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Refugiada iraniana foge aos 17 anos, atravessa 188 milhas na neve, cruza o Mar Egeu em barco superlotado e se forma em TV e rádio no Reino Unido

Refugiada iraniana foge aos 17 anos, atravessa 188 milhas na neve, cruza o Mar Egeu em barco superlotado e se forma em TV e rádio no Reino Unido

8 min de leitura

Refugiada iraniana foge aos 17 anos, atravessa 188 milhas na neve, cruza o Mar Egeu em barco superlotado e se forma em TV e rádio no Reino Unido

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 14/09/2026 às 09:56

Atualizado em 14/09/2026 às 09:57

Curiosidades

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Imagem ilustrativa representa a conquista acadêmica de Asma Amad, refugiada iraniana que deixou o país aos 17 anos e, anos depois, concluiu graduação em Television and Radio Production na University of Salford.

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Aos 17 anos, Asma Amad deixou o Irã com a família, percorreu cerca de 188 milhas até a Turquia, atravessou o Mar Egeu em uma embarcação superlotada e, quase uma década depois, concluiu graduação na University of Salford

Asma Amad deixou Mashhad, no Irã, em janeiro de 2016, acompanhada da mãe, dos dois irmãos, da irmã e da sobrinha de cinco anos. Ela tinha 17 anos e iniciou uma jornada que passaria por montanhas cobertas de neve, cidades turcas, uma travessia clandestina pelo Mar Egeu e centros de refugiados na Grécia.

Durante o trajeto, Asma enfrentou frio intenso e neve que, segundo seu relato, chegava à altura dos joelhos.

A viagem continuou até a costa oeste turca. De lá, a família embarcou em um pequeno bote rumo à ilha grega de Chios. A embarcação deveria levar entre 10 e 15 pessoas, mas aproximadamente 40 passageiros foram colocados a bordo.

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Anos depois, a adolescente que atravessou o mar em condições precárias chegou ao Reino Unido, estudou inglês, trabalhou em um café e entrou para a área de mídia. Em 11 de julho de 2025, aos 27 anos, concluiu o curso de Television and Radio Production da University of Salford.

A saída do Irã começou após família temer pela própria segurança

A história começou em Mashhad, cidade natal de Asma. Segundo o relato publicado pela University of Salford, sua mãe foi chamada por uma mesquita depois de surgirem rumores de que estaria praticando o cristianismo.

A situação provocou medo dentro da família. Asma decidiu deixar o país acompanhada da mãe, dos dois irmãos, da irmã e da sobrinha.

A saída também envolvia outro obstáculo. Por ter menos de 18 anos, Asma não poderia obter passaporte ou deixar o país sem autorização do pai, que não sabia dos planos.

A família partiu em janeiro de 2016. O primeiro trecho da fuga envolveu uma caminhada de aproximadamente 188 milhas até Doğubayazıt, no leste da Turquia.

A travessia das montanhas aconteceu em condições severas. Asma relatou que havia neve chegando aos joelhos e que o frio tornou o percurso ainda mais difícil.

Família passou por cidades da Turquia antes de tentar chegar à Grécia

Depois de entrar na Turquia, a família evitou permanecer muito tempo no mesmo local. Segundo Asma, eles temiam ser identificados como refugiados e enviados de volta ao Irã.

O grupo passou a se deslocar de cidade em cidade enquanto tentava alcançar a costa. Não havia hospedagem fixa e, em algumas ocasiões, todos dormiram onde conseguiram encontrar abrigo.

Asma se lembra de ter passado algumas noites em um grande olival. Certa manhã, o proprietário encontrou a família e levou comida.

O gesto ficou marcado em sua memória. Ela contou que chorou naquele momento porque sentia vergonha da situação em que estava vivendo.

A família continuou avançando até chegar à região de Çeşme, na costa oeste da Turquia. Ali começaria uma das etapas mais perigosas da viagem.

Barco para até 15 pessoas levou aproximadamente 40 durante travessia do Mar Egeu

A família encontrou contrabandistas que organizavam travessias clandestinas entre a Turquia e a Grécia. O objetivo era sair de Çeşme e alcançar a ilha grega de Chios.

Antes da partida, Asma ficou em uma casa onde, segundo sua estimativa, havia aproximadamente 100 pessoas. Cada uma tinha pouco espaço disponível para permanecer no chão.

Foi nesse período que ela começou a ouvir histórias de outros refugiados. Muitas envolviam pessoas que haviam perdido parentes e amigos durante a viagem.

A travessia começou por volta das 2h de uma madrugada. Cerca de 80 a 90 pessoas seriam distribuídas entre três embarcações.

A mãe de Asma pediu que todos segurassem as mãos durante a corrida até a praia. A preocupação era impedir que membros da família acabassem separados em barcos diferentes.

A embarcação de Asma deveria transportar entre 10 e 15 pessoas. Cerca de 40 passageiros, porém, foram colocados no mesmo bote.

Asma sofreu com o enjoo e afirmou ter desmaiado diversas vezes durante a travessia. Ela também relatou ter visto outras embarcações virarem e pessoas caírem na água.

Chegada à Grécia levou família para centro de migrantes em Atenas

Depois de alcançar a Grécia, a família seguiu até Atenas. O grupo foi encaminhado para um centro de migrantes onde pessoas de diferentes países dividiam espaços superlotados.

Asma relatou ter encontrado refugiados do Afeganistão, Paquistão e Síria. Muitos dormiam no chão e conviviam em condições precárias.

O ambiente também era marcado por conflitos. Segundo ela, havia brigas, episódios de violência e situações que permaneceram em sua memória.

Em uma madrugada, Asma ouviu um homem chorando. Ela acredita que ele era sírio e havia recebido a notícia de que a esposa, a filha e o filho tinham morrido durante a travessia entre Turquia e Grécia.

As experiências reforçaram uma ideia que já havia surgido durante sua passagem pela Turquia. Ela queria encontrar uma maneira de contar as histórias das pessoas que conheceu durante a fuga.

Grupo de anarquistas acolheu a família antes de nova mudança

A família deixou o centro e acabou acolhida por um grupo de anarquistas gregos. Para Asma, o apoio foi importante porque ofereceu abrigo em um momento de grande vulnerabilidade.

O grupo, no entanto, participava de confrontos frequentes com a polícia. Asma relatou que gás lacrimogêneo usado nas ruas chegava até o local onde estavam.

A situação fez com que ela concluísse que precisava procurar outro caminho. Foi durante esse período que contatos feitos em uma igreja de Atenas abriram a possibilidade de chegar ao Reino Unido.

Asma conheceu um casal que a ajudou a organizar a viagem. Ela conseguiu um empréstimo e pagou um contrabandista.

Seu plano envolvia o uso do passaporte de outra mulher. Asma também foi levada a um salão de beleza para tentar aproximar sua aparência daquela mostrada no documento.

Voo até Heathrow terminou com abordagem da imigração britânica

Asma embarcou em um voo com destino ao aeroporto de Heathrow, em Londres. Ao chegar ao Reino Unido, foi abordada pela UK Border Force.

Ela foi encaminhada inicialmente para um alojamento em Wakefield. Depois, passou a morar em uma casa compartilhada com outros refugiados em Halifax.

Cerca de seis meses após a chegada, participou de uma entrevista com um oficial de imigração. Depois dessa etapa, recebeu autorização para permanecer no país.

A nova vida exigiu aprendizado rápido. Asma começou a estudar inglês e matemática no nível GCSE enquanto trabalhava em um café em Leeds.

Ela permaneceu nessa rotina durante alguns anos. O objetivo era desenvolver o inglês e construir uma vida no país onde havia conseguido permanecer.

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Trabalhar com mídia nunca havia sido um objetivo durante sua infância no Irã. Asma estudava para seguir a área farmacêutica, embora não gostasse de hospitais nem de medicina.

A mudança começou quando ela encontrou na internet um anúncio do Leeds City College. A publicidade perguntava se o leitor gostaria de se tornar diretor.

Asma se interessou imediatamente e se candidatou ao curso BTEC Media. Durante a formação, conheceu uma professora iraniana chamada Dora.

A professora passou a incentivá-la a buscar uma formação mais avançada. As duas encontraram o curso da University of Salford e prepararam a candidatura.

Asma visitou a MediaCity durante um dia aberto da universidade. Segundo ela, naquele momento sentiu que estava no lugar onde deveria estar.

Entrada na University of Salford aconteceu em setembro de 2021

Asma começou o curso de BA Television and Radio Production em setembro de 2021. Durante os primeiros anos, pouco falava com os professores sobre sua trajetória como refugiada.

As lembranças da viagem, porém, continuavam presentes. Ela relatou que alguns episódios faziam com que revivesse momentos da fuga e tivesse dificuldade para continuar suas atividades.

No terceiro ano, uma dessas situações fez com que faltasse a uma aula. O professor Lyndon Saunders percebeu a situação e perguntou se ela gostaria de conversar.

Asma acabou contando toda a história. A conversa mudou sua relação com o próprio passado e aumentou sua confiança para falar publicamente sobre a experiência.

A partir daquele momento, ela passou a considerar com mais clareza que poderia transformar sua formação em mídia em uma ferramenta para registrar histórias semelhantes.

Graduação abriu caminho para podcast sobre experiências de refugiados

Asma concluiu sua graduação em 11 de julho de 2025, aos 27 anos. Ela também foi reconhecida no Create Student Awards 2025.

O próximo objetivo é desenvolver um podcast voltado para antigos refugiados. A proposta é criar um espaço onde outras pessoas possam relatar suas experiências.

A primeira versão deverá ser produzida em farsi. Asma acredita que o idioma poderá deixar alguns participantes mais confortáveis para falar sobre acontecimentos traumáticos.

Uma versão em inglês poderá ser desenvolvida posteriormente. O projeto retoma uma ideia que surgiu ainda durante a fuga, quando Asma ouviu relatos de pessoas que haviam perdido familiares e amigos.

A família também seguiu novos caminhos desde a passagem pela Grécia. A mãe e o irmão mais velho se estabeleceram na França, enquanto o irmão mais novo, a irmã e a sobrinha vivem na Alemanha.

Asma retomou contato com o pai, que continua no Irã. Sua família não conseguiu participar da cerimônia de graduação, mas seu parceiro esteve presente.

A conclusão do curso marcou uma nova etapa de uma trajetória iniciada em janeiro de 2016. Aos 17 anos, Asma deixou o Irã sem saber onde terminaria a viagem.

Quase dez anos depois, passou a usar justamente a formação em comunicação para tentar transformar as histórias que testemunhou em um projeto dedicado a refugiados.

Você acredita que relatos produzidos pelos próprios refugiados podem ajudar a mostrar uma dimensão dessas jornadas que normalmente não aparece nas notícias? Deixe sua opinião e compartilhe a história.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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