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Quatro empresas dos EUA anunciam US$ 2 bilhões na Coreia do Sul, ampliam fábricas de chips e materiais e avançam com complexo eólico offshore de 3,2 GW
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 08/09/2026 às 14:45
Atualizado em 08/09/2026 às 14:50
Ciência e Tecnologia
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Air Products, Axcelis, Corning e Pacifico Energy decidiram ampliar operações sul-coreanas em semicondutores, materiais avançados e energia. O pacote reforça a cadeia de chips do país e inclui um dos maiores complexos eólicos offshore em desenvolvimento na Ásia-Pacífico.
A Coreia do Sul garantiu compromissos de investimento de aproximadamente US$ 2 bilhões de quatro empresas americanas em setores considerados estratégicos para sua indústria. Os projetos envolvem semicondutores, equipamentos de fabricação de chips, materiais avançados e energia renovável, segundo o Ministério da Indústria sul-coreano.
Os compromissos foram anunciados durante uma cerimônia realizada em Washington com a presença do ministro da Indústria Kim Jung-kwan. Participaram do pacote a Air Products, Axcelis Technologies, Corning e Pacifico Energy, que pretendem ampliar instalações produtivas e energéticas já ligadas à economia sul-coreana.
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O movimento ocorre enquanto a Coreia do Sul tenta reforçar sua posição na cadeia global de semicondutores e, ao mesmo tempo, garantir energia suficiente para uma nova geração de fábricas de chips, inteligência artificial e data centers.
US$ 2 bilhões serão divididos entre quatro empresas americanas
O governo sul-coreano informou que o valor combinado das novas intenções de investimento chega a aproximadamente 2,8 trilhões de won, equivalentes a US$ 2 bilhões.
Entretanto, o pacote não corresponde a uma única fábrica nem a um único projeto.
Cada empresa atuará em uma parte diferente da cadeia industrial.
A Air Products pretende ampliar instalações de gases utilizados pela indústria de semicondutores em Pyeongtaek.
A Axcelis Technologies expandirá a produção de equipamentos de implantação iônica usados na fabricação de chips.
A Corning aplicará recursos em vidros avançados e outros materiais destinados às indústrias de displays e semicondutores.
Já a Pacifico Energy avançará com projetos eólicos offshore que totalizam 3,2 GW no sudoeste do país.
Assim, o pacote conecta diretamente fabricação de chips, equipamentos, materiais e fornecimento de energia.
Air Products ampliará produção de gases para semicondutores
A Air Products ocupa uma posição menos visível para o consumidor final, mas essencial dentro de uma fábrica de chips.
A companhia produz gases industriais e especiais utilizados em diferentes etapas do processo de fabricação de semicondutores.
Na Coreia do Sul, a empresa pretende ampliar instalações em Pyeongtaek, importante polo industrial localizado ao sul de Seul.
O plano inclui gases para semicondutores e gases raros.
Esses insumos participam de etapas como deposição, limpeza, gravação e criação de atmosferas controladas dentro das fábricas.
Por isso, uma expansão na produção desses materiais ajuda a aumentar a capacidade da cadeia de suprimentos ao redor das grandes fabricantes sul-coreanas.
Axcelis levará nova produção de máquinas de implantação iônica para Pyeongtaek
A Axcelis Technologies também detalhou posteriormente uma parte de seu investimento.
Em 8 de setembro, a companhia anunciou oficialmente US$ 35 milhões para construir uma nova fábrica de equipamentos de implantação iônica em Pyeongtaek.
A implantação iônica é uma etapa fundamental da fabricação de semicondutores.
O processo utiliza feixes de íons para modificar propriedades elétricas de regiões extremamente pequenas do material semicondutor.
Na prática, esses equipamentos ajudam a criar as características eletrônicas que permitem o funcionamento dos transistores presentes nos chips modernos.
A nova fábrica deverá fortalecer a capacidade global de produção da Axcelis e transformar sua operação sul-coreana em uma base ainda mais relevante para atender clientes na Ásia.
Coreia do Sul já é um dos centros mundiais de semicondutores
A escolha do país não ocorre por acaso.
A Coreia do Sul abriga duas das empresas mais importantes da indústria mundial de chips: Samsung Electronics e SK Hynix.
As duas possuem participação dominante em segmentos como memórias DRAM e HBM, utilizadas cada vez mais em sistemas de inteligência artificial.
Consequentemente, empresas que produzem equipamentos, gases e materiais possuem forte incentivo para instalar capacidade próxima dessas fabricantes.
O CPG já mostrou como a Samsung avalia ampliar sua infraestrutura de chips avançados na Coreia do Sul para atender à corrida por inteligência artificial e memórias HBM.
O novo pacote americano fortalece justamente os fornecedores que orbitam esse ecossistema.
Corning investirá em vidro avançado e materiais para chips
A Corning aparece como o terceiro componente industrial do acordo.
A companhia pretende investir em vidros avançados e outros materiais utilizados nas indústrias de displays e semicondutores.
A empresa possui longa experiência em materiais especiais aplicados a eletrônicos, fibras ópticas e tecnologias de alta precisão.
No setor de semicondutores, a demanda por novos materiais cresce conforme chips se tornam mais complexos e empacotamentos avançados exigem tolerâncias cada vez menores.
Assim, a presença da Corning adiciona ao pacote uma camada de materiais de alto valor agregado.
Pacifico Energy concentra a parte energética do pacote
A maior conexão com o setor energético aparece na Pacifico Energy.
A companhia desenvolve um complexo eólico offshore de 3,2 GW na costa de Jindo, na província de South Jeolla, no sudoeste da Coreia do Sul.
O cluster é composto por três projetos:
- Myeong Ryang Offshore Wind — 420 MW
- Manho Offshore Wind — 990 MW
- Jindo Baram Offshore Wind — 1,8 GW
Somados, eles chegam a aproximadamente 3,2 GW.
A empresa afirma que se trata de um dos maiores clusters eólicos offshore em desenvolvimento na região Ásia-Pacífico sob responsabilidade de um único desenvolvedor.
Pacifico anuncia mais de US$ 1 bilhão para dois projetos eólicos
Dentro do compromisso de investimentos anunciado em setembro, a Pacifico informou que pretende destinar mais de US$ 1 bilhão aos projetos Manho e Jindo Baram.
Esse valor faz parte da expansão energética apresentada no contexto do pacote americano.
A empresa quer utilizar esses recursos para avançar nas etapas de desenvolvimento dos projetos eólicos.
O projeto Myeong Ryang, com 420 MW, já obteve licença para geração de eletricidade.
Os demais componentes do cluster continuam em diferentes estágios de desenvolvimento.
Portanto, os 3,2 GW representam a capacidade total planejada do conjunto, e não geração já disponível.
Energia eólica poderá abastecer futuro polo de semicondutores
A localização dos projetos possui uma função estratégica.
A região de Jeonnam-Gwangju começa a ser posicionada como um novo polo de indústrias avançadas e semicondutores.
Essas fábricas possuem enorme demanda elétrica.
Além disso, data centers e instalações de inteligência artificial elevam ainda mais a necessidade de fornecimento estável de energia.
A Pacifico afirma que seu cluster offshore poderá ajudar a suprir essa demanda futura.
Isso não significa que toda a eletricidade dos 3,2 GW será destinada exclusivamente às fábricas de chips.
No entanto, o governo e a companhia enxergam a geração eólica como parte da infraestrutura necessária para sustentar a expansão industrial regional.
Nova demanda elétrica da Coreia do Sul pode chegar a 25 ou 30 GW
A dimensão do desafio energético ficou ainda mais clara poucos dias depois do anúncio dos US$ 2 bilhões.
Em 8 de setembro, autoridades sul-coreanas indicaram que a expansão de fábricas de semicondutores e data centers de inteligência artificial poderá adicionar entre 25 GW e 30 GW de demanda elétrica ao sistema do país.
Esse volume é gigantesco.
Segundo a comparação apresentada pelo governo, ele equivale aproximadamente à produção de 20 grandes reatores nucleares.
Por isso, a Coreia do Sul avalia simultaneamente energia nuclear, renováveis, transmissão e outras fontes para atender ao novo consumo.
Nesse cenário, os 3,2 GW eólicos da Pacifico representam uma peça importante, mas apenas uma parte da necessidade total.
País possui 26 reatores nucleares em operação
A Coreia do Sul já depende fortemente da energia nuclear.
Atualmente, 26 reatores fornecem aproximadamente um terço da eletricidade do país.
As renováveis, por outro lado, ainda representam uma parcela bem menor da geração.
O governo pretende ampliar fontes limpas ao mesmo tempo em que revisa sua estratégia nuclear.
Essa combinação ganhou urgência porque semicondutores e inteligência artificial não podem depender de uma rede elétrica incapaz de acompanhar o crescimento das fábricas.
Assim, energia deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a integrar diretamente a política industrial.
Chips avançados consomem cada vez mais energia
Produzir semicondutores modernos exige grandes quantidades de eletricidade.
Fábricas trabalham 24 horas por dia e utilizam equipamentos extremamente sofisticados para controlar temperatura, umidade, partículas e processos químicos.
Além disso, instalações de fabricação utilizam sistemas de vácuo, lasers, bombas, equipamentos de deposição e unidades de tratamento de gases.
Quando essas fábricas se conectam a data centers de IA, a demanda cresce ainda mais.
Portanto, países que desejam liderar a produção de chips precisam garantir não apenas fábricas, mas também grandes volumes de energia confiável.
Samsung e SK já planejavam centenas de bilhões em investimentos domésticos
O pacote das empresas americanas se soma a uma escala muito maior de investimentos sul-coreanos.
Em 2025, Samsung, SK, Hyundai e LG anunciaram planos que, somados, chegavam a aproximadamente US$ 550 bilhões em investimentos domésticos nos anos seguintes.
O CPG detalhou como Samsung, SK, Hyundai e LG prometeram cerca de US$ 550 bilhões para ampliar projetos de IA, chips, energia, mobilidade e indústria dentro da Coreia do Sul.
Os US$ 2 bilhões anunciados agora possuem escala menor, mas desempenham outra função.
Eles mostram que fornecedores estrangeiros também estão ampliando capacidade dentro do ecossistema industrial sul-coreano.
Investimento americano chega em meio a uma relação comercial complexa
O movimento também possui uma dimensão geopolítica.
Coreia do Sul e Estados Unidos mantêm uma relação econômica extremamente próxima, especialmente em semicondutores, baterias, veículos elétricos e energia.
Ao mesmo tempo, as duas economias negociam tarifas, acesso a mercados e investimentos recíprocos.
Empresas sul-coreanas também comprometem centenas de bilhões de dólares em projetos industriais nos Estados Unidos.
Nesse contexto, o anúncio de empresas americanas investindo dentro da Coreia do Sul funciona como uma via de mão dupla.
Enquanto Samsung, SK e outras companhias ampliam operações nos EUA, grupos americanos reforçam partes da cadeia produtiva sul-coreana.
Pyeongtaek ganha importância como polo industrial
Dois dos projetos anunciados convergem para Pyeongtaek.
A Air Products ampliará ali sua capacidade de gases industriais, enquanto a Axcelis construirá sua nova fábrica de equipamentos.
A cidade já possui forte concentração de instalações ligadas à indústria de semicondutores.
Essa proximidade reduz distâncias logísticas entre fornecedores e fabricantes.
Além disso, permite respostas mais rápidas a mudanças na demanda.
Em setores extremamente sensíveis, como semicondutores, proximidade geográfica pode se transformar em vantagem competitiva.
Cluster eólico de Jindo pode exigir investimento muito maior no longo prazo
O compromisso anunciado pela Pacifico em setembro representa apenas parte da escala financeira estimada para seu complexo.
A empresa afirma que o desenvolvimento completo do cluster eólico de Jindo poderá envolver aproximadamente 19 trilhões de won em investimentos totais.
Esse valor corresponde ao conjunto de 3,2 GW e não aos recursos já desembolsados.
A companhia também projeta impactos econômicos expressivos, incluindo criação de empregos e fortalecimento da cadeia offshore local.
Entretanto, essas projeções são estimativas da própria desenvolvedora.
Por isso, devem ser tratadas como expectativas futuras, e não como resultados já alcançados.
Projeto eólico começa a construir cadeia local
A Pacifico também assinou acordos com empresas sul-coreanas para desenvolver uma cadeia de suprimentos ligada aos parques de Jindo.
Entre os parceiros aparecem fabricantes de fundações, empresas de logística marítima e fornecedores de componentes offshore.
A estratégia busca manter parte maior do valor econômico dentro da Coreia do Sul.
Isso pode envolver fabricação de estruturas, transporte marítimo, montagem e serviços especializados.
Portanto, o projeto eólico possui uma dimensão industrial semelhante à cadeia dos próprios semicondutores.
Energia offshore ganha peso na industrialização asiática
Grandes parques eólicos no mar costumam aparecer associados à transição energética.
Entretanto, na Coreia do Sul eles começam a ganhar outro papel: abastecer polos industriais intensivos em eletricidade.
Essa combinação aproxima dois setores que normalmente aparecem separados.
De um lado, semicondutores e inteligência artificial ampliam drasticamente o consumo energético.
Do outro, renováveis offshore oferecem grandes blocos de capacidade próximos de regiões costeiras e industriais.
A Coreia do Sul tenta conectar essas duas transformações.
País também desenvolve novas opções nucleares
A busca por eletricidade não se limita à energia eólica.
Empresas sul-coreanas também trabalham em novas soluções nucleares, incluindo tecnologias modulares e aplicações offshore.
O CPG mostrou que a Samsung avança em um conceito de plataforma nuclear flutuante equipada com dois reatores SMART100 para atender ilhas, portos e polos industriais.
Embora esse projeto seja independente do pacote de US$ 2 bilhões, ele evidencia a escala da discussão energética no país.
A Coreia do Sul busca múltiplas tecnologias porque a demanda futura poderá exigir dezenas de gigawatts adicionais.
US$ 2 bilhões não pertencem apenas ao setor de chips
Esse é um cuidado importante na leitura do anúncio.
O valor de US$ 2 bilhões é combinado entre quatro empresas e três grandes áreas: semicondutores, materiais avançados e energia.
Portanto, não é correto afirmar que “US$ 2 bilhões serão investidos em uma fábrica de chips”.
Também não é correto atribuir todo o valor ao complexo eólico offshore.
O governo apresentou os investimentos como um pacote conjunto.
A divulgação inicial não detalhou publicamente quanto cada empresa responderia do total completo.
Posteriormente, porém, a Axcelis anunciou US$ 35 milhões para sua nova fábrica e a Pacifico informou mais de US$ 1 bilhão para dois projetos eólicos.
Complexo de 3,2 GW ainda não está pronto
Outro ponto exige precisão.
Os 3,2 GW correspondem à capacidade planejada do cluster eólico de Jindo.
Os projetos ainda estão em desenvolvimento.
Myeong Ryang, com 420 MW, obteve licença de geração, enquanto Manho e Jindo Baram continuam avançando por etapas regulatórias e de desenvolvimento.
Portanto, seria incorreto dizer que a Pacifico “inaugurou uma usina de 3,2 GW”.
A companhia está ampliando investimentos para viabilizar o complexo.
Investimento conecta fábricas de chips a uma nova corrida por energia
O anúncio resume uma transformação que vai além dos US$ 2 bilhões.
A indústria de semicondutores não cresce isoladamente.
Cada nova fábrica demanda equipamentos de alta precisão, gases especiais, materiais avançados e enorme quantidade de eletricidade.
Por isso, os quatro investimentos possuem uma lógica complementar.
A Air Products fornece gases, a Axcelis fabrica máquinas para produção de chips, a Corning amplia materiais avançados e a Pacifico Energy desenvolve geração elétrica em grande escala.
Enquanto isso, Samsung e SK Hynix continuam expandindo a capacidade sul-coreana para atender à inteligência artificial.
Se essa expansão industrial avançar como previsto, a Coreia do Sul precisará encontrar dezenas de gigawatts adicionais de eletricidade nas próximas décadas.
Nesse cenário, os US$ 2 bilhões anunciados pelas quatro empresas americanas representam menos uma coleção de projetos isolados e mais uma tentativa de reforçar toda a infraestrutura necessária para sustentar a próxima geração da indústria de chips.
E você, acredita que a disputa mundial pelos semicondutores será decidida principalmente pela tecnologia dos chips ou pela capacidade dos países de garantir energia, materiais e infraestrutura suficientes para produzi-los em grande escala?
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Market Screener
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

