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Quebradeira de coco que toca há 11 anos a agroindústria de uma comunidade onde 90% das famílias vivem do babaçu vai a Fortaleza aprender com a Embrapa a virar a amêndoa em queijo e bebida, e volta com 35 produtos na lista
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 10/09/2026 às 05:04
Atualizado em 10/09/2026 às 05:40
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As quebradeiras de coco babaçu do Maranhão passaram dois dias em Fortaleza olhando de perto o que a amêndoa pode virar depois de sair da comunidade, e voltaram com técnica para transformar em bebida vegetal e em análogo de queijo aquilo que hoje sai da porteira como matéria-prima barata.
Antônia Vieira é vice-presidente da Associação Clube de Mães Lar de Maria e responde há 11 anos pela agroindústria mantida pela entidade na comunidade.
A comunidade é a de Pedrinhas, em Itapecuru-Mirim, no Maranhão, onde o coco babaçu sustenta a maior parte das famílias que vivem por ali.
Quebrar coco é trabalho antigo e conhecido por ali, portanto a novidade do treinamento não está na matéria-prima, e sim no que ela pode virar antes de sair.
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Antônia Vieira toca a agroindústria da associação há onze anos
Onze anos à frente de uma agroindústria comunitária significam conhecer o gargalo de perto, do rendimento da amêndoa ao destino do produto depois de pronto.
A entidade se chama Associação Clube de Mães Lar de Maria, e é dela a estrutura de processamento que Antônia Vieira administra na comunidade de Pedrinhas.
Ela foi uma das representantes que viajaram ao Ceará, ou seja, quem administra a produção esteve na sala e não apenas ouviu o resumo depois.
Em Pedrinhas, 90% da comunidade vive do que vem do babaçu
Conforme o relato da Embrapa, 90% da comunidade de Pedrinhas vive do babaçu, o que faz do coco a base da renda local e não um complemento.
Quando quase toda a comunidade depende de um produto só, qualquer variação de preço na amêndoa atravessa a casa inteira, portanto o risco é coletivo.
Itapecuru-Mirim fica no Maranhão e reúne as duas comunidades citadas no relato, Pedrinhas e Vinagre, cada uma com a própria organização produtiva em torno do babaçu.
Uma associação e uma cooperativa na mesma cidade indicam organização formal já montada, portanto o gargalo não está na falta de gente reunida em torno do produto.
Seis representantes pegaram a estrada até Fortaleza nos dias 2 e 3 de setembro
Nos dias 2 e 3 de setembro de 2026, seis representantes de associações de quebradeiras de coco do Maranhão participaram de um treinamento de dois dias em Fortaleza.
Além delas, quatro representantes da Embrapa Maranhão acompanharam a atividade, realizada no Ceará, conforme o relato publicado pela empresa de pesquisa agropecuária.
Deslocar dez pessoas entre dois estados por dois dias tem custo, portanto a escolha diz que o assunto não era demonstração rápida de receita.
A Embrapa mostrou como a amêndoa vira bebida vegetal e análogo de queijo
Segundo a Embrapa, “foram apresentadas técnicas de produção de bebida vegetal e análogo de queijo à base de babaçu”, ou seja, dois produtos com prateleira própria.
Análogo de queijo é o nome técnico do produto que imita queijo sem leite animal, categoria que ganhou espaço no varejo brasileiro nos últimos anos.
Bebida vegetal e análogo de queijo pertencem a uma categoria que hoje disputa espaço em supermercado, portanto a amêndoa entra num mercado com preço diferente.
A diferença é simples de enxergar: coco quebrado vendido a granel sai da comunidade como insumo, enquanto bebida e queijo saem prontos para a prateleira.
O treinamento serviu para corrigir o que já tinha dado errado antes
Conforme o relato, a oficina também serviu para corrigir falhas de produções anteriores que as próprias quebradeiras já tinham tentado por conta própria.
Esse detalhe muda a leitura do encontro, já que a tentativa veio antes da assistência técnica, e não o contrário, como costuma acontecer em projeto de gabinete.
Elas já haviam tentado, portanto sabiam exatamente onde o processo travava, e é bem mais barato ajustar um erro conhecido do que começar do zero.
Três pesquisadoras conduziram os dois dias de oficina em Fortaleza
Selene Benevides, da Embrapa Agroindústria Tropical, coordenou o treinamento realizado em Fortaleza, conforme a publicação da própria empresa sobre o encontro com as associações.
Guilhermina Cayres, da Embrapa Maranhão, lidera o projeto, enquanto Ludmilla Oliveira, pesquisadora de Engenharia de Alimentos da mesma unidade, também participou da atividade.
A composição junta uma unidade de agroindústria tropical e uma unidade estadual, ou seja, o processamento fica com quem estuda alimento e o campo com quem conhece o território.
A cooperativa da comunidade vizinha já chegou a 35 produtos do babaçu
A Cooperativa Mista dos Agricultores do Vinagre já desenvolveu 35 itens a partir do babaçu, número que dá a medida do que a amêndoa aceita virar.
Trinta e cinco produtos não saem de uma vez, portanto o portfólio indica anos de tentativa, ajuste e teste dentro da própria estrutura da cooperativa.
Olhando assim, o caminho já foi aberto ali perto, no mesmo município, com a mesma matéria-prima e, provavelmente, com as mesmas dificuldades de estrutura.
Vanessa Fonseca representa o Vinagre, no mesmo município maranhense
Vanessa Fonseca é vice-presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores do Vinagre, da comunidade do Vinagre, no mesmo município maranhense de Itapecuru-Mirim.
Duas comunidades do mesmo município, duas organizações diferentes e a mesma amêndoa, contudo com estágios distintos de processamento e de linha de produto.
A proximidade facilita a troca, já que visitar a vizinha custa menos do que contratar consultoria, e o aprendizado chega no vocabulário de quem quebra coco.
O preço muda quando o produto sai pronto da comunidade
Amêndoa vendida crua entrega ao comprador toda a margem do beneficiamento, portanto quem quebra o coco fica com a parte mais pesada e menos rentável do processo.
Com bebida e análogo de queijo, no entanto, parte dessa margem fica na comunidade, dessa forma o mesmo volume de coco passa a render mais por quilo.
Não há números públicos de renda, produtividade ou preço nesse caso, contudo a lógica do beneficiamento é conhecida por qualquer cadeia agrícola do país.
Além disso, produto processado aguenta mais tempo de prateleira, o que reduz a pressa de vender e melhora a posição de quem negocia o preço.
A Embrapa publicou o relato do encontro em 9 de setembro
O registro do treinamento foi divulgado em 9 de setembro de 2026 e pode ser lido na página da Embrapa sobre o encontro.
Entre a viagem e a publicação passaram poucos dias, portanto o que veio de Fortaleza ainda está fresco na cabeça de quem participou da oficina.
O passo seguinte é operacional e caro: equipamento, embalagem, registro sanitário e comprador, etapas que nenhuma oficina de dois dias resolve por conta própria.
Confesso que a parte mais interessante não é o queijo vegetal, e sim o fato de a técnica ter chegado depois da tentativa, não antes dela.
Quanto vale o coco que sai da sua região sem passar por nenhuma etapa de processamento local?
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Fonte
Embrapa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

