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Quase 500 mergulhadores passam 339 horas no mar, retiram 98 mil ouriços e conseguem fazer floresta submarina de kelp voltar a crescer na Noruega

Quase 500 mergulhadores passam 339 horas no mar, retiram 98 mil ouriços e conseguem fazer floresta submarina de kelp voltar a crescer na Noruega

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Quase 500 mergulhadores passam 339 horas no mar, retiram 98 mil ouriços e conseguem fazer floresta submarina de kelp voltar a crescer na Noruega

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 11/09/2026 às 22:23

Sustentabilidade

Canal

Mergulhadores e voluntários atuam no litoral da Noruega em ações de retirada de ouriços-do-mar para favorecer a recuperação das florestas submarinas de kelp.

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Quase 500 voluntários participaram de 23 ações entre abril de 2024 e maio de 2026 para recuperar florestas de kelp no litoral norueguês.

Entre abril de 2024 e maio de 2026, quase 500 mergulhadores, cientistas cidadãos e voluntários participaram de uma grande operação de restauração marinha no norte da Noruega. O grupo retirou 98.085 ouriços-do-mar de Sørsjetéen, Telegrafbukta e Øksfjord, três áreas onde a pressão desses animais dificultava o crescimento das florestas de kelp.

O trabalho somou 20.336 minutos de atividade submersa, o equivalente a cerca de 339 horas ou 14 dias consecutivos dentro d’água. Segundo a Rissa Citizen Science, foram realizadas 23 ações durante o período. Em Sørsjetéen, o resultado já pode ser observado ao longo de um cais de aproximadamente 200 metros, onde as algas voltaram a ocupar a área trabalhada.

Mergulhadores participam de ação de restauração marinha em águas frias da Noruega, onde a retirada de ouriços-do-mar busca favorecer o retorno das florestas de kelp.

Operação iniciada em abril de 2024 reuniu mergulhadores, cientistas cidadãos e voluntários no litoral da Noruega

O projeto começou em Sørsjetéen, onde grupos de voluntários passaram a retirar manualmente os ouriços encontrados no fundo do mar. A iniciativa avançou posteriormente para Telegrafbukta e Øksfjord, ampliando a área atendida e o número de participantes envolvidos nas atividades.

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Os animais retirados também ajudaram no monitoramento científico. Parte deles era levada à superfície para que peso, tamanho e quantidade fossem registrados. Em Sørsjetéen, cada ação removeu, em média, 2.698 ouriços, enquanto Telegrafbukta registrou média de 2.790 exemplares por evento.

Floresta de kelp voltou a ocupar os 200 metros de um cais depois das ações realizadas pelos voluntários

Sørsjetéen apresentou o resultado mais visível do projeto. A vegetação marinha voltou a crescer por toda a extensão de aproximadamente 200 metros do cais, fazendo com que o local entrasse em uma fase de manutenção após as primeiras intervenções.

Telegrafbukta começou a receber o trabalho em junho de 2025. A área de recuperação possui aproximadamente 2 mil metros quadrados e, até maio de 2026, cerca de um terço havia passado pelo processo. Em Øksfjord, duas ações realizadas em outubro de 2025 e maio de 2026 alcançaram aproximadamente 150 metros de costa.

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Grande quantidade de ouriços-do-mar pode impedir o crescimento das florestas submarinas de kelp

Os ouriços-do-mar fazem parte naturalmente do ambiente marinho, mas uma população numerosa pode exercer forte pressão sobre as algas. Os animais se alimentam da vegetação presa às rochas e, quando aparecem em grande concentração, conseguem manter extensas áreas praticamente sem cobertura vegetal.

Essas regiões são conhecidas como urchin barrens. O fundo passa a ser dominado principalmente por rochas, enquanto a quantidade de kelp permanece baixa. Quando a densidade dos ouriços diminui, as algas encontram condições melhores para voltar a ocupar o espaço.

Voluntária analisa um ouriço-do-mar durante ação de monitoramento ligada à recuperação das florestas submarinas de kelp no litoral da Noruega.

Noruega perdeu cerca de 8.400 km² de florestas de kelp após avanço dos ouriços desde a década de 1970

A transformação do fundo do mar não começou recentemente. Segundo o Instituto Norueguês de Pesquisa da Água, o NIVA, a redução de predadores contribuiu para o aumento das populações de ouriços no norte da Noruega a partir da década de 1970.

O avanço desses animais ajudou a eliminar grandes extensões de vegetação submarina. Estimativas do instituto indicam que aproximadamente 8.400 km² de florestas de kelp foram perdidos no país. O habitat é importante porque cria estruturas que oferecem alimento, abrigo e áreas de crescimento para peixes e outros organismos.

Pesquisadora mede um ouriço-do-mar durante o monitoramento das áreas de restauração marinha no litoral da Noruega, onde voluntários atuam na recuperação das florestas de kelp.

Mais de 250 pessoas passaram a contar ouriços em milhares de imagens sem precisar entrar no mar

A restauração também ganhou uma frente de participação à distância. Em novembro de 2025, a Rissa Citizen Science lançou o Urchin Density Challenge, iniciativa que permite que pessoas analisem fotografias do fundo do mar e identifiquem a quantidade de ouriços registrada em cada área.

Até maio de 2026, mais de 250 usuários haviam participado do projeto. Juntos, eles analisaram cerca de 5 mil imagens e contabilizaram aproximadamente 53 mil ouriços, produzindo informações que ajudam a acompanhar as áreas onde a vegetação marinha está voltando.

Grupo de mergulhadores e voluntários reunido durante as ações de restauração marinha na Noruega, iniciativa que mobilizou quase 500 participantes para recuperar florestas de kelp.

Trabalho de quase 500 voluntários mostra recuperação da vegetação após 98 mil ouriços serem retirados

Depois de dois anos de atividades, os números mostram a dimensão da operação realizada no litoral norueguês. Foram 98.085 ouriços retirados, 23 ações e 339 horas de trabalho submerso, além da participação remota de centenas de colaboradores.

Em Sørsjetéen, onde começou a restauração, as algas já voltaram a ocupar todo o cais de 200 metros. O resultado transformou a área no exemplo mais avançado do projeto e mostrou como a redução da concentração de ouriços pode permitir que uma floresta submarina de kelp encontre novamente espaço para crescer.

Você acha que ações de restauração marinha como a retirada controlada de ouriços-do-mar devem ser ampliadas para recuperar florestas de kelp em outras regiões do mundo, ou a prioridade deve ser proteger os predadores naturais e deixar o ecossistema se reequilibrar sozinho? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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