SC
6 min de leitura
Sem nunca ter criado um aplicativo, pai catarinense transforma a dificuldade do filho autista de 3 anos em missão pessoal, passa madrugadas, noites e férias aprendendo tecnologia e cria ferramenta com 600 palavras e 140 sons que acaba ultrapassando 347 mil instalações em 22 idiomas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/09/2026 às 15:33
Atualizado em 02/09/2026 às 15:35
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O que começou como uma tentativa de ajudar uma criança dentro de casa se transformou em um aplicativo com alcance internacional, centenas de milhares de instalações e recursos que unem imagens, sons, personalização e comunicação alternativa.
Tudo começou com uma dificuldade bastante concreta dentro de casa.
Emerson Cargnin queria ajudar o filho Heitor, então com 3 anos, a reconhecer nomes, palavras e sons familiares.
Como não encontrou exatamente o que procurava, decidiu tentar construir a própria ferramenta, mesmo sem experiência anterior no desenvolvimento de aplicativos para celular.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
ANM abre consulta para criar a primeira regra nacional dedicada à segurança de pilhas de mineração, com audiência pública marcada para 11 de setembro
A segurança de pilhas de mineração terá pela primeira vez uma proposta regulatória nacional dedicada ao tema, depois que a ANM abriu consulta até 14 de outubro e marcou audiência…
Paulo Nogueira
0
A iniciativa familiar acabou se transformando no Speak Out Kids, aplicativo gratuito que hoje reúne mais de 600 palavras e frases, mais de 140 sons e suporte a 22 idiomas.
O site oficial do projeto informa atualmente mais de 347 mil instalações pelo mundo, número superior às mais de 240 mil registradas quando a história foi divulgada pela Justiça Eleitoral em 2025.
O aplicativo também continuou recebendo recursos.
Em agosto de 2026, a versão disponível no Google Play já apresentava perfis individuais para diferentes crianças, atividades de matemática, novas categorias e ferramentas de personalização.
Outras funções atuais incluem acompanhamento de atividades, cartões que podem ser impressos e a possibilidade de inserir fotos e vozes conhecidas pela criança.
Speak Out Kids nasceu para ajudar Heitor aos 3 anos
Emerson é analista de sistemas do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, o TRE-SC.
Apesar da profissão ligada à tecnologia, desenvolver aplicativos para celular era uma área nova para ele quando decidiu criar uma ferramenta para o filho.
Segundo relato publicado pelo TRE-SC em abril de 2025, Emerson contou que não possuía experiência anterior com desenvolvimento de aplicativos móveis.
A necessidade de Heitor fez com que ele passasse a dedicar noites, madrugadas, férias e períodos fora do trabalho a estudos e pesquisas sobre como construir a ferramenta.
Heitor é autista, e uma das preocupações do pai era encontrar maneiras de ajudá-lo a aprender nomes de familiares, colegas da escola, objetos e diferentes sons presentes no cotidiano.
Emerson também observava as terapias do filho e passou a pensar em uma ferramenta que pudesse continuar sendo utilizada em casa.
A ideia era permitir que atividades de comunicação e aprendizagem não ficassem restritas aos momentos acompanhados por profissionais.
“Quando levava o Heitor nas terapias, percebia que muitos pais levavam seus filhos, mas poucos participavam das sessões para tentar estimular e aprender com eles em casa. Isso é muito importante, porque é quando passam a maior parte do tempo juntos”, afirmou Emerson ao TRE-SC.
Aplicativo reúne mais de 600 palavras e 140 sons
O resultado dos estudos foi um aplicativo baseado principalmente em recursos visuais e sonoros.
Atualmente, o Speak Out Kids reúne mais de 600 palavras e frases, mais de 140 sons reais e mais de 30 categorias.
A criança pode navegar por imagens, ouvir palavras e explorar situações associadas a elementos do cotidiano.
Parte da proposta utiliza recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa, conhecida pela sigla CAA.
De maneira simples, esse conjunto de estratégias oferece formas complementares de comunicação para pessoas que encontram dificuldades na fala ou precisam de outros recursos para se expressar.
O aplicativo não se limita, porém, a apresentar um catálogo fixo de figuras.
Pais e profissionais podem criar categorias próprias utilizando fotografias da família, brinquedos, animais de estimação, comidas, lugares conhecidos e outros elementos presentes na rotina da criança.
Também é possível adicionar palavras e gravar vozes familiares.
O próprio site oficial do Speak Out Kids ressalta que a ferramenta é complementar e não substitui terapia ou acompanhamento profissional.
A proposta é permitir que famílias, educadores e profissionais adaptem os recursos de acordo com a rotina e as necessidades de cada criança.
Speak Out Kids chegou a usuários em 22 idiomas
Quando uma ferramenta nasce para solucionar uma necessidade tão específica dentro de uma família, não é simples prever até onde ela pode chegar.
No caso do Speak Out Kids, a expansão aconteceu também por meio dos idiomas.
A plataforma oferece atualmente 22 opções linguísticas, incluindo português, inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, japonês, mandarim, hindi, coreano, russo e árabe, entre outras.
Essa característica permite que o mesmo princípio visual seja utilizado por famílias de diferentes países, enquanto palavras e histórias podem ser apresentadas na língua escolhida pelo usuário.
O alcance também mudou consideravelmente.
Quando o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina publicou a história de Emerson, em abril de 2025, a ferramenta já havia ultrapassado 240 mil downloads.
Hoje, o projeto informa mais de 347 mil instalações.
A diferença mostra que o aplicativo continuou circulando depois que a história do pai catarinense ganhou projeção pública.
Assista o vídeo
Fotos e vozes da família podem ser adicionadas ao aplicativo
Um dos elementos que ajudam a explicar a proposta do Speak Out Kids é a possibilidade de substituir conteúdos genéricos por referências conhecidas.
Em vez de a criança visualizar apenas uma imagem padrão associada à palavra “mãe”, por exemplo, a família pode utilizar uma fotografia real e uma gravação de voz.
O mesmo princípio pode ser aplicado a pessoas, objetos, animais e ambientes que fazem parte de sua rotina.
A ferramenta também permite gerar cartões em PDF para impressão, levando parte do conteúdo para fora do celular ou tablet.
Assim, as mesmas referências visuais podem ser utilizadas em casa, na escola ou durante atividades acompanhadas por profissionais.
Outros recursos foram incorporados ao longo do desenvolvimento, como histórias narradas nas quais as palavras são destacadas durante a leitura, jogos de memória, quebra-cabeças, associação entre imagens e sons e atividades matemáticas.
A versão mais recente listada no Google Play também adicionou perfis personalizados por criança, permitindo separar nome, idade, fotografia, configurações e estatísticas de utilização.
A página da loja registra atualização do aplicativo em 18 de agosto de 2026.
Ferramentas permitem acompanhar o uso do Speak Out Kids
A evolução do Speak Out Kids também levou o projeto além da ideia original de apenas reconhecer palavras e sons.
Atualmente, há um painel que apresenta informações como tempo de utilização, atividades concluídas, acertos, categorias preferidas e outros indicadores relacionados ao uso da ferramenta.
Esses dados podem ajudar adultos a observar quais atividades são mais utilizadas pela criança.
O próprio projeto apresenta o recurso como uma forma de acompanhamento, e não como substituto de avaliação clínica ou educacional.
Entre as funções mais recentes também estão atividades de escrita manual para praticar letras, números, palavras e o próprio nome da criança.
Pais passaram a ter ainda a possibilidade de editar, ocultar e reorganizar categorias e imagens presentes nas pranchas de comunicação.
A mudança mostra como um aplicativo inicialmente pensado em torno das necessidades de uma criança foi ganhando novas camadas conforme passou a ser utilizado por um público maior.
Assista o vídeo
Pai criou aplicativo mesmo sem experiência em desenvolvimento móvel
A história do Speak Out Kids chama atenção justamente pelo ponto de partida.
Emerson já trabalhava como analista de sistemas, mas, conforme relatou ao TRE-SC, não tinha experiência no desenvolvimento de aplicativos para celular quando decidiu começar o projeto.
O conhecimento necessário foi sendo construído ao mesmo tempo em que ele tentava resolver um problema observado dentro da própria família.
A ferramenta que começou para ajudar Heitor a reconhecer familiares, colegas, palavras e sons acabou reunindo centenas de conteúdos e chegando a usuários de diferentes idiomas.
Hoje, o aplicativo permanece gratuito para Android e iOS e continua sendo atualizado.
O site oficial mantém a origem familiar do projeto em destaque: a ideia surgiu porque um pai procurava uma maneira prática de ajudar o próprio filho e decidiu estudar como poderia transformar aquela necessidade em uma ferramenta digital.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

