A capital do Acre figura entre os municípios brasileiros com maior risco de exposição ao estresse hídrico, conforme dados do Painel Cidades da plataforma AdaptaBrasil, mantida pelo governo federal. A constatação faz parte de reportagem da revista Pesquisa FAPESP, que alerta para os impactos da formação de um “super El Niño” e os desafios de infraestrutura enfrentados pelas cidades da Região Norte, segundo divulgado pelo ac24horas.
O indicador analisa a relação entre disponibilidade, oferta e demanda de água potável. Rio Branco compartilha o cenário crítico de vulnerabilidade com outras capitais das regiões Norte e Centro-Oeste, a exemplo de Belém, Manaus e Campo Grande.
Impactos e projeções para os próximos meses
A classificação acende um alerta histórico para a Região Norte. Eventos passados do fenômeno — como os registrados em 1997/1998 e em outubro de 2024, quando a bacia do Amazonas atingiu níveis mínimos históricos — evidenciam o potencial destrutivo da estiagem prolongada. Para os próximos meses, a expectativa é de que o padrão se repita, provocando chuvas volumosas no Sul e intensificando a seca no Norte entre o último trimestre e o início do ano seguinte.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontou 90% de probabilidade de o El Niño atingir patamares “muito fortes”, podendo registrar até 3 °C de aquecimento no Oceano Pacífico Leste — o que o colocaria entre os episódios mais intensos observados desde 1950.
Combinação de fatores e medidas preventivas
Especialistas alertam para os riscos dos chamados “eventos climáticos compostos”, nos quais a estiagem se associa a ondas de calor extremas, agravando a saúde pública e a escassez de recursos básicos. O climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), reforça que o El Niño se tornou um fenômeno com forte impacto socioeconômico e defende que, embora não seja possível deter o evento climático, é fundamental gerenciar e mitigar seus riscos.
Entre as ações de contenção recomendadas por pesquisadores para enfrentar os períodos de seca prolongada, destacam-se políticas de armazenamento de água, investimentos em infraestrutura sanitária e o fortalecimento dos sistemas de resposta a desastres socioambientais nas regiões de maior vulnerabilidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Redação Ecos da Notícia.

