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Projeto para remover rochas do fundo do Tocantins promete abrir passagem para cargas e provoca disputa sobre o futuro do rio
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 24/09/2026 às 13:57
Atualizado em 24/09/2026 às 13:58
Construção
Canal
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O projeto do Pedral do Lourenço prevê remover rochas em 35 quilômetros do Tocantins para melhorar a navegação, enquanto comunidades defendem a proteção de áreas de pesca
Para uma barcaça carregada, as pedras do Pedral do Lourenço restringem a passagem pelo rio Tocantins. Para quem pesca ali, elas ajudam a encontrar o peixe. Essa diferença de uso explica por que a abertura de um canal no sudeste do Pará vai muito além de um desafio de engenharia.
O DNIT pretende retirar obstáculos submersos entre Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha do Bogéa. O objetivo é tornar a navegação mais regular, sobretudo na estiagem. Os 35 quilômetros correspondem ao trecho autorizado para intervenção, não à remoção de todas as rochas do rio.
O projeto voltou à discussão pública com o pedido de tombamento apresentado por comunidades ao Iphan. Em reportagem publicada em 16 de setembro, a Folha de S.Paulo informou que o órgão recebeu a solicitação em 26 de agosto e a submeteu a avaliação preliminar.
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A mesma apuração trata 2027 como previsão de início da obra. Portanto, imagens de rochas, embarcações ou equipamentos não devem ser confundidas com comprovação de que as detonações já começaram. O empreendimento reúne etapas de projeto, licenciamento, preparação e execução.
A largura do rio esconde o problema debaixo da água
No vídeo do canal Brasil do Amanhã que motivou esta reportagem, a explicação parte de uma distinção importante. Um rio largo pode ter poucos caminhos seguros para uma embarcação de grande porte. A largura vista do alto não revela a profundidade disponível ao longo do trajeto.
O canal descreve o derrocamento como uma intervenção concentrada nos obstáculos rochosos do caminho navegável. A técnica difere da dragagem, voltada à retirada de materiais soltos do fundo. No Tocantins, o projeto envolve essas duas necessidades, que não devem ser tratadas como uma única autorização.
Assista o vídeo
Vídeo do canal Brasil do Amanhã, publicado em 16 de setembro de 2026 e identificado no YouTube como conteúdo criado com IA. É uma apresentação do projeto, não um registro documental de detonações no local.
Aos 6 minutos, o vídeo diferencia a extensão atribuída à formação rochosa daquela coberta pela licença. Para dimensionar a intervenção, a referência documental é o comunicado do DNIT sobre a licença de instalação, emitida pelo Ibama em maio de 2025.
A autorização tem validade de cinco anos e inclui estruturas de apoio. Exige acompanhamento da fauna, da qualidade da água, do ruído e das vibrações. Esses controles são parte do projeto: a remoção de rocha ocorre dentro de um ambiente utilizado por outras atividades.
As pedras também fazem parte do trabalho dos pescadores
O pescador Ernandes Silva explicou à Folha que as formações rochosas criam pontos aproveitados na pesca e ajudam a amortecer a água. A preocupação relatada por ele é perder esses locais de trabalho. O jornal ouviu moradores na região de Itupiranga.
O pedido ao Iphan reúne interesses de pescadores, quebradeiras de coco e agricultores familiares. Busca proteger valores históricos, arqueológicos, paisagísticos e culturais do lugar. O protocolo de um pedido não equivale ao tombamento concluído.
O DNIT defende a intervenção para ampliar a segurança da navegação. São posições diferentes sobre o uso do mesmo território, com efeitos sobre transporte e sustento local.
A disputa judicial continuou depois da autorização
O histórico também exige separar as decisões no tempo. Em junho de 2025, a Justiça Federal proibiu o início das intervenções que pudessem causar danos irreversíveis. O MPF divulgou a decisão e os questionamentos sobre o licenciamento.
A continuidade foi autorizada em dezembro. Em fevereiro de 2026, porém, o Ministério Público Federal apresentou recurso para tentar reverter essa liberação. O documento foi anunciado pelo próprio MPF, que apontou problemas na consulta às comunidades e na identificação dos atingidos.
Entre as críticas está a falta de uma base adequada sobre a pesca anterior à obra. Na avaliação do órgão, isso dificulta medir perdas futuras. O recurso também questiona critérios de compensação e a separação entre o impacto da construção e o da circulação das barcaças.
Essas são alegações apresentadas no processo, não uma nova sentença. A distinção importa para entender o estágio da discussão: a existência da licença não encerrou o conflito, e a apresentação de um recurso não significa, por si só, que a autorização foi novamente suspensa.
O comportamento da água é testado antes da intervenção
Enquanto o debate ocorre no território e na Justiça, outra parte do projeto passa pelo laboratório. Em março de 2026, o DNIT informou que acompanhava modelagens físicas no Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, no Rio de Janeiro.
O trabalho reproduz, em escala reduzida, condições do trecho estudado. Os pesquisadores analisam correntes, velocidade da água e mudanças no fluxo após possíveis intervenções. Também comparam os resultados dos ensaios com os modelos computacionais.
Segundo o DNIT, os testes ajudam a avaliar a navegação de comboios e alternativas de engenharia. É uma etapa que permite examinar efeitos antes de executar a solução no rio. O modelo hidráulico responde a perguntas sobre a água; a avaliação social precisa considerar quem depende dela.
O canal só terá valor logístico se a carga conseguir completar a viagem
O interesse no Pedral está ligado ao transporte de grandes volumes entre áreas produtoras e portos do Norte. A proposta do DNIT é reduzir restrições à circulação e melhorar o escoamento agroindustrial. Isso depende de conexões e de condições de navegação ao longo da rota.
O vídeo destaca a combinação entre modais: a mercadoria pode chegar a um terminal por terra, seguir em embarcação e ser transferida novamente no destino. Abrir uma passagem entre rochas resolve uma restrição localizada. A operação comercial exige que o restante desse caminho também funcione.
Para acompanhar o projeto, os próximos marcos relevantes são concretos: início efetivo das intervenções, cumprimento dos controles ambientais, resposta ao pedido de proteção patrimonial e definição das medidas destinadas aos atingidos. São eles que permitem distinguir avanço de obra, expectativa de transporte e proteção da renda de quem já vive do rio.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

