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Trilheiro de 27 anos sai para caminhada de 7 horas em Santa Catarina, se perde na mata e passa quase seis dias desaparecido, cinco deles sem comer, até encontrar saída sozinho seguindo um rio

Trilheiro de 27 anos sai para caminhada de 7 horas em Santa Catarina, se perde na mata e passa quase seis dias desaparecido, cinco deles sem comer, até encontrar saída sozinho seguindo um rio

SC

5 min de leitura

Trilheiro de 27 anos sai para caminhada de 7 horas em Santa Catarina, se perde na mata e passa quase seis dias desaparecido, cinco deles sem comer, até encontrar saída sozinho seguindo um rio

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 02/09/2026 às 18:35

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Ezequiel entrou sozinho no Morro Pelado em maio de 2026; enquanto mais de 60 pessoas o procuravam com cães e drones, ele avançava pela mata tentando reencontrar alguma área habitada

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Ezequiel entrou sozinho no Morro Pelado em maio de 2026; enquanto mais de 60 pessoas o procuravam com cães e drones, ele avançava pela mata tentando reencontrar alguma área habitada

O que deveria ser uma caminhada de aproximadamente sete horas pelo Morro Pelado, no Norte de Santa Catarina, transformou-se em uma jornada de mais de 140 horas dentro da mata para Ezequiel Marcos Ferreira, de 27 anos. Depois de perder o caminho de volta, ele ficou dias sem alimentação, enfrentou chuva, frio e terreno de difícil acesso até tomar uma decisão que acabaria levando-o novamente à civilização: seguir o curso de um rio.

Enquanto bombeiros, voluntários, especialistas em resgate em montanha, cães e operadores de drones percorriam a região procurando pelo trilheiro, Ezequiel continuava avançando sozinho. Na manhã de 31 de maio de 2026, conseguiu chegar às instalações da Estação de Tratamento de Água Piraí, em Joinville, encerrando por conta própria uma sequência de dias que mobilizou uma das maiores operações de busca recentes na região.

Caminhada começou na segunda-feira e deveria terminar no mesmo dia

Vista da região do Morro Pelado, em Santa Catarina, área de mata fechada e relevo acidentado onde Ezequiel Marcos Ferreira permaneceu perdido por quase seis dias antes de conseguir encontrar uma saída.

Ezequiel iniciou a trilha na segunda-feira, 25 de maio, na região do Morro Pelado, na Serra Dona Francisca. Antes de entrar na área, passou por uma borracharia próxima ao acesso e buscou informações sobre o percurso, segundo informações reunidas durante as buscas.

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A intenção era realizar uma atividade de poucas horas e retornar ainda naquele dia. Em entrevista concedida depois do resgate ao Domingo Espetacular, da Record, Ezequiel relatou que o percurso que deveria consumir aproximadamente sete horas acabou ultrapassando 140 horas em meio à mata fechada, chuva e áreas de difícil circulação.

A região, segundo os bombeiros, apresenta elevado grau de dificuldade e diversos pontos de bifurcação. Em algum momento da caminhada, Ezequiel deixou de conseguir identificar corretamente o caminho de volta e passou a procurar outra forma de sair da mata.

Com o passar das horas, a situação ganhou outra dimensão. A caminhada de um único dia havia se transformado em sobrevivência, e os familiares já não conseguiam contato com ele.

Sem conseguir voltar pela trilha, jovem decidiu usar um rio como referência

Ezequiel Marcos Ferreira é amparado por bombeiros após ser encontrado com vida, depois de passar quase seis dias perdido na mata do Morro Pelado, em Santa Catarina. Ao fundo, o helicóptero Arcanjo utilizado no resgate.

Durante os dias em que permaneceu perdido, Ezequiel tentou encontrar uma direção que pudesse levá-lo novamente a alguma área habitada. Relatos divulgados depois do resgate indicam que ele teve problemas para se orientar e acabou usando o curso de um rio como referência para continuar avançando.

O caminho, porém, estava longe de ser simples. A mata da região possui trechos íngremes, grotas, cursos d’água e áreas onde o deslocamento exige grande esforço físico. Ezequiel chegou à região do Castelo dos Bugres e tentou encontrar uma alternativa de saída, mas acabou retornando para a direção do rio quando percebeu que não conseguiria avançar por outro trecho.

Àquela altura, o problema já não era apenas encontrar o caminho. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o trilheiro passou cerca de cinco dias sem se alimentar. A combinação de fome, exposição ao frio, umidade e esforço prolongado aumentava progressivamente os riscos.

A contagem dos dias aparece de maneiras diferentes nas reportagens porque Ezequiel entrou na mata na segunda-feira, dia 25, e reapareceu no domingo, dia 31. A informação mais precisa sobre a duração total vem do relato posterior exibido pela Record: foram mais de 140 horas de sobrevivência. Já o CBMSC registra especificamente que ele passou cinco dias sem comer.

Do lado de fora, mais de 60 pessoas procuravam pelo trilheiro

Enquanto Ezequiel avançava pela mata, uma grande operação havia sido organizada para localizá-lo. Bombeiros militares, bombeiros voluntários, integrantes do Grupo de Resgate em Montanha e outros profissionais passaram a percorrer as áreas próximas ao Morro Pelado e ao Castelo dos Bugres.

A Record informou que a operação mobilizou mais de 60 profissionais e voluntários. Somente na manhã de domingo, as buscas foram retomadas às 7h30 com seis equipes, incluindo bombeiros militares e comunitários, um binômio formado por bombeiro e cão de busca, operadores de drones, Bombeiros Voluntários de Joinville e integrantes do Grupo de Resgate em Montanha.

A aeronave Arcanjo 01, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, também estava mobilizada para prestar apoio aéreo. As equipes trabalhavam sem saber que, naquele mesmo momento, Ezequiel já estava se aproximando sozinho de uma instalação da Companhia Águas de Joinville.

Depois de seguir o rio, ele apareceu dentro de uma estação de tratamento de água

O desfecho ocorreu às 9h15 de domingo, 31 de maio. Um vigilante da empresa Embrasp que trabalhava na Estação de Tratamento de Água Piraí percebeu a presença de Ezequiel dentro das instalações e comunicou imediatamente os operadores da unidade.

Era o fim da caminhada. Depois de mais de 140 horas e dias sem alimentação, Ezequiel havia conseguido sair da mata por conta própria e alcançar um local onde finalmente poderia pedir ajuda.

Os trabalhadores o levaram para o refeitório da estação e forneceram alimentação enquanto o socorro era acionado. Bombeiros Voluntários e integrantes do Grupo de Resgate em Montanha foram informados, e o resgate aéreo chegou à ETA por volta das 9h30, apenas cerca de 15 minutos depois de o vigilante encontrá-lo.

Ezequiel estava consciente e orientado, mas os bombeiros constataram hipotermia, cianose e ferimentos leves pelo corpo. Depois do primeiro atendimento, ele foi transportado pelo Arcanjo 01 até o Hospital Municipal São José, em Joinville, em condição estável.

No dia seguinte, a Prefeitura de Joinville informou que o jovem permanecia internado com quadro estável e passava por protocolos de reidratação.

A maneira como Ezequiel conseguiu encontrar a ETA, seguindo um curso d’água, foi decisiva naquele caso específico, mas não deve ser interpretada como orientação geral para pessoas perdidas em regiões de montanha. Rios também podem conduzir a cachoeiras, paredões, grotas e trechos ainda mais perigosos. O episódio terminou bem depois de uma combinação incomum de resistência física, deslocamento contínuo e uma grande mobilização de equipes de busca.

Para Ezequiel, uma caminhada planejada para terminar em algumas horas terminou somente mais de 140 horas depois, quando, já debilitado e após cerca de cinco dias sem alimentação, ele finalmente deixou a mata e apareceu diante de trabalhadores de uma estação de tratamento de água.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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