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Rinocerontes-negros desaparecem de parque onde viviam há milênios após décadas de caça furtiva, deixam Matusadona sem nenhum exemplar em 2016 e protagonizam reviravolta dez anos depois: 17 animais retornam ao território ancestral, descendentes de linhagens locais e monitorados com rastreadores

Rinocerontes-negros desaparecem de parque onde viviam há milênios após décadas de caça furtiva, deixam Matusadona sem nenhum exemplar em 2016 e protagonizam reviravolta dez anos depois: 17 animais retornam ao território ancestral, descendentes de linhagens locais e monitorados com rastreadores

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Rinocerontes-negros desaparecem de parque onde viviam há milênios após décadas de caça furtiva, deixam Matusadona sem nenhum exemplar em 2016 e protagonizam reviravolta dez anos depois: 17 animais retornam ao território ancestral, descendentes de linhagens locais e monitorados com rastreadores

Escrito por Carla Teles

Publicado em 02/09/2026 às 13:52

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Os rinocerontes-negros voltam ao Parque Nacional de Matusadona após caça furtiva; reintrodução de animais inclui rastreamento de animais. Imagem: Divulgação

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Os rinocerontes-negros voltaram ao Parque Nacional de Matusadona, no Zimbábue, no início de junho de 2026, após uma ausência iniciada em 2016. A reintrodução reuniu 17 animais, inclui descendentes diretos de antigas populações locais e integra um esforço de conservação com reforço de fiscalização, infraestrutura e monitoramento em tempo real.

Os rinocerontes-negros fizeram parte da paisagem de Matusadona por milênios, mas uma combinação de caça furtiva, redução populacional e pressões sobre a conservação fez a espécie desaparecer do parque. O último registro confirmado ocorreu em 2016. Dez anos depois, 17 animais voltaram ao território no início de junho de 2026, marcando o início de uma nova tentativa de estabelecer uma população no local.

A operação é resultado de décadas de proteção dentro e fora do Parque Nacional de Matusadona, às margens do Lago Kariba, no Zimbábue. Segundo a African Parks, parte das populações que forneceram animais para a reintrodução preserva descendentes diretos dos rinocerontes que anteriormente viviam na própria região. O retorno, portanto, combina recuperação ecológica, proteção genética e vigilância intensiva.

Rinocerontes-negros ocupavam Matusadona havia milênios

Imagem: Divulgação

A presença dos rinocerontes-negros na região antecede em muito os programas modernos de conservação. Segundo a African Parks, a espécie integrava a paisagem de Matusadona havia milênios, enquanto as primeiras grandes intervenções humanas para protegê-la na área começaram apenas entre o fim da década de 1950 e o início dos anos 1960.

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Paulo Nogueira

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Naquele período, a construção da Barragem de Kariba provocou a elevação das águas e deixou animais selvagens presos em ilhas e porções mais altas do Vale do Zambeze. Foi então realizada a chamada Operação Noé, que retirou animais das áreas ameaçadas pela inundação. Rinocerontes estavam entre as espécies transportadas para Matusadona.

O ambiente mostrou condições favoráveis à espécie. Vegetação abundante, disponibilidade permanente de água e grandes extensões de habitat ajudaram a sustentar os animais, e a população chegou a ser considerada suficientemente segura para que poucos imaginassem um desaparecimento futuro.

Essa percepção, entretanto, começaria a mudar de forma drástica nas décadas seguintes.

Caça furtiva derrubou população de cerca de 3,5 mil para 400 no Zimbábue

As décadas de 1980 e 1990 representaram uma ruptura para a conservação dos rinocerontes-negros no país. A caça furtiva provocou uma queda expressiva das populações em todo o Zimbábue: de aproximadamente 3,5 mil animais em meados dos anos 1980 para cerca de 400 em 1990, segundo os dados apresentados pela African Parks.

Matusadona também sofreu as consequências. Em determinado momento daquela crise, apenas 16 indivíduos permaneciam no parque. O rinoceronte-negro-do-sul permanece classificado como criticamente ameaçado na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, a IUCN, conforme registra a fonte.

O governo do Zimbábue respondeu concentrando populações remanescentes em áreas com proteção reforçada. Matusadona foi designada como uma dessas zonas em 1994, enquanto outros rinocerontes foram transferidos para reservas privadas e diferentes áreas protegidas dentro do país. Alguns animais chegaram a ser enviados para Austrália e Estados Unidos para permanecer em ambientes considerados mais seguros.
A estratégia permitiu preservar animais e, sobretudo, linhagens genéticas que décadas mais tarde teriam importância direta no retorno a Matusadona.

Parque chegou a recuperar população antes de perder o último exemplar

Os primeiros esforços produziram uma recuperação. Em 2000, a população de rinocerontes-negros em Matusadona havia alcançado aproximadamente 45 animais. O avanço, contudo, não se sustentou diante de novos problemas econômicos e pressões sobre a conservação.

A redução continuou até que uma armadilha fotográfica produziu, em 2016, o último registro confirmado de um rinoceronte-negro no parque. Pela primeira vez em milênios, Matusadona deixou de ter uma população conhecida da espécie em sua paisagem.

O desaparecimento local não significava, porém, que todas as linhagens ligadas à região haviam sido perdidas. Animais protegidos em outras áreas do Zimbábue continuaram se reproduzindo, enquanto organizações e autoridades trabalhavam para criar condições que possibilitassem um eventual retorno.

Esse processo levaria aproximadamente uma década.

Matusadona passou dez anos sendo preparado para receber novamente a espécie

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Entre 2016 e 2026, o parque passou por mudanças destinadas a aumentar sua capacidade de conservação. Estradas, pontes, sistemas de comunicação, alojamentos para funcionários e estruturas de fiscalização foram melhorados, segundo a African Parks.

O número de guardas também aumentou significativamente: de 27 para aproximadamente 110. Outros 24 agentes vinculados ao conselho distrital passaram a atuar ao redor do perímetro de Matusadona, e grande parte dessas equipes foi recrutada em comunidades próximas ao parque.

Paralelamente, houve trabalho de aproximação com comunidades vizinhas e recuperação de outras populações de animais selvagens que haviam diminuído nas décadas anteriores. Avaliações ecológicas apontaram que o território continuava adequado aos rinocerontes, com extensas áreas de alimentação, mais de 70 nascentes perenes e disponibilidade de água durante todo o ano.

Historicamente, Matusadona havia sustentado algumas das maiores densidades de rinocerontes do Zimbábue, elemento que também pesou na decisão de tentar estabelecer novamente a espécie no parque.

Descendentes de antigos animais ajudaram a tornar retorno possível

A preparação do território foi apenas uma parte do projeto. Outra condição fundamental estava nas populações de rinocerontes-negros protegidas em outras áreas durante as décadas em que Matusadona perdia seus animais.

Das populações utilizadas como origem para a reintrodução, duas possuem descendentes diretos de rinocerontes que anteriormente viviam em Matusadona. A informação é destacada pela African Parks como um dos aspectos relevantes da operação, pois demonstra que parte do patrimônio genético retirado de áreas vulneráveis conseguiu ser preservada durante décadas.

Reservas privadas também participaram dessa preservação. Reilly Travers, gerente da Imire Rhino and Wildlife Conservancy, uma das instituições envolvidas no esforço de reintrodução, destacou o papel acumulado por guardas, conservacionistas, parceiros e comunidades ao longo de décadas de proteção.

O retorno dos animais não foi uma operação isolada, mas o resultado de uma rede formada por autoridades governamentais, organizações de conservação, proprietários de áreas privadas, veterinários, equipes de campo e comunidades.

Dezessete rinocerontes-negros voltaram ao parque em junho de 2026

No início de junho de 2026, 17 rinocerontes-negros chegaram ao Parque Nacional de Matusadona. Eles formam o primeiro grupo de uma iniciativa mais ampla destinada a restabelecer a espécie na paisagem onde ela havia prosperado anteriormente.

O desembarque representou uma mudança histórica para um parque que havia passado uma década sem registros confirmados da espécie. Dez anos depois do último registro de 2016, os rinocerontes voltaram fisicamente a ocupar Matusadona.

Mike Pelham, gerente do Parque Nacional de Matusadona e profissional que participou de trabalhos com rinocerontes no Zimbábue durante décadas, acompanhou tanto o período de retirada e proteção de populações vulneráveis quanto a etapa que permitiu o retorno dos animais.

A reintrodução também integra a Estratégia Nacional para Rinocerontes do Zimbábue. A expectativa descrita pela African Parks é estabelecer uma população fundadora que, ao longo do tempo, possa contribuir para a população mais ampla da espécie no país.

Cada animal recebeu dispositivo para rastreamento em tempo real

A chegada ao parque não encerrou a operação de conservação. Cada um dos rinocerontes foi equipado com um dispositivo de rastreamento, permitindo que equipes de campo acompanhem os animais em tempo real. Unidades caninas também participam das ações de proteção.

O monitoramento é acompanhado por iniciativas de relacionamento com comunidades e escolas vizinhas, consideradas pela organização parte importante da estratégia de conservação de longo prazo. A proposta não é apenas recolocar os rinocerontes no território, mas criar condições para que uma população consiga permanecer nele.

Daniel Sithole, gerente nacional do Matusadona Conservation Trust, relacionou a operação à preservação do patrimônio genético do próprio Zimbábue. A avaliação apresentada pela organização é que esses animais representam a continuidade de linhagens ligadas àquela paisagem, preservadas durante o período em que o parque perdeu sua população.

Quase quatro décadas depois de conservacionistas começarem a retirar rinocerontes de áreas vulneráveis para protegê-los, os rinocerontes-negros voltaram a fazer parte da paisagem do Parque Nacional de Matusadona.

Retorno encerra uma ausência, mas abre uma etapa de longo prazo

A reintrodução dos 17 animais representa uma reversão do cenário registrado em 2016, mas o resultado definitivo dependerá da capacidade de proteger a nova população ao longo dos próximos anos. Fiscalização, rastreamento, disponibilidade de habitat e cooperação com as comunidades permanecem como partes centrais da estratégia apresentada pela African Parks.

Matusadona passou de uma paisagem onde uma espécie presente havia milênios desapareceu para um território novamente ocupado por rinocerontes-negros em apenas uma década. A diferença é que, desta vez, cada animal chega acompanhado por uma estrutura de monitoramento e por décadas de aprendizado acumulado com a crise provocada pela caça furtiva.

O retorno de uma espécie depois de dez anos de ausência mostra até onde programas de conservação podem chegar, mas também evidencia o tamanho do esforço necessário para reconstruir uma população perdida. Na sua opinião, reintroduções como a realizada em Matusadona são o melhor caminho para recuperar espécies localmente extintas? Conte nos comentários o que mais chamou sua atenção nessa história.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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