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Quatro estudantes ouvem fisioterapeutas, criam dispositivo que sustenta órgãos pélvicos e coleta o fluxo menstrual ao mesmo tempo, transformam trabalho de faculdade em patente nos EUA e agora buscam empresa para levá-lo ao mercado
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 03/09/2026 às 14:14
Atualizado em 03/09/2026 às 14:17
Ciência e Tecnologia
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Invenção criada por Lauren Coy, Tara Dobric, Morgan Folley e Joelle Gallais combina um pessário e um coletor menstrual em uma única peça flexível. Patente nº 12.672.979 foi concedida em julho de 2026, mas tecnologia ainda precisa passar por testes clínicos
Quatro estudantes de bioengenharia transformaram um trabalho de conclusão de curso em um dispositivo médico com duas funções, conquistaram uma patente nos Estados Unidos e agora tentam levar a invenção para além do laboratório. Criado por Lauren Coy, Tara Dobric, Morgan Folley e Joelle Gallais, o equipamento combina um pessário e um coletor menstrual para sustentar órgãos pélvicos e receber o fluxo menstrual ao mesmo tempo, conforme informações publicadas pelo site UToledo News.
O Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos concedeu a patente nº 12.672.979, intitulada Combined Pessary and Menstrual Cup, em 7 de julho de 2026. A documentação identifica as quatro engenheiras como inventoras e a Universidade de Toledo, no estado de Ohio, como titular da tecnologia.
Apesar da conquista, o dispositivo ainda não está disponível comercialmente. O próximo desafio envolve realizar testes clínicos, avaliar o interesse de empresas e encontrar uma parceira disposta a licenciar e desenvolver a invenção.
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Tudo começa quando as estudantes escutam fisioterapeutas sobre um problema enfrentado por mulheres
A ideia surgiu durante o projeto final do curso de bioengenharia da Universidade de Toledo. As quatro estudantes queriam trabalhar com saúde feminina por considerarem essa uma área ainda pouco financiada e pesquisada em diferentes partes do mundo.
Antes de projetar o equipamento, elas conversaram com fisioterapeutas especializados no assoalho pélvico. Os profissionais explicaram algumas dificuldades enfrentadas por mulheres que precisam usar um pessário e continuam menstruando.
O pessário é colocado no canal vaginal para ajudar a sustentar órgãos afetados pelo prolapso pélvico. Durante o período menstrual, entretanto, algumas usuárias retiram o equipamento para utilizar um absorvente interno ou coletor menstrual.
Dependendo do modelo e das condições da paciente, a colocação, o ajuste e a retirada do pessário podem exigir acompanhamento profissional. Foi nesse ponto que as estudantes perceberam a possibilidade de juntar dois produtos em uma única peça.
Em vez de desenvolver uma tecnologia sem aplicação imediata, elas partiram de um problema concreto — movimento semelhante ao de outros projetos criados por estudantes após observarem dificuldades reais.
Prolapso pélvico pode deslocar bexiga, útero ou reto e causar pressão na região vaginal
O prolapso de órgãos pélvicos ocorre quando os músculos e tecidos responsáveis pela sustentação dessas estruturas enfraquecem. Com isso, órgãos como bexiga, útero ou reto podem se deslocar e pressionar o interior do canal vaginal.
Os sintomas e a intensidade variam entre as pacientes. Entre as alternativas não cirúrgicas utilizadas para determinados casos está o pessário, disponível em diferentes formatos e tamanhos.
O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos informa que o tratamento dos distúrbios do assoalho pélvico pode incluir exercícios musculares, pessários, procedimentos cirúrgicos ou uma combinação dessas abordagens.
Profissionais de saúde normalmente selecionam o formato e o tamanho mais adequados para cada caso. Também orientam a paciente sobre colocação, retirada, higienização e acompanhamento.
A patente registrada pela Universidade de Toledo descreve algumas limitações enfrentadas durante a menstruação. O documento menciona o desconforto de usar absorventes externos junto ao pessário, a possibilidade de o sangue manchar o dispositivo e situações nas quais a usuária mantém um segundo pessário para esse período.
Invenção reúne um anel de sustentação e um compartimento para coletar o fluxo menstrual
O dispositivo criado pelas estudantes tenta eliminar a necessidade de usar separadamente um pessário e um coletor menstrual. Para isso, a estrutura reúne duas partes principais.
A primeira funciona como um anel flexível de sustentação. A segunda forma um compartimento destinado a receber o fluxo menstrual.
De acordo com a documentação da patente, algumas versões também podem incluir uma saliência integrada ao anel. Essa parte exerceria pressão em um ponto específico para ajudar no suporte da uretra em configurações destinadas a pessoas com incontinência urinária.
O documento ainda prevê uma haste para facilitar a retirada do equipamento em determinados modelos. Além disso, descreve variações de tamanho e formato, já que as necessidades podem mudar conforme a condição e a anatomia de cada usuária.
Em alguns exemplos registrados na patente, o compartimento interno apresenta capacidade entre aproximadamente 8 e 79 mililitros. Essa ampla faixa protege diferentes configurações da invenção e não representa obrigatoriamente a capacidade de um futuro produto comercial.
Silicone de grau médico permite que a peça seja dobrada durante a colocação
A patente prevê a fabricação do dispositivo com silicone de grau médico, embora também proteja a possibilidade de utilização de outros materiais adequados.
Segundo a Universidade de Toledo, o projeto prioriza uma estrutura biocompatível, hipoalergênica e flexível. A flexibilidade permite dobrar ou comprimir temporariamente a peça durante a colocação.
Depois de posicionada, a parte semelhante ao pessário recuperaria seu formato para exercer a função de sustentação. Ao mesmo tempo, o compartimento conectado ao anel receberia o fluxo menstrual.
O objetivo é criar uma peça suficientemente resistente para o uso repetido e que possa ser retirada e higienizada sem depender sempre de um profissional. Entretanto, os testes clínicos ainda precisarão confirmar segurança, conforto, facilidade de colocação, limpeza e funcionamento em condições reais.
Portanto, a invenção apresenta uma proposta técnica promissora, mas ainda não existe comprovação clínica divulgada de que ela substituirá com segurança os produtos disponíveis atualmente.
Primeiro protótipo muda os planos das estudantes e abre caminho para a patente
As quatro integrantes não começaram o trabalho imaginando que se tornariam inventoras reconhecidas oficialmente. A possibilidade de buscar uma patente ganhou força conforme a pesquisa avançou.
Depois de estudar o problema, elas construíram o primeiro protótipo e começaram a receber avaliações favoráveis. O retorno fez a equipe perceber que o projeto poderia continuar depois da apresentação acadêmica.
As estudantes então procuraram o Escritório de Transferência de Tecnologia da Universidade de Toledo. A estrutura ajudou a equipe a compreender o processo de proteção intelectual e a preparar a documentação necessária.
A universidade apresentou o pedido de patente em 15 de agosto de 2023. A solicitação tornou-se pública em fevereiro de 2025 e, após quase três anos de tramitação, resultou na concessão da patente em julho de 2026.
A trajetória colocou o grupo entre os casos de jovens inventores que transformam problemas cotidianos em equipamentos funcionais.
Patente protege a invenção, mas não significa que o produto já esteja aprovado
A concessão da patente representa uma vitória importante, pois reconhece e protege características técnicas da invenção. Ela também pode facilitar negociações com empresas interessadas em desenvolver comercialmente o dispositivo.
No entanto, uma patente não comprova eficácia clínica e não equivale a uma autorização para colocar um produto médico no mercado.
A Universidade de Toledo ainda não divulgou resultados de testes com pacientes, aprovação regulatória, preço estimado ou data para um possível lançamento. Também não existe, até o momento, uma empresa anunciada como licenciada para fabricar a peça.
Essa diferença é essencial: as estudantes conseguiram proteger a ideia e o projeto técnico, mas a invenção ainda precisa atravessar outras etapas antes de chegar às usuárias.
Testes clínicos serão a próxima grande etapa da invenção
As quatro bioengenheiras trabalham agora com o escritório de transferência tecnológica da universidade para preparar os testes clínicos e medir o interesse de possíveis empresas licenciadas.
Uma parceira industrial poderia contribuir com aperfeiçoamento do projeto, escolha de materiais, padronização da fabricação, estudos de segurança e preparação para as exigências regulatórias.
Essa fase costuma representar um dos maiores obstáculos para tecnologias médicas. Mesmo quando um protótipo funciona em laboratório, os desenvolvedores precisam demonstrar que ele oferece segurança, consistência e desempenho adequado em situações reais.
O desafio acompanha o esforço de transformar pesquisas universitárias em dispositivos médicos disponíveis comercialmente.
No caso da invenção de Toledo, os testes também precisarão avaliar fatores como adaptação a diferentes anatomias, capacidade de sustentação, possíveis vazamentos, facilidade de retirada, higienização e durabilidade.
As quatro inventoras seguiram carreira em empresas dos Estados Unidos e do Canadá
Depois da graduação, as quatro integrantes começaram carreiras em áreas relacionadas à engenharia, fabricação farmacêutica e equipamentos médicos.
Lauren Coy, formada em 2022, tornou-se engenheira sênior de validação de processos na INCOG BioPharma Services, no estado de Indiana.
Joelle Gallais, que concluiu o curso em dezembro de 2022, passou a trabalhar com engenharia da qualidade na Zimmer Biomet, em Montreal, no Canadá.
Também formada em dezembro de 2022, Morgan Folley assumiu uma função como engenheira sênior de aplicações na Shukla Medical, na cidade de St. Petersburg, na Flórida.
Tara Dobric, graduada em 2023, trabalha como técnica de equipamentos biomédicos na TRIMEDX, em Detroit.
Embora tenham seguido caminhos profissionais diferentes, as quatro permanecem conectadas ao projeto que desenvolveram quando ainda estavam na universidade.
Trabalho de conclusão de curso termina com patente e possibilidade de chegar ao mercado
A invenção percorreu um caminho que as próprias estudantes não imaginavam no início. Elas ouviram fisioterapeutas, identificaram um problema enfrentado por usuárias de pessários, pesquisaram possíveis soluções e construíram um protótipo.
O grupo apresentou o pedido de patente em 2023 e recebeu a concessão em 2026. Agora, precisa transformar a proteção intelectual em desenvolvimento clínico e industrial.
Se os testes demonstrarem segurança e desempenho, o dispositivo poderá oferecer uma nova alternativa para pessoas que necessitam de sustentação pélvica durante a menstruação. Até lá, permanece como uma invenção patenteada em fase de desenvolvimento.
O que começou como um trabalho universitário agora possui quatro inventoras, uma patente federal e duas funções reunidas em uma única peça. O interesse da indústria e os resultados dos testes definirão se o projeto conseguirá completar sua etapa mais difícil: sair do laboratório e chegar ao mercado.
Fonte
UToledo News
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

