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Robôs que dançavam e boxeavam diante do público entram na mira do Exército chinês, que prepara humanoides para reconhecimento, infiltração e combate e já simula seis máquinas limpando prédios andar por andar ao lado de soldados

Robôs que dançavam e boxeavam diante do público entram na mira do Exército chinês, que prepara humanoides para reconhecimento, infiltração e combate e já simula seis máquinas limpando prédios andar por andar ao lado de soldados

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Robôs que dançavam e boxeavam diante do público entram na mira do Exército chinês, que prepara humanoides para reconhecimento, infiltração e combate e já simula seis máquinas limpando prédios andar por andar ao lado de soldados

Escrito por Ana Alice

Publicado em 10/09/2026 às 13:31

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China prepara robôs humanoides para uso militar, com testes de infiltração, patrulha, reconhecimento e cenários futuros de combate urbano. – Imagem: Ilustrativa

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Depois de exibirem velocidade, equilíbrio e movimentos cada vez mais sofisticados em competições, robôs humanoides chineses passaram a aparecer também em pesquisas, licitações e simulações militares voltadas a possíveis aplicações futuras no campo de batalha.

Poucos dias separaram duas imagens bastante diferentes dos robôs humanoides chineses.

No fim de agosto de 2026, máquinas correram, dançaram, lutaram e tropeçaram diante do público nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim.

Dois dias depois do encerramento, o jornal oficial do Exército de Libertação Popular defendeu que parte dessas tecnologias avançasse dos laboratórios para campos de treinamento militar, com foco em futuros “combatentes” robóticos.

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A movimentação vai além de declarações.

Uma investigação da Reuters publicada em 7 de setembro analisou mais de 100 documentos chineses, entre editais de compras militares, estudos acadêmicos, patentes, publicações oficiais, registros governamentais e materiais de empresas de defesa.

O conjunto mostra instituições ligadas às Forças Armadas testando aplicações para humanoides, comprando equipamentos e estudando como essas máquinas poderiam atuar junto de soldados.

As máquinas continuam enfrentando limitações de autonomia energética, percepção e confiabilidade fora de ambientes controlados.

Robôs humanoides dançam ao lado de artistas durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides de 2026, em Pequim. Crédito: Zou Hong/China Daily.

Robôs que dançavam também bateram recordes nas pistas

Os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides de 2026 funcionaram como uma vitrine incomum do avanço tecnológico chinês.

Mais de 2 mil robôs de 666 equipes participaram de 51 modalidades, entre corridas, futebol, dança e tarefas industriais.

Um dos destaques foi o Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center.

Durante a competição, o humanoide percorreu os 100 metros em 8,86 segundos na semifinal.

Depois, na final de 26 de agosto, reduziu o tempo para 8,64 segundos, abaixo dos 9,58 segundos do recorde mundial humano estabelecido por Usain Bolt em 2009.

A comparação, contudo, exige contexto.

O robô não corre exatamente como um atleta.

Ele começa em pé, utiliza motores e transmissões mecânicas e precisa de uma grande proteção depois da linha de chegada porque ainda tem dificuldade para desacelerar com segurança.

Em uma das provas, o impacto chegou a provocar um pequeno incêndio após a queda.

O desempenho mostra o avanço em equilíbrio, motores e controle de movimento, mas não significa que essas máquinas já estejam prontas para lidar com a imprevisibilidade de um campo de batalha.

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Exército chinês passou a olhar para os humanoides

A reação militar aos jogos foi direta.

Segundo a Reuters, dois dias depois do fim da competição, o PLA Daily, jornal oficial do Exército de Libertação Popular, defendeu uma transferência mais rápida das tecnologias desenvolvidas em laboratórios para campos de treinamento militar.

O interesse vinha crescendo antes disso.

Em 2024, a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China, a NUDT, e a Academia de Ciências Militares organizaram um fórum tecnológico que incluiu uma sessão dedicada às possíveis aplicações militares de sistemas humanoides.

No ano seguinte, os testes ficaram mais concretos.

Uma competição organizada pela NUDT em junho de 2025 incluiu um exercício de “infiltração atrás das linhas inimigas”.

Os robôs deveriam entrar em determinada área, produzir um mapa e localizar alvos.

Outra prova imaginava máquinas realizando verificações de identidade, inspeções e patrulhamento de segurança em instalações militares.

A universidade descreveu a competição como uma etapa capaz de preparar os humanoides para, no futuro, “avançarem para o campo de batalha”.

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Seis robôs em uma força de assalto urbano

Um estudo de agosto de 2025 foi ainda mais longe.

Pesquisadores do centro de testes da NUDT em Xi’an simularam uma unidade para combates urbanos composta por duas equipes de assalto apoiadas por seis “robôs de combate”.

O grupo poderia combinar humanoides, cães-robô e veículos terrestres não tripulados.

Na simulação, homens e máquinas avançariam por um edifício ocupado pelo inimigo, passando por andares e cômodos sucessivamente.

Os pesquisadores trabalharam com tecnologias que estimavam poder estar disponíveis em um horizonte de cinco a dez anos.

O artigo, entretanto, não detalhava quais armas os robôs carregariam, quais seriam suas regras de engajamento nem como reagiriam à presença de civis.

A anatomia humanoide poderia oferecer uma vantagem em determinados ambientes porque prédios, escadas, portas, corredores, túneis e navios foram projetados para pessoas.

Juo-Min Chou, pesquisadora do Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, explicou à Reuters que duas mãos e duas pernas poderiam, em teoria, combinar deslocamento, escalada e manipulação de objetos.

Para reconhecimento ou transporte mais simples, contudo, robôs com rodas, esteiras ou quatro patas continuam geralmente mais baratos e fáceis de usar em escala.

Compras militares mostram interesse crescente

Os documentos de aquisição analisados pela Reuters reforçam que os estudos não ficaram apenas em artigos acadêmicos.

Em maio de 2025, o Exército de Libertação Popular publicou uma licitação para adquirir um robô humanoide, incluindo instalação e treinamento técnico.

Quatro meses depois, outro aviso que apresentava um endereço eletrônico da NUDT como contato procurava um sistema de percepção inteligente e operação ágil para robô humanoide.

A Reuters não conseguiu determinar se essas licitações foram concluídas, quais empresas eventualmente venceram ou quais modelos foram adquiridos.

Em junho de 2026, outro documento reservou cerca de US$ 300 mil para um sistema capaz de coletar e rotular informações de câmeras, radares e sensores de movimento usados no treinamento de humanoides, incluindo dados sobre os tipos de terreno que eles poderiam atravessar.

Essa etapa revela uma dificuldade central da robótica moderna.

Construir braços, pernas e articulações é apenas parte do problema.

Para funcionar fora de uma demonstração preparada, o robô também precisa interpretar aquilo que vê, manter equilíbrio, decidir onde colocar os pés, manipular objetos diferentes e responder a acontecimentos inesperados.

Robô T800 de 1,73 m da EngineAI entra na primeira liga mundial de combate entre humanoides.

Fuxi aproxima indústria de defesa dos humanoides

Em 2026, o desenvolvimento também passou a aparecer diretamente dentro da indústria estatal chinesa de defesa.

Um exemplo citado pela Reuters é o Fuxi, humanoide desenvolvido pela Norinco, um dos maiores conglomerados militares estatais da China.

Materiais divulgados pela companhia em agosto atribuíram ao robô funções como sentinela, reconhecimento em diferentes condições climáticas, patrulhamento inteligente e execução de tarefas perigosas.

O Fuxi também pode operar conectado a um sistema de teleoperação da Norinco.

Nesse formato, uma pessoa controla a máquina remotamente, reduzindo a necessidade de o humanoide interpretar sozinho todas as situações ao seu redor.

A solução contorna, ao menos parcialmente, uma das maiores barreiras atuais: conceder autonomia suficiente para que um robô se comporte de maneira confiável em cenários imprevisíveis.

Humanoides Fuxi, desenvolvidos pela estatal chinesa de defesa Norinco, durante demonstração de movimentação coordenada; o sistema também permite controle remoto por operadores humanos. Crédito: NORINCO Group/Divulgação

Estados Unidos também querem humanoides militares

A China não está sozinha nessa corrida.

Em agosto de 2025, o Exército dos Estados Unidos lançou a competição xTechHumanoid, destinada explicitamente ao desenvolvimento de “capacidades humanoides militarizadas”.

O programa prevê robôs capazes de operar ao lado de militares em reconhecimento, segurança de instalações, remoção de obstáculos, combate a incêndios, manutenção, operações envolvendo materiais perigosos e até missões ofensivas e defensivas em terreno urbano.

Até dez finalistas poderiam avançar para experimentos presenciais com especialistas do Departamento de Defesa em agosto ou setembro de 2026.

Além de até US$ 490 mil em prêmios, o programa prevê até US$ 1,25 milhão em possíveis contratos posteriores.

A própria documentação oficial norte-americana afirma que esses sistemas seriam destinados a atuar junto dos soldados, e não necessariamente substituí-los.

O maior obstáculo ainda está fora do laboratório

Se correr em uma pista reta já exige equilíbrio e controle precisos, um campo de batalha multiplica as dificuldades.

O professor Aaron Johnson, da Carnegie Mellon University, lembrou à Reuters que robôs humanoides ainda exigem muita energia e apresentam baixa confiabilidade quando deixam demonstrações cuidadosamente controladas.

Dennis Hong, professor de engenharia mecânica e aeroespacial da UCLA, aponta outro lado da questão: enviar robôs para lugares onde seres humanos correriam risco extremo é justamente uma das justificativas mais fortes para desenvolver essas máquinas.

Em teoria, um sistema robótico pode ser perdido e substituído.

Uma vida humana, não.

Malcolm Davis, analista do Australian Strategic Policy Institute, disse à Reuters que ainda não considera os humanoides sistemas práticos para campos de batalha atuais, mas avalia que isso pode mudar em um intervalo de cinco a dez anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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