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Samsung recebe proposta para antecipar US$ 15 bilhões em conta de luz até 2031 enquanto Coreia corre para construir rede elétrica para novas fábricas de chips

Samsung recebe proposta para antecipar US$ 15 bilhões em conta de luz até 2031 enquanto Coreia corre para construir rede elétrica para novas fábricas de chips

12 min de leitura

Samsung recebe proposta para antecipar US$ 15 bilhões em conta de luz até 2031 enquanto Coreia corre para construir rede elétrica para novas fábricas de chips

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 09/09/2026 às 15:16

Atualizado em 09/09/2026 às 15:51

Ciência e Tecnologia

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A estatal KEPCO quer antecipar receitas futuras para financiar linhas de transmissão e subestações exigidas pela expansão dos semicondutores e da inteligência artificial. A proposta também prevê 5 trilhões de won da SK Hynix, elevando o adiantamento combinado a 25 trilhões de won, mas as empresas ainda não aceitaram o acordo.

A Samsung Electronics recebeu uma proposta incomum da principal companhia elétrica da Coreia do Sul: antecipar 20 trilhões de won, cerca de US$ 15 bilhões, em pagamentos de eletricidade previstos até 2031. O dinheiro ajudaria a financiar a expansão da rede necessária para abastecer novas fábricas de semicondutores e projetos ligados à inteligência artificial.

A informação foi publicada pelo Chosun Ilbo com base em um documento interno da Korea Electric Power Corporation, a KEPCO, e confirmada parcialmente pela própria estatal à Reuters. A companhia elétrica reconheceu que apresentou um modelo de antecipação a grandes consumidores, incluindo Samsung e SK Hynix.

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Entretanto, existe uma ressalva essencial: Samsung e SK Hynix ainda não aceitaram o acordo. Segundo a KEPCO, participação, valores definitivos, juros e períodos de pagamento continuam em negociação.

Samsung anteciparia 20 trilhões de won

A maior parcela da proposta recairia sobre a Samsung.

A KEPCO sugeriu que a companhia antecipasse aproximadamente 20 trilhões de won, equivalentes a cerca de US$ 15 bilhões pela conversão utilizada pela Reuters.

A SK Hynix receberia uma proposta semelhante, porém menor: 5 trilhões de won.

Assim, as duas maiores fabricantes sul-coreanas de chips de memória poderiam antecipar juntas 25 trilhões de won em contas de eletricidade.

O dinheiro corresponderia, essencialmente, ao consumo futuro das empresas.

Em vez de esperar que Samsung e SK Hynix paguem suas contas mês após mês durante os próximos anos, a KEPCO receberia antecipadamente parte dessa receita e utilizaria o caixa agora para construir infraestrutura elétrica.

Conta foi baseada no que as duas gigantes já gastam com eletricidade

A dimensão da proposta acompanha o enorme consumo energético da indústria de semicondutores.

Em 2025, segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana, a Samsung Electronics desembolsou aproximadamente 4,1 trilhões de won em eletricidade.

A SK Hynix gastou cerca de 900 bilhões de won.

Somados, os pagamentos chegam a aproximadamente 5 trilhões de won em um único ano.

A KEPCO teria utilizado essa base para estimar aproximadamente cinco anos de consumo, chegando aos 25 trilhões de won propostos às duas empresas.

Na prática, portanto, não se trata de uma cobrança extraordinária de US$ 15 bilhões sobre a Samsung.

Imagem ilustrativa.

É uma proposta para antecipar despesas de eletricidade que seriam pagas posteriormente.

KEPCO quer usar dinheiro para linhas de transmissão e subestações

O destino dos recursos também está diretamente ligado às próprias fabricantes.

Segundo a Reuters, a KEPCO pretende utilizar o dinheiro para construir linhas de transmissão e subestações destinadas às novas fábricas de semicondutores.

A estatal afirma que o mecanismo ajudaria a responder ao crescimento dos investimentos em chips e data centers de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, Samsung e SK Hynix ganhariam maior previsibilidade sobre a chegada da energia necessária às novas instalações.

Esse detalhe é fundamental.

Uma fábrica de semicondutores pode custar dezenas de bilhões de dólares, mas não consegue operar sem fornecimento elétrico contínuo, estável e de grande escala.

Coreia está acelerando gigantescos polos de semicondutores

A urgência aumentou porque o governo sul-coreano antecipou seus planos industriais.

Samsung e SK Hynix estão envolvidas em um megaprojeto que prevê novas fábricas de semicondutores e infraestrutura de inteligência artificial.

Além disso, projetos originalmente planejados para chegar à fase final por volta de 2045 foram antecipados para o início da década de 2030.

Essa aceleração encurta drasticamente o prazo disponível para construir a infraestrutura energética.

O problema é simples: fabricar as plantas mais rapidamente não adianta se linhas de transmissão, subestações e geração não chegarem junto.

Yongin sozinho poderá exigir mais de 10 GW

O cluster de semicondutores de Yongin ajuda a dimensionar o desafio.

O governo sul-coreano calcula que a região poderá exigir mais de 10 GW de potência elétrica.

Para atender a essa carga, a estratégia foi dividida em diferentes etapas.

Até 2030, o governo pretende utilizar geração a gás natural dentro do complexo e reforçar linhas existentes nas regiões próximas.

Depois, até 2036, a expansão deverá aproveitar aumento da capacidade das redes.

Finalmente, até 2042, energia produzida em outras regiões deverá chegar ao polo por novas estruturas de transmissão.

A eletricidade, portanto, tornou-se parte tão importante do projeto quanto as próprias fábricas.

IA pode adicionar entre 25 e 30 GW à demanda sul-coreana

A escala nacional é ainda maior.

Em entrevista à Reuters publicada em 8 de setembro, o ministro sul-coreano de Clima, Energia e Meio Ambiente, Kim Sung-whan, estimou que a expansão das fábricas de Samsung e SK Hynix, combinada aos novos data centers de IA, poderá acrescentar 25 a 30 GW à demanda elétrica do país.

Para colocar o número em perspectiva, essa potência seria equivalente à capacidade de aproximadamente 20 reatores nucleares sul-coreanos modernos, caso toda a demanda adicional fosse atendida exclusivamente por energia nuclear.

Isso não significa que a Coreia construirá 20 reatores.

A comparação serve apenas para dimensionar a quantidade de energia exigida pela nova infraestrutura tecnológica.

Coreia já possui 26 reatores nucleares

A energia nuclear ocupa uma posição central nessa equação.

A Coreia do Sul possui atualmente 26 reatores nucleares, responsáveis por pouco menos de um terço de sua eletricidade.

As fontes renováveis representam aproximadamente 11%.

Já o carvão responde por cerca de 29%, enquanto o gás natural fornece aproximadamente 27%.

O governo pretende apresentar uma atualização de seu planejamento energético até 2040, e uma das principais decisões será determinar se o país precisa construir novos reatores.

O ministro Kim considera a energia nuclear um elemento essencial a ser analisado no futuro mix elétrico.

Samsung está colocando trilhões na corrida dos chips

A pressão energética acompanha uma expansão industrial de escala extraordinária.

A Samsung anunciou planos de investimento doméstico que envolvem semicondutores, inteligência artificial, robótica, baterias e infraestrutura tecnológica.

O CPG já mostrou como Samsung, SK, Hyundai e LG anunciaram aproximadamente US$ 550 bilhões em investimentos na Coreia do Sul, incluindo projetos de IA, chips, energia e indústria.

Esse volume ajuda a explicar por que eletricidade deixou de ser apenas uma despesa operacional.

Agora, a capacidade de fornecer energia no prazo pode determinar a velocidade com que centenas de bilhões de dólares em fábricas realmente entram em operação.

Samsung e SK Hynix querem dobrar capacidade de memória

A Coreia também acelerou seu cronograma industrial em 2026.

O governo e as fabricantes estabeleceram como objetivo dobrar a capacidade de produção de memória em cinco anos.

Para isso, anteciparam cronogramas de fábricas que anteriormente se estenderiam muito além da próxima década.

Samsung e SK Hynix ocupam posições centrais no mercado mundial de memórias.

Além disso, a explosão da inteligência artificial ampliou a demanda por HBM, ou memória de alta largura de banda, utilizada junto a aceleradores de IA.

Quanto mais servidores de inteligência artificial são instalados, maior se torna a necessidade de chips e eletricidade em toda a cadeia.

Chips já representam 41% das exportações sul-coreanas

O peso econômico dessa indústria cresceu rapidamente.

Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações sul-coreanas de semicondutores aumentaram 169,6%, chegando a aproximadamente US$ 281 bilhões, segundo dados alfandegários divulgados neste mês.

Os chips passaram a representar cerca de 41% das exportações do país.

Essa dependência explica por que o governo trata infraestrutura elétrica para semicondutores como uma questão estratégica.

Atrasar uma nova fábrica significa não apenas perder produção industrial.

Também pode significar perder participação em um mercado mundial impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial.

Samsung avalia ampliar ainda mais sua produção de chips avançados

A corrida não envolve somente capacidade convencional.

A empresa também busca avançar em etapas sofisticadas da cadeia.

O CPG mostrou que a Samsung avalia uma fábrica estratégica de chips na Coreia do Sul para fortalecer sua posição em memórias HBM e embalagem avançada voltada à inteligência artificial.

Essas tecnologias são especialmente relevantes para aceleradores de IA.

Memórias HBM precisam operar muito próximas dos processadores, transferindo enormes quantidades de dados com rapidez.

Consequentemente, a competição entre Samsung e SK Hynix não se resume a construir mais fábricas.

As duas precisam simultaneamente ampliar escala e desenvolver tecnologias mais avançadas.

KEPCO também enfrenta seu próprio problema financeiro

Existe outro lado nessa história.

A KEPCO precisa construir a infraestrutura, mas carrega uma enorme dívida.

No fim de junho de 2026, os passivos consolidados da companhia chegavam a aproximadamente 210,7 trilhões de won.

Além disso, suas despesas financeiras ficaram em cerca de 2,1 trilhões de won apenas no primeiro semestre.

Dados divulgados pela imprensa sul-coreana indicam ainda que os juros da dívida custam aproximadamente 11,5 bilhões de won por dia.

Nesse cenário, financiar dezenas de trilhões de won em novas redes torna-se um desafio.

Rede poderá exigir mais de 100 trilhões de won

A expansão elétrica necessária vai muito além dos 25 trilhões de won propostos a Samsung e SK Hynix.

Estimativas publicadas na Coreia apontam para até 100 trilhões de won em investimentos apenas nos planos existentes de expansão das redes de transmissão e distribuição.

Considerando novas necessidades previstas no planejamento elétrico, análises citadas pela imprensa local colocam os investimentos em transmissão e subestações em até 124,3 trilhões de won.

Assim, mesmo que Samsung e SK Hynix aceitassem antecipar todo o valor proposto, o dinheiro cobriria apenas parte do esforço.

A KEPCO ainda precisaria buscar outras fontes de financiamento.

Adiantamento pode reduzir necessidade de emitir dívida

Existe uma razão financeira para a estatal preferir antecipações.

A KEPCO poderia financiar a expansão emitindo mais títulos.

Entretanto, a companhia já possui dívida elevada.

Ao receber antecipadamente receitas futuras de grandes clientes, consegue acessar dinheiro sem depender integralmente de novas emissões.

O mecanismo de antecipação de contas já existe na Coreia, embora historicamente tenha sido utilizado em escala muito menor.

Em 2025, pagamentos antecipados somaram aproximadamente 390 bilhões de won, principalmente de órgãos públicos.

Agora, a proposta levaria esse mecanismo a uma escala completamente diferente.

De R$ bilhões modestos para 25 trilhões de won

A diferença mostra como o plano é incomum.

Os 25 trilhões de won propostos a Samsung e SK Hynix equivalem a mais de 60 vezes o volume de antecipações registrado no ano anterior.

A KEPCO estuda, por isso, criar regras específicas para grandes consumidores.

Segundo reportagens locais, as empresas poderiam realizar os pagamentos em parcelas e receber juros pelo saldo antecipado.

A estatal descontaria gradualmente as contas de eletricidade futuras desse montante.

Portanto, o dinheiro não seria simplesmente entregue à KEPCO sem contrapartida.

Samsung poderia receber juros acima dos títulos públicos

Outro elemento torna a proposta mais parecida com uma operação financeira.

Segundo a Reuters, o modelo discutido prevê pagamento de juros acima do rendimento dos títulos públicos sul-coreanos de dois anos.

Reportagens locais indicam que a remuneração poderia ficar próxima ou abaixo dos títulos emitidos pela própria KEPCO.

A lógica tenta criar vantagem para ambos os lados.

A companhia elétrica conseguiria dinheiro potencialmente mais barato do que por meio de novas dívidas.

Já Samsung e SK Hynix receberiam remuneração pelo capital antecipado enquanto garantiriam maior previsibilidade para a infraestrutura de seus projetos.

Não é um empréstimo tradicional da Samsung para o governo

Apesar da semelhança financeira, existe uma diferença importante.

A operação está estruturada como antecipação de contas de eletricidade, não como uma compra convencional de títulos ou um empréstimo simples.

À medida que a KEPCO fornecer energia, o valor correspondente às contas será abatido do saldo antecipado.

Contabilmente, a companhia também não poderá reconhecer imediatamente os 25 trilhões de won como receita operacional.

A receita aparecerá conforme a eletricidade for efetivamente fornecida.

O benefício imediato para a KEPCO seria principalmente de caixa.

Empresas americanas também estão colocando dinheiro na Coreia

O ecossistema sul-coreano começa a atrair investimentos de fora do país.

O CPG mostrou recentemente que quatro empresas dos Estados Unidos anunciaram US$ 2 bilhões em investimentos na Coreia do Sul para semicondutores, materiais avançados e energia, incluindo um complexo eólico offshore de 3,2 GW.

Air Products, Axcelis Technologies, Corning e Pacifico Energy estão entre os grupos envolvidos.

A combinação entre capital doméstico e estrangeiro amplia ainda mais a pressão sobre infraestrutura.

Novas fábricas precisam de terrenos, água ultrapura, logística e, sobretudo, eletricidade confiável.

Governo reservou 21,3 trilhões de won para infraestrutura de chips

O Estado também prepara recursos públicos.

Na proposta orçamentária de 2027, o governo reservou aproximadamente 21,3 trilhões de won para infraestrutura relacionada a semicondutores, incluindo redes elétricas, sistemas industriais de água e logística.

Além disso, existe um orçamento especial de aproximadamente 2,6 trilhões de won para o setor.

Isso mostra que o pedido da KEPCO às fabricantes não substitui completamente os investimentos públicos.

O país está tentando combinar capital estatal, recursos da concessionária e dinheiro das próprias empresas para acelerar a infraestrutura.

Gargalo de eletricidade ameaça cronograma industrial

A discussão revela uma transformação importante na corrida mundial por semicondutores.

Durante anos, os principais gargalos estavam associados a máquinas litográficas, propriedade intelectual, capacidade fabril e disponibilidade de engenheiros.

A explosão da IA adicionou outro problema: energia.

Fábricas de semicondutores operam continuamente e exigem fornecimento extremamente estável.

Data centers de inteligência artificial adicionam outra carga gigantesca ao sistema.

Assim, países que querem liderar a nova indústria precisam construir simultaneamente fábricas de chips, redes de transmissão, geração elétrica e centros de dados.

Coreia precisa resolver energia antes que novas fábricas fiquem prontas

Para Samsung e SK Hynix, a proposta de antecipação apresenta uma escolha incomum.

As empresas poderiam manter o dinheiro em caixa e continuar pagando energia normalmente.

Por outro lado, antecipar parte das contas pode ajudar a garantir que a infraestrutura necessária esteja pronta quando suas fábricas começarem a operar.

Esse benefício ganha peso porque o cronograma industrial foi acelerado.

Atrasos de alguns anos em linhas de transmissão poderiam deixar instalações bilionárias prontas fisicamente, mas sem energia suficiente para funcionar em plena capacidade.

Por isso, a KEPCO tenta transformar seus maiores consumidores em financiadores indiretos da própria infraestrutura que utilizarão.

US$ 15 bilhões ainda são apenas uma proposta

Esse é o ponto mais importante para publicação.

A Samsung não concordou em pagar US$ 15 bilhões antecipadamente.

A KEPCO confirmou que apresentou a possibilidade de antecipação a grandes consumidores, mas ressaltou que participação, juros, montantes e duração ainda não foram definidos.

Samsung e SK Hynix não comentaram a proposta à Reuters.

Portanto, títulos devem utilizar expressões como “propõe”, “pede”, “quer que antecipe” ou “apresenta proposta”.

Não seria correto afirmar que Samsung “pagará US$ 15 bilhões” como fato consumado.

Corrida pela IA transforma eletricidade em ativo estratégico

A situação sul-coreana mostra até onde chegou a corrida global pela inteligência artificial.

Samsung e SK Hynix precisam construir novas fábricas para atender à demanda mundial por memórias e semicondutores.

Ao mesmo tempo, data centers aumentam ainda mais o consumo de energia.

O resultado é uma pressão adicional estimada em 25 a 30 GW, somente considerando a expansão ligada a chips e IA.

Agora, a KEPCO propõe uma solução incomum: receber antecipadamente até 25 trilhões de won de seus dois maiores gigantes de semicondutores e utilizar parte do dinheiro para acelerar linhas de transmissão e subestações.

Para a Samsung, a parcela proposta chega a 20 trilhões de won, cerca de US$ 15 bilhões.

Para a SK Hynix, seriam outros 5 trilhões de won.

Se o acordo avançar, as fabricantes não estarão apenas construindo algumas das maiores instalações de chips do planeta.

Elas também ajudarão a financiar antecipadamente a rede elétrica necessária para mantê-las funcionando.

E você, acha razoável que gigantes como Samsung e SK Hynix antecipem bilhões em contas de energia para acelerar a infraestrutura elétrica que suas próprias fábricas precisarão usar?

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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