5 min de leitura
Três mães dão à luz no mesmo dia de 1994 na maternidade, saem do hospital com as filhas trocadas e só descobrem a verdade quase 30 anos depois, quando um teste de DNA reescreve a história das três famílias
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 03/09/2026 às 10:36
Atualizado em 03/09/2026 às 10:37
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Luíza, Marlucy e Maria de Fátima deram à luz em 5 de agosto de 1994 e levaram para casa, respectivamente, Mylena, Raylane e Marcelma. O caso veio à tona em janeiro, quando Raylane, moradora de Nova York, buscou a própria ancestralidade em um site especializado em cruzamento genético de dados
Três mulheres nascidas no mesmo dia em uma maternidade em Cajazeiras, no sertão da Paraíba, descobriram que houve troca de bebês no hospital quase 30 anos depois. O caso foi desvendado por acaso, depois que uma delas resolveu fazer um teste de ancestralidade em um site que combina materiais genéticos.
As informações foram publicadas pelo Metrópoles em 24 de abril de 2023, às 8h22, em texto assinado por Ana Flávia Castro, a partir de reportagem do Fantástico exibida no domingo (23/4).
Os partos aconteceram em 5 de agosto de 1994
Três mães deram à luz em 5 de agosto de 1994 na maternidade de Cajazeiras: Luíza, Marlucy e Maria de Fátima.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Demissão em massa: Uber anuncia corte de 3,3 mil funcionários no maior enxugamento desde a pandemia
Maior demissão da empresa desde a pandemia elimina 3,3 mil vagas, enxuga a estrutura corporativa e revela a ameaça que pode transformar o aplicativo em algo muito diferente
A Uber anunciou…
Paulo Nogueira
0
A coincidência de data é o ponto que amarra toda a história, porque foi a proximidade dos nascimentos no mesmo dia e no mesmo lugar que criou a condição para as trocas.
Cada mãe voltou para casa com uma bebê diferente da própria filha
Luíza saiu da maternidade com Mylena. Marlucy voltou para casa com Raylane, e Maria de Fátima chegou em casa com Marcelma nos braços.
Nas últimas semanas antes da reportagem, as três descobriram que saíram do hospital com as filhas trocadas, situação que se manteve por quase três décadas sem que nenhuma das famílias soubesse.
Reconstituição aponta quem deveria ter ido com cada mãe
Segundo a reconstituição do caso, Luíza deveria ter saído da maternidade com Raylane.
Marlucy deveria ter levado Marcelma, e Maria de Fátima deveria ter voltado para casa com Mylena. O rearranjo mostra que não se trata de uma troca isolada entre duas bebês, e sim de um circuito que envolveu as três recém-nascidas.
Duas das três trocas já foram confirmadas por exame
As duas primeiras trocas já foram confirmadas em um teste de DNA.
A exceção é a última: Mylena e Maria de Fátima confirmaram que desejam fazer o teste, mas ainda não o realizaram, o que deixa uma parte da história sem comprovação laboratorial.
Descoberta começou em janeiro, com um teste de ancestralidade
O caso foi descoberto em janeiro, quando Raylane, que mora em Nova York, decidiu pesquisar a própria ancestralidade em um site especializado em DNA.
O objetivo dela era descobrir as origens da família, e não investigar qualquer suspeita sobre o próprio nascimento.
Plataforma cruza dados genéticos do mundo todo
A empresa usa um banco de dados com informações genéticas do mundo todo.
Cruzando esses dados, a plataforma consegue localizar possíveis parentes desconhecidos. É esse mecanismo que transforma um teste feito por curiosidade em ferramenta capaz de expor um erro ocorrido em uma maternidade brasileira quase 30 anos antes.
Sistema apontou um irmão que vive na Irlanda
Na plataforma, a jovem de 28 anos descobriu compatibilidade genética com Lenon, um brasileiro que mora na Irlanda e que, segundo o site, seria irmão dela.
Raylane decidiu entrar em contato com ele nas redes sociais, e os dois partiram em busca de mais informações sobre o suposto parentesco.
Data de nascimento levantou a suspeita da troca
Ao comparar as informações, Raylane e Lenon descobriram que ela nasceu no mesmo dia em que a irmã caçula da família dele.
As suspeitas foram confirmadas por um teste de DNA, o que fechou o primeiro elo da cadeia de trocas.
“Descobri que fui trocada na maternidade”, diz Raylane
Sobre o resultado inesperado da pesquisa, Raylane afirmou: “Foi uma supresa muito grande. Meu objetivo era fazer um teste de ancestralidade, e descobri que fui trocada na maternidade”.
A fala resume o percurso do caso: uma consulta feita por interesse pessoal em origens familiares terminou expondo um erro de registro em uma maternidade do sertão paraibano.
Mãe diz sentir que ganhou uma nova filha
Luíza, mãe de Lenon e Mylena, diz sentir como se tivesse ganhado uma nova filha.
“A minha filha, Mylena, é minha filha. E agora, a Raylane também”, afirmou. A declaração indica que o reconhecimento biológico não substituiu o vínculo construído ao longo de quase 30 anos de convívio.
Marlucy afirma que sempre teve a suspeita
Marlucy, apontada na reportagem como filha de Maria de Fátima, conta que sempre teve essa suspeita, o que causou um afastamento da mãe.
A procura pela família biológica teve fim na semana anterior à publicação, segundo a reportagem.
Terceiro exame ainda não tem data marcada
O mistério não foi completamente elucidado. Mylena e Maria de Fátima ainda não realizaram o exame de DNA, e o resultado do novo teste não tem data para acontecer.
Se o resultado for negativo, vai levantar a suspeita de que pelo menos mais uma bebê foi trocada na maternidade, o que ampliaria o alcance do caso para além das três famílias já identificadas.
Prontuários de 1994 não existem mais, diz a maternidade
Os advogados das famílias solicitaram os prontuários médicos e a identificação da equipe que atuava na data dos partos.
A maternidade de Cajazeiras informou que não tem mais os prontuários nem as informações sobre a equipe de trabalho, porque, de acordo com a lei, tais documentos só precisam ser armazenados por 20 anos. Como os nascimentos ocorreram em 1994, esse prazo já havia se esgotado quando o caso veio à tona.
Situação atual: caso seguia sem o terceiro teste em abril de 2023
Quando a reportagem foi publicada, em 24 de abril de 2023, duas das três trocas de bebês em Cajazeiras já estavam confirmadas por exame de DNA, e a terceira dependia de um teste ainda sem data entre Mylena e Maria de Fátima.
A instituição de saúde afirmou que presta apoio às famílias e que vai continuar contribuindo para que o caso seja completamente solucionado, ainda que os documentos de 1994 não estejam mais disponíveis para identificar quem trabalhava na maternidade no dia dos partos.
Na sua opinião, o prazo legal de 20 anos para guardar prontuários de maternidade deveria ser ampliado depois de casos como o de Cajazeiras, ou o problema está na falta de identificação segura dos recém-nascidos no momento do parto? Deixe sua opinião nos comentários.
Tags
troca de bebês em Cajazeiras
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

