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Rússia e Coreia do Norte inauguram primeira ponte rodoviária da história entre os dois países, criam nova ligação terrestre na fronteira e aprofundam aproximação estratégica entre Moscou e Pyongyang

Rússia e Coreia do Norte inauguram primeira ponte rodoviária da história entre os dois países, criam nova ligação terrestre na fronteira e aprofundam aproximação estratégica entre Moscou e Pyongyang

9 min de leitura

Rússia e Coreia do Norte inauguram primeira ponte rodoviária da história entre os dois países, criam nova ligação terrestre na fronteira e aprofundam aproximação estratégica entre Moscou e Pyongyang

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 11/09/2026 às 14:27

Atualizado em 11/09/2026 às 14:31

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A ponte Yakov Novichenko foi inaugurada na fronteira entre a Rússia e a Coreia do Norte. | Crédito: Ministério dos Transportes da Rússia

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Rússia e Coreia do Norte inauguram ponte de 1 km sobre o rio Tumen, com capacidade inicial para 300 veículos por dia e nova rota de cargas.

A Rússia e a Coreia do Norte inauguraram em 7 de setembro de 2026 a primeira ponte rodoviária dedicada entre os dois países, criando uma nova conexão terrestre sobre o rio Tumen em um dos menores e mais estratégicos trechos de fronteira da Ásia. Com cerca de 1 quilômetro de extensão, duas faixas de tráfego e integração a um complexo fronteiriço de quase 5 quilômetros, a estrutura liga a região russa de Khasan ao território norte-coreano de Rason e permite que caminhões atravessem diretamente a fronteira sem depender da antiga ligação ferroviária.

A cerimônia ocorreu simultaneamente dos dois lados da fronteira e teve a participação por videoconferência do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, e do premiê norte-coreano, Pak Thae Song. A abertura acontece pouco mais de dois anos depois de Vladimir Putin e Kim Jong Un assinarem, em Pyongyang, um Tratado de Parceria Estratégica Abrangente que inclui compromissos de assistência militar e expansão da cooperação econômica.

O novo corredor nasce, portanto, não apenas como obra de transporte, mas como uma peça física da aproximação acelerada entre Moscou e Pyongyang.

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Paulo Nogueira

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Primeira ponte rodoviária cria ligação que não existia entre os dois países

Rússia e Coreia do Norte compartilham uma fronteira terrestre de apenas cerca de 17 quilômetros, pequena quando comparada aos mais de 1.400 quilômetros de limite norte-coreano com a China. Mesmo assim, até setembro de 2026 os dois países não possuíam uma ponte rodoviária convencional para o tráfego direto de automóveis e caminhões.

A principal conexão física era a chamada Ponte da Amizade, inaugurada em 1959 e dedicada ao transporte ferroviário. Durante décadas, veículos podiam atravessá-la apenas em condições especiais, utilizando uma adaptação com pranchas sobre a estrutura ferroviária, segundo a Reuters.

A nova ponte muda essa lógica. Pela primeira vez, existe uma passagem construída especificamente para tráfego rodoviário regular, permitindo a circulação de cargas durante todo o ano e, numa segunda fase, de passageiros.

É uma diferença logística considerável para dois países que vêm aumentando rapidamente sua cooperação econômica, militar e turística.

Ponte tem cerca de 1 quilômetro e duas faixas sobre o rio Tumen

A estrutura principal possui aproximadamente 1 quilômetro de comprimento e 7 metros de largura, suficiente para acomodar duas faixas de circulação.

Considerando acessos, instalações alfandegárias e demais estruturas, o conjunto do novo corredor fronteiriço se aproxima de 5 quilômetros de extensão.

A obra atravessa o rio Tumen, chamado de Tumannaya em russo, nas proximidades da costa do Mar do Japão.

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Do lado russo, a ponte se conecta à região de Khasan, no Krai de Primorsky. Do lado norte-coreano, alcança a área de Rason, importante zona econômica especial do país.

Essa localização permite criar uma rota direta entre o extremo leste russo e o nordeste da Coreia do Norte.

Construção consumiu mais de 5 mil toneladas de estruturas metálicas

Os números da obra mostram que, apesar de a ponte ser relativamente curta em comparação com grandes travessias internacionais, o projeto exigiu uma operação pesada de engenharia.

Segundo o Ministério dos Transportes da Rússia, foram utilizadas mais de 5 mil toneladas de estruturas metálicas e mais de 9 mil metros cúbicos de concreto.

Mais de 70 trabalhadores e mais de 30 equipamentos pesados participaram diretamente da construção.

A execução também exigiu sincronização entre equipes russas e norte-coreanas, já que cada lado avançou a partir de sua própria margem até que os segmentos fossem conectados sobre o rio.

A união física das estruturas ocorreu em 21 de abril de 2026, meses antes da abertura oficial.

Obra levou 495 dias entre o início da construção e a inauguração

A construção começou oficialmente em 30 de abril de 2025, numa cerimônia que também contou, por videoconferência, com Mikhail Mishustin e Pak Thae Song.

Exatos 495 dias depois, em 7 de setembro de 2026, a ponte foi inaugurada.

O projeto havia sido formalmente acordado em 2024, durante a visita de Vladimir Putin a Pyongyang e o encontro com Kim Jong Un.

Naquele momento, os dois governos já defendiam uma nova ligação rodoviária como forma de eliminar um gargalo histórico no transporte bilateral.

A antiga ponte ferroviária simplesmente não oferecia capacidade suficiente para os volumes e tipos de circulação que Moscou e Pyongyang pretendiam desenvolver.

Novo posto fronteiriço terá dez pistas e capacidade inicial para 300 veículos por dia

A ponte é apenas uma parte da nova infraestrutura. Na margem russa foi implantado o posto rodoviário de fronteira de Khasan, o primeiro ponto de passagem automobilística permanente entre Rússia e Coreia do Norte.

O complexo foi projetado com 10 pistas: quatro para caminhões de carga, duas para automóveis, duas para ônibus de passageiros e duas destinadas a veículos de dimensões especiais.

Quando estiver operando plenamente, a estrutura terá capacidade inicial para processar cerca de 300 veículos por dia, podendo futuramente alcançar até 800.

A capacidade projetada para pessoas chega a aproximadamente 2.325 viajantes por dia, conforme os números divulgados pelo Ministério dos Transportes russo na inauguração.

Isso cria uma infraestrutura muito maior do que a disponível anteriormente para movimentação por estrada.

Caminhões começaram a atravessar imediatamente após a cerimônia

A inauguração não foi apenas simbólica. Depois dos discursos oficiais, colunas de veículos dos dois países atravessaram a ponte, com caminhões decorados com bandeiras nacionais marcando o início da circulação.

O governo russo informou que o tráfego de cargas começaria imediatamente, enquanto a operação completa para passageiros deverá ser introduzida posteriormente, com expectativa de funcionamento até o final de 2026.

A expansão é importante porque uma rota rodoviária oferece flexibilidade que uma ferrovia não consegue reproduzir.

Caminhões podem sair diretamente de centros logísticos, atravessar a fronteira e seguir pela malha rodoviária sem necessidade de transferir a mercadoria entre diferentes vagões ou sistemas ferroviários.

Para produtos de menor volume, cargas urgentes e transporte regional, essa diferença pode reduzir tempo e custo.

Nova rota se conecta à malha federal russa e ao corredor até São Petersburgo

Do lado russo, a infraestrutura foi desenhada para não terminar na fronteira.

A estrada de acesso conecta o novo posto ao sistema rodoviário federal e à rodovia Ussuri, inserindo a passagem na rede que alcança Vladivostok e outros centros do extremo leste russo.

Mishustin afirmou que a ligação facilita o acesso ao corredor de transporte que se estende entre Vladivostok e São Petersburgo, atravessando praticamente toda a Rússia.

Isso significa que mercadorias norte-coreanas que entrem no território russo passam a encontrar, teoricamente, uma ligação terrestre contínua com uma das maiores redes rodoviárias do planeta.

No sentido oposto, produtos russos podem chegar diretamente de caminhão à fronteira norte-coreana.

É justamente essa integração que Moscou apresenta como uma das principais vantagens econômicas da nova estrutura.

Ponte complementa ferrovia e rota aérea criada entre Moscou e Pyongyang

O corredor rodoviário faz parte de uma expansão mais ampla das conexões entre os dois países.

A Ponte da Amizade ferroviária continua operando sobre o Tumen desde 1959. Além disso, em julho de 2025, Rússia e Coreia do Norte inauguraram uma ligação aérea regular direta entre Moscou e Pyongyang.

Também foram desenvolvidos trens turísticos entre Vladivostok e Rason.

O Ministério dos Transportes russo informou que o transporte ferroviário de passageiros entre os países cresceu quatro vezes nos dois primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período anterior.

A ponte rodoviária acrescenta agora uma terceira modalidade relevante a essa rede.

A lógica de Moscou é criar rotas paralelas capazes de transportar turistas, trabalhadores, mercadorias e equipamentos com menor dependência de um único meio de transporte.

Estrutura recebeu o nome de Yakov Novichenko por episódio ocorrido em 1946

A nova ponte recebeu um nome de forte valor simbólico para a relação entre os dois países: Yakov Tikhonovich Novichenko.

Novichenko era um oficial soviético do Exército Vermelho que, segundo a narrativa histórica reconhecida por Pyongyang e Moscou, protegeu Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte, durante uma tentativa de atentado em Pyongyang em 1º de março de 1946.

Uma granada foi lançada durante um comício. Novichenko teria interceptado o artefato e protegido Kim Il Sung da explosão, sofrendo ferimentos graves. Ele sobreviveu e posteriormente recebeu honrarias norte-coreanas.

A escolha do nome transforma a ponte também em monumento político da relação histórica entre a União Soviética e a Coreia do Norte.

Durante a inauguração, familiares de Novichenko participaram da cerimônia.

Até o antigo automóvel ZAZ-968M que pertenceu ao militar, fabricado em 1980, liderou a coluna de veículos do lado russo na primeira travessia oficial.

Ponte nasce dois anos depois do pacto estratégico assinado por Putin e Kim Jong Un

A dimensão geopolítica é inseparável da obra.

Em 19 de junho de 2024, Vladimir Putin e Kim Jong Un assinaram o Tratado de Parceria Estratégica Abrangente durante uma visita do presidente russo a Pyongyang.

O documento elevou formalmente a relação entre os países e inclui uma cláusula segundo a qual uma parte deve fornecer assistência militar e outras formas de apoio caso a outra entre em estado de guerra após sofrer um ataque armado.

O tratado também prevê cooperação em comércio, investimento, ciência, inteligência artificial, tecnologia da informação, espaço, energia, agricultura, turismo e desenvolvimento de regiões fronteiriças.

A construção da ponte foi acertada nesse mesmo contexto.

Dessa maneira, a infraestrutura inaugurada em 2026 funciona como uma das primeiras grandes obras físicas resultantes dessa nova fase da parceria.

Guerra na Ucrânia acelerou aproximação entre Moscou e Pyongyang

As relações entre Rússia e Coreia do Norte ganharam intensidade particularmente depois da invasão russa da Ucrânia em 2022.

A Coreia do Norte passou a fornecer munições e apoio militar à Rússia, enquanto Pyongyang também enviou milhares de soldados para território russo, incluindo forças empregadas na região de Kursk.

A Rússia, por sua vez, ampliou o apoio econômico e militar ao regime norte-coreano.

Essa cooperação mudou a natureza da relação bilateral.

Se anteriormente o comércio era limitado e a China concentrava praticamente toda a inserção econômica internacional da Coreia do Norte, Moscou passou a adquirir importância estratégica muito maior.

Dados citados pela Associated Press mostram que cerca de 98% do comércio externo norte-coreano em 2025 ainda ocorreu com a China, demonstrando que a Rússia está longe de substituir Pequim como principal parceiro comercial.

A nova ponte, porém, oferece infraestrutura para ampliar gradualmente essa participação.

Um quilômetro de ponte muda uma fronteira que permaneceu quase fechada por décadas

Fisicamente, a estrutura possui apenas cerca de 1 quilômetro. Geopoliticamente, seu peso é muito maior.

Durante 67 anos, desde a inauguração da Ponte da Amizade em 1959, a ligação terrestre permanente entre Rússia e Coreia do Norte dependeu essencialmente do transporte ferroviário. Não havia uma passagem rodoviária convencional capaz de receber diariamente caminhões, automóveis e ônibus.

Agora existe.

A obra exigiu 495 dias de construção, mais de 5 mil toneladas de estruturas metálicas, mais de 9 mil m³ de concreto e um novo posto fronteiriço com dez pistas. A capacidade inicial será de 300 veículos por dia, com possibilidade de ampliação futura para 800.

Cargas já começaram a atravessar o rio Tumen, e o tráfego de passageiros deverá ampliar ainda mais essa conexão.

Para Moscou, a ponte abre uma rota adicional em direção à Península Coreana e reforça sua estratégia de integração com a Ásia. Para Pyongyang, cria uma alternativa física direta à enorme dependência logística da fronteira chinesa.

E, acima de tudo, transforma em concreto e aço uma aproximação que até poucos anos atrás parecia limitada principalmente à diplomacia.

A Rússia e a Coreia do Norte agora não estão ligadas apenas por tratados, trens e voos. Desde 7 de setembro de 2026, caminhões podem atravessar diretamente uma ponte construída para unir as duas margens do Tumen, tornando visível no mapa uma parceria estratégica que Moscou e Pyongyang vêm aprofundando rapidamente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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