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Se o Brasil produz tanto petróleo, por que pagamos tão caro pelos combustíveis?
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 22/09/2026 às 10:31
Petróleo e Gás
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Mesmo com produção recorde e milhões de barris exportados, o Brasil ainda importa derivados, enfrenta limites no refino e soma impostos, biocombustíveis, transporte, distribuição e revenda ao preço final dos combustíveis nos postos brasileiros diariamente
O Brasil produz cada vez mais petróleo, exporta grandes volumes e alcançou 4,498 milhões de barris por dia em julho de 2026. Mesmo assim, quem abastece continua encontrando gasolina e diesel caros. A explicação está menos na quantidade de óleo retirada do mar e mais no caminho que existe entre o petróleo bruto e o combustível vendido no posto.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira de petróleo em julho avançou 13,6% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Quando petróleo e gás são somados, o país chegou a 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
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O número mostra o tamanho da produção nacional, mas não significa que todo esse petróleo seja refinado no Brasil ou convertido nos combustíveis que abastecem carros, caminhões e máquinas.
Brasil extrai milhões de barris, mas produz menos derivados
Segundo dados consolidados da ANP, o Brasil produziu, em média, 3,8 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, alta de 12% sobre 2024. Cerca de 3 milhões de barris diários saíram do pré-sal.
Na outra ponta, a produção nacional de derivados de petróleo ficou próxima de 2,2 milhões de barris por dia no mesmo período, com queda de 1,4%.
As refinarias brasileiras operaram, em média, com utilização equivalente a 86,4% de sua capacidade instalada.
Enquanto isso, as exportações líquidas brasileiras de petróleo chegaram a 1,7 milhão de barris por dia em 2025.
Na prática, o país consegue colocar grandes quantidades de petróleo bruto no mercado externo, mas isso não significa produzir internamente todos os derivados necessários para atender à demanda brasileira.
Essa diferença aparece principalmente no diesel.
Segundo estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mesmo com uma ampliação prevista de 10% da capacidade nacional de refino entre 2025 e 2035, o Brasil deverá continuar como importador líquido de derivados, especialmente diesel e nafta.
Dados do MME publicados em 2026 mostram que mais de 25% de todo o óleo diesel consumido no Brasil precisa ser importado. O volume supera 1 milhão de metros cúbicos por mês.
Petrobras recebeu R$ 2,08 dos R$ 6,54 cobrados na gasolina
Outro ponto ajuda a entender por que o aumento da produção de petróleo não chega diretamente ao motorista na forma de combustível barato: o preço pago no posto reúne várias parcelas.
Segundo dados divulgados pela Petrobras para a semana de 6 a 12 de setembro de 2026, o preço médio considerado para a gasolina no país era de R$ 6,54 por litro.
Desse total, R$ 2,08 equivalentes a 31,8%, correspondiam à parcela da Petrobras. Os impostos estaduais representavam R$ 1,57 por litro, enquanto os tributos federais acrescentavam outros R$ 0,24.
Juntos, os impostos estaduais e federais somavam R$ 2,24 por litro.
Também entravam na conta R$ 0,93 referentes ao etanol anidro misturado à gasolina e R$ 1,72 relacionados à distribuição e à revenda.
Ou seja, naquela composição, a parcela recebida pela Petrobras representava pouco mais de um quarto do preço final considerado para a gasolina.
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No diesel, importação, biodiesel e distribuição também entram na conta
A composição do diesel muda, mas continua envolvendo diferentes custos.
Segundo dados da Petrobras referentes à semana de 13 a 19 de setembro de 2026, o diesel S-10 apresentava preço médio nacional de R$ 7,13 por litro.
A parcela da Petrobras correspondia a R$ 2,83, ou 39,7% do valor. Distribuição e revenda respondiam por R$ 2,01, enquanto o biodiesel acrescentava R$ 0,80.
Os impostos estaduais representavam R$ 1,17 por litro e os tributos federais, outros R$ 0,32.
Produção recorde não significa preço tabelado nos postos
Existe ainda outro fator: o preço dos combustíveis não é definido apenas pelo volume produzido no país.
Segundo a ANP, desde 2002 vigora no Brasil o regime de liberdade de preços em toda a cadeia de combustíveis.
Isso significa que não existe um preço nacional tabelado nem valores máximos ou mínimos determinados pelo governo para produtores, distribuidores e postos.
A agência explica que o preço final depende de diferentes componentes, incluindo o valor cobrado nas refinarias, tributos federais e estaduais, custos operacionais, biocombustíveis adicionados aos produtos, transporte e margens de distribuição e revenda.
Por isso, produzir mais petróleo não elimina automaticamente esses custos.
O Brasil pode retirar milhões de barris do subsolo, ampliar exportações e registrar recordes de produção, mas parte desse óleo segue para outros mercados enquanto o país continua dependendo da importação de determinados derivados.
Entre a extração e o tanque do veículo ainda entram refino, impostos, biocombustíveis, transporte, distribuição e revenda.
Fontes utilizadas: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); Ministério de Minas e Energia (MME) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Petrobras.
Fonte
https://www.gov.br/anp/pt
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

