Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Trabalhador de Rio Grande vê sair do papel nesta quarta o terminal de celulose de R$ 1,3 bilhão que promete 1.200 vagas diretas, dentro do Projeto Natureza, o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul

Trabalhador de Rio Grande vê sair do papel nesta quarta o terminal de celulose de R$ 1,3 bilhão que promete 1.200 vagas diretas, dentro do Projeto Natureza, o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul

5 min de leitura

Trabalhador de Rio Grande vê sair do papel nesta quarta o terminal de celulose de R$ 1,3 bilhão que promete 1.200 vagas diretas, dentro do Projeto Natureza, o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 08/09/2026 às 00:33

Atualizado em 08/09/2026 às 00:41

Portos e Estaleiros

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O trabalhador de Rio Grande vê nesta quarta-feira sair do papel o terminal de celulose de um bilhão e trezentos milhões de reais que promete mais de mil e duzentas vagas diretas, dentro do maior investimento privado já anunciado na história do Rio Grande do Sul.

A assinatura do contrato está marcada para 9 de setembro, às 9h, na planta industrial da companhia em Guaíba, conforme o Jornal do Comércio.

A cerimônia terá a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de visita às instalações e entrevista coletiva.

Não é anúncio de intenção.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Açaí Formosa investe R$ 13 milhões em fábrica em Santo André para abastecer 125 lojas e ampliar produção própria

A Açaí Formosa investiu cerca de R$ 13 milhões em uma fábrica em Santo André para ampliar produção própria e abastecer uma rede de 125 lojas, aproximando indústria, distribuição e…

Paulo Nogueira

0

É a formalização da concessão, ou seja, o documento que transfere à empresa o direito de usar a área do porto e, em troca, fixa prazo, obrigação de investir e contrapartida ao poder público.

R$ 1,3 bilhão no porto, e uma outorga que não se confunde com investimento

O terminal de celulose no Porto de Rio Grande recebe aporte previsto de R$ 1,3 bilhão.

Um número menor aparece na mesma notícia e costuma confundir. São R$ 2,14 milhões de outorga por uma área de 412 mil metros quadrados, ou seja, o valor pago pelo direito de usar o terreno, não o valor da obra.

Há ainda R$ 140 milhões destinados à dragagem do canal de acesso do porto.

Sem dragagem, terminal novo não resolve nada

Essa linha de R$ 140 milhões costuma passar despercebida e é justamente a que decide se o projeto funciona.

Navio de celulose sai carregado e com calado profundo. Se o canal não acompanha a profundidade exigida, o terminal existe, porém o navio embarca menos carga ou espera a maré, e o custo por tonelada sobe.

Quem trabalha em porto sabe que berço novo sem canal fundo é obra pela metade.

Além disso, dragagem não é serviço que se faz uma vez. O canal assoreia, o sedimento volta e a manutenção vira despesa recorrente, o que costuma aparecer no contrato como obrigação de longo prazo.

O terminal é a ponta de um projeto de R$ 27 bilhões

O contrato assinado na quarta faz parte do chamado Projeto Natureza, que inclui a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro.

Somados, os aportes do projeto passam de R$ 27 bilhões, o que o coloca como o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul.

A lógica é direta: a fábrica produz, o terminal escoa. Sem o segundo, o primeiro fica sem saída pelo mar.

Celulose brasileira é produto de exportação quase integral. O mercado interno absorve pouco, portanto qualquer fábrica nova nasce amarrada a uma solução portuária definida antes da primeira tonelada sair da linha.

Mais de 1.200 empregos diretos, e o que isso significa numa cidade portuária

A previsão é de mais de 1.200 postos diretos ligados ao empreendimento.

Em Rio Grande, esse número tem peso próprio. A cidade viveu o ciclo da construção naval, viu o estaleiro encolher e desde então convive com uma economia que depende do movimento do cais para reagir.

Emprego direto de terminal é o tipo de vaga que puxa outras atrás: transporte, manutenção, alimentação, serviço de apoio.

Por outro lado, convém separar as fases. A obra emprega muito e por pouco tempo; a operação emprega menos e para sempre. São dois números diferentes que costumam ser somados na hora do anúncio.

O porto já vinha acumulando anúncios

O terminal da celulose não chega sozinho ao Porto de Rio Grande. O Ministério de Portos e Aeroportos já havia registrado que o complexo receberia cifras bilionárias em investimentos ligados a celulose e logística de exportação.

O movimento acompanha uma tendência clara na costa brasileira, com terminais privados sendo desenhados para produtos específicos, em vez de cais genérico que serve para tudo e não serve bem para nada.

Movimento parecido apareceu recentemente no Paraná, quando Paranaguá preparou mais de R$ 500 milhões em obras nos acessos ao porto.

Por que celulose e não contêiner

Celulose é carga de volume alto e valor médio, embarcada em fardos, que exige armazém coberto, esteira e berço dedicado.

Ela não disputa espaço com contêiner nem com grão. Por isso o desenho de terminal exclusivo faz sentido econômico: cada tipo de carga tem um ritmo de embarque e um equipamento próprio.

O Rio Grande do Sul, além disso, já concentra base florestal plantada, o que encurta a distância entre a fábrica e o cais.

Esse encurtamento é o que torna o projeto competitivo. Numa cadeia em que o frete pesa muito no custo final, cada quilômetro a menos entre o eucalipto e o navio aparece direto na margem.

O que a assinatura de quarta ainda não resolve

Contrato assinado não é obra entregue. Não há, nas informações divulgadas, cronograma público de início e conclusão das obras do terminal.

Também não foi detalhado quantos dos 1.200 empregos são da fase de construção e quantos ficam na operação, distinção que muda bastante o efeito de longo prazo na cidade.

A reportagem do Jornal do Comércio está atrás de assinatura, portanto os números acima foram conferidos em fontes complementares e são apresentados aqui com essa ressalva.

O calendário que interessa a quem mora lá

A data a marcar é quarta-feira. É quando a concessão deixa de ser processo e vira contrato, com prazo, obrigação e contrapartida definidos.

Depois disso, o que vale acompanhar é o edital de contratação das obras e o início efetivo da dragagem, porque são esses dois passos que costumam atrasar projeto portuário no Brasil.

Dá pra entender o otimismo na cidade. Também dá pra entender a cautela de quem já viu anúncio grande virar canteiro parado.

Vale acompanhar também o efeito sobre a mão de obra local. Rio Grande tem escola técnica e histórico de formação naval, portanto parte da qualificação exigida já existe na cidade e não precisa ser importada de fora.

Esse é o tipo de detalhe que separa investimento que fixa emprego de investimento que traz equipe pronta e vai embora quando a obra acaba.

O detalhamento da cerimônia e dos valores está na reportagem do Jornal do Comércio, e o contexto dos investimentos no porto está no registro do Ministério de Portos e Aeroportos.

Você confia que um terminal desse porte sai do papel no prazo, ou aposta em atraso na dragagem?

Tags

Fontes

Jornal do Comércio (RS)

Ministério de Portos e Aeroportos


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

Sair da versão mobile