que havia um menino disponível e iniciou a documentação para conhecê-lo. Durante a visita, porém, descobriu que André tinha uma irmã, Ísis, que se aproximou dele e pediu: “me leva com você”.
O vínculo entre os irmãos mudou a decisão que Valdir imaginava tomar em relação a André. “Jamais separaria os dois e acabei adotando os dois irmãos”, afirmou ao GMC Online, ao explicar por que recebeu as duas crianças juntas.
O que o ECA prevê para irmãos
A escolha coincide com uma regra expressa do Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo 28 prevê que grupos de irmãos sejam colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, salvo situação excepcional plenamente justificada, procurando evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
O ECA também estabelece prioridade no cadastro para pessoas interessadas em adotar grupos de irmãos. A mesma legislação permite que maiores de 18 anos adotem independentemente do estado civil, desde que atendam aos demais requisitos previstos para o procedimento.
Rotina de quatro filhos
Com André e Ísis, Valdir passou a administrar sozinho uma casa com quatro filhos em diferentes idades e etapas escolares. A rotina descrita por ele começa antes das 6h, quando prepara o café da manhã e organiza os horários de saída dos adolescentes e das duas crianças menores.
Luan e Jairo estudam pela manhã. Valdir contou que acorda os dois às 6h; meia hora depois, chama André e Ísis para que se arrumem, deixa Luan na escola, enquanto Jairo vai de van, e segue com os menores para a creche.
No horário do almoço, o professor busca os filhos para a refeição e depois leva as crianças menores novamente à creche no período da tarde. Após o trabalho, volta a buscá-las e segue para as tarefas de casa.
A rotina noturna inclui preparar o jantar, verificar se há atividade escolar pendente, organizar a casa e planejar o dia seguinte. Valdir relatou que procura se distribuir entre um compromisso e outro para conciliar trabalho e os horários diferentes dos quatro filhos.
As diferenças de idade também fazem com que os filhos tenham necessidades e horários distintos. Enquanto os adolescentes mantêm a rotina escolar pela manhã, André e Ísis dependem dos deslocamentos até a creche e de acompanhamento mais próximo ao longo do dia.
Ao falar sobre a experiência de paternidade, Valdir descreveu o que sente como “sentimento de completude”. Ele também relatou que, depois da chegada dos filhos, as prioridades da rotina passaram a ser definidas pelas necessidades das crianças e dos adolescentes.
Além das regras sobre quem pode adotar e sobre a preservação dos vínculos entre irmãos, o ECA prevê preparação psicossocial e jurídica para os pretendentes à adoção. A colocação da criança ou do adolescente em família substituta deve ser precedida de preparação gradativa e acompanhada posteriormente por equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

