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Rejeitado em vagas de emprego, jovem de 25 anos monta ponto de venda de paçocas no farol, trabalha mais de 10 horas diárias para sustentar a família e não desiste do sonho de virar empresário
Escrito por Débora Araújo
Publicado em 07/09/2026 às 20:13
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Henrique Borges encontrou nas vendas de rua uma alternativa depois de não conseguir emprego formal; hoje, trabalha diariamente em Peruíbe, mantém a casa onde vive com a esposa e planeja transformar sua trajetória em empreendedorismo.
Todos os dias, quando boa parte da cidade ainda está começando a despertar, Henrique Carneiro Borges, de 25 anos, já se prepara para uma jornada que ultrapassa dez horas. Depois de enfrentar dificuldades para conseguir um emprego formal e ver diversas oportunidades se fecharem, o jovem encontrou uma alternativa no lugar onde milhares de motoristas passam diariamente: um semáforo de Peruíbe, no litoral de São Paulo.
Ali, entre uma abertura e outra do sinal, Henrique vende pequenos kits com cinco paçocas por R$ 10. O trabalho que começou como uma saída diante da falta de oportunidades se transformou na principal fonte de renda da família. Segundo reportagem do Diário do Litoral, Henrique afirma que atualmente consegue, com as vendas, sustentar a casa onde vive com a esposa e obter uma renda superior à oferecida por muitos dos empregos formais que procurou anteriormente.
Mas ele não pretende permanecer no semáforo para sempre. Henrique concluiu o ensino médio e guarda um objetivo maior: tornar-se um empresário de sucesso. Ele ainda não decidiu em qual setor pretende abrir seu negócio, mas vê o trabalho atual como parte do caminho até conseguir realizar esse projeto.
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O dia começa às 5h30
A rotina de Henrique começa cedo. Ele acorda por volta das 5h30, prepara o café e se organiza para mais um dia de trabalho. Às 6h40, sai de casa para chegar ao ponto de vendas aproximadamente às 7 horas. O deslocamento é feito a pé ou por carro de aplicativo.
A partir daí, começa uma longa sequência que se repete durante praticamente todo o dia. O sinal fecha, Henrique se aproxima dos veículos e oferece as paçocas. Quando abre novamente, ele aguarda a próxima oportunidade. O jovem permanece trabalhando até aproximadamente 17h30. Considerando o horário de chegada e de saída, são mais de dez horas por dia acompanhando o movimento do trânsito.
Portas fechadas fizeram jovem procurar outra alternativa
A venda de paçocas não foi a primeira experiência profissional de Henrique. Antes de chegar a Peruíbe, ele morava em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Já trabalhou em lava-rápido e também teve uma passagem profissional pela prefeitura da cidade. Quando tentou novamente encontrar um emprego formal, entretanto, as oportunidades não apareceram.
Segundo seu relato ao Diário do Litoral, foram muitas portas fechadas. Diante da dificuldade, decidiu tentar ganhar dinheiro vendendo produtos no sinal. A alternativa acabou se tornando sua ocupação. Henrique está em Peruíbe há cerca de cinco anos e atualmente consegue tirar das vendas o dinheiro necessário para manter sua casa.
Cinco paçocas custam R$ 10
A estratégia de venda é simples. Henrique monta um “kit paçoca” com cinco unidades, vendido por R$ 10. O semáforo fornece poucos segundos para chamar a atenção dos motoristas, apresentar o produto, concluir a venda e retornar antes que o trânsito volte a andar.
Ao repetir esse processo durante horas, ele construiu uma fonte de renda que, segundo seu próprio relato, supera o que conseguiria receber em vários dos empregos formais que buscou anteriormente. A reportagem não informa quanto Henrique fatura por dia ou por mês. Portanto, não é possível estimar sua renda apenas a partir do preço dos kits. O que ele confirma é que o dinheiro obtido é suficiente para sustentar a casa onde mora com a esposa.
“No sinal eles me respeitam”
Passar tantas horas entre veículos também proporciona encontros muito diferentes. Henrique afirma que a maior parte de suas experiências com os motoristas é positiva. “No sinal eles me respeitam e nunca tive problemas. Já encontrei algumas vezes pessoas com má educação, mas eu tenho muito mais histórias boas”, contou ao Diário do Litoral.
Nem mesmo a chuva necessariamente significa o fim do expediente. Quando chove, ele continua trabalhando em algumas ocasiões, embora também aproveite determinados dias para descansar. Até problemas no próprio semáforo exigem adaptação. Quando o equipamento apresenta defeito e deixa de oferecer as condições necessárias para realizar as vendas, Henrique simplesmente procura outro sinal.
Nem o verão muda muito as vendas, segundo Henrique
Peruíbe é uma cidade turística do litoral paulista e recebe grande movimento de visitantes durante os períodos de férias e verão. Seria natural imaginar que o aumento de carros circulando pelas ruas pudesse provocar uma diferença significativa nas vendas.
Henrique, entretanto, relata não perceber grande variação entre a temporada de verão e os meses mais frios. Sua rotina continua praticamente a mesma ao longo do ano. Sol, frio ou parte dos dias chuvosos significam mais uma jornada diante dos carros.
O objetivo não é permanecer no semáforo para sempre
Apesar de conseguir sustentar a família com as vendas, Henrique pensa no futuro. Aos 25 anos e com o ensino médio concluído, ele deseja transformar a experiência adquirida trabalhando por conta própria em algo maior. Seu objetivo é tornar-se empresário.
Por enquanto, ainda existe uma grande decisão a ser tomada: Henrique não sabe qual será o ramo da futura empresa. O negócio ainda não existe e o projeto não tem um setor definido. O que existe é a intenção de empreender e construir uma realidade diferente a partir do dinheiro e da experiência conquistados com o próprio trabalho.
De uma oportunidade negada nasceu uma nova forma de ganhar a vida
A história de Henrique mostra uma realidade enfrentada por muitos trabalhadores: nem sempre a busca por emprego termina com uma contratação. No caso dele, a dificuldade de entrar novamente no mercado formal acabou levando a uma atividade completamente diferente. O semáforo virou local de trabalho. A paçoca virou mercadoria. E poucos segundos de sinal vermelho passaram a representar uma oportunidade de renda. Hoje, o jovem consegue sustentar a casa ao lado da esposa e diz ganhar mais do que receberia em diversos empregos que tentou conseguir anteriormente.
Isso não significa que trabalhar mais de dez horas diariamente no trânsito seja fácil ou que a informalidade seja necessariamente preferível a um emprego formal. A própria rotina descrita por Henrique evidencia o esforço necessário para manter essa renda.
Ainda assim, para ele, a venda de paçocas representa também o começo de um projeto. Enquanto o sonho da própria empresa ainda não ganha nome, endereço ou segmento, Henrique continua acordando às 5h30, chegando ao semáforo às 7 horas e oferecendo seus kits aos motoristas. Por enquanto, cada pacote vendido ajuda a pagar as despesas de casa. No futuro, ele espera que todo esse caminho tenha sido apenas o primeiro passo para deixar de vender no sinal e passar a comandar o próprio negócio.
Fonte
Diário do Litoral
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

