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Técnico do Senai Cimatec que opera a planta piloto de Camaçari tirou o primeiro concentrado de terras raras do depósito Monte Alto, com o instituto bancando 59% do custo da etapa seguinte

Técnico do Senai Cimatec que opera a planta piloto de Camaçari tirou o primeiro concentrado de terras raras do depósito Monte Alto, com o instituto bancando 59% do custo da etapa seguinte

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Técnico do Senai Cimatec que opera a planta piloto de Camaçari tirou o primeiro concentrado de terras raras do depósito Monte Alto, com o instituto bancando 59% do custo da etapa seguinte

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 11/09/2026 às 13:04

Atualizado em 11/09/2026 às 13:52

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A planta piloto instalada em Camaçari, na Bahia, produziu o primeiro concentrado de terras raras do depósito Monte Alto. O instituto de tecnologia do Senai Cimatec entrou como parceiro e vai bancar cinquenta e nove por cento do custo de capital e operação da etapa seguinte, prevista para o segundo trimestre de 2027.

O anúncio saiu em 8 de setembro de 2026. É um marco pequeno em volume e grande em significado, porque o Brasil tem as reservas e quase não processa.

O concentrado inclui óxido de neodímio e praseodímio, o par que o mercado chama de NdPr e que é a matéria-prima dos ímãs permanentes.

NdPr é o que faz girar motor elétrico e turbina eólica

Neodímio e praseodímio formam o ímã permanente de alto desempenho. Ele está dentro do motor do carro elétrico, do gerador da turbina eólica, do disco rígido e do fone de ouvido.

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Sem esse ímã, a eletrificação não acontece na escala que o mundo projeta. Por isso o NdPr virou item de segurança econômica em vários países.

O Brasil tem a segunda maior reserva conhecida do planeta e extrai uma fração mínima disso.

A distância entre reserva e produção é o retrato do setor. Ter o minério no subsolo não gera emprego, não gera imposto e não gera tecnologia enquanto não existir planta capaz de separar os elementos e entregar óxido puro.

O depósito Monte Alto também traz terras raras pesadas e uraninita

Além do NdPr, o material processado na planta piloto rende concentrado de terras raras pesadas e uraninita.

As pesadas são o grupo mais escasso e mais valorizado, usado em aplicação de alta temperatura e em defesa. A uraninita é minério de urânio, e sua presença adiciona camada regulatória ao projeto.

Portanto, não se trata de um minério simples. Trata-se de um pacote que exige rota química específica.

O Senai Cimatec banca 59% da etapa 2 com 1,7 milhão de dólares australianos

O acordo prevê que o Senai Cimatec contribua com 1,7 milhão de dólares australianos, o equivalente a 59% dos custos de capital e operacionais da planta da segunda etapa.

É um arranjo relevante. Um instituto brasileiro de tecnologia entrando como cofinanciador, e não apenas como prestador de serviço.

Vejo aí o detalhe mais importante do anúncio. Ele indica intenção de reter conhecimento de processo no país, e não só de exportar minério bruto.

A etapa 2 é onde a química de verdade começa

O que a planta fez até aqui foi concentração. Ou seja, separar o mineral útil do estéril e entregar um produto com teor mais alto.

A segunda etapa estende o programa metalúrgico para extração hidrometalúrgica e separação, que é a parte difícil e cara da cadeia de terras raras.

Separar os elementos entre si exige centenas de estágios de troca, porque as propriedades químicas deles são quase idênticas. É esse o gargalo que a China dominou.

Uraninita no minério muda o licenciamento do projeto

A presença de urânio no pacote mineral não é detalhe. No Brasil, material radioativo tem tratamento regulatório próprio e envolve órgão específico no licenciamento.

Portanto, o cronograma de um projeto assim depende de duas trilhas paralelas. Uma técnica, de engenharia de processo, e outra regulatória, que corre no seu próprio ritmo.

É um fator que costuma explicar por que projeto de terras raras demora mais do que projeto de ferro ou de ouro do mesmo porte.

A meta de custo é de 21 dólares por quilo equivalente de NdPr

O estudo de escopo do projeto aponta custo-alvo de US$ 21 por quilo de NdPr equivalente.

Esse número é a chave comercial de qualquer projeto de terras raras fora da Ásia. Ele define se a operação sobrevive quando o preço internacional cai.

Meta de escopo, contudo, não é custo realizado. Ela precisa ser confirmada nas etapas seguintes de engenharia.

Estudo de escopo trabalha com margem de erro larga, na casa de dezenas de pontos percentuais. Por isso o número serve para orientar decisão de seguir ou parar, e não para fechar contrato de venda.

A francesa Carester entrou como especialista em separação

O projeto conta ainda com a Carester, companhia francesa especializada justamente em separação de terras raras.

É a competência que falta no Brasil. Trazer um parceiro com histórico nessa etapa encurta caminho e reduz risco técnico.

Assim, o desenho combina minério brasileiro, instituto brasileiro de tecnologia e conhecimento europeu de separação.

É um arranjo que evita o erro clássico de projeto brasileiro no setor: montar concentração aqui e mandar o material para separar fora, entregando de graça a etapa que concentra margem e conhecimento.

Camaçari já tem a infraestrutura industrial que o projeto precisa

Instalar a planta piloto em Camaçari não é detalhe geográfico. O polo baiano tem energia, utilidades industriais, mão de obra técnica e logística portuária.

Além disso, o Senai Cimatec fica ali, o que coloca laboratório e operação no mesmo eixo.

Para quem quer transformar reserva em cadeia produtiva, essa proximidade vale tanto quanto o teor do minério.

O polo também tem histórico de qualificação industrial. Assim, a formação de operador e de técnico de processo não precisa começar do zero, que costuma ser o gargalo silencioso de projeto instalado longe de centro industrial.

O que ainda não foi divulgado

A companhia não informou a tonelagem do concentrado produzido nem o número de empregos da planta piloto.

São dados que costumam sair quando o projeto avança para estudo de viabilidade. Por enquanto, o que existe é a confirmação de que a rota funciona em escala piloto.

O detalhamento técnico do anúncio está na Mining Weekly.

Reserva parada não vira indústria sozinha

O Brasil convive há anos com o mesmo diagnóstico: reserva enorme, produção pequena, processamento quase nulo.

O que muda esse quadro não é descoberta nova, e sim planta que separa. É exatamente o degrau que o projeto de Camaçari está tentando subir.

Quem acompanha o setor pode ver também como os projetos de terras raras avançam no país. O que você acha desse caminho?

O Brasil deveria exportar minério de terras raras ou insistir em processar aqui dentro?

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Fonte

Mining Weekly — Brazilian Rare Earths produces first rare earth concentrate from pilot plant


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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