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Sem dinheiro para lápis e caderno na infância, ela volta aos estudos aos 60 anos, termina ensino médio aos 65, entra na universidade aos 79 e aprende tecnologia aos 81

Sem dinheiro para lápis e caderno na infância, ela volta aos estudos aos 60 anos, termina ensino médio aos 65, entra na universidade aos 79 e aprende tecnologia aos 81

4 min de leitura

Sem dinheiro para lápis e caderno na infância, ela volta aos estudos aos 60 anos, termina ensino médio aos 65, entra na universidade aos 79 e aprende tecnologia aos 81

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 05/09/2026 às 12:51

Atualizado em 05/09/2026 às 12:52

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A trajetória de Marlene Vicente em Nova Friburgo mostra uma volta aos estudos marcada por décadas de dificuldades, conclusão do ensino médio aos 65 anos, aprovação em Pedagogia aos 79 e adaptação à educação a distância já na terceira idade

Na infância, Marlene Vicente chegava à escola sem ter caderno, borracha ou até lápis próprios e, em alguns momentos, precisava pedir uma folha emprestada para conseguir escrever. Décadas depois, a volta aos estudos começou aos 60 anos e abriu um caminho que terminaria na universidade.

A Fundação Cecierj, instituição responsável pela página oficial do Cederj, publicou a trajetória de Marlene em 23 de março de 2026. Naquela data, ela tinha 81 anos, cursava o quinto período de Licenciatura em Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, no polo do Cederj em Nova Friburgo.

A conquista também exigiu uma mudança que vai além das provas e dos livros. Sem costume de usar computador ou tablet, Marlene precisou aprender a acessar a plataforma do curso, lidar com recursos digitais e trocar emails para acompanhar a graduação em educação a distância.

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A falta de material escolar marcou uma infância em que estudar parecia distante

Marlene nasceu e cresceu em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, em uma família pobre. O trabalho aparecia como prioridade dentro de casa porque estava ligado à sobrevivência, enquanto continuar os estudos parecia uma possibilidade distante.

A lembrança mais concreta dessa dificuldade estava dentro da própria escola. Quando precisava de material, os pais nem sempre tinham condições de comprar. Caderno, borracha, papel e lápis podiam faltar, e pedir emprestado a um colega fazia parte da rotina.

Marlene nasceu e cresceu em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro.

Ela também cresceu ouvindo que a universidade era destinada a pessoas com dinheiro. A falta de oportunidades pesou na trajetória e Marlene deixou os estudos depois das séries do ensino fundamental, passando um longo período afastada da escola.

A volta aos estudos na terceira idade começou pelo ensino médio e abriu caminho para um novo objetivo

A história mudou quando Marlene chegou aos 60 anos. Foi nessa idade que ela decidiu retomar a educação formal e voltou a frequentar a sala de aula depois de um longo período distante dos estudos.

O primeiro grande objetivo era concluir o ensino médio. Essa etapa terminou quando ela tinha 65 anos. A partir dali, o desejo de avançar para uma graduação passou a fazer parte dos planos.

A trajetória não seguiu por um atalho. Marlene ainda precisou se preparar para disputar uma vaga no ensino superior, enfrentando outra etapa de estudos antes de conseguir a aprovação.

Dois anos de curso preparatório aproximaram Marlene do vestibular e da universidade

Depois do ensino médio, Marlene conheceu o Pré-Vestibular Cecierj, que naquele período se chamava Pré-Vestibular Social. O programa funcionou como um curso preparatório para o ingresso no ensino superior.

Foram dois anos de preparação. Nesse período, professores apresentaram a ela o Cederj e incentivaram a continuidade dos estudos. A universidade, que durante a juventude parecia fora de alcance, passou a ser um objetivo concreto.

Em 2024, aos 79 anos, Marlene foi aprovada no Vestibular Cederj para Licenciatura em Pedagogia da UERJ. No caso dela, o Cederj foi a porta de entrada para a graduação da universidade oferecida na modalidade de educação a distância.

Entrar na faculdade aos 79 anos trouxe um desafio que não aparecia nos livros

A aprovação resolveu uma parte do caminho, mas criou outra necessidade. Marlene praticamente não usava computador ou tablet e tinha pouca familiaridade até mesmo com o celular, o que tornou a rotina digital da graduação um obstáculo importante.

A Fundação Cecierj, instituição responsável pela página oficial do Cederj, registrou que ela precisou superar essa dificuldade tecnológica para continuar os estudos. Marlene teve de aprender a utilizar computador, tablet, a plataforma do curso e os recursos necessários para enviar e receber emails.

A adaptação mostra uma parte menos evidente da volta aos estudos na terceira idade. Não bastava recuperar hábitos ligados à leitura, às aulas e às avaliações. Era necessário aprender ferramentas digitais que passaram a fazer parte da rotina universitária.

Aos 81 anos e no quinto período, Marlene mantém o plano de continuar estudando

Em 23 de março de 2026, Marlene aparecia aos 81 anos e no quinto período de Pedagogia. A mulher que na infância precisava pedir material escolar emprestado havia chegado a uma etapa educacional que, durante muitos anos, pareceu reservada a outras pessoas.

A graduação também não representa necessariamente o ponto final. Marlene pretende continuar estudando depois de concluir Pedagogia, incluindo o interesse em aprender inglês e seguir posteriormente para uma pós graduação.

Sua trajetória conta com uma sequência incomum na terceira idade. Aos 81, além das disciplinas de Pedagogia, ela já havia incorporado computador, plataforma virtual e e-mail à rotina acadêmica.

O caso de Marlene mostra como um recomeço pode acontecer mesmo depois de décadas longe da escola, sem apagar as dificuldades que existiram no caminho.

Você voltaria a estudar depois dos 60 anos? Conte nos comentários e compartilhe esta história com alguém que também pensa em retomar os estudos.

Fonte

Fundação Cecierj


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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