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Separada da família pela guerra civil no Sudão do Sul, jovem vive em campo de refugiados, supera anos de dificuldades e se forma em uma das principais universidades do Canadá para seguir na Enfermagem
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 14/09/2026 às 09:37
Atualizado em 14/09/2026 às 09:38
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Esther Yubo Kassimiro Mogga foi separada da família durante a guerra civil de 2013, buscou refúgio em Uganda, trabalhou em hospital, chegou ao Canadá por programa para refugiados e concluiu graduação com honras
Esther Yubo Kassimiro Mogga foi separada da família quando a guerra civil começou no Sudão do Sul, em 2013. Diante do conflito, ela deixou o país e buscou status de refugiada na vizinha Uganda.
A experiência obrigou Esther a reconstruir a própria vida em outro território. Mesmo vivendo como refugiada, ela conseguiu retomar os estudos, trabalhar na área da saúde e encontrar uma oportunidade para seguir até o ensino superior.
Mais de uma década depois, Esther concluiu um bacharelado com honras em Ciências pela Universidade de Toronto, no Canadá. Sua formação teve concentração em saúde e doença, além de estudos em imunologia, história, filosofia da ciência e tecnologia.
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Paulo Nogueira
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A universidade divulgou sua trajetória em 17 de junho de 2025. Naquele momento, Esther já se preparava para iniciar uma nova formação, desta vez em Enfermagem.
A reconstrução da vida começou ainda durante o período como refugiada em Uganda
Depois de deixar o Sudão do Sul, Esther começou a participar de atividades voltadas ao cuidado de crianças. Ela trabalhou voluntariamente em uma creche e teve contato direto com famílias que também enfrentavam as consequências do deslocamento.
A oportunidade de continuar os estudos surgiu por meio da organização Confident Children out of Conflict. Esther conseguiu frequentar um internato e concluiu o ensino médio depois de ter sua trajetória educacional afetada pela guerra.
Após a formação escolar, ela começou a trabalhar em um hospital de Kampala, capital de Uganda. No local, exerceu funções como recepcionista e técnica de laboratório.
O contato com pacientes e profissionais de saúde ajudou a definir o caminho profissional que Esther seguiria nos anos seguintes. A experiência também reforçou seu interesse por atividades ligadas ao cuidado e ao atendimento de outras pessoas.
Programa para refugiados abriu caminho até a Universidade de Toronto
A mudança para o Canadá ocorreu por meio do Student Refugee Program, administrado pelo World University Service of Canada. O programa oferece a estudantes refugiados a possibilidade de reassentamento e acesso ao ensino superior.
Esther passou a estudar na Universidade de Toronto com apoio do programa. Para ela, a oportunidade representou uma mudança importante depois de anos de incerteza sobre como conseguiria financiar uma formação universitária.
Durante o curso, Esther também passou a colaborar com o próprio Student Refugee Program na universidade. Ela atuou como coordenadora e ajudou novos estudantes patrocinados durante o processo de adaptação à vida acadêmica.
A experiência permitiu que ela ocupasse a posição de apoio que outros estudantes haviam ocupado quando chegou ao Canadá. Ao mesmo tempo, sua história pessoal passou a contribuir para discussões em sala sobre saúde pública, desigualdade e acesso a oportunidades.
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Caio Aviz
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Formação em Ciências manteve foco na área da saúde
Na Universidade de Toronto, Esther escolheu como área principal os estudos de saúde e doença. Também cursou áreas secundárias em imunologia e história e filosofia da ciência e tecnologia.
O interesse pela saúde já existia antes da graduação. Esther havia trabalhado com crianças, colaborado em atividades de cuidado e atuado dentro de um hospital em Uganda.
Durante a universidade, ela também realizou uma experiência clínica como personal support worker em uma residência assistida. O trabalho permitiu contato direto com pessoas que dependiam de acompanhamento diário.
A convivência reforçou sua percepção sobre o impacto de um atendimento centrado no paciente. Esse período também ajudou a aproximá-la de uma nova formação ligada diretamente ao cuidado clínico.
Experiência com pacientes levou à decisão de seguir para Enfermagem
Depois da graduação em Ciências, Esther decidiu continuar os estudos na área da saúde. Seu próximo passo seria um bacharelado acelerado de dois anos em Enfermagem.
O curso pertence à Lawrence Bloomberg Faculty of Nursing, da própria Universidade de Toronto. Esther deveria iniciar a formação no segundo semestre de 2025.
A decisão estava ligada às experiências acumuladas desde Uganda. O trabalho com crianças, a passagem pelo hospital e o contato com pacientes durante a graduação mostraram a ela uma área profissional compatível com seus valores de empatia, serviço e defesa dos pacientes.
Para Esther, a graduação em Ciências funcionou como base acadêmica para esse novo caminho. A formação também marcou a conclusão de uma etapa iniciada anos antes, quando precisou abandonar seu país por causa da guerra.
Graduação encerrou uma trajetória iniciada com a fuga do Sudão do Sul
Entre 2013 e a conclusão do curso no Canadá, Esther passou por mudanças que envolveram deslocamento, retomada dos estudos, trabalho hospitalar e adaptação a um novo país.
Ela deixou o Sudão do Sul como refugiada, viveu em Uganda, concluiu o ensino médio, trabalhou em Kampala e depois conseguiu chegar à Universidade de Toronto por meio de um programa de apoio educacional.
Na instituição canadense, avançou pela graduação e também ajudou outros estudantes refugiados a atravessarem o mesmo processo de adaptação que enfrentou ao chegar.
A conclusão do bacharelado representou a passagem de uma etapa para outra. Depois de se formar em Ciências, Esther escolheu permanecer na área da saúde e direcionar sua preparação para a Enfermagem.
Sua trajetória, portanto, passou de um campo de refugiados e de trabalhos iniciais em Uganda até a graduação em uma universidade canadense e a preparação para uma nova carreira voltada diretamente ao cuidado de pacientes.
Você considera que programas de acesso universitário para refugiados podem transformar de forma definitiva a trajetória de jovens afetados por guerras? Deixe sua opinião e compartilhe esta história.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

