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Sem dinheiro, sem luz e vivendo em uma barraca, casal deixa a cidade, cria 60 cabras e transforma a propriedade em fábrica de queijos premiados; 10 anos depois, 100 pontos coroaram uma virada improvável.

Sem dinheiro, sem luz e vivendo em uma barraca, casal deixa a cidade, cria 60 cabras e transforma a propriedade em fábrica de queijos premiados; 10 anos depois, 100 pontos coroaram uma virada improvável.

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Sem dinheiro, sem luz e vivendo em uma barraca, casal deixa a cidade, cria 60 cabras e transforma a propriedade em fábrica de queijos premiados; 10 anos depois, 100 pontos coroaram uma virada improvável.

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 09/09/2026 às 08:32

Atualizado em 09/09/2026 às 08:54

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Soledad Rumbo e Juan Ignacio Rodríguez começaram com seis cabras e uma panela para produzir doce de leite em Córdoba, na Argentina. A Granja Verbena reúne dezenas de animais, cerca de dez variedades de queijo e produtos reconhecidos em concursos nacionais.

Uma pequena propriedade em Yacanto Abajo, na região argentina de Traslasierra, passou da produção doméstica de doce de leite para uma queijaria artesanal com cerca de dez variedades. Parte dos produtos chegou a restaurantes conhecidos, enquanto diferentes peças passaram a receber medalhas em concursos nacionais.

A trajetória é de Soledad Rumbo e Juan Ignacio Rodríguez, dois engenheiros agrônomos que deixaram a cidade para construir um empreendimento próprio. A revista Lugares, do La Nación relatou que o casal chegou ao local com poucos recursos, sem eletricidade e sem uma casa pronta.

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A mudança ocorreu em 2012. Enquanto construíam a moradia, os dois chegaram a viver em uma barraca e inicialmente pensaram em instalar um viveiro, ideia abandonada diante da pouca disponibilidade de água na região.

A alternativa apareceu depois que um familiar mencionou uma criação de cabras leiteiras. Soledad e Juan Ignacio compraram seis cabritas e, mais tarde, outras três cabras que já estavam em produção, o que os levou a aprender a ordenha e a buscar uma destinação para o leite excedente.

O que sobrava do consumo doméstico virou doce de leite de cabra preparado em uma panela. Os primeiros frascos foram levados para uma feira em Villa Las Rosas, onde Soledad já vendia peças de cerâmica, e o produto permaneceu no catálogo mesmo depois da criação da queijaria.

Da produção doméstica à queijaria

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A fabricação de queijos exigiu mais estrutura e conhecimento técnico. O casal fez cursos no Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI) e recebeu orientação de Jorge Picotti, que participou da produção do primeiro queijo e prestou assistência técnica nessa etapa.

Outros profissionais continuaram acompanhando o desenvolvimento da produção, e os responsáveis pela Granja Verbena também fizeram formação na Fromagelier. Com o crescimento da atividade, o rebanho chegou a 60 cabras, das quais 50 são matrizes em produção, conforme os números apresentados pelo casal ao La Nación.

Um dos obstáculos relatados por Soledad foi a associação do queijo de cabra a sabores necessariamente muito fortes. Ela afirmou que os primeiros produtos da propriedade já tinham perfil mais suave e relacionou essa característica aos cuidados adotados no manejo e no processamento do leite.

Na explicação dada por Soledad, a multiplicação de determinados microrganismos pode alterar a estrutura da gordura do leite e deixar alguns compostos mais disponíveis ao paladar, aumentando a intensidade percebida. Por isso, o controle do processo passou a receber atenção especial na produção.

Como a Granja Verbena trabalha em pequena escala, o casal apostou em qualidade e diferenciação para comercializar os produtos. Os queijos também passaram a chegar a estabelecimentos gastronômicos como Don Julio, Anchoita, Corte Charcutería e Los Galgos.

Ao longo de cerca de uma década desde o primeiro queijo, o catálogo chegou a aproximadamente dez variedades, entre produtos duros, semiduros, macios e com fungos. O doce de leite, primeiro item produzido na propriedade, continuou entre os mais vendidos.

Os queijos que receberam medalhas

Entre os semiduros está o Chuncano, de sabor suave e também produzido em versões temperadas com pimenta moída, orégano ou pimenta-do-reino. A linha inclui ainda medalhões preparados para ir à chapa ou à grelha.

O Monte passa por sete meses de maturação e tem a casca natural tratada com azeite de oliva produzido na região. O queijo conquistou medalha de prata no Concurso Nacional de Queijos de Totoras em 2023 e novamente em 2025.

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Com 12 meses de maturação, o Champaquí integra a categoria dos queijos duros e também recebe azeite de oliva local na casca. O produto ganhou medalha de ouro em 2023 e 2024 entre os queijos duros elaborados com leites especiais.

O Pedro, produzido no estilo Camembert, está entre os queijos macios com fungos da propriedade e recebeu ouro em 2023 e 2024. Já o Azul Chingón, de casca mofada, forte presença de fungos e notas terrosas, conquistou bronze em 2025.

O reconhecimento de maior pontuação ficou com o Emilia, inspirado no queijo francês Crottin e descrito como um produto de textura cremosa e acidez delicada. Em 2025, ele recebeu 100 pontos em 100, medalha de ouro e a distinção de Queijo do Ano.

O registro dos vencedores do Concurso Nacional de Queijos de Totoras de 2025, publicado pelo TodoAgro, identifica o Crottin da Granja Verbena entre os vencedores dos queijos de leites especiais e cita Juan Ignacio Rodríguez entre os mestres queijeiros reconhecidos nessa categoria. A edição reuniu mais de 350 peças.

Além da comercialização dos produtos, a Granja Verbena recebe visitantes interessados em conhecer o trabalho no local. A experiência permite acompanhar uma atividade que começa na ordenha das cabras e segue até a fabricação e a venda dos alimentos produzidos na propriedade.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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