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Supervisor encontra em 26 de janeiro de 1905, na África do Sul, diamante bruto de 3.106 quilates durante inspeção em mina, pedra quebra a lâmina usada para cortá-la e seus maiores fragmentos acabam nas joias da Coroa britânica
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 08/09/2026 às 20:37
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Frederick Wells percebeu um reflexo na parede da mina Premier, perto de Pretória, e retirou o Cullinan, diamante de aproximadamente 621 gramas. Comprada pelo governo do Transvaal e entregue ao rei Eduardo VII, a pedra exigiu oito meses de trabalho para produzir nove grandes diamantes, 97 gemas menores e fragmentos
O diamante Cullinan, encontrado pelo supervisor Frederick Wells durante uma inspeção na mina Premier, perto de Pretória, na África do Sul, em 26 de janeiro de 1905, é considerado o maior diamante bruto de qualidade gemológica já descoberto. A pedra pesava 3.106 quilates, o equivalente a aproximadamente 621 gramas, e media 10,1 centímetros de comprimento.
O tamanho, a coloração azul-esbranquiçada e a clareza excepcional fizeram do achado uma das pedras mais celebradas da história. Comprado pelo governo do Transvaal e oferecido ao rei Eduardo VII, o diamante atravessou continentes antes de ser cortado em Amsterdã.
As informações sobre o peso, as dimensões, a lapidação e o destino das pedras foram registradas pela Royal Collection Trust. O Gemological Institute of America (GIA) também identifica o Cullinan como o maior diamante já encontrado.
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Mina Premier, 26 de janeiro de 1905: o reflexo percebido durante a inspeção
Frederick Wells realizava uma inspeção de rotina na mina Premier quando percebeu um brilho na parede da escavação a céu aberto, a poucos metros da superfície.
O supervisor se aproximou e retirou do terreno uma grande pedra cristalina. Embora alguns trabalhadores inicialmente imaginassem que o objeto pudesse ser apenas um pedaço de vidro, as avaliações realizadas em seguida confirmaram que se tratava de um diamante de dimensões inéditas.
O achado ocorreu perto de Pretória, na então colônia britânica do Transvaal, região que atualmente integra a África do Sul.
3.106 quilates e cerca de 621 gramas: as dimensões do Cullinan
Em estado bruto, o Cullinan pesava 3.106 quilates métricos, aproximadamente 621 gramas. A Royal Collection Trust informa que a pedra media 10,1 centímetros por 6,35 centímetros, com 5,9 centímetros de profundidade.
Além do tamanho, o diamante chamava a atenção pela coloração azul-esbranquiçada e pela elevada transparência. A combinação dessas características aumentou ainda mais a importância do mineral.
Segundo o GIA, o peso também pode ser registrado com maior precisão como 3.106,75 quilates. Mesmo com a diferença de arredondamento, o Cullinan permanece reconhecido como o maior diamante bruto de qualidade gemológica já descoberto.
Nome homenageou Thomas Cullinan, presidente da mineradora
A pedra recebeu o nome Cullinan em homenagem a Thomas Cullinan, fundador e presidente da empresa responsável pela mina Premier.
A operação havia começado poucos anos antes da descoberta. De acordo com o GIA, a mina entrou em funcionamento em 1903 e encontrou o diamante recordista apenas dois anos depois.
A jazida, posteriormente rebatizada como mina Cullinan, tornou-se conhecida pela ocorrência de pedras de grandes dimensões. Em mais de um século de exploração, produziu centenas de diamantes com peso superior a 100 quilates.
Governo do Transvaal comprou a pedra e a presenteou ao rei Eduardo VII
Depois de permanecer sem comprador por cerca de dois anos, o diamante foi adquirido pelo governo do Transvaal em 1907.
A intenção era oferecer a pedra ao rei Eduardo VII como demonstração de lealdade e aproximação política após os conflitos ocorridos na região durante a Segunda Guerra dos Bôeres.
O monarca britânico recebeu o Cullinan como presente de aniversário. A partir desse momento, começou a preparação para transformar o enorme cristal bruto em diamantes que pudessem ser incorporados à coleção real.
Transporte para a Inglaterra cercado por preocupação com segurança
Levar uma pedra de valor incalculável da África do Sul para a Inglaterra exigiu uma operação cuidadosa. A possibilidade de roubo levou os responsáveis pelo transporte a evitarem a divulgação do trajeto real.
Relatos históricos descrevem o uso de uma pedra falsa, colocada em um navio sob forte vigilância, enquanto o verdadeiro Cullinan teria seguido discretamente para Londres dentro de uma embalagem comum enviada pelo correio registrado.
Após chegar à Inglaterra e ser entregue ao rei, o diamante ainda precisou fazer outra viagem. A pedra foi encaminhada à oficina da família Asscher, em Amsterdã, considerada uma das principais referências mundiais na lapidação de diamantes naquele período.
Quatro dias para preparar o corte e uma lâmina quebrada no primeiro golpe
O tamanho do Cullinan transformou o corte em um trabalho de elevado risco. Qualquer erro poderia fragmentar o diamante de maneira imprevisível e provocar uma perda irreparável.
De acordo com a Royal Collection Trust, foram necessários quatro dias apenas para preparar o sulco no qual seria posicionada a lâmina responsável pela divisão inicial.
No primeiro golpe, a lâmina de aço se quebrou, mas o diamante permaneceu intacto. Uma segunda ferramenta foi colocada na abertura e conseguiu separar a pedra conforme o plano dos lapidadores.
O episódio ajudou a consolidar a fama do Cullinan. A pedra que havia resistido por milhões de anos sob a superfície também resistiu à primeira tentativa humana de dividi-la.
Três homens trabalharam 14 horas por dia durante oito meses
A divisão inicial representava apenas o começo do processo. Nos oito meses seguintes, três profissionais trabalharam cerca de 14 horas por dia para cortar e polir os fragmentos.
Ao final, o Cullinan havia produzido nove diamantes principais, identificados por números romanos de Cullinan I a Cullinan IX.
A Royal Collection Trust também registra a obtenção de 97 pequenos brilhantes e alguns fragmentos que permaneceram sem polimento.
Os nove diamantes maiores conservaram uma parcela do peso original. Entretanto, grande quantidade de material precisou ser removida durante os cortes para garantir proporções, brilho e estabilidade às pedras finais.
Cullinan I, de 530,2 quilates, foi colocado no Cetro do Soberano
O maior fragmento recebeu o nome Cullinan I e também ficou conhecido como Grande Estrela da África. Após a lapidação, passou a pesar aproximadamente 530,2 quilates.
O rei Jorge V determinou que o diamante fosse incorporado ao Cetro do Soberano com Cruz, uma das peças mais importantes das joias da Coroa britânica.
A pedra pode ser retirada de sua estrutura e utilizada separadamente. Seu tamanho e sua posição no cetro fizeram do Cullinan I um dos diamantes mais conhecidos do mundo.
Cullinan II, de 317,4 quilates, ocupa a Coroa Imperial de Estado
O segundo maior fragmento, chamado Cullinan II ou Segunda Estrela da África, pesa cerca de 317,4 quilates.
A pedra foi instalada na parte frontal da Coroa Imperial de Estado, abaixo do grande espinélio conhecido como Rubi do Príncipe Negro.
Tanto o Cullinan I quanto o Cullinan II permanecem nas insígnias reais. As duas peças são preservadas junto às joias da Coroa e estão diretamente associadas às cerimônias da monarquia britânica.
Cullinan III a IX foram transformados em joias pessoais da família real
Os sete outros grandes diamantes seguiram destinos diferentes. Algumas pedras ficaram inicialmente com a família Asscher como pagamento pelo trabalho de lapidação, mas posteriormente foram compradas e incorporadas à coleção real.
O Cullinan VI foi adquirido pelo rei Eduardo VII e entregue à rainha Alexandra. Outros fragmentos foram comprados pelo governo sul-africano e oferecidos à rainha Mary em 1910.
Os diamantes Cullinan III a IX passaram a integrar joias pessoais, como broches, colares, pingentes e anéis. Em 1953, foram deixados como herança para a rainha Elizabeth II.
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Caio Aviz
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Mais de um século depois, o recorde do Cullinan permanece
O GIA informa que o Cullinan continua reconhecido como o maior diamante bruto de qualidade gemológica já encontrado, mesmo após o desenvolvimento de tecnologias capazes de identificar grandes pedras antes que elas sejam destruídas durante o processamento do minério.
Sistemas modernos de raios X permitem localizar diamantes dentro das rochas e retirá-los antes da passagem por britadores. No início do século XX, porém, pedras grandes corriam maior risco de serem quebradas por explosões ou máquinas utilizadas na mina.
O próprio formato do Cullinan indica que ele provavelmente pertenceu a um cristal ainda maior, partido por processos naturais ou pela atividade de mineração antes de ser encontrado.
Da parede de uma mina às joias da Coroa britânica
O reflexo percebido por Frederick Wells durante uma inspeção em 1905 revelou uma pedra que atravessaria a história da mineração, da lapidação e da monarquia.
O diamante bruto de 3.106 quilates sobreviveu à retirada da mina, a viagens internacionais e até à quebra da primeira lâmina empregada em seu corte.
Mais de um século depois, seus dois maiores fragmentos continuam instalados no Cetro do Soberano e na Coroa Imperial de Estado, enquanto as demais pedras principais permanecem ligadas à coleção de joias da família real britânica.
Na sua opinião, uma descoberta mineral dessa importância deveria permanecer associada à Coroa britânica ou os diamantes Cullinan deveriam retornar à África do Sul como parte de seu patrimônio histórico? Deixe sua opinião nos comentários.
Tags
diamante Cullinan
Fonte
Royal Collection Trust
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

