Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Três operários quebram laje de concreto durante reforma de porão, pensam ter encontrado explosivos e retiram 34 barras de ouro escondidas sob o piso, tesouro vendido por € 1 milhão gera disputa e divisão acaba na Justiça francesa

Três operários quebram laje de concreto durante reforma de porão, pensam ter encontrado explosivos e retiram 34 barras de ouro escondidas sob o piso, tesouro vendido por € 1 milhão gera disputa e divisão acaba na Justiça francesa

6 min de leitura

Três operários quebram laje de concreto durante reforma de porão, pensam ter encontrado explosivos e retiram 34 barras de ouro escondidas sob o piso, tesouro vendido por € 1 milhão gera disputa e divisão acaba na Justiça francesa

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 05/09/2026 às 22:03

Atualizado em 05/09/2026 às 22:04

Curiosidades

Canal

Operários encontram 34 barras de ouro durante reforma de porão na França, e disputa sobre divisão do tesouro chega aos tribunais

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O que começou como uma reforma em um porão de Vouzon, na França, terminou com 34 barras de ouro retiradas de três caixas escondidas sob concreto. O metal foi vendido por pouco mais de € 1 milhão, mas um acordo firmado poucos dias depois da descoberta abriu uma disputa sobre quem realmente tinha direito à metade reservada aos descobridores.

Três operários trabalhavam na reforma de uma propriedade em Vouzon, no departamento francês de Loir-et-Cher, quando uma escavação no porão encontrou algo muito diferente dos materiais esperados em uma obra. Era 21 de julho de 2015 e, depois de romperem uma parte de concreto, os trabalhadores chegaram a caixas escondidas que continham, juntas, 34 barras de ouro.

O ouro acabou vendido em setembro daquele mesmo ano por € 1.002.376, antes do desconto de comissões, taxas fixas e despesas relacionadas à divisão. O problema começou quando foi preciso determinar quem, juridicamente, havia “descoberto” o tesouro e, portanto, tinha direito à parte prevista pelo Código Civil francês.

Pá encontra concreto, britadeira abre a passagem e primeira caixa revela dez barras de ouro

Britadeira rompe concreto durante reforma de porão, operários removem entulho e encontram primeira caixa com dez barras de ouro

A sequência que levou ao tesouro envolveu diretamente as ferramentas usadas pelos três funcionários. Segundo o Le Parisien, um deles escavava com uma pá quando encontrou uma estrutura de concreto. Outro trabalhador entrou em ação com uma britadeira para quebrá-la.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Petróleo e Gás

Seis tecnologias brasileiras de energia e descarbonização chegam à final da ANP e serão apresentadas na Rio Oil & Gas

A Jornada Empreendedora PRH-ANP escolheu seis equipes para apresentar projetos de energia e descarbonização na Rio Oil & Gas, onde uma comissão selecionará três finalistas entre 21 e 24 de…

Paulo Nogueira

0

Depois que parte do concreto foi removida, o trabalho com a pá revelou uma caixa. A primeira reação dos operários foi de cautela: eles imaginaram que o recipiente pudesse esconder explosivos.

Quando a caixa foi aberta, porém, havia dez barras de ouro dentro dela. A busca continuou no mesmo ponto e levou a outras duas caixas. Ao final, os trabalhadores haviam retirado 34 lingotes do porão.

A decisão judicial publicada anos depois registra que as barras foram encontradas fortuitamente durante obras de renovação imobiliária na propriedade ligada ao Groupement foncier et rural du domaine de Failly.

Sete dias depois da descoberta, proprietário e trabalhadores já tinham assinado um acordo para dividir o ouro

Os trabalhadores comunicaram o achado ao responsável pela propriedade em vez de tentar retirar ou vender o ouro por conta própria. Apenas uma semana depois, em 28 de julho de 2015, foi assinado um acordo estabelecendo como o tesouro seria repartido.

Pelo documento, o proprietário ficaria com 19 das 34 barras. As outras 15 seriam vendidas, e três trabalhadores envolvidos na obra receberiam, cada um, 30,86% do valor obtido com esse conjunto de lingotes.

Uma parcela restante, correspondente a 7,41%, seria dividida entre três outros integrantes ligados à empresa: empregador, diretor técnico e chefe da equipe. O acordo foi registrado junto à administração fiscal francesa em 5 de agosto de 2015.

As barras foram vendidas em 16 de setembro de 2015 por € 1.002.376 no total. A distribuição prevista no acordo foi realizada em 3 de novembro. Documentos judiciais posteriores apontam pagamentos de aproximadamente € 139.382,80 a cada um dos três trabalhadores contemplados e cerca de € 11.156 para cada um dos três responsáveis da empresa.

Uma regra do Código Civil francês transformou a descoberta em disputa sobre quem realmente encontrou o tesouro

A divisão começou a ser questionada depois que os trabalhadores procuraram orientação jurídica. O centro da disputa passou a ser o artigo 716 do Código Civil francês, regra que trata especificamente de tesouros encontrados por acaso.

O texto estabelece que, quando um tesouro é encontrado no próprio terreno, ele pertence a quem possui o local. Quando aparece na propriedade de outra pessoa, porém, metade pertence ao descobridor e metade ao proprietário do terreno. A legislação também define tesouro como objeto escondido ou enterrado cuja propriedade ninguém consegue comprovar e que tenha sido descoberto pelo puro efeito do acaso.

A palavra francesa usada no processo é inventeur. Nesse contexto jurídico, ela não significa alguém que criou ou inventou alguma coisa. Refere-se à pessoa que colocou o tesouro a descoberto.

Era justamente aí que surgia o problema: havia três homens trabalhando no porão, mas cada um executava uma tarefa diferente quando as caixas apareceram.

Justiça chegou a excluir o homem que carregava o balde e depois considerou o trabalhador da pá o único descobridor

A disputa passou pela Justiça de Blois e depois chegou à Corte de Apelação de Orléans. Segundo o Le Parisien, uma decisão de 2017 afastou da divisão o funcionário que trabalhava com o balde e retirava os entulhos, por entender que ele estava distante demais da descoberta propriamente dita. Pessoas da empresa que não estavam diretamente no ponto onde o ouro apareceu também perderam o direito inicialmente acertado.

A discussão prosseguiu porque o operário que utilizava a pá sustentava que deveria ser considerado o único descobridor. Em 1º de julho de 2019, a Corte de Apelação de Orléans aceitou essa interpretação.

Na prática, o tribunal considerou que o proprietário continuaria limitado à metade do tesouro, enquanto a outra metade caberia ao trabalhador da pá. A decisão determinava, entre outros pagamentos, que dois colegas devolvessem € 139.382,80 cada um ao operário reconhecido naquele momento como único “inventor” do ouro.

O resultado colocaria aproximadamente € 500 mil nas mãos dele, correspondentes à metade do valor do tesouro, descontados os ajustes necessários entre os envolvidos.

Mas essa não seria a última decisão do caso.

Cour de cassation derruba em 2021 a tese de que somente o homem da pá poderia ser considerado descobridor

Quase dois anos depois, a disputa chegou à Cour de cassation, a mais alta corte francesa para questões dessa natureza. Em 16 de junho de 2021, a Primeira Câmara Civil anulou parcialmente a decisão de Orléans.

O tribunal superior apontou um problema central no raciocínio adotado em 2019. A Corte de Apelação havia entendido que o artigo 716 mencionava “aquele que descobriu” o tesouro e, por isso, não admitiria vários descobridores.

A Cour de cassation adotou interpretação diferente. Segundo a decisão, quando um tesouro se torna visível por meio da ação direta de várias pessoas, cada uma delas pode ser reconhecida juridicamente como descobridora.

O próprio histórico registrado pela Corte mostrava a participação conjunta: um trabalhador escavava com a pá, encontrou o concreto e chamou o colega para perfurá-lo. Só depois dessa sequência as caixas contendo os lingotes ficaram acessíveis.

A Cour de cassation manteve dois pontos da decisão anterior: o acordo de divisão assinado em 28 de julho de 2015 permaneceu anulado, e o proprietário da propriedade não poderia reivindicar mais do que metade do tesouro. Já a decisão que entregava toda a outra metade exclusivamente ao trabalhador da pá foi derrubada.

O processo foi então enviado à Corte de Apelação de Bourges para que a questão dos descobridores fosse examinada novamente levando em consideração a possibilidade de participação de mais de uma pessoa.

Assim, a mesma sequência de poucos minutos no porão — um homem com uma pá, outro com uma britadeira e um terceiro retirando entulho — acabou determinando anos de disputa sobre quem teria direito a centenas de milhares de euros.

Na sua opinião, quem deveria receber a metade reservada aos descobridores: somente quem revelou fisicamente as caixas ou todos os trabalhadores cuja ação permitiu chegar ao ouro?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

Sair da versão mobile