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Santos leva água do Mar de Beaufort por 75 km, injeta 40 mil barris por dia no reservatório e acelera campo de petróleo no Alasca rumo a 80 mil barris diários

Santos leva água do Mar de Beaufort por 75 km, injeta 40 mil barris por dia no reservatório e acelera campo de petróleo no Alasca rumo a 80 mil barris diários

8 min de leitura

Santos leva água do Mar de Beaufort por 75 km, injeta 40 mil barris por dia no reservatório e acelera campo de petróleo no Alasca rumo a 80 mil barris diários

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 05/09/2026 às 11:51

Atualizado em 05/09/2026 às 11:55

Petróleo e Gás

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Projeto Pikka, operado pela australiana Santos no North Slope, começou a receber injeção contínua de água do mar para sustentar a pressão do reservatório. A produção já alcança cerca de 40 mil barris de petróleo por dia, enquanto novos poços devem levar o campo ao patamar de aproximadamente 80 mil barris diários.

A Santos alcançou uma nova etapa no projeto petrolífero Pikka, no North Slope do Alasca, ao iniciar a injeção de água do mar no reservatório Nanushuk. O sistema atualmente injeta cerca de 40 mil barris de água por dia, enquanto os poços já entregam aproximadamente 40 mil barris de petróleo por dia.

O avanço acontece poucos meses depois do início da produção contínua, em junho de 2026. Agora, a companhia pretende colocar novos poços em operação progressivamente e alcançar um platô de aproximadamente 80 mil barris de petróleo por dia no fim do terceiro trimestre de 2026.

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A nova etapa chama atenção não apenas pelo volume. Antes de chegar ao campo, a água captada no Mar de Beaufort passa por tratamento e percorre uma infraestrutura de aproximadamente 75 quilômetros até a área do projeto.

Água do Mar de Beaufort percorre cerca de 75 km até Pikka

O processo começou em 18 de agosto, quando a planta de tratamento passou a exportar água dentro das especificações exigidas pelo sistema.

A partir daí, a Santos começou a formar o inventário necessário ao longo do oleoduto de água do mar de aproximadamente 75 quilômetros, que conecta o Mar de Beaufort ao local do projeto Pikka.

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Em 26 de agosto, a empresa iniciou efetivamente a injeção no reservatório. Posteriormente, concluiu os testes previstos para esse marco operacional.

Atualmente, o sistema injeta aproximadamente 40 mil barris de água por dia.

Embora o número seja semelhante aos 40 mil barris diários produzidos pelo campo neste momento, os dois volumes representam fluxos diferentes: um corresponde à água injetada no reservatório e o outro ao petróleo produzido pelos poços.

Por que uma petroleira injeta água do mar no reservatório?

A operação pode parecer contraditória à primeira vista. Entretanto, a injeção de água exerce uma função importante na produção de petróleo.

À medida que uma empresa retira óleo de um reservatório, a pressão subterrânea pode diminuir. Consequentemente, torna-se mais difícil manter o fluxo de hidrocarbonetos até os poços produtores.

Nesse cenário, a água injetada ajuda a sustentar a pressão do reservatório. Com isso, a operação consegue manter condições mais favoráveis para deslocar o petróleo em direção aos poços.

No caso de Pikka, a Santos considera essa etapa fundamental para acelerar a produção e colocar poços adicionais em funcionamento.

Portanto, a companhia não injeta água para “criar petróleo”. O objetivo é oferecer suporte de pressão ao reservatório e melhorar as condições para recuperar o óleo existente.

Produção já alcança cerca de 40 mil barris por dia

Enquanto o sistema de injeção entrou em funcionamento, Pikka também avançou na produção.

A Santos informa que os poços atualmente entregam aproximadamente 40 mil barris de petróleo por dia em termos brutos.

Esse volume representa uma evolução significativa desde junho. Quando a companhia anunciou o começo das operações contínuas, os primeiros poços entregavam cerca de 20 mil barris por dia.

Assim, em poucos meses, o projeto aproximadamente dobrou o ritmo inicial divulgado pela empresa.

Agora, com o suporte de pressão funcionando, a Santos pretende adicionar novos poços de maneira progressiva.

O movimento reforça uma transformação que o CPG já vinha acompanhando no extremo norte dos Estados Unidos. O CPG mostrou como o Alasca, antes associado ao declínio de campos maduros, vive uma retomada da produção puxada justamente por novos projetos como Pikka e Nuna.

Meta é chegar a 80 mil barris de petróleo por dia

A próxima marca está claramente definida.

A Santos pretende levar Pikka a aproximadamente 80 mil barris de petróleo por dia de produção bruta até o fim do terceiro trimestre de 2026.

Isso significa que o projeto ainda precisa praticamente dobrar a produção em relação aos aproximadamente 40 mil barris diários atuais.

Para chegar lá, a empresa planeja colocar poços adicionais em funcionamento nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, o sistema de injeção fornecerá o suporte de pressão necessário ao reservatório.

O CEO da Santos, Kevin Gallagher, classificou o início da injeção como uma etapa crítica para liberar a capacidade produtiva de Pikka.

Entretanto, a meta de 80 mil barris por dia continua sendo uma projeção operacional. O campo ainda precisa concluir a fase de ramp-up para efetivamente atingir esse patamar.

Pikka colocou a produção contínua em marcha em junho

O projeto avançou rapidamente ao longo de 2026.

Primeiro, a Santos alcançou o first oil em maio. Depois, iniciou as operações de produção contínua em junho, quando os primeiros poços começaram a entregar aproximadamente 20 mil barris diários.

Naquele momento, a companhia já informava que a próxima grande etapa seria justamente o início do suporte de pressão por meio da injeção de água do mar.

Além disso, a Santos revelou que a Fase 1 de Pikka coloca aproximadamente 400 milhões de barris de reservas 2P brutas em produção. Outros cerca de 600 milhões de barris de recursos contingentes 2C brutos sustentam possíveis fases futuras de desenvolvimento.

Esses números, porém, representam categorias diferentes. Os 400 milhões de barris correspondem a reservas 2P brutas da Fase 1, enquanto os 600 milhões pertencem à categoria de recursos contingentes 2C e não devem ser apresentados como reservas já comprovadas para produção.

Primeiro navio saiu com 450 mil barris em agosto

Outro marco ocorreu em agosto.

A Santos carregou o primeiro lote comercial de petróleo produzido em Pikka, com aproximadamente 450 mil barris de Alaska North Slope crude.

O petróleo embarcou no navio Polar Resolution, no Valdez Marine Terminal, com destino ao sistema de refino da costa oeste dos Estados Unidos.

Naquele momento, Pikka produzia aproximadamente 23 mil barris por dia.

Poucas semanas depois, o novo comunicado elevou esse número para cerca de 40 mil barris diários.

Portanto, entre o primeiro carregamento comercial e o início da injeção de água, a companhia conseguiu adicionar aproximadamente 17 mil barris por dia ao ritmo bruto informado.

Petróleo de Pikka utiliza infraestrutura histórica do Alasca

Depois de sair do campo, o petróleo de Pikka entra em uma das infraestruturas mais conhecidas da indústria petrolífera americana.

O óleo segue pelo sistema do North Slope até integrar a logística ligada ao Trans-Alaska Pipeline System (TAPS), responsável por levar petróleo do norte do estado até Valdez, no sul.

O oleoduto atravessa aproximadamente 1.287 quilômetros de um dos ambientes mais desafiadores dos Estados Unidos.

Sua engenharia precisou considerar permafrost, terremotos, rios, montanhas e grandes variações de temperatura.

O CPG detalhou como o Trans-Alaska utiliza cerca de 78 mil apoios metálicos e soluções especiais para impedir que o petróleo quente comprometa o solo congelado.

Além disso, o sistema possui estruturas projetadas para permitir deslocamentos em áreas sísmicas.

Outro levantamento do CPG mostrou como essa flexibilidade ajudou o Trans-Alaska a atravessar um terremoto de magnitude 7,9 sem sofrer o grande vazamento que poderia ocorrer em uma tubulação rigidamente presa ao terreno.

Assim, a expansão de Pikka também adiciona novos volumes a uma infraestrutura petrolífera construída originalmente para outra geração de campos do Alasca.

Santos controla 51% e Repsol possui os outros 49%

A Santos opera Pikka e possui 51% de participação no Pikka Unit.

A espanhola Repsol controla os 49% restantes.

Portanto, os volumes divulgados pela Santos são apresentados em termos brutos do projeto, e não correspondem exclusivamente à parcela econômica da empresa australiana.

Essa distinção vale especialmente para a meta de 80 mil barris por dia. O número representa a produção bruta esperada de Pikka, não 80 mil barris diários líquidos atribuíveis somente à Santos.

Pikka pode sustentar 80 mil barris diários por vários anos

A companhia já apresentou uma visão mais ampla para o campo.

Nos resultados do primeiro semestre de 2026, a Santos indicou que pretende manter o patamar de aproximadamente 80 mil barris por dia durante cinco a seis anos, caso o desenvolvimento siga conforme planejado.

Até aquele momento, a empresa havia perfurado 29 poços de desenvolvimento, dos quais 23 já tinham passado por estimulação e flowback.

Isso ajuda a explicar por que a injeção de água representa um marco importante. Em vez de depender apenas da abertura de novos poços, a companhia agora também dispõe do sistema destinado a sustentar a pressão necessária para o crescimento da produção.

Projeto começou com investimento de US$ 2,6 bilhões na Fase 1

A escala financeira também coloca Pikka entre os grandes projetos recentes do North Slope.

A Santos comprometeu aproximadamente US$ 2,6 bilhões para desenvolver a Fase 1, depois de assumir sua posição no projeto por meio da aquisição da Oil Search.

O objetivo era transformar uma descoberta importante na formação Nanushuk em um novo polo de produção no Alasca.

Agora, com petróleo efetivamente saindo do campo, carregamentos comerciais realizados e injeção de água funcionando, o projeto passa da fase dominada por construção e investimentos para uma etapa cada vez mais concentrada em produção e geração de caixa.

80 mil barris por dia colocariam Pikka em outra escala

Caso alcance o platô previsto, Pikka adicionará aproximadamente 80 mil barris diários brutos à produção do North Slope.

Para comparação de escala, projetos petrolíferos dessa capacidade já conseguem alterar significativamente a produção de uma região.

No Brasil, por exemplo, ativos individuais também mostram como novos poços e sistemas de produção podem elevar rapidamente a oferta.

Entretanto, a comparação serve apenas para mostrar ordem de grandeza. Os projetos operam em regiões, reservatórios e condições completamente diferentes.

Injeção de água marca nova fase do projeto no Ártico

O início da injeção encerra uma das principais etapas necessárias para acelerar Pikka.

A água começa no Mar de Beaufort, passa pelo sistema de tratamento e percorre aproximadamente 75 quilômetros até chegar à região do campo. Depois, o sistema a injeta no reservatório para sustentar a pressão subterrânea.

Ao mesmo tempo, os poços já entregam cerca de 40 mil barris de petróleo por dia, aproximadamente o dobro do ritmo divulgado no início das operações contínuas.

Agora, a Santos precisa colocar novos poços em produção e transformar essa infraestrutura em mais barris produzidos.

Se cumprir o cronograma, Pikka chegará ao fim do terceiro trimestre de 2026 produzindo aproximadamente 80 mil barris de petróleo por dia.

O marco também reforçaria o renascimento petrolífero do North Slope, onde novos projetos começam a compensar parte do declínio observado durante décadas em campos mais antigos.

E você, acredita que projetos como Pikka podem realmente inaugurar uma nova fase de crescimento do petróleo no Alasca, ou as dificuldades técnicas e ambientais do Ártico limitarão essa expansão?

Fonte

Santos


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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