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Robôs industriais usados são reformados no Brasil e podem custar até 60% menos que novos enquanto fábricas aceleram busca por automação.
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 26/09/2026 às 14:21
Atualizado em 26/09/2026 às 14:25
Ciência e Tecnologia
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Equipamentos que passaram anos nas linhas de montagem voltam às fábricas custando até 60% menos que um robô novo
Braços mecânicos que passaram anos soldando carrocerias, pintando veículos e carregando peças estão ganhando uma segunda vida dentro da indústria brasileira. Em vez de seguir para descarte, eles chegam a uma oficina em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde são desmontados, revisados, atualizados e colocados novamente para trabalhar. Segundo o InvestNews, que revelou o movimento nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, entre 10 e 15 robôs industriais usados chegam todos os meses à unidade da ABB Robotics na cidade. Depois da reforma, um equipamento pode custar entre 40% e 60% do preço de um robô novo.
O destino também muda. Muitos desses robôs saem de grandes linhas automotivas e reaparecem em fábricas de máquinas, alimentos, plásticos e autopeças. Enquanto isso, o mercado brasileiro de robótica acelera: dados divulgados nesta quinta-feira, (25) pela Federação Internacional de Robótica mostram que quase 4,3 mil novos robôs foram instalados no país em 2025, crescimento de 38% em apenas um ano.
Um robô termina um trabalho e começa outro em uma fábrica diferente
A cena começa quando o equipamento chega à oficina. Um braço que repetiu milhares ou milhões de movimentos durante anos é desmontado. Componentes desgastados precisam ser identificados. Sistemas são conferidos. Partes que ainda podem continuar funcionando permanecem.
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Depois começa a reconstrução.
A ABB informa que seu processo internacional de remanufatura utiliza componentes originais e inclui uma inspeção de 152 pontos. Peças desgastadas são substituídas e o equipamento volta a ser testado antes de deixar a oficina.
Na etapa final, o robô precisa trabalhar novamente sob carga.
A empresa afirma que seus equipamentos remanufaturados passam por testes durante pelo menos 16 horas antes de serem entregues.
Equipamento reformado pode custar 40% do preço de um novo
É no preço que essa segunda vida começa a fazer diferença para as fábricas. Segundo o InvestNews, um robô reformado pode custar entre 40% e 60% do preço de um equipamento novo. Isso significa uma redução que pode chegar a 60%, dependendo da máquina e da operação.
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Para uma grande montadora, comprar equipamentos novos pode fazer parte de um investimento bilionário em uma fábrica.
A conta muda para uma indústria menor.
Uma empresa de alimentos, plásticos ou autopeças precisa avaliar quanto conseguirá produzir, quanto economizará com a automação e quantos anos levará para recuperar o dinheiro investido.
Nesse cenário, um robô recondicionado encurta a conta inicial.
De 10 a 15 máquinas usadas chegam todos os meses a Sorocaba
O movimento já pode ser visto na oficina da ABB Robotics. Entre 10 e 15 robôs usados chegam mensalmente à unidade de Sorocaba, de acordo com a reportagem publicada nesta quinta-feira.
O local reúne aproximadamente 4 mil metros quadrados dedicados a treinamento, oficina, montagem e testes de células robotizadas.
Os braços robóticos, porém, não são fabricados ali.
A ABB possui fábricas desse tipo de equipamento na China, Estados Unidos e Suécia. Para o mercado brasileiro, os braços são principalmente importados da China, enquanto parte da engenharia, ferramentas, garras e sistemas usados nas aplicações é desenvolvida localmente.
O robô reformado cria outro caminho. Em vez de uma nova máquina atravessar o oceano, um equipamento que já está no país pode passar por atualização e retornar para outra linha de produção.
A indústria brasileira trabalha com máquinas de 14 anos, em média
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostrou que máquinas e equipamentos utilizados nas indústrias extrativa e de transformação brasileiras possuem idade média de 14 anos.
Segundo a CNI, 38% das máquinas e equipamentos estão próximos ou já ultrapassaram a idade indicada pelo fabricante como ciclo de vida ideal.
Só que pode exigir manutenção mais frequente, consumir mais energia e dificultar a adoção de sistemas digitais mais modernos.
Peças também podem ficar mais difíceis de encontrar conforme o equipamento envelhece.
Quase quatro em cada dez equipamentos estão perto do limite indicado pelos fabricantes
Quando uma máquina fica parada para manutenção, toda a linha pode sentir o efeito. Se outro equipamento depende daquela etapa, o atraso segue adiante.
A CNI associa a idade do parque industrial à capacidade das empresas de absorver novas tecnologias, melhorar eficiência energética e controlar custos de manutenção.
Há ainda uma diferença tecnológica.
Pesquisa da entidade apontou que apenas 22% das máquinas analisadas haviam sido produzidas depois de 2016. Isso deixava 78% em gerações anteriores àquelas que já incorporavam de forma mais ampla recursos ligados à chamada Indústria 4.0.
É nesse chão de fábrica que o robô usado reaparece. Ele não resolve sozinho o envelhecimento de todo o parque, mas oferece uma porta de entrada para determinadas tarefas automatizadas.
Brasil instalou quase 4,3 mil novos robôs em apenas um ano
A Federação Internacional de Robótica divulgou nesta quinta-feira seu relatório World Robotics 2026. Segundo a entidade, o Brasil instalou quase 4,3 mil novos robôs industriais em 2025.
Foi um crescimento de 38% em relação ao ano anterior. Grande parte veio do setor automotivo.
As montadoras e empresas ligadas à produção de veículos instalaram quase 2,1 mil unidades, salto de 212% em um ano. A IFR relaciona parte desse crescimento aos investimentos realizados por fabricantes chineses de veículos no Brasil.
Uma nova fábrica automatizada pode absorver centenas de máquinas de uma vez.
O desafio é fazer essa tecnologia atravessar os portões das grandes montadoras e chegar também às empresas menores.
Um abismo ainda separa setores dentro da própria indústria
Ao lado delas permanecem empresas onde tarefas repetitivas continuam dependendo quase totalmente do trabalho manual ou de máquinas antigas.
Essa diferença aparece nos números citados pelo InvestNews com base em dados da Federação Internacional de Robótica.
O país teria cerca de 19 robôs para cada 10 mil trabalhadores da manufatura. Dentro do setor automotivo, a relação sobe para 139. Nas demais indústrias, cai para apenas 13.
É justamente nesse espaço que equipamentos usados podem circular.
Um robô deixa uma montadora depois de anos de serviço, passa pela oficina e retorna para uma empresa que talvez nunca conseguisse justificar financeiramente a compra de uma máquina nova.
No mundo, 5 milhões de robôs já trabalham dentro de fábricas
Fora do Brasil, a robotização avançou para outra escala. A Federação Internacional de Robótica informou nesta quinta-feira que o número de robôs industriais em operação no planeta chegou ao recorde de 5 milhões de unidades em 2025. O estoque mundial cresceu 9% em um ano.
Mais de 600 mil novos robôs foram instalados pelas fábricas somente em 2025, crescimento anual de 11%. A China concentra o movimento.
Foram 354 mil instalações no país asiático durante o ano, o equivalente a 59% das novas unidades instaladas no mundo.
Enquanto uma fábrica brasileira avalia se consegue comprar um único braço automatizado, centenas de milhares dessas máquinas entram anualmente nas linhas asiáticas.
Juros altos tornam a decisão de modernizar mais difícil
O preço do robô é apenas uma parte da conta. Uma empresa precisa analisar instalação, ferramentas, programação, segurança, treinamento dos trabalhadores e mudanças necessárias na linha de produção.
Depois vem o financiamento.
A reportagem do InvestNews aponta os juros elevados como uma das barreiras para a renovação industrial. Com dinheiro caro, uma empresa precisa comparar o retorno de uma nova máquina com outras alternativas de aplicação do capital.
Grandes companhias possuem mais opções de financiamento e podem captar recursos fora do país. Para pequenas e médias indústrias, o caixa próprio e o crédito bancário pesam muito mais.
É justamente nesse ponto que retirar parte do preço de entrada pode decidir se o robô entra ou não pela porta da fábrica.
Automatizar não significa simplesmente trocar uma pessoa por uma máquina
Um braço industrial costuma entrar onde existe uma tarefa clara para repetir.
Ele pode soldar, pintar, carregar componentes, paletizar caixas, movimentar peças ou trabalhar em ambientes que oferecem riscos aos funcionários.
Mas a máquina também precisa de pessoas. Alguém programa o sistema, prepara a linha, instala ferramentas, acompanha sensores, faz manutenção e corrige problemas quando a produção sai do esperado.
A própria unidade da ABB em Sorocaba mantém atividades de engenharia, montagem, testes, manutenção e treinamento ligadas aos equipamentos.
A mudança ocorre no tipo de trabalho necessário dentro da fábrica. Quanto maior a automação, maior também tende a ser a necessidade de profissionais preparados para operar e manter esses sistemas.
A corrida agora é para espalhar automação além das grandes montadoras
O Brasil instalou milhares de robôs novos em 2025, mas metade desse avanço ficou concentrada aproximadamente no setor automotivo.
Ao mesmo tempo, uma parcela elevada do parque industrial continua envelhecida. Entre esses dois extremos cresce um caminho intermediário.
Robôs retirados de linhas antigas passam pela oficina e voltam ao chão de fábrica por um preço que pode ficar muito abaixo daquele cobrado por um equipamento novo.
Não substituem a necessidade de renovar máquinas antigas nem colocam automaticamente uma pequena indústria no mesmo nível tecnológico de uma grande montadora.
Mas permitem que uma tecnologia antes concentrada em fábricas com investimentos enormes atravesse para setores onde cada real destinado à modernização precisa ser calculado com muito mais cuidado.
O braço que ontem soldava um automóvel pode amanhã empilhar caixas ou movimentar peças de plástico.
E, enquanto o mundo ultrapassa a marca de 5 milhões de robôs trabalhando em fábricas, a velocidade com que essas máquinas novas e recondicionadas chegam às empresas brasileiras ajudará a definir quanto da indústria nacional conseguirá acompanhar essa transformação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

