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Projeto solta um casal de castores em floresta no norte da Inglaterra, eles passam cinco anos derrubando árvores e construindo seis barragens, ajudam a reduzir em 46,6% os picos de cheia e fazem a vazão nos períodos secos subir até 417%

Projeto solta um casal de castores em floresta no norte da Inglaterra, eles passam cinco anos derrubando árvores e construindo seis barragens, ajudam a reduzir em 46,6% os picos de cheia e fazem a vazão nos períodos secos subir até 417%

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Projeto solta um casal de castores em floresta no norte da Inglaterra, eles passam cinco anos derrubando árvores e construindo seis barragens, ajudam a reduzir em 46,6% os picos de cheia e fazem a vazão nos períodos secos subir até 417%

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 08/09/2026 às 19:49

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Monitoramento em uma área de 10 hectares de Cropton Forest registrou mudanças na circulação da água, na turbidez, na vegetação e na presença de outras espécies após a introdução dos castores, em um local que já possuía estruturas para manejo natural de enchentes.

Um casal de castores-europeus transformou a circulação da água em um trecho de floresta no norte da Inglaterra ao derrubar árvores, represar um riacho e ampliar áreas alagadas. No sistema monitorado, os picos medianos de vazão ficaram 46,6% menores, enquanto a vazão de base aumentou 417% nos períodos de menor fluxo.

Os resultados fazem parte de um estudo publicado na revista Ecohydrology, que acompanhou durante cinco anos as mudanças hidrológicas, físicas e ecológicas associadas aos castores em Cropton Forest, em North Yorkshire. Os dois animais vieram de Tayside, na Escócia, e foram introduzidos no local em abril de 2019.

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O projeto ocupou uma área cercada de cerca de 10 hectares atravessada pelo Sutherland Beck. O local já possuía estruturas de madeira instaladas para desacelerar a passagem da água e reduzir o risco de enchentes na região de Pickering, condição importante para interpretar os resultados observados depois da chegada dos animais.

Nos primeiros anos, a atividade dos castores ficou concentrada na parte superior do terreno, perto de dois antigos lagos ornamentais que estavam assoreados e cobertos por vegetação. Uma das primeiras barragens construídas no riacho elevou o nível da água próximo à entrada de uma toca na margem.

Castores construíram seis barragens em floresta da Inglaterra, reduziram picos de cheia e elevaram a vazão em períodos secos, segundo estudo.

A estrutura cresceu ao longo do acompanhamento e passou a represar uma área maior. O estudo registrou ainda que a superfície de um dos antigos lagos aumentou depois que a atividade dos animais alterou a circulação da água naquele trecho da floresta.

Seis barragens mudaram o caminho e a velocidade da água

Com o crescimento do grupo familiar, os castores avançaram para outros pontos da área cercada. Onze filhotes nasceram durante o período monitorado, enquanto quatro juvenis mais velhos foram transferidos para outros projetos na Inglaterra para controlar o tamanho da população.

Ao todo, os pesquisadores registraram seis barragens associadas à atividade dos animais. Uma delas desviou parte do fluxo para fora do canal principal e reconectou o riacho à planície de inundação, levando água novamente a uma antiga curva abandonada do curso.

As mudanças também atingiram a vegetação. Árvores foram derrubadas em diferentes pontos, abrindo espaços na cobertura florestal, enquanto algumas voltaram a brotar a partir dos tocos. O represamento criou ainda poças, canais secundários e terrenos que permaneceram inundados por períodos mais longos.

A diferença mais clara apareceu nas medições realizadas acima e abaixo da área modificada. A mediana dos picos de vazão caiu de 1,16 metro cúbico por segundo para 0,62 metro cúbico por segundo, diferença de 46,6% registrada no período analisado pelos pesquisadores.

Parte da água passou a permanecer temporariamente armazenada nas lagoas, áreas inundadas e trechos represados antes de seguir pelo riacho. Com isso, eventos de maior vazão produziram picos menores no ponto de medição localizado abaixo da área ocupada pelos castores.

Os números, porém, não representam o efeito de barragens de castores atuando isoladamente. Cropton Forest já tinha estruturas artificiais de manejo de enchentes, e o estudo avaliou o funcionamento do sistema com as construções dos animais integradas às intervenções que estavam instaladas anteriormente.

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Nos períodos de pouca água, o comportamento medido foi diferente. O indicador hidrológico Q95 passou de 0,035 para 0,181 metro cúbico por segundo entre a entrada e a saída da área, aumento de 417% associado a uma liberação mais gradual da água armazenada no sistema.

Mudanças apareceram também na água, vegetação e fauna

A qualidade da água apresentou outra alteração mensurável. A turbidez mediana caiu de 13 para 9 unidades NTU entre os pontos de entrada e saída, redução de aproximadamente 31%, embora o próprio estudo tenha registrado variação sazonal nesse comportamento.

As áreas aquáticas e úmidas também se expandiram durante o acompanhamento. Entre 102 pontos fixos avaliados pelos pesquisadores, 12 tinham essa classificação em 2019; quatro anos depois, eram 29. A diversidade de plantas aquáticas observada nos lagos passou de 15 para 20 espécies.

O monitoramento encontrou ainda diferenças na comunidade de vertebrados em comparação com um riacho vizinho usado como referência. Levantamentos de pequenos mamíferos, anfíbios, libélulas e donzelinhas registraram aumentos de diversidade ou atividade ao longo do período, sem que todas as mudanças fossem atribuídas isoladamente aos castores.

Nos morcegos, o crescimento da atividade coincidiu espacial e temporalmente com os pontos em que os castores começaram a modificar a vegetação e a água. O resultado acompanhou a formação de uma paisagem com áreas abertas, água parada, canais correntes e zonas alagadas dentro da floresta.

As próprias barragens também mudaram ao longo dos cinco anos. Algumas foram rompidas, outras reconstruídas e novas estruturas apareceram em trechos diferentes, fazendo com que o armazenamento e o alagamento se deslocassem pelo terreno conforme os animais expandiam a área utilizada.

A Forestry England mantém Cropton Forest como área de acompanhamento de castores e informa que a licença do projeto foi estendida até 2029. A continuidade permite observar por mais tempo como uma população estabelecida modifica o curso d’água e interage com estruturas de manejo de enchentes já existentes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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