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Técnico que trabalhava cerca de 90 horas por semana passou a vasculhar descartes de lojas, encontrou laptop de £1 mil e afirma ganhar cerca de £50 mil por ano
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 05/09/2026 às 13:42
Atualizado em 05/09/2026 às 13:43
Economia
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A mudança começou em 2023, quando Amir Jardan passou a praticar dumpster diving para economizar dinheiro, recuperar mercadorias descartadas por lojas e criar uma nova fonte de renda para a família
Amir Jardan tinha 39 anos quando decidiu procurar valor onde muita gente enxergava apenas lixo. Depois de trabalhar cerca de 90 horas por semana como técnico de alarmes de incêndio em Dorset, na Inglaterra, ele começou a vasculhar descartes de lojas e encontrou uma forma diferente de complementar o orçamento.
A prática é conhecida como dumpster diving, expressão usada para a busca de objetos aproveitáveis em recipientes e áreas de descarte. No caso de Jardan, a atividade começou em 2023 e deixou de ser apenas uma maneira de economizar, pois passou a envolver recuperação, reaproveitamento, revenda e doação de produtos.
A informação foi publicada por Reuters, agência internacional de notícias e informações financeiras, em 14 de abril de 2026 e recebeu atualização em 19 de abril de 2026. A história mostra como uma rotina marcada por muitas horas de trabalho acabou dando lugar a uma atividade baseada no valor de mercadorias que o varejo havia jogado fora.
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Paulo Nogueira
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Cerca de 90 horas de trabalho por semana mal cobriam as despesas familiares
Antes de começar a procurar itens descartados, Jardan trabalhava como técnico de alarmes de incêndio. Ele afirmou que chegava a cumprir cerca de 90 horas por semana, mas a longa jornada mal cobria as despesas da família.
A situação financeira criou a necessidade de procurar outras maneiras de reduzir gastos. Em vez de começar por um novo emprego ou por um investimento alto, ele passou a observar produtos que lojas descartavam e que ainda poderiam ter alguma utilidade.
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Essa mudança alterou a relação de Jardan com o consumo. Objetos que antes poderiam terminar definitivamente no lixo passaram a ser avaliados pela possibilidade de uso, reparo, revenda ou doação.
Guarda roupa de £330 ajudou a revelar o valor que ainda existia nos descartes das lojas
Um dos achados decisivos foi um guarda roupa que novo custava £330. O móvel tinha poucos parafusos faltando, problema pequeno diante do valor que o produto ainda representava.
A descoberta reforçou a percepção de que parte do descarte comercial não era formada apenas por objetos sem utilidade. Alguns produtos ainda podiam ser usados ou recuperados com intervenções simples.
Foi a partir dessa lógica que o dumpster diving deixou de ser apenas uma curiosidade. Para Jardan, tornou se uma maneira prática de transformar mercadorias rejeitadas pelo varejo em economia dentro de casa e, em alguns casos, em dinheiro por meio da revenda.
Atividade iniciada em 2023 passou a gerar cerca de £50 mil por ano
Com o tempo, a busca por descartes virou ocupação integral. Jardan afirma que a atividade rende aproximadamente £50 mil por ano, valor que contrasta com a fase em que cerca de 90 horas semanais de trabalho mal bastavam para pagar as contas familiares.
Reuters, agência internacional de notícias e informações financeiras, registrou alguns dos objetos encontrados por ele, entre eles um laptop avaliado em £1 mil e uma bolsa de cerca de £200. Os exemplos ajudam a dimensionar quanto valor pode permanecer em mercadorias que já saíram do circuito normal de venda.
Nem todo produto encontrado, porém, vira renda. Parte dos itens é usada pela própria família, parte é revendida e outra parcela é doada, criando destinos diferentes para objetos que poderiam simplesmente seguir para o lixo.
Reaproveitamento de produtos também reduziu compras dentro da própria casa
A mudança não ficou restrita ao dinheiro obtido com as vendas. Jardan e sua família passaram a reaproveitar parte dos produtos encontrados, reduzindo a necessidade de comprar determinados objetos novos.
Esse comportamento aproxima o caso da economia circular, modelo em que produtos e materiais permanecem em uso por mais tempo antes de serem descartados. Na prática, significa aproveitar aquilo que ainda funciona, reparar quando possível e evitar que um objeto útil seja tratado imediatamente como lixo.
A doação também faz parte desse processo. Mercadorias aproveitáveis que não são necessárias dentro de casa e não seguem para revenda podem chegar a outras pessoas, ampliando o tempo de uso dos produtos.
História coloca desperdício do varejo, dinheiro e consumo no centro da mesma discussão
O caso de Jardan mostra um contraste direto entre descarte comercial e valor econômico. Um guarda roupa de £330, um laptop de £1 mil e uma bolsa de cerca de £200 representam produtos que ainda tinham valor mesmo depois de terem sido colocados entre itens descartados.
Ao mesmo tempo, a trajetória evidencia como a pressão financeira pode mudar hábitos de consumo. O que começou em 2023 como uma tentativa de aliviar as despesas familiares acabou se transformando em ocupação integral e em uma renda anual que ele calcula em cerca de £50 mil.
A história também levanta uma questão sobre o destino de mercadorias ainda aproveitáveis. Quando um produto pode ser usado, reparado, vendido ou doado, seu descarte imediato representa a perda de um valor que ainda existe, seja em dinheiro, seja em utilidade.
Amir Jardan saiu de uma rotina de cerca de 90 horas de trabalho por semana para uma atividade baseada em recuperar o que lojas haviam rejeitado. O ponto mais marcante não está apenas nos £50 mil anuais que ele afirma ganhar, mas na mudança de olhar sobre aquilo que normalmente seria chamado de lixo.
O caso conta com renda, reaproveitamento e consumo em uma mesma história. Se você encontrasse um produto valioso descartado por uma loja, tentaria recuperá-lo, usá-lo ou revendê-lo? Compartilhe a matéria e deixe sua opinião nos comentários.
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

