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TotalEnergies decide investir no campo de Absheron, no Mar Cáspio, que vai produzir 6 bilhões de metros cúbicos de gás por ano e 47 mil barris diários de condensado a partir de 2029

TotalEnergies decide investir no campo de Absheron, no Mar Cáspio, que vai produzir 6 bilhões de metros cúbicos de gás por ano e 47 mil barris diários de condensado a partir de 2029

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TotalEnergies decide investir no campo de Absheron, no Mar Cáspio, que vai produzir 6 bilhões de metros cúbicos de gás por ano e 47 mil barris diários de condensado a partir de 2029

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 27/09/2026 às 20:39

Atualizado em 27/09/2026 às 20:40

Petróleo e Gás

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Plataforma de processamento da primeira fase de Absheron, ao lado das instalações de Oil Rocks, no Mar Cáspio. Foto: Divulgação/TotalEnergies

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A francesa e as sócias SOCAR e XRG tomaram a decisão final de investimento na fase completa de Absheron, campo de gás natural que hoje produz 1,5 bilhão de m³ por ano; a nova etapa terá 4 poços submarinos e uma planta em terra.

A TotalEnergies e as sócias SOCAR e XRG aprovaram a fase completa de Absheron, no Mar Cáspio: o campo deve chegar a 6 bilhões de m³ de gás por ano, com início previsto para 2029.

A decisão foi anunciada pela TotalEnergies em Paris, no sábado (26), segundo o comunicado da empresa. No jargão do setor, é a decisão final de investimento, a FID, o momento em que as empresas se comprometem a construir o projeto.

Segundo a TotalEnergies, ela tem 35% e é a operadora. A SOCAR, estatal de petróleo do Azerbaijão, tem outros 35%. A XRG fica com os 30% restantes.

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O salto é grande: com os números informados pela empresa, o gás natural do campo fica quatro vezes maior e o condensado quase quadruplica, como mostra a conta mais adiante.

O que a TotalEnergies anunciou

O projeto se chama Absheron Full Field Development, ou desenvolvimento do campo completo. Segundo o comunicado da TotalEnergies, ele vai elevar a produção total do campo a 6 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano.

Esquema da primeira fase de Absheron: um poço submarino ligado por 35 km de duto à plataforma junto a Oil Rocks. Foto: Divulgação/TotalEnergies

Junto com o gás, o campo deve chegar a 47 mil barris por dia de condensado, segundo a empresa. A entrada em operação está prevista para 2029, nas palavras da própria TotalEnergies.

O comunicado não informa o valor do investimento. Por isso, as contas abaixo não trazem cifra em dólar ou em real para o projeto.

Onde fica o campo de Absheron

Segundo a TotalEnergies, o campo está no Mar Cáspio, a cerca de 100 km a sudeste de Baku, a capital do Azerbaijão. Quem quer entender a escala desse mar fechado pode ler sobre o maior lago do mundo, entre a Europa e a Ásia.

No documento “Our activities in Azerbaijan”, de 2024, a TotalEnergies detalha a posição: 25 km a nordeste do campo de Shah Deniz e 33 km ao sul das instalações de Oil Rocks.

A área da licença tem 747 km², segundo o mesmo documento. É um quadrado de pouco mais de 27 km de lado, conta feita pela raiz quadrada da área.

Absheron, a 500 metros de água, e o poço mais longo do Cáspio

O documento Our activities in Azerbaijan informa lâmina d’água de cerca de 500 metros no campo. O mapa da primeira fase marca 470 metros no ponto do poço ABD-001.

Esse poço foi perfurado até 7.411 metros de profundidade medida. A TotalEnergies o apresenta como o poço mais longo já perfurado no Mar Cáspio.

A perfuração do ABD-001 começou em 8 de maio de 2018 e terminou em 10 de novembro de 2019, segundo a cronologia publicada pela empresa. Foram cerca de um ano e meio só nessa etapa.

Como funciona a primeira fase, em operação desde 2023

Segundo a TotalEnergies, a primeira fase entrou em produção em 2023. Ela liga um único poço submarino a uma plataforma de processamento em águas rasas, conectada às instalações da SOCAR em Oil Rocks.

Instalação de módulo da plataforma da primeira fase de Absheron, em setembro de 2022. Foto: Divulgação/TotalEnergies

A ligação entre o poço e a plataforma tem 35 km de duto submarino, com um umbilical do mesmo tamanho, segundo o documento de 2024. A plataforma receptora fica numa lâmina d’água de 13 metros.

Pelo comunicado de 2026, essa fase produz 150 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia e 12 mil barris diários de condensado. Esse gás abastece o mercado interno do Azerbaijão, segundo a empresa.

O que muda na fase completa

O desenho novo é outro, segundo o comunicado. O gás natural virá de 4 poços submarinos, seguirá por um duto submarino até a costa e será processado numa planta nova em terra.

A TotalEnergies descreve essa planta como totalmente eletrificada e pensada para reduzir o consumo de energia e as emissões. O duto submarino terá soluções avançadas de automação, segundo a empresa.

A diferença é de conceito. Na primeira fase, o gás é tratado no mar, perto de Oil Rocks. Na fase completa, o tratamento passa para uma unidade em terra firme.

A conta do salto: 4 vezes mais gás

Segundo a TotalEnergies, na primeira fase a capacidade é de 1,5 bilhão de m³ por ano. Na fase completa, sobe para 6 bilhões. A conta é simples: 6 dividido por 1,5 dá 4. O campo passa a produzir quatro vezes mais gás.

Capacidade de Absheron na primeira fase e na fase completa, segundo a TotalEnergies. Foto: Arte CPG com dados da TotalEnergies

Em volume, são 4,5 bilhões de m³ por ano a mais. Esse acréscimo sozinho é três vezes a produção atual do campo, pela mesma conta.

No condensado, a conta é parecida. De 12 mil para 47 mil barris por dia, informados pela empresa, o multiplicador é de 3,9 vezes, com 35 mil barris diários a mais.

Quanto dá por dia

Seis bilhões de m³ por ano, divididos por 365 dias, dão cerca de 16,4 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. É a forma como o setor costuma medir a produção de gás.

Para conferir a primeira fase, a conversão também fecha. Os 150 milhões de pés cúbicos diários informados pela TotalEnergies, com 1 pé cúbico igual a 0,0283 m³, dão cerca de 4,2 milhões de m³ por dia.

Multiplicados por 365, esses 4,2 milhões chegam a 1,55 bilhão de m³ por ano, em linha com o 1,5 bilhão que a empresa informa como capacidade.

E o condensado, em litros

Condensado é o hidrocarboneto líquido leve que sai do reservatório junto com o gás natural. Um barril tem cerca de 159 litros.

Na fase completa, 47 mil barris por dia equivalem a cerca de 7,5 milhões de litros de condensado por dia. Na primeira fase, os 12 mil barris somam perto de 1,9 milhão de litros diários.

Segundo o documento de 2024, desde julho de 2023 o condensado de Absheron também é transportado pelo oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, o BTC, num acordo de troca com a SOCAR.

O tamanho da reserva

A TotalEnergies informa que Absheron tem cerca de 140 bilhões de metros cúbicos de reservas recuperáveis de gás. Na fala do CEO, o campo aparece como uma das maiores descobertas de gás do Cáspio.

Uma divisão simples ajuda a dar escala, sem virar previsão. No ritmo da primeira fase, 1,5 bilhão por ano, seriam mais de 90 anos para tirar esse volume.

No ritmo da fase completa, 6 bilhões por ano, a mesma divisão dá cerca de 23 anos. A empresa não publicou a curva de produção nem a vida útil prevista, e a conta não substitui esse dado.

Para onde vai o gás de Absheron

Segundo o comunicado, o gás da fase completa terá dois destinos: o mercado interno do Azerbaijão e a exportação para a Turquia.

A exportação usará a infraestrutura de gás natural que já existe e que conecta o Azerbaijão ao mercado europeu, nas palavras da TotalEnergies. A empresa diz que isso reforça a segurança energética da região.

É uma diferença em relação à primeira fase, cujo gás abastece o mercado interno do Azerbaijão, segundo a empresa. O comunicado não detalha quanto de cada bilhão de m³ irá para cada destino.

Quem são os sócios

A composição de hoje, pelo comunicado de 26/09, é TotalEnergies com 35%, SOCAR com 35% e XRG com 30%. A TotalEnergies está no Azerbaijão desde 1996.

No documento de 2024, a empresa conta que o contrato de partilha de produção com a SOCAR foi assinado em 2009. Em 2018, foi criada a JOCAP, empresa conjunta que recebeu a operação do campo.

O mesmo documento lista a sociedade daquele momento: TotalEnergies 35%, SOCAR 35% e ADNOC 30%. No comunicado de 2026, a fatia de 30% aparece em nome da XRG.

Da descoberta em 2011 à fase completa em 2029

A linha do tempo publicada pela TotalEnergies mostra o ritmo de um projeto de gás em águas profundas.

A perfuração do poço exploratório ABX-2 começou em 13 de janeiro de 2011, e o aviso de descoberta e comercialidade saiu em 1º de junho de 2012. A decisão de investimento da primeira fase veio em 31 de julho de 2018.

Segundo o mesmo documento, as estruturas foram instaladas no mar entre 2020 e 2022, e o primeiro gás saiu em julho de 2023. Agora veio a FID da fase completa, com partida prevista para 2029.

De 2011 a 2029, são 18 anos entre a perfuração que achou o campo e a fase completa, pelas datas da própria empresa.

A promessa de baixa emissão

A TotalEnergies afirma que a intensidade de emissões de gases de efeito estufa do projeto, nos escopos 1 e 2, fica abaixo de 4 kg de CO2 equivalente por barril de óleo equivalente.

Técnicos operam drone de medição de metano em imagem de divulgação da TotalEnergies que não é de Absheron; a empresa diz ter usado a técnica no campo em 2023. Foto: Divulgação/TotalEnergies

Escopos 1 e 2 são as emissões da própria operação e da energia que ela compra. Não incluem a queima do gás pelo consumidor final.

No documento de 2024, a empresa relata que fez em dezembro de 2023 a primeira campanha de medição de metano com drones nas instalações de Absheron em Oil Rocks, num acordo com a SOCAR.

O que disse o presidente da TotalEnergies

Patrick Pouyanné, presidente do conselho e CEO da TotalEnergies, disse que o projeto libera todo o potencial de produção de uma das maiores descobertas de gás do Mar Cáspio.

Segundo ele, Absheron é um projeto de baixo custo e baixas emissões, que vai fornecer oferta adicional de gás de longo prazo aos mercados interno e internacional.

A empresa não divulgou o custo por barril, o valor total nem a quantidade de empregos da obra. Esses números não aparecem nos dois documentos consultados.

A TotalEnergies e o Brasil

A francesa também tem negócios no Brasil, como o CPG já mostrou. No setor elétrico, por exemplo, ela tem participação na Casa dos Ventos.

O comunicado de Absheron não fala do Brasil e não trata de preço de gás natural fora do Azerbaijão e da Turquia. Nenhuma relação com o mercado brasileiro foi informada pela empresa.

O que o anúncio mostra, segundo os números da própria TotalEnergies, é a escala do projeto: um campo a 500 metros de lâmina d’água, 4 poços submarinos e 16,4 milhões de m³ por dia previstos em 2029.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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