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Quintal de casal de idosos desaba na Austrália e revela poço de mineração escondido há mais de 100 anos, quase tão profundo quanto um prédio de 30 andares, forçando a família a deixar a casa

Quintal de casal de idosos desaba na Austrália e revela poço de mineração escondido há mais de 100 anos, quase tão profundo quanto um prédio de 30 andares, forçando a família a deixar a casa

6 min de leitura

Quintal de casal de idosos desaba na Austrália e revela poço de mineração escondido há mais de 100 anos, quase tão profundo quanto um prédio de 30 andares, forçando a família a deixar a casa

Escrito por Carla Teles

Publicado em 11/09/2026 às 09:53

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Quintal de casal de idosos desaba na Austrália e revela poço de mineração de quase 100 metros de profundidade, escondido havia mais de um século sob a propriedade.

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O caso aconteceu em Basin Pocket, na região de Ipswich, oeste de Brisbane, onde o poço exploratório teria sido escavado entre 1903 e 1920, cerca de 40 metros distante do ponto registrado nos mapas oficiais de mineração. O governo de Queensland assumiu os custos do reparo.

Um casal de aposentados precisou deixar às pressas a própria casa em Ipswich, na Austrália, depois que o quintal começou a ceder e abriu uma cratera repentina, revelando um antigo poço de mineração escondido havia mais de um século sob a propriedade.

Segundo o então prefeito de Ipswich, Paul Pisasale, o vazio tinha entre 6 e 8 metros de diâmetro e descia cerca de 100 metros de profundidade, um poço exploratório escavado provavelmente entre 1903 e 1920. Equipes de engenharia usaram maquinário pesado para remover detritos e preencher a cavidade com rocha e concreto, em um trabalho que poderia levar até 15 dias.

Como o quintal começou a ceder

Imagem: ABC News

A cratera se abriu em uma terça-feira de agosto de 2016, no quintal de uma casa na Coal Street, no bairro de Basin Pocket, região de Ipswich, cerca de 40 quilômetros a oeste de Brisbane, capital do estado de Queensland. O que começou como uma rachadura no solo evoluiu rapidamente para um buraco de aproximadamente 8 metros de largura por 6 metros de profundidade, tomando boa parte do gramado dos fundos da casa.

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Imagens aéreas divulgadas pela emissora Nine Network mostraram o momento em que o terreno cedia, com água escorrendo de um lado a outro da abertura enquanto o solo desmoronava. A movimentação chamou a atenção das autoridades locais: o próprio prefeito de Ipswich, Paul Pisasale, foi até o local ainda no mesmo dia para acompanhar o trabalho de engenheiros e avaliar o risco à casa e à vizinhança.

Pisasale tentou tranquilizar os moradores logo nas primeiras horas. Segundo ele, a estrutura não representava risco imediato de colapso da residência, mas era necessário isolar a área e monitorar a evolução do buraco antes de liberar qualquer intervenção definitiva.

Um poço de mineração escondido há mais de 100 anos

Imagem: ABC News

A explicação para a cratera veio rápido: o buraco havia se formado sobre um antigo poço exploratório de mineração, escavado, segundo as autoridades, em algum momento entre 1903 e 1920, mais de cem anos antes do colapso. Ipswich é uma região historicamente ligada à mineração de carvão no início do século 20, e a existência de poços exploratórios antigos, muitos deles nunca devidamente registrados ou selados, não é incomum sob bairros residenciais mais antigos da cidade.

Ao inspecionar a abertura, as equipes constataram que o poço estava parcialmente preenchido com lixo e garrafas, um indício de que, décadas atrás, alguém havia tampado a boca do poço de forma improvisada, sem seguir qualquer prática de engenharia adequada. Foi esse preenchimento precário que, ao ceder com o tempo, deixou o vazio subterrâneo se conectar novamente à superfície.

Outro detalhe chamou atenção das autoridades: o poço estava cerca de 40 metros distante do ponto em que constava nos mapas oficiais de mineração e nos mapas de planejamento urbano do conselho local. Essa discrepância ajuda a explicar por que a existência do poço passou despercebida por tanto tempo, mesmo os registros históricos disponíveis não localizavam a estrutura com precisão suficiente para alertar sobre o risco embaixo daquele quintal específico.

O que aconteceu com o casal McKay

Imagem: ABC News

Os moradores da casa, Ray e Lynn McKay, foram retirados do imóvel ainda na terça-feira, assim que o tamanho da cratera tornou a permanência ali arriscada. A Prefeitura de Ipswich providenciou hospedagem temporária em um motel da região enquanto engenheiros avaliavam a estabilidade do solo.

O prefeito Paul Pisasale buscou reduzir a apreensão do casal, afirmando que a equipe técnica estava confiante quanto à possibilidade de estabilizar o terreno e que não havia indício de que o problema fosse se espalhar para outras propriedades da vizinhança. Dois dias depois do colapso, o ministro de Minas de Queensland, Anthony Lynham, informou que os McKay já poderiam retornar à própria casa na quinta-feira, à medida que o trabalho de contenção avançava.

Lynham também confirmou que o governo de Queensland assumiria integralmente os custos do reparo, já que o poço fazia parte do histórico de mineração da região e, portanto, era de responsabilidade do departamento de minas, não do casal, lidar com as consequências de uma estrutura escavada mais de um século antes.

O trabalho para tapar o buraco

Especialistas em subsidência de mina e reparo de poços abandonados foram acionados para conduzir a obra de estabilização. Segundo o ministro Anthony Lynham, uma empresa de terraplenagem foi contratada para apoiar o serviço, já que a equipe do governo tem experiência recorrente em lidar com esse tipo de colapso em áreas de mineração histórica.

O procedimento seguiu duas etapas: primeiro, o maquinário pesado remove os detritos acumulados dentro do poço; depois, a cavidade é preenchida com rocha e concreto até estabilizar completamente o solo. Lynham disse ainda estar confiante de que o problema estava localizado apenas naquela propriedade, sem sinais de comprometimento em terrenos vizinhos.

A previsão das autoridades era de que todo o processo de preenchimento e estabilização do terreno levasse até 15 dias, um prazo relativamente longo, que reflete a dificuldade de garantir que um vazio de cerca de 100 metros de profundidade fique de fato seguro antes de liberar a área para uso normal novamente.

Especialista alerta para riscos ao redor

Nem todos os especialistas ouvidos sobre o caso trataram a situação como totalmente resolvida. A engenheira geotécnica Allison Golsby defendeu que o governo deveria realizar um levantamento com radar nas propriedades vizinhas à casa dos McKay, para garantir que o problema fosse mesmo isolado.

Segundo Golsby, é muito difícil saber com certeza o que está acontecendo abaixo da superfície sem o uso de sistemas sônicos ou de radar, por isso, na avaliação dela, valeria a pena inspecionar a área ao redor antes de considerar o caso encerrado. Um dos pontos que mais preocupava a engenheira era a presença de água na cavidade: se havia fluxo de água subterrânea na região, isso tornaria muito mais difícil aplicar concreto de forma eficaz dentro do poço.

Golsby chamou atenção ainda para um efeito colateral possível do próprio reparo: ao preencher e vedar o poço, a água que antes escoava por ali precisaria seguir para algum outro lugar, o que, segundo ela, poderia deslocar o problema e favorecer o surgimento de uma nova cratera em outro ponto do terreno. Ela também observou que, em muitos casos de mineração antiga, os túneis e câmaras podem estar dezenas de metros abaixo da superfície, mas que, uma vez aberto um caminho como aquele até a superfície, resta uma quantidade considerável de vazio para preencher com segurança.

O caso do quintal de Basin Pocket expõe um risco pouco visível em cidades erguidas sobre áreas de mineração histórica: poços e galerias escavados há mais de um século, muitas vezes mal documentados ou tampados de forma improvisada, podem permanecer estáveis por décadas antes de ceder sem aviso.

Para especialistas como Allison Golsby, episódios como esse reforçam a importância de mapeamentos geotécnicos mais precisos em regiões com histórico de exploração mineral, especialmente antes de novas construções ou reformas em terrenos residenciais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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