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Tailândia reage à disparada do GNL com plano de US$ 6 bilhões, quer colocar painéis solares em 1 milhão de casas em apenas 1 ano e adicionar 5 GW para reduzir dependência do gás importado

Tailândia reage à disparada do GNL com plano de US$ 6 bilhões, quer colocar painéis solares em 1 milhão de casas em apenas 1 ano e adicionar 5 GW para reduzir dependência do gás importado

17 min de leitura

Tailândia reage à disparada do GNL com plano de US$ 6 bilhões, quer colocar painéis solares em 1 milhão de casas em apenas 1 ano e adicionar 5 GW para reduzir dependência do gás importado

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 02/09/2026 às 21:19

Atualizado em 02/09/2026 às 21:45

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Governo prevê subsídio de até 50 mil baht por residência, empréstimos baratos e venda do excedente à rede enquanto gás ainda responde por mais de 60% da geração elétrica e metade do GNL comprado pelo país vem do volátil mercado spot

A Tailândia decidiu transformar os telhados de 1 milhão de residências em pequenas usinas solares para reduzir a exposição das famílias às oscilações do gás natural liquefeito. O plano pretende instalar 5 gigawatts de energia solar em apenas um ano e será apoiado por um fundo emergencial de transição energética de 200 bilhões de baht, cerca de US$ 6,01 bilhões. A medida surge depois que o conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais da energia e expôs novamente a dependência tailandesa do GNL importado, conforme informações publicadas pela Reuters em 2 de setembro de 2026.

Além disso, o governo pretende conceder até 50 mil baht, aproximadamente US$ 1,5 mil, por residência, para reduzir o custo inicial de instalação. Bancos estatais também deverão oferecer empréstimos com juros reduzidos, enquanto o modelo de net billing permitirá que famílias vendam parte da eletricidade excedente para a rede.

O tamanho da mudança chama atenção porque o país ainda depende fortemente do gás. Nos primeiros seis meses de 2026, mais de 60% da eletricidade tailandesa veio dessa fonte, enquanto as renováveis, incluindo a solar, responderam por cerca de 10%. Além disso, mais de um quarto do gás usado para gerar eletricidade é importado. Portanto, qualquer disparada internacional do GNL pode chegar rapidamente à conta de energia.

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Plano tenta instalar em 12 meses mais capacidade solar do que muitos países constroem em vários anos

A meta central é direta: 5 GW de painéis solares distribuídos por 1 milhão de residências.

Se o governo conseguir cumprir o cronograma de um ano, a Tailândia realizará uma expansão extremamente acelerada da geração distribuída.

Até o fim de 2025, o país possuía aproximadamente 3,6 GW de capacidade solar de pequena escala, segundo os dados citados pela Reuters.

Imagem Ilustrativa

Assim, apenas esse novo programa poderia mais que dobrar a capacidade instalada nesse segmento.

Além disso, a expansão será incorporada ao novo plano nacional de desenvolvimento elétrico.

Portanto, o governo não trata a iniciativa apenas como uma resposta temporária à crise.

A intenção é usar o choque de preços para acelerar uma mudança estrutural no sistema energético.

Gás ainda responde por mais de 60% da eletricidade do país

A urgência aparece quando se observa a matriz elétrica.

Nos seis primeiros meses de 2026, o gás natural respondeu por mais de 60% da geração de eletricidade da Tailândia.

Enquanto isso, renováveis, incluindo a solar, ficaram em torno de 10%.

Essa concentração aumenta a vulnerabilidade.

Quando o gás fica caro, uma parcela enorme do sistema elétrico sente o impacto.

Além disso, o país não produz internamente todo o volume de que precisa.

Mais de 25% do gás utilizado para geração elétrica vem de importações.

Portanto, a Tailândia não enfrenta apenas o preço doméstico do combustível.

Também precisa acompanhar o mercado internacional.

Metade do GNL comprado pela Tailândia vem do mercado spot

Existe ainda outro fator.

Segundo dados da Kpler citados pela Reuters, aproximadamente metade do GNL adquirido pela Tailândia é comprada no mercado spot.

Esse mercado permite comprar cargas sem contratos de longo prazo.

Porém, os preços podem variar muito rapidamente.

Quando existe excesso de oferta, isso pode ser vantajoso.

Por outro lado, crises geopolíticas, interrupções marítimas ou ondas de frio podem provocar aumentos bruscos.

Foi justamente esse risco que voltou a aparecer em 2026.

Assim, o governo passou a enxergar painéis solares sobre residências não apenas como política ambiental, mas também como proteção contra choques internacionais de energia.

Conflito no Oriente Médio faz GNL voltar ao centro da preocupação

A crise atual reforçou essa estratégia.

O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel afetou fluxos de energia no Oriente Médio e aumentou a volatilidade do mercado de petróleo e gás.

No início de setembro, preços spot asiáticos de GNL estavam acima dos níveis anteriores ao conflito, enquanto embarcações buscavam rotas e operações alternativas para manter cargas em movimento.

Consequentemente, países importadores passaram a procurar formas de reduzir exposição.

A Tailândia não foi a única.

Filipinas e Bangladesh também ampliaram medidas ligadas à energia solar para diminuir dependência de combustíveis importados, segundo a Reuters.

Entretanto, a escala tailandesa se destaca.

Um milhão de casas representa uma transformação distribuída por todo o país.

Governo separa US$ 6 bilhões apenas para transição energética

O dinheiro virá de um pacote emergencial muito maior.

A Tailândia aprovou um decreto de empréstimos de 400 bilhões de baht, aproximadamente US$ 12 bilhões.

Desse total, 200 bilhões de baht serão usados para aliviar os impactos imediatos da crise energética.

Os outros 200 bilhões de baht, cerca de US$ 6 bilhões, ficarão direcionados à reestruturação e transição do setor energético.

Portanto, o programa de telhados solares faz parte de uma estratégia mais ampla.

O país pretende aliviar o custo atual.

Ao mesmo tempo, quer reduzir o risco de enfrentar a mesma vulnerabilidade em crises futuras.

Essa combinação explica por que o governo decidiu financiar mudanças estruturais durante uma emergência.

Cada residência pode receber aproximadamente US$ 1,5 mil de apoio

Para convencer as famílias a participar, o governo precisa enfrentar um obstáculo conhecido: o custo inicial dos painéis.

Por isso, o plano prevê apoio de até 50 mil baht por residência.

Na conversão apresentada pela Reuters, isso corresponde a aproximadamente US$ 1.502.

Além disso, bancos públicos deverão oferecer financiamento com juros mais baixos.

Dessa forma, famílias que não conseguem pagar todo o sistema à vista terão outra alternativa.

O governo tenta, portanto, atacar duas barreiras ao mesmo tempo.

Primeiro, reduz uma parte do preço.

Depois, facilita o financiamento do restante.

A estrutura financeira será determinante para descobrir se o programa conseguirá alcançar a escala de 1 milhão de residências.

Famílias poderão vender eletricidade que não consumirem

Produzir energia durante o dia não significa que toda a eletricidade será consumida imediatamente dentro da residência.

Por isso, o governo também avançou com um sistema de net billing.

Nesse modelo, a casa usa parte da eletricidade produzida pelo próprio telhado.

Depois, a energia excedente pode seguir para a rede.

A política aprovada anteriormente estabeleceu um preço de 2,20 baht por unidade de eletricidade excedente, com contratos de compra por 10 anos.

Além disso, cada medidor pode fornecer até 5 kW dentro desse programa específico.

Dessa forma, o telhado não reduz apenas o consumo comprado da rede.

Em determinados momentos, também pode gerar receita ou crédito para o proprietário.

Primeira política previa 500 MW, mas nova ambição chega a 5 GW

A escala mudou rapidamente durante 2026.

Em uma fase anterior, o governo tailandês havia aprovado uma meta de 500 MW para compra de energia excedente produzida por residências.

Entretanto, o plano apresentado agora pelo ministro de Energia, Akanat Promphan, aponta para 5 GW de capacidade em telhados residenciais.

Ou seja, a nova ambição é dez vezes maior do que aquela meta inicial de compra de excedentes.

Isso mostra como a crise energética acelerou as decisões.

Além disso, o governo passou de uma política de incentivo gradual para uma estratégia de implantação massiva.

Tailândia quer elevar renováveis para 60% da geração elétrica

O plano residencial faz parte de uma transformação maior.

Akanat Promphan afirmou que o novo planejamento energético pretende elevar a participação das renováveis para aproximadamente 60% da geração elétrica nacional.

Nesse cenário, o gás ainda terá papel importante.

Entretanto, sua participação relativa diminuiria.

Essa mudança também reduziria a necessidade de comprar volumes crescentes de combustível no exterior.

Portanto, a estratégia solar possui três objetivos simultâneos:

reduzir contas de energia, limitar exposição ao GNL importado e acelerar a descarbonização.

Solar já perdeu ritmo depois que antigos incentivos acabaram

A Tailândia já foi uma referência regional em energia solar.

Porém, o ritmo de novas instalações diminuiu depois que políticas anteriores de incentivo expiraram, segundo a Reuters.

Assim, o novo pacote também funciona como tentativa de recuperar velocidade.

A diferença está na dimensão.

Em vez de depender principalmente de grandes parques solares, o governo quer transformar consumidores residenciais em produtores.

Dessa maneira, milhares de pequenos sistemas começam a funcionar como uma usina distribuída pelo território.

É uma arquitetura completamente diferente daquela de uma central convencional.

Um milhão de pequenas usinas podem somar 5 GW

Se a meta for distribuída igualmente, o plano equivaleria, em média matemática, a aproximadamente 5 kW de capacidade solar por residência.

Esse cálculo serve apenas para visualizar a dimensão.

Na prática, sistemas individuais poderão variar de tamanho.

Ainda assim, a conta ajuda a mostrar como instalações relativamente pequenas se tornam enormes quando multiplicadas por 1 milhão de telhados.

Um sistema doméstico isolado possui impacto limitado sobre a rede nacional.

Porém, 1 milhão deles somam uma capacidade comparável à de várias grandes usinas.

Assim, a escala nasce da repetição.

Governo também terá de preparar a rede elétrica para tanta energia distribuída

Instalar painéis representa apenas metade do desafio.

A eletricidade precisa entrar em uma rede preparada para receber geração em milhares de pontos.

Por isso, o governo já determinou atualizações nas regras de conexão e nos chamados Grid Codes.

Além disso, concessionárias precisarão garantir que equipamentos e inversores sigam padrões técnicos adequados.

Essa etapa é crucial.

Durante o dia, bairros inteiros podem gerar grande volume de eletricidade simultaneamente.

Depois, quando o sol desaparece, essa produção cai.

Portanto, operadores precisam equilibrar continuamente oferta e demanda.

A expansão solar exige, assim, investimento também em redes, controle e flexibilidade.

Governo começou até a cadastrar empresas responsáveis pelas instalações

A Tailândia abriu um processo específico para registrar fornecedores e instaladores.

As empresas precisam cumprir requisitos definidos pelas concessionárias metropolitanas e provinciais.

Além disso, painéis e inversores devem seguir padrões técnicos e de segurança.

Essa etapa busca evitar um problema previsível.

Quando subsídios criam rapidamente um mercado gigantesco, milhares de consumidores podem contratar instaladores sem experiência suficiente.

Consequentemente, aumentam riscos de falhas elétricas, incêndios ou sistemas com desempenho abaixo do esperado.

Portanto, o governo tenta ampliar o mercado sem abandonar controle de qualidade.

Programa começa com residências, mas muda o planejamento elétrico de 25 anos

A iniciativa também será incorporada ao Power Development Plan, o planejamento de longo prazo do setor elétrico tailandês.

Esse plano cobre aproximadamente 25 anos.

Assim, o governo não pretende remover os painéis da equação depois que a atual crise diminuir.

Pelo contrário.

A geração residencial entrará formalmente na estratégia de expansão elétrica.

Isso modifica a maneira como futuras usinas, redes e contratos de combustível serão planejados.

Se milhões de casas produzirem mais eletricidade durante o dia, o país poderá precisar de uma combinação diferente de geração centralizada.

Solar reduz consumo durante o dia, mas não elimina necessidade de gás à noite

Existe, porém, uma limitação importante.

Painéis solares produzem eletricidade principalmente durante o dia.

Já o consumo nacional continua depois do pôr do sol.

Portanto, 5 GW de capacidade solar não significam 5 GW disponíveis 24 horas por dia.

A Tailândia ainda precisará de fontes capazes de equilibrar a rede.

Isso pode incluir gás, hidrelétricas, armazenamento por baterias e outras tecnologias.

Assim, o programa reduz dependência, mas não elimina imediatamente o GNL.

Essa distinção é importante.

A política funciona como diversificação.

Não como substituição instantânea de toda a matriz atual.

País também procura mais gás dentro de suas próprias fronteiras

Ao mesmo tempo em que acelera a energia solar, a Tailândia não abandona o gás.

O governo pretende ampliar a exploração doméstica.

A estatal PTTEP deverá procurar novas reservas no Mar de Andaman e também avaliar oportunidades relacionadas a Myanmar, segundo a Reuters.

Portanto, a estratégia possui duas frentes.

De um lado, reduzir a quantidade de gás necessária.

Do outro, diminuir a dependência de cargas internacionais mais caras.

Além disso, o país pretende negociar contratos de longo prazo de GNL.

Assim, mesmo o combustível importado poderá chegar com maior previsibilidade de preços.

Contratos longos podem diminuir exposição ao mercado spot

Comprar GNL no mercado spot oferece flexibilidade.

Entretanto, deixa compradores expostos a crises.

Por isso, contratos de longo prazo representam outra ferramenta de proteção.

Eles normalmente definem fórmulas de preço e volumes durante vários anos.

Consequentemente, um choque temporário pode produzir impacto menor.

A Tailândia pretende aumentar justamente essa estabilidade.

Enquanto isso, painéis solares reduzem parte da demanda.

A combinação cria uma espécie de defesa em camadas:

mais energia doméstica, mais renováveis e contratos de gás menos vulneráveis às oscilações imediatas.

Energia solar vira instrumento de segurança energética, e não apenas política climática

Esse talvez seja o ponto mais importante da mudança.

Durante anos, governos justificaram energia solar principalmente pela redução de emissões.

Agora, a Tailândia também apresenta o recurso como proteção econômica.

Quando uma residência produz eletricidade no próprio telhado, ela precisa comprar menos energia da rede naquele período.

Consequentemente, a empresa de eletricidade precisa queimar menos combustível em determinadas horas.

Em escala nacional, isso pode reduzir necessidade de importação.

Assim, o sol funciona também como uma espécie de seguro contra choques externos.

A mudança de estratégia ocorre justamente quando energia barata e previsível volta a ser tratada como vantagem econômica.

Crise mostra como um conflito distante pode chegar à conta de luz

A Tailândia está a milhares de quilômetros do Oriente Médio.

Mesmo assim, uma guerra naquela região pode afetar diretamente o custo da eletricidade dentro de Bangkok.

Isso acontece porque o mercado de energia é global.

Se o transporte de GNL enfrenta riscos ou se compradores disputam menos cargas disponíveis, os preços sobem.

Depois, importadores repassam parte do custo à cadeia energética.

Assim, uma crise geopolítica distante chega ao consumidor doméstico.

A energia solar reduz um pedaço desse elo.

O sol que atinge um telhado tailandês não precisa atravessar estreitos marítimos, ser liquefeito, transportado em navios ou comprado em dólares.

Filipinas e Bangladesh também correm para os telhados

A Reuters destacou que outros grandes importadores asiáticos começaram a seguir estratégia semelhante.

Filipinas e Bangladesh também ampliaram iniciativas de energia solar distribuída diante da alta do GNL.

Essa tendência pode crescer.

A Ásia concentra alguns dos maiores compradores globais de gás natural liquefeito.

Além disso, muitos países da região possuem excelente incidência solar.

Portanto, quando os preços do gás sobem, a comparação econômica muda rapidamente.

Painéis que antes pareciam caros passam a disputar espaço com combustíveis importados cada vez mais voláteis.

5 GW representam uma enorme usina espalhada por casas

O programa também muda a imagem tradicional de infraestrutura energética.

Uma usina de grande porte concentra equipamentos em uma única área.

Já a geração distribuída espalha milhares de pequenas instalações.

No caso tailandês, seriam até 1 milhão de pontos diferentes.

Isso reduz a necessidade de encontrar uma área única para construir uma planta gigantesca.

Por outro lado, aumenta a complexidade operacional.

Cada casa precisa de projeto.

Cada instalação precisa seguir padrões.

Além disso, cada inversor precisa interagir corretamente com a rede.

Portanto, o desafio não está apenas na quantidade total de painéis.

Está em executar 1 milhão de pequenos projetos dentro de um período muito curto.

Prazo de apenas 1 ano será um dos maiores testes do programa

A ambição de instalar 5 GW em um ano exige uma cadeia de suprimentos enorme.

Serão necessários painéis.

Também haverá demanda por inversores, estruturas metálicas, cabos, medidores e mão de obra.

Além disso, empresas precisarão realizar inspeções e conexões.

Consequentemente, um programa energético se transforma também em desafio industrial e logístico.

A Tailândia precisará garantir equipamentos suficientes sem comprometer padrões de qualidade.

Ao mesmo tempo, concessionárias deverão processar um número excepcionalmente alto de pedidos.

Portanto, o maior risco pode não estar na falta de interessados.

Pode estar na velocidade necessária para atender todos eles.

Subsídio pode movimentar bilhões mesmo antes de considerar os empréstimos

Se 1 milhão de residências recebessem o valor máximo de 50 mil baht, o desembolso teórico poderia alcançar até 50 bilhões de baht.

Esse cálculo representa apenas uma referência matemática baseada no teto anunciado.

O governo ainda poderá definir regras, limites e diferentes níveis de apoio.

Portanto, não significa que exatamente 50 bilhões serão desembolsados.

Ainda assim, mostra por que o programa precisa de um fundo de grande escala.

Além disso, bancos estatais oferecerão empréstimos para cobrir parte dos custos restantes.

Assim, recursos públicos podem mobilizar investimentos privados ainda maiores.

Programa pode criar novo mercado para instaladores e fabricantes

Uma expansão de 5 GW também cria oportunidades econômicas.

Empresas de energia solar precisarão aumentar equipes.

Distribuidores precisarão importar ou fabricar equipamentos.

Além disso, eletricistas, projetistas e técnicos podem encontrar uma demanda muito maior.

Consequentemente, o programa não movimentará apenas o setor energético.

Ele também pode estimular serviços, logística e construção.

Entretanto, crescimento rápido traz riscos.

Se a demanda superar a oferta, preços podem subir.

Por isso, a fiscalização e o cadastro de fornecedores terão papel importante.

Tailândia tenta evitar que subsídio seja acompanhado por instalação de baixa qualidade

A regulamentação busca justamente impedir esse efeito.

O governo exige equipamentos que cumpram padrões técnicos, incluindo normas IEC e especificações nacionais.

Além disso, concessionárias participarão do processo de habilitação dos fornecedores.

Dessa forma, o subsídio público estará ligado a sistemas que atendam critérios mínimos.

O objetivo é proteger o consumidor.

Também reduz o risco para a própria rede.

Afinal, um milhão de instalações inadequadas poderiam criar problemas muito maiores do que alguns sistemas isolados.

Net billing pode transformar consumidor em participante ativo do sistema elétrico

Com painéis e venda de excedentes, a relação tradicional muda.

Antes, a residência apenas consumia eletricidade.

Agora, ela também pode produzir.

Em algumas horas, compra energia.

Em outras, envia energia para a rede.

Esse modelo cria o chamado prosumidor, alguém que simultaneamente produz e consome.

Conforme o número de participantes cresce, concessionárias precisam mudar sistemas de medição, faturamento e planejamento.

Assim, a transformação não acontece apenas sobre os telhados.

Também chega aos sistemas administrativos das empresas de eletricidade.

A meta de 60% de renováveis exigirá mudanças muito além dos painéis residenciais

Mesmo que o projeto alcance 5 GW, a Tailândia ainda precisará de outras fontes renováveis para chegar a 60% da geração elétrica.

Serão necessários grandes parques solares.

Além disso, outras tecnologias deverão ganhar participação.

Redes de transmissão e armazenamento também precisarão acompanhar.

Portanto, os telhados representam uma parte de uma mudança maior.

Ainda assim, possuem uma vantagem política importante.

O benefício aparece diretamente na residência.

O consumidor consegue visualizar o equipamento.

Além disso, pode perceber redução do consumo comprado da rede.

Isso torna o programa muito mais tangível do que grandes projetos distantes.

Governo transforma crise de energia em financiamento para uma mudança de décadas

O decreto emergencial mostra a estratégia.

Dos 400 bilhões de baht autorizados, metade enfrenta o choque imediato.

A outra metade tenta mudar o sistema que deixou o país exposto ao choque.

Essa divisão é incomum.

Normalmente, políticas emergenciais concentram recursos apenas em subsídios temporários.

Aqui, porém, o governo separou 200 bilhões de baht para transição energética.

Portanto, a crise financia também infraestrutura que continuará existindo depois que o preço do GNL cair.

É uma tentativa de evitar que o próximo choque encontre exatamente a mesma matriz energética.

Tailândia não abandona o gás, mas tenta deixar de depender tanto dele

Apesar da ambição solar, o gás continuará relevante.

Ele possui flexibilidade para responder rapidamente a mudanças de demanda.

Além disso, usinas existentes ainda têm anos de vida operacional.

Por isso, o país tenta reorganizar o equilíbrio.

A energia solar cresce.

Enquanto isso, a produção doméstica de gás pode aumentar.

Além disso, contratos de longo prazo substituem parte das compras spot.

Dessa maneira, a estratégia não depende de uma única solução.

O objetivo é reduzir vulnerabilidade.

Uma crise de GNL pode acelerar mudança que políticas anteriores não conseguiram

A Tailândia já possuía metas solares antes da atual crise.

Entretanto, instalações haviam perdido ritmo.

Agora, preços de energia elevados mudaram o incentivo econômico.

Assim, aquilo que anteriormente funcionava principalmente como política climática também vira medida de proteção ao consumidor.

Essa mudança pode acelerar decisões.

Famílias passam a enxergar o painel como redução da conta.

O governo enxerga menor dependência de importação.

E o sistema elétrico ganha uma fonte doméstica.

A mesma pressão por energia pode produzir respostas completamente diferentes conforme a estrutura de cada país.

De 3,6 GW para mais 5 GW, telhados podem mudar a escala da geração distribuída

No fim de 2025, a capacidade solar de pequena escala estava estimada em aproximadamente 3,6 GW.

Agora, o governo quer adicionar outros 5 GW em apenas um ano.

Se a meta for cumprida, o salto será enorme.

Além disso, 1 milhão de famílias passará a participar diretamente da geração elétrica.

Cada uma poderá reduzir consumo.

Muitas também poderão vender excedentes.

Ao mesmo tempo, o país reduzirá parte da eletricidade que precisaria produzir queimando gás.

Por isso, o impacto não ficará restrito aos telhados.

Ele aparecerá também nos terminais de GNL, nas usinas e no planejamento da rede.

US$ 6 bilhões, 1 milhão de casas e 5 GW resumem a aposta tailandesa

Os números deixam clara a escala.

O fundo de transição energética possui aproximadamente US$ 6,01 bilhões.

O governo quer alcançar 1 milhão de residências.

A meta é instalar 5 GW de painéis solares em um ano.

Cada família poderá receber até 50 mil baht de apoio, além de acesso a crédito.

Enquanto isso, o gás ainda responde por mais de 60% da geração elétrica, e uma parcela importante vem do exterior.

Portanto, o governo tenta utilizar uma crise internacional para alterar uma dependência construída durante décadas.

Em vez de apenas subsidiar a conta enquanto o GNL permanece caro, a Tailândia quer colocar geração diretamente sobre as casas.

Se conseguir cumprir a meta, o país terá transformado 1 milhão de telhados em parte de sua defesa contra a próxima disparada internacional do gás.

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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