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Sob controle da chinesa CNMC, Mineração Taboca investirá US$ 100 milhões em mineradora no Amazonas para modernizar Pitinga e dobrar capacidade até 2028
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/09/2026 às 13:43
Atualizado em 23/09/2026 às 14:36
Mineração
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Gigante chinesa injeta US$ 100 milhões em mineradora no Amazonas para modernizar Pitinga, ampliar metalurgia e dobrar capacidade produtiva até 2028
Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, a FIEAM, uma das maiores operações minerais do estado entrou em uma nova fase depois de passar ao controle de um grupo chinês. A Mineração Taboca vai aplicar US$ 100 milhões entre 2026 e 2028 em modernização, novas tecnologias e sustentabilidade, com a meta de dobrar sua capacidade produtiva em mineração e metalurgia.
O dinheiro chega pouco mais de um ano depois de a China Nonferrous Metal Mining Group, a CNMC, assumir a companhia, dona da mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo, onde saem estanho, nióbio e tântalo de uma operação que funciona no meio da Amazônia desde 1982.
US$ 100 milhões começam a redesenhar uma operação aberta há 44 anos
José Flávio Alves, presidente executivo da Mineração Taboca, levou os novos números à FIEAM na segunda-feira, 21 de setembro.
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O plano cobre três anos. O foco está em renovar equipamentos, introduzir tecnologia, melhorar eficiência operacional e preparar mina e metalurgia para trabalhar em outra escala. A meta anunciada não é simplesmente extrair mais minério.
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A empresa pretende dobrar a capacidade produtiva considerando as duas pontas da operação: mineração e transformação metalúrgica. É nesse segundo estágio que minerais retirados do solo deixam de ser apenas concentrados e ganham mais valor industrial.
Alves já havia antecipado em março que a companhia preparava cerca de US$ 100 milhões para o Amazonas. Agora, o período de execução e a meta de expansão foram colocados de forma mais clara.
Pitinga pode movimentar 9,2 milhões de toneladas por ano
A mina fica em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.
Dados publicados pela Brasil Mineral mostram que o Complexo Mineiro de Pitinga possui capacidade instalada de 9,2 milhões de toneladas por ano na operação de lavra. A extração acontece em cava a céu aberto, com uso de explosivos.
A rocha carregada até as plantas passa por britagem, moagem e separação.
Uma das estruturas de beneficiamento consegue receber cerca de 6,8 milhões de toneladas de minério por ano, produzindo um pré-concentrado rico em estanho, nióbio e tântalo antes das etapas seguintes.
É sobre uma estrutura desse tamanho que os US$ 100 milhões começarão a atuar.
A mina produziu mais de 730 mil toneladas de minério bruto em 2025
Em 2025, a Taboca registrou 731,1 mil toneladas de minério bruto e aproximadamente 574,3 mil toneladas de minério beneficiado, segundo o levantamento setorial da Brasil Mineral.
A produção incluiu 6.432 toneladas de finos de estanho e 3.712 toneladas de finos contendo nióbio e tântalo.
Na outra ponta da cadeia, a companhia produziu 5.873 toneladas de estanho refinado, além de diferentes ligas metálicas de nióbio e tântalo.
Dobrar capacidade não significa, automaticamente, dobrar cada um desses volumes. A composição do minério, produtividade das plantas e mercado para cada produto continuam entrando na conta.
Mas mostra a escala da mudança buscada pela nova controladora.
A China pagou US$ 340 milhões para assumir a Taboca
A CNMC não chegou ao Amazonas apenas com o pacote anunciado agora. A aquisição começou a ser desenhada em novembro de 2024, quando a peruana Minsur fechou acordo para vender 100% da Mineração Taboca à CNMC Trade Company, subsidiária do grupo chinês.
O negócio atribuiu à empresa brasileira um valor empresarial de US$ 340 milhões. A transferência foi concluída em abril de 2025.
Pouco depois, a CNMC passou a reorganizar a companhia. A nova etapa adiciona mais US$ 100 milhões em modernização e crescimento até 2028.
Entre aquisição e investimentos anunciados, o grupo chinês já vinculou centenas de milhões de dólares a uma operação mineral instalada no Amazonas.
CNMC opera em mais de 40 países e controla uma cadeia inteira de metais
A estatal chinesa CNMC atua no desenvolvimento de recursos minerais, novos materiais, engenharia e comércio. O grupo informa presença em mais de 40 países, 171 subsidiárias e aproximadamente 60% de sua receita gerada fora da China.
A companhia trabalha desde exploração e lavra até beneficiamento e fundição.
Em sua carteira internacional aparecem grandes operações de cobre, cobalto, chumbo, zinco, níquel e outros metais. O próprio grupo informa controlar 28 projetos ligados à mineração na China e no exterior.
Estanho já não precisa carregar o crescimento sozinho
Por décadas, Pitinga ficou fortemente ligada ao estanho. A Taboca continua sendo apresentada como a maior produtora de estanho refinado do Brasil, e sua marca Mamoré é registrada na London Metal Exchange, a Bolsa de Metais de Londres.
Só que o depósito guarda mais coisas. Nióbio e tântalo aparecem junto ao minério extraído e podem ser transformados em ligas metálicas dentro da própria operação.
Em entrevista publicada neste ano, José Flávio Alves explicou que a redução dos teores e o aumento de custos tornaram difícil sustentar uma expansão baseada apenas no estanho. Nióbio e tântalo passaram a representar uma oportunidade de maior valor agregado, justamente numa área em que a CNMC possui tecnologia e experiência.
A mudança de controle trouxe capital, mas trouxe também conhecimento de processamento.
Pitinga já transforma nióbio e tântalo dentro do Amazonas
Parte dessa verticalização já existe. A unidade metalúrgica de Pitinga possui capacidade para receber cerca de 12 mil toneladas de concentrados por ano e produzir até 4,5 mil toneladas anuais de ligas, incluindo ferro-nióbio, ferro-tântalo e ferro-nióbio-tântalo.
O estanho segue outro caminho.
O concentrado é enviado para Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, onde a unidade metalúrgica possui capacidade para produzir cerca de 8 mil toneladas anuais de estanho refinado grau A.
O sistema, portanto, atravessa dois estados. Minério sai de Pitinga, passa por separação e concentração, e cada produto segue a rota industrial correspondente.
Tântalo coloca a operação dentro da disputa por minerais estratégicos
O tântalo parece pequeno diante dos milhões de toneladas movimentadas pela mina, mas seu uso industrial está longe de ser irrelevante.
O metal aparece em componentes eletrônicos de alta confiabilidade e outras aplicações que exigem resistência térmica e química. Nióbio também possui uso importante em ligas especiais e aços de alto desempenho.
A própria Mineração Taboca afirma possuir a maior reserva de tântalo do mundo e vem tratando seus produtos como parte da cadeia de minerais estratégicos.
Esse é um dos pontos que diferenciam Pitinga de uma mina voltada para uma única commodity.
Uma mesma estrutura mineral entrega cassiterita, columbita e tantalita, abrindo mais de uma cadeia industrial.
Operação sustenta mais de 3 mil empregos
A expansão acontece sobre uma empresa que já tem peso econômico relevante no estado. A Brasil Mineral registra 3.324 empregados na Taboca em 2026. Reportagem publicada nesta terça-feira sobre o novo ciclo de investimentos também aponta que a estrutura mantém cerca de 3 mil postos de trabalho.
Quando a CNMC preparava a aquisição, a Secretaria de Estado de Energia, Mineração e Gás do Amazonas informou que aproximadamente 80% dos trabalhadores eram da Região Norte, sendo 60% amazonenses.
A empresa ainda não anunciou quantas novas contratações serão criadas pelo investimento de US$ 100 milhões.
Energia própria abastece boa parte da mina no meio da floresta
Pitinga opera longe dos grandes centros urbanos. Manter uma mina, plantas de beneficiamento, oficinas, alojamentos e metalurgia em uma região remota exige infraestrutura própria.
A Taboca informa que 82% da energia elétrica consumida em Pitinga é gerada por fonte própria considerada limpa, ligada à estrutura hidrelétrica usada pela operação.
O novo ciclo também inclui investimentos classificados pela companhia como sustentabilidade.
A empresa afirma ter aplicado mais de R$ 48 milhões em recuperação de áreas degradadas nos últimos dez anos, com 494 hectares recuperados e mais de 740 mil mudas plantadas desde 2015.
A expansão terá de conviver com esse desafio ambiental em escala maior.
Nova dona quer recuperar competitividade antes de acelerar
O discurso da administração mostra que a primeira preocupação não é apenas volume.
José Flávio Alves afirmou à FIEAM que a prioridade é elevar eficiência operacional e recuperar competitividade.
Modernizar equipamentos pode aumentar recuperação mineral, reduzir paradas, diminuir consumo de energia e permitir que mais metal seja obtido a partir da mesma quantidade de rocha.
Só depois essa eficiência aparece na tonelagem final.
A CNMC chega com capital para fazer essa transição e com uma estrutura internacional que já trabalha com mineração, beneficiamento e metalurgia integrados.
O desafio até 2028 será fazer a meta aparecer na linha de produção
Os US$ 100 milhões já têm uma janela definida: 2026 a 2028. No fim desse período, a administração quer enxergar uma operação com capacidade produtiva aproximadamente duas vezes maior em mineração e metalurgia.
Equipamentos terão de ser comprados e instalados. Processos precisam ser redesenhados, plantas ajustadas e tecnologias incorporadas sem interromper uma operação que continua produzindo e exportando.
A vantagem é que a base industrial já existe.
Pitinga opera desde 1982, a metalurgia já transforma nióbio e tântalo no Amazonas e o estanho sai refinado para mercados internacionais.
A CNMC não está construindo tudo do zero. Está colocando US$ 100 milhões para tentar fazer uma mina de 44 anos trabalhar em outro patamar.
Se a meta for atingida, o movimento chinês no Amazonas deixará de ser apenas uma aquisição de US$ 340 milhões feita em 2025. Passará a aparecer na quantidade de minério processado, nas ligas produzidas e no peso de Pitinga dentro da cadeia mundial de estanho, nióbio e tântalo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

