Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Terreno de 944 mil m² em Campinas começa a virar mega data center de IA: projeto parte de R$ 5 bilhões, terá 216 MW, pode chegar a R$ 20 bilhões e prevê 3,6 mil empregos

Terreno de 944 mil m² em Campinas começa a virar mega data center de IA: projeto parte de R$ 5 bilhões, terá 216 MW, pode chegar a R$ 20 bilhões e prevê 3,6 mil empregos

SP

9 min de leitura

Terreno de 944 mil m² em Campinas começa a virar mega data center de IA: projeto parte de R$ 5 bilhões, terá 216 MW, pode chegar a R$ 20 bilhões e prevê 3,6 mil empregos

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 09/09/2026 às 20:31

Atualizado em 09/09/2026 às 20:37

Economia

Canal

Projeto de data center em Campinas prevê grande infraestrutura tecnológica, capacidade elétrica elevada e expansão para aplicações de inteligência artificial. Ilustração

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Terranova recebeu autorização para iniciar o Campus Campinas em Barão Geraldo; complexo terá 115 mil m² construídos, subestação de 300 MW e infraestrutura preparada para crescer até 1 GW

Um terreno de aproximadamente 944 mil metros quadrados em Campinas, no interior de São Paulo, começou a ser transformado em uma infraestrutura criada especificamente para uma das atividades que mais pressionam redes elétricas atualmente: o processamento de inteligência artificial. O Campus Campinas parte de um investimento anunciado em cerca de R$ 5 bilhões, terá 216 MW de capacidade de TI na primeira fase e poderá receber novas expansões que elevem os aportes acumulados para até R$ 20 bilhões.

O anúncio ocorreu em 20 de agosto de 2026, durante cerimônia na Fazenda Pau D’Alho, em Barão Geraldo. Na ocasião, a Prefeitura de Campinas entregou à Terranova o alvará que autoriza a implantação do empreendimento no Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, o PIDS. A administração municipal também informou expectativa de aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos ligados ao projeto.

Mas os bilhões representam apenas uma parte da escala.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Quem quiser entrar na Transpetro tem até 14 de setembro para disputar uma das 4.171 oportunidades do concurso, com salário inicial que chega a R$ 15 mil e prova marcada para 29 de novembro

Quem quiser entrar na Transpetro tem até o dia catorze de setembro para disputar uma das quatro mil cento e setenta e uma oportunidades do concurso, com salário inicial que…

Paulo Nogueira

0

Dos quase 944 mil m² do terreno, cerca de 115 mil m² serão destinados às edificações. A infraestrutura elétrica começará com uma subestação de 300 MW, enquanto áreas já reservadas permitirão ampliar a capacidade computacional de 216 MW para 386 MW em fases posteriores. No longo prazo, a infraestrutura energética foi concebida com potencial para chegar a 1 gigawatt.

É justamente essa combinação de terreno, energia e capacidade computacional que transforma o projeto em algo maior do que um conjunto de galpões cheios de servidores.

De 216 MW para 386 MW: IA coloca a eletricidade no centro do projeto

Por fora, um data center pode lembrar um enorme complexo industrial fechado.

Por dentro, entretanto, milhares de servidores precisam funcionar continuamente, processando informações, treinando modelos e executando aplicações digitais sem interrupções prolongadas.

No Campus Campinas, a primeira fase prevê 216 MW dedicados aos equipamentos de tecnologia da informação.

Esse número não deve ser confundido com a capacidade total da subestação.

A instalação elétrica terá inicialmente 300 MW, com energização indicada para dezembro de 2027, segundo informações divulgadas pelo Data Center Dynamics. O planejamento permite que essa estrutura seja ampliada futuramente para até 1 GW.

Já a capacidade destinada diretamente à infraestrutura computacional poderá crescer de 216 MW para 386 MW.

É um salto que acompanha uma transformação já observada em diversos mercados: a inteligência artificial está exigindo instalações digitais cada vez maiores e mais intensivas em energia.

O CPG já mostrou como essa expansão colocou a eletricidade no centro da corrida brasileira por infraestrutura digital, com dezenas de gigawatts em pedidos de conexão apresentados ao sistema elétrico.

Corrida por data centers no Brasil aumenta pressão sobre energia crítica

R$ 5 bilhões abrem o projeto, mas expansão pode levar investimento acumulado a R$ 20 bilhões

A Prefeitura de Campinas apresentou o empreendimento com um investimento inicial de aproximadamente R$ 5 bilhões.

Nas fases seguintes, o volume poderá alcançar R$ 20 bilhões, conforme a expansão da estrutura.

Existe, porém, uma diferença importante entre os diferentes números divulgados sobre os aportes.

O Data Center Dynamics informou que a construção e instalação da primeira fase pela Terranova supera US$ 500 milhões, aproximadamente R$ 2,6 bilhões na conversão utilizada pela publicação. O veículo acrescenta que os próprios clientes finais deverão investir valores adicionais em processadores, servidores e outros equipamentos instalados dentro do campus.

Isso ajuda a explicar por que números diferentes podem aparecer ao se medir um empreendimento desse tipo.

Uma coisa é o investimento na infraestrutura física do operador.

Outra é o capital necessário para preencher os edifícios com servidores, aceleradores de IA, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e demais componentes tecnológicos.

E essa segunda camada pode representar bilhões adicionais.

Mais de 3 mil trabalhadores podem passar pelo canteiro antes de servidores começarem a operar

O número de empregos também muda conforme a fase observada.

A Prefeitura de Campinas divulgou uma expectativa de aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos relacionados ao empreendimento.

Já dados apresentados pela Terranova ao setor de data centers indicam aproximadamente 3 mil trabalhadores no pico da construção, entre mão de obra direta e indireta.

Quando o complexo entrar na fase operacional, a dinâmica muda.

A estimativa divulgada pelo Data Center Dynamics é alcançar cerca de 650 profissionais especializados em um horizonte de cinco anos.

Essa diferença é importante.

Megaobras de infraestrutura mobilizam milhares de pessoas durante terraplenagem, fundações, construção civil, montagem elétrica e instalação de sistemas.

Depois, quando o ativo começa a operar, a mão de obra passa a ser menor e mais especializada.

Durante a implantação, o projeto deverá criar demanda para áreas como engenharia civil, terraplenagem, estruturas, instalações elétricas, subestações, geração de emergência, cabeamento, fibra óptica, automação, segurança, combate a incêndio e sistemas de refrigeração.

Resfriamento líquido em circuito fechado tenta atacar um dos maiores problemas dos data centers de IA

Quanto maior a densidade computacional, maior também o desafio de retirar calor dos equipamentos.

É por isso que uma das tecnologias destacadas no Campus Campinas não está diretamente ligada à capacidade de processamento.

Está ligada à água e à refrigeração.

O empreendimento foi projetado com resfriamento líquido em circuito fechado.

Segundo a Terranova, a tecnologia permite reutilizar o fluido empregado no sistema e reduzir significativamente a necessidade de consumo contínuo de água para resfriar os processadores. A empresa também associa o desenho à redução do consumo energético necessário para climatização.

O tema ganhou importância porque data centers de inteligência artificial concentram chips com enorme densidade de potência.

Sistemas convencionais baseados principalmente em circulação de ar tornam-se progressivamente menos eficientes conforme a quantidade de calor produzida por cada rack aumenta.

É por isso que o resfriamento líquido começa a aparecer em projetos desenhados especificamente para a nova geração de aceleradores de IA.

Dos 944 mil m², cerca de 285 mil serão preservados ou destinados ao município

O tamanho do terreno também chama atenção.

Com aproximadamente 944 mil m², o Campus Campinas ocupará uma área equivalente a dezenas de quarteirões urbanos.

Entretanto, apenas uma parte será coberta por instalações.

Cerca de 115 mil m² serão destinados à área construída, enquanto aproximadamente 285 mil m² deverão permanecer como áreas verdes ou ser destinados ao município.

O planejamento inclui ainda infraestrutura urbana, como vias públicas e sistemas para tratamento de água e esgoto.

A localização também não foi escolhida por acaso.

O projeto ficará no Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, em Barão Geraldo, região marcada pela proximidade com universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia.

Segundo a administração municipal, a Terranova tornou-se a primeira empresa a receber incentivo fiscal para instalação dentro do PIDS.

Campinas entra numa corrida brasileira que já movimenta dezenas de bilhões

O projeto paulista não aparece isoladamente.

O Brasil vive uma corrida por data centers puxada pelo crescimento da computação em nuvem e, principalmente, pelo avanço da inteligência artificial.

O próprio CPG já mostrou que o país lidera o mercado latino-americano de data centers, concentra aproximadamente metade da capacidade regional e tem projeções de receber dezenas de bilhões de reais em novos investimentos.

Brasil virou a bola da vez dos data centers e pode receber entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos

Outro levantamento publicado pelo CPG mostrou que a capacidade brasileira do segmento caminha para uma expansão importante até o fim da década.

Mercado de data centers do Brasil pode chegar a 1,8 GW até 2029

Campinas passa a disputar uma parcela desse mercado com uma vantagem específica: um ecossistema consolidado de universidades, telecomunicações, tecnologia e profissionais especializados.

Enquanto Campinas mira 386 MW de TI, Ceará desenvolve outro megaprojeto ligado ao TikTok

A dimensão dessa corrida fica mais clara quando o projeto paulista é colocado ao lado de outros anúncios brasileiros.

No Ceará, por exemplo, o país já acompanha um megacomplexo de data centers ligado à ByteDance, dona do TikTok, cuja escala de investimento projetada pode alcançar dezenas de bilhões de dólares em diferentes fases.

Complexo de data centers ligado à dona do TikTok pode movimentar R$ 200 bilhões no Ceará

Outro aspecto semelhante entre os projetos é a importância da energia.

No Ceará, acordos bilionários já foram estruturados justamente para garantir eletricidade ao complexo.

Data center do TikTok fecha acordo de R$ 10 bilhões e coloca energia no centro da operação

A comparação revela uma mudança importante.

Data centers deixaram de ser apenas projetos de telecomunicações.

Eles passaram a ser também grandes projetos de energia, engenharia e construção.

Subestação capaz de crescer até 1 GW mostra por que energia virou o novo gargalo da inteligência artificial

A infraestrutura elétrica prevista em Campinas talvez seja o melhor exemplo dessa transformação.

O campus começa com uma subestação de 300 MW.

Mas o projeto físico admite uma expansão para até 1 GW.

Esse desenho não significa que o complexo consumirá imediatamente 1 GW.

A capacidade será adicionada conforme novas fases forem desenvolvidas e houver demanda de clientes.

Mesmo assim, reservar desde o início infraestrutura para essa escala mostra como as decisões sobre energia precisam acontecer anos antes de os servidores entrarem em funcionamento.

O problema já alcançou escala mundial.

Em outra análise, o CPG mostrou como a explosão do consumo elétrico dos data centers de IA levou empresas de tecnologia a buscar inclusive contratos ligados a energia nuclear.

Data centers de inteligência artificial já avançam sobre projetos de energia nuclear

Quanto mais poder computacional é instalado, maior precisa ser a infraestrutura por trás dele.

Governo criou incentivos enquanto data centers passam a ocupar espaço na política industrial

Essa expansão também chegou à legislação.

No início de setembro, o Senado aprovou o Redata, programa de incentivos voltado aos data centers, com renúncia fiscal estimada em R$ 7,25 bilhões entre 2026 e 2028 e contrapartidas relacionadas a capacidade doméstica, pesquisa, energia e água.

Senado aprova R$ 7,25 bilhões em incentivos para data centers e envia Redata à sanção

A política mostra que a disputa deixou de envolver somente cidades e empresas.

Ela passou a fazer parte de uma estratégia nacional para atrair infraestrutura digital.

Os projetos carregam investimentos elevados e demanda por energia, mas também trazem uma discussão sobre quais partes da cadeia tecnológica permanecerão no Brasil.

Obras avançam por etapas e expansão está prevista até 2029

O Campus Campinas não será construído de uma vez.

O projeto foi dividido em fases.

A subestação inicial de 300 MW tem energização prevista para dezembro de 2027, enquanto as expansões do complexo estão planejadas ao longo dos anos seguintes, chegando até 2029.

A capacidade inicial de 216 MW de TI poderá então avançar em direção aos 386 MW previstos no planejamento.

Paralelamente, a Terranova pretende estabelecer parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições de capacitação da região para formar profissionais especializados.

O projeto nasce, portanto, com duas escalas distintas.

A primeira já está definida: 944 mil m² de terreno, 216 MW de TI, subestação de 300 MW e bilhões de reais em investimentos iniciais.

A segunda dependerá dos próximos anos: novos clientes, novos edifícios e expansão da infraestrutura poderão levar o campus aos 386 MW de capacidade computacional, aproximar sua estrutura energética de 1 GW e elevar o investimento total para até R$ 20 bilhões.

O que antes era uma grande área em Barão Geraldo começa, assim, a assumir uma nova função: abrigar uma das infraestruturas físicas que tornarão possível processar a próxima geração de inteligência artificial no Brasil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

Sair da versão mobile