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Salinópolis, no Pará, recebeu 42,8 mil toneladas de sargaço em 2025, o maior volume estimado entre 51 registros de encalhe da alga na costa brasileira de 2010 a 2025, com efeito na pesca e no turismo, segundo estudo publicado em 2026
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 26/09/2026 às 21:06
Atualizado em 26/09/2026 às 21:07
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Artigo de pesquisadores da USP, publicado em julho de 2026, reúne 51 encalhes de sargaço no litoral brasileiro; o Pará concentra 26 deles, e só cerca de 4% da alga que chegou a Salinópolis em 2025 foi retirada das praias
Salinópolis, no Pará, recebeu cerca de 42,8 mil toneladas de sargaço em março de 2025, o maior peso estimado entre 51 registros de encalhe que um estudo da USP reuniu de 2010 a 2025.
O artigo, publicado em julho de 2026, cruzou 40 registros da imprensa com 11 da literatura científica. Pesca e turismo aparecem entre as atividades atingidas, segundo os autores.
Pelo levantamento, o Pará concentra pouco mais da metade dos registros, e mais de um terço dos casos noticiados podia ser outra alga. Os encalhes vêm em episódios irregulares, sem tendência significativa de longo prazo, de acordo com o g1 e com o resumo do artigo.
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Salinópolis teve o maior encalhe de sargaço medido entre 2010 e 2025
Geison Mesquita, primeiro autor do artigo, participou da medição do volume que chegou a Salinópolis, relata o g1. Ele faz pós-doutorado na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga (SP).
Medir o peso de um encalhe ainda é raro no país. Dos 51 registros, só seis trazem estimativa de biomassa, todas vindas de trabalhos científicos, destaca o resumo do estudo.
Nos outros cinco casos com peso estimado, o volume ficou entre 174 e 1.843 toneladas, informa a reportagem do Terra da Gente, do g1. Nenhum deles chegou a 2 mil toneladas.
O encalhe do Pará pesou 23 vezes o maior entre os outros medidos
Uma divisão simples, feita com os números publicados pelo g1, mostra a distância entre Salinópolis e os demais. São 42,8 mil toneladas contra 1.843, o maior peso entre os outros cinco eventos: mais de 23 vezes.
Contra o menor deles, de 174 toneladas, a proporção chega a 246 vezes.
Mesmo somados, os cinco não chegam perto. Se cada um tivesse 1.843 toneladas, o teto da faixa que a reportagem informa, o total seria de 9.215 toneladas, menos de um quarto do que chegou a Salinópolis de uma vez.
Só 4% do sargaço saiu da areia, mesmo com caminhões do estado
A limpeza ficou muito atrás da chegada da alga. Mesmo com caminhões do governo estadual somados à estrutura da prefeitura, só cerca de 4% da biomassa foi retirada das praias, afirma Geison Mesquita.
“Isso mostra que o Pará está entre os pontos mais expostos do país e que os municípios ainda não estão preparados para eventos dessa magnitude”, diz Geison.
Pela conta direta, 4% de 42,8 mil toneladas dão perto de 1,7 mil toneladas recolhidas. Cerca de 41 mil toneladas não foram retiradas, pelo percentual que o pesquisador informa.
A mesma conta mostra outro contraste. A parte recolhida, de cerca de 1,7 mil toneladas, fica perto do peso inteiro do segundo maior encalhe medido no levantamento, de 1.843 toneladas.
Como a USP cruzou notícias e artigos científicos
O artigo saiu em julho de 2026 na revista Aquatic Conservation, da editora Wiley, com acesso aberto. Geison Mesquita e Leonardo Capeleto de Andrade estão entre os quatro autores, segundo o registro da publicação.
O título do trabalho, em inglês, resume a proposta: integrar registros científicos e da imprensa para apoiar a conservação e o monitoramento da costa.
O método é exploratório e misto. A equipe cruzou a literatura científica com notícias publicadas em meios digitais, de 2010 a 2025, detalha o resumo do artigo.
Para os autores, o descompasso entre a notícia rápida e a ciência lenta revela uma lacuna crítica na capacidade do Brasil de monitorar e responder aos encalhes, segundo o resumo.
O sargaço que chega ao Brasil boia e viaja pelo oceano
As chegadas em massa no Norte e no Nordeste são de duas espécies, Sargassum natans e Sargassum fluitans, aponta a reportagem. As duas são pelágicas: vivem soltas, boiando na superfície do mar.
Nos 11 registros científicos do levantamento, a alga identificada foi sempre o sargaço pelágico, destaca o resumo do artigo. Algas que vivem presas ao fundo, chamadas bentônicas, têm outra origem e outra dinâmica, explica o g1.
O Grande Cinturão de Sargaço aparece no Atlântico desde 2011
Desde 2011, a alga forma grandes concentrações no Atlântico tropical, conjunto que ganhou o nome de Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, descreve a reportagem. Nos anos de pico, essa faixa pode se estender por milhares de quilômetros.
Nesses anos, o cinturão pode reunir milhões de toneladas de biomassa, de acordo com o g1. Um só milhão de toneladas já daria mais de 20 encalhes do tamanho do recorde de Salinópolis.
No resumo, o artigo afirma que a expansão do cinturão aumentou a frequência e a intensidade dos encalhes em todo o Atlântico tropical, com efeitos ecológicos, sociais e econômicos.
As causas ainda estão em estudo. A reportagem do g1 lista mudanças na circulação do oceano, ventos, oferta de nutrientes e condições favoráveis ao crescimento das algas.
Pará soma 26 dos 51 encalhes de sargaço registrados
Dos 40 casos encontrados na imprensa, 18 foram no Pará. Na literatura científica, o estado aparece em oito dos 11 registros, todos ligados à Praia do Atalaia, em Salinópolis, registra o g1.
Somados, são 26 dos 51 encalhes, ou 51% do total. O resumo do artigo destaca o Pará como o principal ponto crítico do país.
A figura do estudo mostra os outros estados. Alagoas tem 7 registros, Sergipe tem 6, Pernambuco e Ceará têm 4 cada, o Maranhão soma 3 e a Paraíba, 1.
No Maranhão, dois dos três casos vieram de trabalhos científicos, e o estado ganha peso nessa fonte, conforme o resumo do estudo. Pernambuco completa a lista científica, com um único registro.
Por que o Pará fica na rota das correntes
O litoral norte do Brasil fica perto da área onde o cinturão se forma. Correntes oceânicas e ventos levam o material que boia em direção à costa, conforme o g1.
Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador de pós-doutorado da FZEA-USP e um dos autores, destaca a geografia como a explicação principal.
“A localização do litoral do Pará é o fator determinante. São as correntes que empurram as algas para a costa e essas praias, especialmente em Salinópolis, estão em um local que acaba sendo especialmente afetado por isso”, explica o pesquisador.
O mapa pode ter lacunas, afirma Leonardo. Em áreas pouco habitadas do litoral norte, como trechos do Amapá e manguezais, um encalhe pode passar sem registro por falta de monitoramento e de cobertura da imprensa.
Alagoas, Sergipe e Ceará só aparecem no noticiário
Alagoas, Sergipe, Ceará e Paraíba somam 18 registros, todos da imprensa, e nenhum na literatura científica, segundo a figura do artigo. É o mesmo número de casos que o Pará teve só no noticiário.
Pela conta, 40 dos 51 registros, cerca de 78%, vieram de reportagens. O resumo do artigo registra uma assimetria marcada entre as duas fontes.
Os autores observam que moradores e imprensa percebem a chegada da alga rapidamente, enquanto a documentação científica pode levar anos, relata o g1.
Mais de um terço dos casos da imprensa podia ser outra alga
Nem tudo o que o noticiário chamou de sargaço era a alga que boia. Entre os registros da imprensa, só 65% foram classificados como sargaço pelágico, conta a reportagem.
Nos outros 35%, havia indícios de outras macroalgas, inclusive espécies presas ao fundo que podem se soltar, de acordo com o texto do g1. Aplicados aos 40 casos, os percentuais dão 26 registros de sargaço pelágico e 14 de outro tipo de alga.
Dá para chamar qualquer alga da praia de sargaço? “A real é que não pode! ‘Sargaço’ é um termo comum usado no Brasil para várias algas (ou mesmo outras plantas) que ‘arribam’ (chegam) às praias”, explica Leonardo.
A identificação correta pode exigir análise em laboratório, segundo o pesquisador. Por isso, um monte de alga na areia não basta para ligar o caso ao Grande Cinturão de Sargaço.
Pouca alga faz parte da praia, mas muita alga tira oxigênio da água
Alga na areia não é, sozinha, um problema. Em pequena quantidade, o material faz parte do funcionamento natural da praia e serve de alimento e abrigo para pequenos animais, lembra a reportagem.
O quadro muda quando grandes volumes se acumulam e apodrecem. A decomposição consome o oxigênio da água perto da costa e pode afetar peixes, crustáceos e outros organismos, relata o g1.
O processo também pode liberar amônia e sulfeto de hidrogênio, gás ligado ao cheiro de ovo podre, detalha a reportagem.
Como o sargaço atrapalha a pesca
Na pesca, o acúmulo de algas pode entupir redes e motores de barcos, segundo o g1.
Com menos oxigênio na água, por causa da alga que apodrece, peixes e outras espécies marinhas podem ser prejudicados, e a pesca perto da costa fica mais difícil, informa o g1.
Mau cheiro e areia coberta pesam no turismo
No turismo, alga amontoada na orla, mau cheiro e a necessidade de limpeza podem mudar o uso da praia e afastar visitantes, registra o g1.
O turismo e o uso da costa são os impactos que mais aparecem no noticiário, segundo o resumo do artigo, que destaca o foco da imprensa nos efeitos socioeconômicos imediatos.
Para Leonardo, o estrago pode ser grande. O problema “pode também causar danos milionários na economia turística: ninguém quer ir para uma praia cheia de algas mal-cheirosas”, completa o pesquisador.
Nem a pesca nem o turismo têm prejuízo calculado. O estudo reuniu relatos desses impactos, mas não mediu o custo financeiro dos encalhes no Brasil, segundo o g1.
Quem limpa a praia quando a alga chega
A primeira resposta costuma ficar com as prefeituras, que colocam equipes, máquinas e caminhões na areia, descreve a reportagem.
Em unidades de conservação federais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também pode entrar. Nos casos mais graves, a Defesa Civil pode ser acionada, acrescenta a reportagem.
O país ainda não tem um protocolo nacional para grandes chegadas de sargaço, segundo os autores.
“Não há um plano que defina de forma clara papéis, prazos, métodos de remoção e destinação. Por isso, a resposta costuma ser improvisada e desigual”, resume Geison.
Em Salinópolis, a prefeitura precisou do reforço do governo estadual em 2025, por causa do tamanho do encalhe, de acordo com a reportagem.
A máquina que tira a alga também leva areia da praia
A retirada exige cuidado, porque as máquinas podem levar areia junto com a alga e contribuir para a erosão da praia, alerta a reportagem.
A alga pode acumular metais, entre eles o arsênio, e isso pesa na escolha do destino do material recolhido, segundo o g1.
Os pesquisadores defendem três medidas antes da próxima chegada, detalha o g1: planejamento prévio, técnica adequada de remoção e destino da biomassa definido com antecedência.
Um ano recorde não quer dizer que a alga está aumentando
O recorde de 2025 não significa que o sargaço esteja chegando cada vez mais. Os encalhes não seguem um padrão constante, e um ano de grande volume não prova aumento contínuo, segundo o texto do g1.
Os registros brasileiros têm padrão episódico e irregular, sem tendência significativa de longo prazo, de acordo com o resumo do artigo.
A época do ano em que a alga aparece também muda conforme a fonte, notícia ou estudo científico, destaca o resumo.
Em 16 anos, de 2010 a 2025, os 51 registros dão média de pouco mais de três por ano. Como os encalhes são episódicos, essa média diz pouco sobre o que virá no ano seguinte.
Satélite, drone e foto de pescador para avisar antes da chegada
Como não há como impedir o fenômeno, a saída proposta é se preparar. Satélites localizam grandes manchas de sargaço em mar aberto, e esses dados podem ser cruzados com modelos de correntes e ventos para apontar as áreas de maior risco, explica o g1.
Drones e câmeras podem ajudar a medir o volume que chega à costa. Com um sistema organizado, daria para se preparar com dias ou até semanas de antecedência, segundo a reportagem.
Moradores, pescadores e turistas poderiam enviar fotos com localização, úteis onde não há equipes de pesquisa. Especialistas avaliariam esses registros e os cruzariam com imagens de satélite e estudos científicos, detalha o g1.
“Estas regiões precisarão se preparar para esta chegada das algas”, cobra Leonardo.
Por ora, é uma proposta dos pesquisadores. O sistema nacional reuniria, para cada chegada, a localização, a extensão do material, a estimativa de biomassa e as características da alga, de acordo com a reportagem.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

