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Sophia Amoruso começou vendendo roupas vintage no eBay, criou a Nasty Gal, levou a empresa a US$ 100 milhões em vendas e viu império avaliado em US$ 350 milhões terminar em falência
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 12/09/2026 às 14:55
Economia
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Sophia Amoruso saiu de uma pequena loja no eBay para comandar a Nasty Gal, mas o crescimento acelerado antecedeu uma crise que terminou em falência.
Em 2006, Sophia Amoruso tinha 22 anos, pouco dinheiro e trabalhava conferindo crachás no saguão de uma escola de arte quando decidiu começar a vender roupas vintage pela internet. O negócio nasceu no eBay e parecia apenas uma forma de ganhar dinheiro, mas acabou dando origem à Nasty Gal, uma das varejistas digitais de moda que mais cresceram nos Estados Unidos.
O avanço chamou atenção não apenas pela velocidade, mas pela dimensão alcançada em poucos anos. A empresa ultrapassou US$ 100 milhões em vendas, recebeu dezenas de milhões de dólares de investidores e chegou a ser avaliada em US$ 350 milhões. Pouco depois, porém, a estrutura interna começou a mostrar sinais de fragilidade e a companhia acabou entrando em falência.
Sophia Amoruso criou a Nasty Gal vendendo roupas vintage no eBay em 2006
A história da Nasty Gal começou quando Amoruso decidiu transformar seu interesse por roupas antigas em uma pequena operação de comércio eletrônico. Antes disso, ela já havia experimentado vendas pela internet com livros, mas foi no eBay que encontrou uma oportunidade mais promissora.
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Ela comprava peças usadas por valores baixos, fotografava as roupas com amigas como modelos, editava as imagens, escrevia as descrições, media os produtos e preparava os anúncios. Durante aproximadamente um ano e meio, praticamente toda a operação ficou sob sua responsabilidade.
A apresentação das peças também ajudou a diferenciar a loja. Amoruso observava tendências, acompanhava o que aparecia nas passarelas e buscava roupas semelhantes por valores muito menores. A combinação entre preço, imagem e estilo urbano começou a atrair uma clientela fiel.
Crescimento superior a 10.000% transformou pequena loja em potência da moda digital
A transformação aconteceu rapidamente. Segundo os números relatados por Amoruso à BBC Business Daily, o negócio faturou aproximadamente US$ 75 mil no primeiro ano, US$ 250 mil no segundo, US$ 1,1 milhão no terceiro e US$ 6,5 milhões no quarto.
No quinto ano, a receita já alcançava cerca de US$ 30 milhões. Entre 2008 e 2011, as vendas da Nasty Gal cresceram mais de 10.000%, enquanto a empresa ampliava sua presença no comércio eletrônico de moda.
Em 2012, a companhia ultrapassou US$ 100 milhões em faturamento, segundo dados mencionados pela revista Inc. O desempenho também atraiu investidores, que passaram a enxergar a empresa como uma das grandes apostas do varejo digital americano.
Avaliação de US$ 350 milhões marcou o momento em que os problemas começaram
O crescimento levou a Nasty Gal a receber aproximadamente US$ 50 milhões em investimentos. Em determinado momento, a companhia foi avaliada em US$ 350 milhões, valor que colocou Amoruso entre os nomes de maior destaque do empreendedorismo feminino.
A expansão, no entanto, trouxe uma pressão que a estrutura da empresa não conseguiu acompanhar. Em entrevista à BBC Business Daily, Amoruso afirmou que a Nasty Gal passou a ser tratada como uma empresa de tecnologia, embora atuasse no setor de moda.
A diferença começou a pesar. O volume de vendas aumentava, mas a operação precisava de processos, equipes e controle financeiro mais sólidos. Em 2014, a receita caiu para cerca de US$ 85 milhões, sinalizando que o período de crescimento acelerado havia perdido força.
Saída do comando executivo antecedeu demissões e agravamento da crise interna
Em janeiro de 2015, Amoruso deixou o cargo de diretora-executiva da Nasty Gal e passou a atuar como presidente-executiva. Sheree Waterson assumiu a liderança operacional em meio a um cenário cada vez mais delicado.
A empresa começou a enfrentar dificuldades para manter o ritmo de expansão e, posteriormente, vieram demissões. A própria Amoruso reconheceu que o crescimento havia ocorrido rápido demais e que a estrutura interna não tinha amadurecido na mesma velocidade.
Nos meses seguintes, a Nasty Gal passou a procurar uma empresa maior que pudesse comprá-la. A situação financeira, porém, continuou piorando até atingir um ponto em que a companhia já enfrentava dificuldades para pagar fornecedores.
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Nasty Gal entrou em falência depois de anos de crescimento acelerado
A crise chegou ao ponto decisivo quando ficou evidente que a empresa não conseguiria manter suas obrigações financeiras. Amoruso contou à BBC que percebeu que continuar operando seria irresponsável diante da incapacidade de pagar fornecedores.
A Nasty Gal entrou em processo de falência em 2016, encerrando uma trajetória que havia começado apenas uma década antes com uma pequena loja no eBay. O contraste entre o auge e o colapso transformou o caso em uma das histórias mais conhecidas de ascensão e queda do comércio eletrônico de moda.
O problema não estava apenas nas vendas, mas na dificuldade de transformar expansão acelerada em uma operação sustentável. A empresa havia conquistado público, marca e reconhecimento, mas não conseguiu consolidar uma estrutura capaz de sustentar o tamanho que alcançou.
Boohoo comprou ativos da Nasty Gal por US$ 20 milhões em 2017
Em fevereiro de 2017, o grupo britânico Boohoo comprou ativos da Nasty Gal por US$ 20 milhões. A operação envolveu principalmente o nome, o logotipo, os endereços digitais, as redes sociais, a imagem da marca e o banco de dados de clientes.
A Boohoo não adquiriu toda a estrutura anterior da companhia, sua equipe ou suas obrigações operacionais. O que mudou de mãos foi, principalmente, o valor da marca e o público construído ao longo de anos.
A venda marcou o encerramento definitivo daquela fase da Nasty Gal. O império que havia chegado a ser avaliado em centenas de milhões de dólares terminou reduzido a ativos de propriedade intelectual adquiridos por uma fração do valor alcançado no auge.
Sophia Amoruso reconstruiu a carreira depois da queda da Nasty Gal
Depois do colapso da empresa, Amoruso voltou suas atenções para a Girlboss Media, projeto ligado ao livro #GIRLBOSS e a um podcast que acumulou milhões de downloads. A companhia também acabou sendo vendida posteriormente.
Desde 2023, Sophia Amoruso dirige o Trust Fund, um pequeno fundo de capital de risco apoiado por nomes como Paris Hilton. A nova atividade manteve sua ligação com empreendedorismo, investimentos e criação de negócios.
A trajetória iniciada em 2006 permanece marcada por extremos. Sophia Amoruso saiu de uma pequena loja de roupas vintage no eBay para comandar uma empresa avaliada em US$ 350 milhões, mas viu o crescimento acelerado ultrapassar a capacidade da estrutura interna e terminar em falência.
O que você acha que pesou mais na queda da Nasty Gal: o crescimento rápido demais, a pressão dos investidores ou a falta de uma estrutura preparada para sustentar uma empresa avaliada em US$ 350 milhões? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

