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Trabalhadores que vão erguer mina em Autazes terão usina de 20 MW prevista em contrato de 28 anos para abastecer obras no Amazonas

Trabalhadores que vão erguer mina em Autazes terão usina de 20 MW prevista em contrato de 28 anos para abastecer obras no Amazonas

6 min de leitura

Trabalhadores que vão erguer mina em Autazes terão usina de 20 MW prevista em contrato de 28 anos para abastecer obras no Amazonas

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 15/09/2026 às 01:28

Atualizado em 15/09/2026 às 02:10

Gerador a diesel instalado em contêiner em West Palm Beach, nos Estados Unidos. Imagem ilustrativa; não é a instalação contratada para Autazes. Crédito: DanTD. CC BY 4.0. Fonte. CC BY 4.0.

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A energia em Autazes ganhou um contrato de 28 anos para uma usina modular a diesel, com 45 geradores e potência prevista de até 20 MW, destinada inicialmente às obras da mina de potássio e depois à reserva operacional do empreendimento no Amazonas.

Imagem de capa: Gerador a diesel instalado em contêiner em West Palm Beach, nos Estados Unidos. Imagem ilustrativa; não é a instalação contratada para Autazes. Crédito: DanTD. CC BY 4.0. Fonte da imagem. CC BY 4.0.

A Brazil Potash informou em 14 de setembro que sua subsidiária Potássio do Brasil assinou acordo definitivo com a Gera Center para implantar, operar e manter a estrutura.

O anúncio transforma em contrato o entendimento preliminar divulgado em maio. A instalação ainda será mobilizada, e o cronograma depende da emissão de uma ordem de início.

O canteiro precisa de energia antes de chegar a conexão com a rede

Segundo o comunicado da Brazil Potash, o local do projeto ainda não tem acesso à rede elétrica nacional. A geração própria foi contratada para atender essa etapa.

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O sistema deverá fornecer eletricidade durante a construção de dois poços da mina, da planta de processamento e do porto ou terminal associado ao empreendimento mineral.

Enquanto a ligação planejada ao Sistema Interligado Nacional não estiver concluída, os geradores terão função de abastecimento das obras. Depois, o papel dos equipamentos deverá mudar.

Gera Center financiará e será proprietária da usina durante o contrato

O acordo adota a estrutura chamada Build-Own-Operate, ou construir, possuir e operar. Nesse arranjo, a Gera Center financia e mantém a propriedade dos equipamentos de geração.

A Potássio do Brasil contrata a solução energética sem assumir diretamente toda a compra inicial da usina. O fornecimento fica vinculado às condições comerciais e operacionais pactuadas.

Portanto, a parceria distribui responsabilidades entre a desenvolvedora da mina e uma empresa especializada em energia. Não se trata de doação de máquinas ou fornecimento gratuito.

Os 28 anos são divididos entre construção e operação de reserva

O prazo contratado soma cinco anos de fornecimento para construção e outros 23 anos de reserva. A segunda fase está vinculada à etapa operacional prevista para a mina.

Durante o período inicial, a geração deverá trabalhar de maneira contínua para sustentar o canteiro. Após a conexão à rede, os mesmos equipamentos formarão a energia de apoio.

A divisão mostra que a contratação considera duas necessidades diferentes ao longo do projeto. A potência instalada permanece relevante, mas o regime de utilização deverá ser alterado.

A instalação começa com 10 MW e prevê expansão durante o primeiro ano

A configuração divulgada reúne 45 geradores a diesel em contêineres, com capacidade inicial de 10 megawatts. O contrato prevê aumento até 20 megawatts ao longo do primeiro ano.

Megawatt é uma medida de potência, isto é, da capacidade de fornecer energia em determinado momento. O número não informa sozinho o consumo acumulado mensal das obras.

Assim, os 20 MW representam o patamar máximo previsto para o conjunto. O comunicado não afirma que essa capacidade já esteja instalada ou disponível no local.

Equipamentos chegam por balsa para implantação do Projeto Potássio Autazes, em registro de maio de 2024. Crédito: Potássio do Brasil/Divulgação. Fonte.

O prazo de 120 dias começa com a ordem de início

A mobilização inicial deverá ser concluída em até 120 dias após a Order to Proceed, expressão usada para a ordem formal que autoriza o começo dos serviços.

Esse marco contratual é diferente da data de divulgação à imprensa. Por isso, não é correto contar automaticamente os 120 dias a partir de 14 de setembro.

Sem a data de emissão dessa ordem, o anúncio não permite estabelecer um dia definitivo de conclusão da mobilização. A previsão continua condicionada ao acionamento do contrato.

Disponibilidade mínima foi pactuada para a fase de fornecimento contínuo

Para a etapa de construção, o acordo estabelece disponibilidade de pelo menos 98% ao mês e 98,5% ao ano. Os percentuais foram informados pela própria Brazil Potash.

Disponibilidade contratual indica o tempo em que o sistema deve estar apto a prestar o serviço. Não equivale à eficiência de conversão do diesel em eletricidade.

Também não permite concluir que todos os geradores funcionarão na potência máxima durante todo o período. A utilização efetiva dependerá da demanda e da organização operacional do conjunto.

Redução do desembolso inicial não elimina o custo da energia

A companhia estima retirar aproximadamente US$ 33 milhões do orçamento inicial de construção ligado à energia. Parte da recuperação dos custos da contratada ocorrerá durante os cinco anos iniciais.

Segundo a estimativa empresarial, a economia líquida ao longo do contrato poderá chegar a cerca de US$ 10 milhões frente às previsões anteriores de custo do projeto.

Os dois valores medem coisas diferentes: desembolso inicial transferido e economia projetada no período completo. Não devem ser somados nem tratados como redução de custos já realizada.

A ligação ao sistema nacional mudará a função dos equipamentos

A transmissão planejada deverá conectar o projeto ao Sistema Interligado Nacional. Quando essa infraestrutura estiver pronta, a usina modular deverá passar ao regime de reserva operacional.

Nessa configuração, o conjunto contratado servirá de apoio ao empreendimento, conforme a estratégia informada. A linha de conexão, porém, não foi anunciada como concluída neste comunicado.

A sequência prevista reúne, portanto, geração para construir e geração para apoiar a operação futura. A conclusão de uma contratação não comprova a conclusão das demais estruturas.

Conjuntos geradores a diesel armazenados em galpão. Imagem ilustrativa; não são os 45 equipamentos contratados. Crédito: Aurora Generators. CC BY 4.0. Fonte. CC BY 4.0.

O contrato energético integra uma estratégia mais ampla de infraestrutura

A Brazil Potash afirma buscar parceiros que financiem e operem estruturas de suporte. O objetivo é reduzir o capital que precisa levantar antes de iniciar a produção.

O projeto também prevê transporte do potássio por barcaças em parceria logística com a Amaggi. A geração elétrica é uma das peças desse arranjo, segundo a empresa.

Esse desenho conecta energia, mineração e movimentação de carga na Amazônia. Cada componente, entretanto, tem contratos, requisitos e etapas próprios que precisam avançar até a operação efetiva.

A movimentação de grãos pelo Porto de Santana mostra outra aplicação da infraestrutura fluvial amazônica, com terminais que conectam cadeias produtivas ao transporte por água.

A execução ainda precisa confirmar as previsões divulgadas pela companhia

O fato novo é a assinatura do acordo definitivo com a Gera Center. Potência, mobilização, economia e mudança para reserva permanecem compromissos ou estimativas associados à execução futura.

O comunicado menciona riscos de financiamento, implantação e licenciamento do empreendimento. Assim, o contrato deve ser lido como avanço de infraestrutura, sem antecipar a entrada em produção.

Para os trabalhadores que estarão no canteiro, a consequência prevista é uma fonte de eletricidade dedicada às obras. O anúncio não constitui abertura de inscrições para empregos.

Na implantação de uma mina amazônica, o que exige mais planejamento: energia para construir ou logística para levar equipamentos ao canteiro?

Fonte

Brazil Potash


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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