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Reino Unido começa a construir primeiro megaprojeto offshore de captura de carbono, recebe navio de 325 metros para instalar 145 km de dutos e planeja enterrar até 100 milhões de toneladas de CO₂ sob o Mar do Norte

Reino Unido começa a construir primeiro megaprojeto offshore de captura de carbono, recebe navio de 325 metros para instalar 145 km de dutos e planeja enterrar até 100 milhões de toneladas de CO₂ sob o Mar do Norte

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Reino Unido começa a construir primeiro megaprojeto offshore de captura de carbono, recebe navio de 325 metros para instalar 145 km de dutos e planeja enterrar até 100 milhões de toneladas de CO₂ sob o Mar do Norte

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 02/09/2026 às 20:42

Atualizado em 02/09/2026 às 20:43

Marítimo

Canal

Imagem Ilustrativa

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Castorone chega ao sul do Mar do Norte para iniciar instalação de gasoduto de CO₂ a 75 km da costa. Projeto de BP, Equinor e TotalEnergies mira operação em 2028, armazenamento a cerca de 1.000 metros sob o leito marinho e capacidade inicial de até 4 milhões de toneladas por ano

O Reino Unido iniciou a fase de construção offshore de seu primeiro projeto de captura e armazenamento de carbono no mar, e a escala da operação aparece logo no equipamento escolhido. O Castorone, navio lançador de dutos da Saipem com 325 metros de comprimento, chegou ao sul do Mar do Norte para começar a instalar uma tubulação offshore de 145 quilômetros, que transportará CO₂ capturado em áreas industriais até um reservatório salino localizado aproximadamente 1.000 metros abaixo do leito marinho. A informação foi publicada pela Offshore Energy em 2 de setembro de 2026.

O projeto pertence à Northern Endurance Partnership (NEP), joint venture formada por BP, Equinor e TotalEnergies. A infraestrutura ficará aproximadamente 75 quilômetros a leste de Flamborough Head, na costa inglesa, e conectará uma rede terrestre de coleta e compressão de CO₂ ao aquífero salino Endurance, no Mar do Norte.

Além disso, o plano não pretende armazenar uma quantidade simbólica de carbono. Na primeira fase, a NEP espera receber até 4 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Ao longo de aproximadamente 25 anos, o projeto prevê armazenar até 100 milhões de toneladas no reservatório Endurance. A operação comercial deve começar em 2028.

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Por isso, a chegada do Castorone marca mais do que a presença de outro grande navio no Mar do Norte. Ela indica a passagem de anos de estudos, licenciamento e decisões de investimento para uma etapa em que tubos começam efetivamente a entrar no mar.

Navio de 325 metros chega ao Mar do Norte para começar a instalar 145 km de tubulação

O Castorone é uma das peças centrais da fase offshore.

Com 325 metros de comprimento, o navio da Saipem foi projetado para lançar grandes dutos submarinos em águas profundas e ambientes complexos.

Agora, porém, sua missão não envolve petróleo ou gás natural.

O navio instalará uma tubulação destinada a transportar CO₂ capturado em instalações industriais.

Assim, o mesmo tipo de engenharia que durante décadas ajudou a conectar campos offshore a terminais e refinarias passa a integrar uma cadeia voltada à redução de emissões.

Imagem Ilustrativa

A tubulação seguirá por aproximadamente 145 quilômetros sob o Mar do Norte.

No final do percurso, o CO₂ chegará às instalações submarinas de injeção conectadas ao Endurance saline aquifer.

Depois, o gás será injetado nas formações geológicas profundas.

Reservatório ficará cerca de 1.000 metros abaixo do fundo do mar

A ideia central do armazenamento geológico é simples de visualizar, embora a engenharia seja complexa.

Primeiro, instalações industriais capturam parte do dióxido de carbono que normalmente chegaria à atmosfera.

Em seguida, a rede terrestre reúne esse CO₂.

Depois, sistemas de compressão preparam o material para transporte.

Por fim, a tubulação offshore leva o gás até o reservatório subterrâneo.

No caso do projeto britânico, o destino será uma formação salina localizada aproximadamente 1.000 metros abaixo do leito do Mar do Norte.

Ali, o CO₂ deverá permanecer armazenado permanentemente.

Portanto, o sistema não tenta simplesmente esconder emissões durante alguns anos.

A proposta consiste em utilizar uma estrutura geológica profunda como local permanente de armazenamento.

Projeto pretende guardar até 100 milhões de toneladas de CO₂ durante 25 anos

Os números ajudam a dimensionar o empreendimento.

Segundo a NEP, a fase inicial poderá armazenar até 100 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de 25 anos.

Isso representa, em média matemática, cerca de 4 milhões de toneladas por ano.

Esse valor coincide com a capacidade inicial divulgada para a infraestrutura.

Porém, o potencial futuro pode crescer.

A Equinor informa que a infraestrutura da East Coast Cluster poderá expandir sua capacidade para até 23 milhões de toneladas de CO₂ por ano até 2035, caso novas fases e projetos sejam adicionados.

Assim, os 100 milhões de toneladas não representam necessariamente o limite geológico definitivo de toda a região.

Eles correspondem à fase inicial planejada do projeto Endurance.

BP, Equinor e TotalEnergies dividem um projeto criado para atender grandes polos industriais

A Northern Endurance Partnership reúne três gigantes da energia.

A BP possui 45%.

A Equinor também detém 45%.

Já a TotalEnergies controla os 10% restantes. A BP atua como operadora do desenvolvimento.

A estrutura terá uma função semelhante à de uma rede logística.

Em vez de cada instalação industrial construir sozinha seu próprio sistema de armazenamento, diferentes projetos poderão enviar CO₂ para uma infraestrutura compartilhada.

Por isso, o sistema inclui rede de coleta em terra, unidades de compressão, duto offshore e infraestrutura submarina de injeção.

Esse modelo tenta reduzir custos e permitir que vários emissores utilizem o mesmo corredor.

Ao mesmo tempo, a infraestrutura offshore precisa funcionar durante décadas sem perder integridade.

Primeiros clientes incluem projetos de energia e hidrogênio em Teesside

A primeira fase da NEP deverá atender inicialmente projetos localizados na região de Teesside, no nordeste da Inglaterra.

Entre eles aparecem Net Zero Teesside Power, H2Teesside e Teesside Hydrogen CO₂ Capture.

Essas instalações produzirão ou capturarão CO₂.

Depois, enviarão o gás para a rede da Northern Endurance Partnership.

Assim, a estrutura funciona como a etapa de transporte e armazenamento de uma cadeia muito maior.

A captura acontece na instalação industrial.

A compressão prepara o CO₂.

A tubulação faz o transporte.

Por fim, os poços conduzem o material até a formação geológica.

Construção offshore começa depois de decisão de investimento e contratos bilionários

O avanço atual não aconteceu de repente.

Em dezembro de 2024, os parceiros confirmaram a decisão final de investimento e o fechamento financeiro do projeto.

A partir daí, a NEP e projetos associados puderam avançar para a fase de execução.

Além disso, nove grandes contratadas receberam pacotes de engenharia, suprimentos e construção ligados à NEP e ao Net Zero Teesside Power.

O valor combinado desses contratos gira em torno de £4 bilhões.

Portanto, o duto de 145 km representa apenas uma parte de um empreendimento muito maior.

Também existem instalações terrestres, estações de compressão, infraestrutura elétrica, poços e equipamentos submarinos.

Projeto pode entrar em operação comercial em 2028

O cronograma atual aponta para 2028.

Se essa previsão se confirmar, a Northern Endurance Partnership se tornará a primeira infraestrutura operacional de transporte e armazenamento de CO₂ offshore do Reino Unido.

A data importa porque separa construção de operação.

Em 2026, as empresas ainda estão instalando infraestrutura.

Em 2028, pretendem começar a receber CO₂ capturado em escala comercial.

Portanto, o projeto ainda precisa atravessar uma etapa extensa de obras, testes e comissionamento.

Além disso, os sistemas submarinos precisarão demonstrar segurança antes do início da injeção regular.

Castorone usará quase 3 mil toneladas de biocombustível durante campanha offshore

A própria construção também produzirá emissões.

Por isso, a campanha marítima adotará uma medida adicional.

Durante os trabalhos, o Castorone deverá consumir quase 3.000 toneladas de biocombustível marítimo.

Segundo a NEP, a escolha ajudará a reduzir as emissões associadas à fase offshore.

Ainda assim, isso não significa que a construção se tornará livre de carbono.

Navios de lançamento de dutos consomem grandes quantidades de energia.

Além disso, embarcações de apoio, equipamentos industriais e operações portuárias também fazem parte da cadeia.

Portanto, o uso de biocombustível reduz parte da pegada, mas não elimina todos os impactos.

Tecnologia submarina vai acompanhar o ambiente ao redor do armazenamento

O projeto não termina quando o CO₂ chega ao reservatório.

Depois da injeção, operadores precisam acompanhar o comportamento do armazenamento.

Por isso, a NEP também implantará tecnologia de monitoramento ambiental no fundo do mar.

A empresa Sonardyne fornecerá sistemas para coletar dados submarinos e acompanhar as condições ao redor da área.

O objetivo é verificar a segurança do armazenamento ao longo do tempo.

Esse acompanhamento será fundamental porque o projeto pretende guardar CO₂ durante décadas.

Assim, operadores precisam confirmar que o gás permanece dentro das estruturas geológicas previstas.

Outra embarcação já começou a colocar camada de rocha sobre trechos do sistema

A chegada do Castorone ocorre enquanto outras atividades avançam no mesmo projeto.

A Jan De Nul entrou no mercado de captura e armazenamento de carbono justamente por meio da NEP.

Seu navio Simon Stevin começou trabalhos de instalação de rocha relacionados ao sistema submarino.

Essas rochas ajudam a proteger trechos da tubulação.

Além disso, aumentam a estabilidade de estruturas instaladas sobre ou próximas ao fundo do mar.

Assim, diferentes navios realizam etapas específicas.

Enquanto um lança tubos, outro prepara ou protege partes da rota.

A operação lembra uma linha de montagem distribuída por dezenas de quilômetros de oceano.

Primeiro passo é capturar o carbono antes que ele chegue à atmosfera

O CCS funciona em três etapas principais.

A primeira ocorre na própria indústria.

Equipamentos separam o CO₂ de fluxos de gases gerados durante a produção de energia, hidrogênio ou outros processos.

Depois, o gás passa por tratamento e compressão.

Em seguida, entra na rede de transporte.

Esse ponto é essencial.

A Northern Endurance Partnership não captura diretamente o CO₂ nas fábricas.

Ela fornece principalmente a infraestrutura que recebe, transporta e armazena o material.

Por isso, os projetos de captura e a rede offshore precisam avançar em paralelo.

Depois da captura, CO₂ será comprimido antes de seguir para o mar

Transportar CO₂ por 145 quilômetros exige condições específicas.

O gás precisa ocupar menos volume e permanecer dentro de parâmetros adequados para o duto.

Por isso, entram em cena as unidades de compressão.

A infraestrutura da NEP inclui instalações terrestres projetadas justamente para essa função.

Em seguida, o CO₂ segue pela tubulação.

Finalmente, chega aos poços de injeção.

Essa sequência transforma um resíduo gasoso em um fluxo industrial controlado.

Consequentemente, captura, compressão, transporte e armazenamento precisam funcionar como uma única cadeia integrada.

Sistema pretende atender setores em que eliminar emissões é particularmente difícil

A captura e armazenamento de carbono costuma aparecer principalmente em setores difíceis de eletrificar completamente.

Cimento, aço, produtos químicos e hidrogênio podem gerar emissões ligadas diretamente aos processos industriais.

Nesse cenário, apenas trocar eletricidade fóssil por renovável pode não eliminar todo o CO₂.

Por isso, projetos como a NEP tentam oferecer outra ferramenta.

A lógica consiste em capturar parte das emissões inevitáveis e evitar que elas cheguem à atmosfera.

Ainda assim, CCS permanece uma tecnologia debatida.

Críticos apontam custos altos, necessidade de infraestrutura complexa e risco de prolongar dependência de combustíveis fósseis.

Já defensores afirmam que setores industriais difíceis de descarbonizar precisarão de armazenamento geológico para alcançar metas climáticas.

Mar do Norte ganha nova função depois de décadas ligado ao petróleo e ao gás

O aspecto simbólico também chama atenção.

Durante décadas, o Mar do Norte ficou associado principalmente à produção de petróleo e gás natural.

Agora, parte da mesma experiência offshore passa a servir a outra finalidade.

Empresas usam conhecimento de geologia, perfuração, dutos e operações submarinas para enviar carbono na direção oposta.

Antes, hidrocarbonetos saíam do subsolo.

Agora, o objetivo é injetar CO₂ de volta em formações geológicas.

Essa mudança não elimina a indústria tradicional.

Entretanto, transforma parte da expertise acumulada em uma nova frente de negócios.

A mesma operação offshore passa a incluir armazenamento de carbono.

Projeto usa conhecimento acumulado durante décadas de exploração submarina

BP e Equinor possuem longa experiência no Mar do Norte.

Além disso, a Equinor já opera ou participa de outros projetos de armazenamento de CO₂.

A companhia destaca quase 30 anos de experiência industrial em CCS, incluindo iniciativas como Sleipner, Snøhvit e Northern Lights.

Esse conhecimento reduz parte das incertezas técnicas.

Ainda assim, a escala do novo empreendimento britânico exige uma infraestrutura própria.

O Endurance será conectado a emissores industriais por uma rede dedicada.

Portanto, a grande novidade não está apenas em injetar CO₂.

Está em criar uma cadeia comercial completa de captura, transporte e armazenamento.

Capacidade pode crescer para 23 milhões de toneladas por ano até 2035

A primeira fase mira até 4 milhões de toneladas anuais.

Porém, a ambição futura é muito maior.

A Equinor afirma que a infraestrutura da East Coast Cluster pode alcançar até 23 milhões de toneladas de CO₂ transportadas e armazenadas por ano até 2035.

Para isso, novos emissores precisariam entrar no sistema.

Além disso, dutos e instalações precisariam receber expansões.

Portanto, os 145 quilômetros instalados agora podem se tornar a espinha dorsal de uma rede maior.

Essa lógica ajuda a explicar por que a infraestrutura recebe tanto investimento antes de o primeiro milhão de toneladas ser injetado.

Duto funciona como uma espécie de “gasoduto ao contrário” para o carbono

Visualmente, a infraestrutura lembra sistemas tradicionais de gás.

Há uma rede terrestre.

Existem instalações de compressão.

Depois, aparece um grande duto offshore.

Porém, o fluxo e a finalidade são diferentes.

Em vez de trazer combustível do mar para consumidores em terra, a tubulação levará CO₂ capturado da indústria para uma formação geológica no mar.

Assim, é possível imaginar o sistema como uma espécie de corredor logístico invertido.

Essa comparação ajuda a explicar por que empresas de energia tradicionais possuem vantagem técnica nesse mercado.

Elas já sabem construir e operar grandes redes pressurizadas.

Agora, aplicam o conhecimento a outro produto.

Tubulação de 145 km terá de operar por décadas com controle rigoroso

Construir um duto é apenas o primeiro desafio.

Depois, ele precisa manter integridade durante toda a vida útil.

A rede transportará CO₂ comprimido continuamente.

Por isso, materiais, soldas, sistemas de proteção e monitoramento precisam suportar condições marítimas severas.

Além disso, o fundo do Mar do Norte apresenta correntes, sedimentos e características geológicas próprias.

Cada seção da rota exige análise.

Depois da instalação, equipes também precisam realizar inspeções.

Consequentemente, a construção de 2026 abre caminho para décadas de manutenção e monitoramento.

Projeto também tenta criar empregos e atrair investimentos para o nordeste inglês

A Northern Endurance Partnership apresenta o empreendimento não apenas como projeto climático.

Os parceiros também destacam impactos econômicos.

Segundo a NEP, a infraestrutura pode apoiar empregos, atrair novos investimentos e ajudar indústrias existentes a reduzir emissões sem abandonar a região.

Esse argumento é particularmente importante para Teesside e Humber.

As duas áreas concentram atividades industriais intensivas em energia.

Assim, a capacidade de armazenar carbono pode influenciar decisões futuras de investimento.

Empresas poderiam escolher manter ou construir instalações próximas de uma rede disponível de transporte de CO₂.

Nove grandes contratadas participam de pacotes avaliados em cerca de £4 bilhões

A escala financeira também aparece nos contratos.

NEP e Net Zero Teesside Power selecionaram nove contratadas especializadas para executar diferentes pacotes.

Juntos, os contratos chegam a aproximadamente £4 bilhões.

Esse valor envolve os dois projetos combinados.

Portanto, não corresponde exclusivamente ao custo da tubulação de 145 km.

Ainda assim, mostra o tamanho da cadeia de engenharia associada ao desenvolvimento.

Há obras civis.

Também existem sistemas elétricos.

Além disso, entram turbinas, compressores, tubulações, infraestrutura submarina e construção offshore.

Endurance poderá se transformar em um dos principais polos de armazenamento de carbono do Reino Unido

Se o projeto atingir a capacidade prevista e receber expansões, o Endurance poderá assumir papel central na estratégia britânica de CCS.

A localização favorece a ligação com grandes polos industriais do nordeste da Inglaterra.

Além disso, o Mar do Norte possui décadas de dados geológicos acumulados pela indústria de petróleo e gás.

Isso ajuda no mapeamento das formações.

Ainda assim, os operadores precisam continuar monitorando pressão, comportamento do CO₂ e integridade dos poços.

Por isso, a expansão futura dependerá do desempenho da primeira fase.

Construção usa quase 3 mil toneladas de biocombustível para reduzir a pegada da própria obra

Existe uma contradição inevitável em grandes projetos de descarbonização.

Construí-los também gera emissões.

Navios consomem combustível.

Aço precisa ser produzido.

Tubos precisam ser fabricados.

Além disso, materiais percorrem grandes distâncias.

Para reduzir parte dessa pegada, o Castorone usará quase 3 mil toneladas de biocombustível marítimo durante a campanha offshore.

Entretanto, o ganho ambiental total do projeto dependerá do balanço de toda a operação ao longo de décadas.

É justamente o volume armazenado no longo prazo que determinará sua relevância climática.

Tecnologia precisa provar que o CO₂ permanecerá armazenado com segurança

A segurança geológica será um dos indicadores mais observados.

Depois de injetado, o carbono precisa permanecer confinado.

Por isso, projetos CCS utilizam estudos sísmicos, modelagem geológica, sensores e sistemas de monitoramento.

No caso da NEP, tecnologias ambientais acompanharão o fundo do mar e as condições ao redor da área de armazenamento.

Além disso, reguladores exigem planos de monitoramento e verificação.

Assim, a operação não termina quando a válvula de injeção fecha.

Na realidade, começa uma fase longa de acompanhamento.

Projeto pode abrir caminho para uma rede de carbono entre diferentes polos industriais

Hoje, a primeira fase está concentrada em Teesside.

Porém, o planejamento futuro inclui também o Humber.

A Equinor informa que a NEP recebeu autorização governamental para avançar estudos de engenharia do Humber Carbon Capture Pipeline.

Esse corredor poderia conectar mais projetos à infraestrutura offshore.

Portanto, a tubulação atual funciona como núcleo inicial.

Depois, novos ramais podem chegar.

É uma lógica semelhante à expansão de redes de gás ou eletricidade.

Primeiro, constrói-se uma infraestrutura principal.

Em seguida, novos usuários conectam-se ao sistema.

O Reino Unido aposta em CCS enquanto tenta preservar indústria pesada e reduzir emissões

A estratégia britânica enfrenta um desafio duplo.

O país precisa reduzir emissões.

Ao mesmo tempo, não quer perder atividades industriais importantes.

Setores como produtos químicos, energia e hidrogênio sustentam empregos e cadeias produtivas.

Por isso, o governo aposta em clusters industriais.

Neles, empresas compartilham infraestrutura de descarbonização.

A NEP representa justamente a camada de transporte e armazenamento do East Coast Cluster.

Se o modelo funcionar, outros emissores poderão se conectar sem precisar desenvolver toda a estrutura sozinhos.

Primeira fase pode guardar em 25 anos o equivalente a dezenas de milhões de toneladas que iriam para a atmosfera

O número de 100 milhões de toneladas de CO₂ ajuda a visualizar a ambição.

Trata-se de um volume acumulado durante aproximadamente 25 anos.

Portanto, não acontecerá de uma vez.

Ainda assim, corresponde a uma escala que transforma CCS em infraestrutura industrial, e não apenas em experimento.

Para comparação, a capacidade inicial de 4 milhões de toneladas anuais exigirá movimentação contínua de grandes volumes de CO₂.

Isso significa compressores funcionando, duto operando e poços injetando praticamente todos os dias.

A rede precisará manter disponibilidade elevada.

Duto de carbono chega ao mar enquanto outro megaprojeto de energia avança na região

O Mar do Norte está se tornando uma zona de convergência de diferentes tecnologias energéticas.

Além de petróleo e gás, a região recebe grandes parques eólicos, interconectores elétricos e novas infraestruturas de carbono.

Assim, projetos de naturezas distintas começam a disputar espaço marítimo, portos e cadeias de suprimento.

Nesse cenário, o avanço da NEP acontece ao lado de uma série de investimentos bilionários.

Até a expansão industrial em outros mercados mostra como infraestrutura energética continua mobilizando grandes volumes de capital globalmente.

Castorone transforma 145 km de aço em peça central da estratégia britânica de carbono

A imagem mais forte do projeto aparece na própria instalação.

Um navio de 325 metros avança lentamente pelo Mar do Norte.

Atrás dele, tubos de aço entram na água.

Pouco a pouco, esses segmentos formam uma linha de 145 quilômetros.

No futuro, o mesmo caminho transportará milhões de toneladas de CO₂.

Assim, uma estrutura invisível sob o mar se tornará o elo entre fábricas terrestres e um reservatório localizado cerca de 1.000 metros abaixo do fundo oceânico.

De 145 km de duto a 100 milhões de toneladas armazenadas, projeto entra na fase em que planos viram obra

A sequência resume a transformação.

Primeiro, BP, Equinor e TotalEnergies estudaram o reservatório.

Depois, vieram licenças e decisões de investimento.

Em seguida, contratos bilionários entraram em execução.

Agora, o Castorone de 325 metros chegou ao Mar do Norte.

Ele começará a lançar 145 quilômetros de tubulação.

O sistema seguirá até o Endurance, aproximadamente 75 quilômetros da costa e cerca de 1.000 metros abaixo do leito marinho.

A partir de 2028, os parceiros querem iniciar o armazenamento.

Na fase inicial, a capacidade chegará a 4 milhões de toneladas por ano.

Ao longo de 25 anos, o projeto poderá receber até 100 milhões de toneladas de CO₂.

Assim, o primeiro grande projeto offshore de CCS do Reino Unido entra justamente na etapa que separa ambição de infraestrutura real:

centenas de quilômetros de aço começam agora a ser colocados no fundo do Mar do Norte para criar uma rota permanente entre as emissões industriais e uma formação geológica profunda.

Fonte

Offshore Energy


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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