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Trincas perto de portas e janelas podem surgir por um detalhe ignorado durante a obra: falta de reforço adequado na alvenaria concentra tensões nesses pontos, enquanto técnicas simples de execução ajudam a evitar fissuras que comprometem o acabamento
Escrito por Hilton Libório
Publicado em 10/09/2026 às 11:45
Atualizado em 10/09/2026 às 11:46
Construção
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Trincas em paredes perto de portas e janelas podem ser evitadas com cuidados na obra. Veja como usar verga e contraverga e reduzir fissuras na alvenaria.
Segundo informações publicadas em 02 de setembro de 2026 pela rádio Tupi, trincas em paredes próximas a portas e janelas podem surgir quando a execução dos vãos não recebe o reforço adequado. A abertura interrompe a continuidade da alvenaria e modifica a distribuição dos esforços. Sem uma solução construtiva apropriada, podem aparecer fissuras diagonais nos cantos.
Nesse contexto, a correta execução de verga e contraverga ajuda a distribuir as tensões ao redor dos vãos. A NBR 8545 estabelece, para alvenaria sem função estrutural de tijolos e blocos cerâmicos, que vergas sejam utilizadas sobre portas e janelas e contravergas sob janelas. A referência também indica extensão mínima de 20 centímetros para cada lado e altura mínima de 10 centímetros.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de Cláudio Roberto Alves Ferreira, identificou a ausência de vergas e contravergas como uma das principais causas das manifestações analisadas em casas de Minas Gerais. O trabalho registrou fissuras com aproximadamente 45° nos locais onde esses elementos não eram executados.
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Trincas em paredes começam nos pontos mais vulneráveis
As trincas em paredes próximas às aberturas não aparecem necessariamente por um único motivo. A região ao redor de portas e janelas sofre uma mudança na trajetória dos esforços porque a abertura interrompe a continuidade da alvenaria.
Os cantos dos vãos, por isso, merecem atenção durante a execução. É nesses pontos que podem surgir concentrações de tensões capazes de favorecer a formação de fissuras.
Mas é importante evitar diagnósticos automáticos. Recalques de fundação, retração da argamassa, umidade e outras falhas construtivas também podem provocar manifestações semelhantes. A análise deve considerar a localização, o formato e a evolução da abertura.
Assista o vídeo
Trincas perto de janelas exigem atenção aos cantos
As trincas perto de janelas podem apresentar um padrão diagonal, especialmente quando partem dos cantos do vão. Esse formato é compatível com manifestações relacionadas à concentração de tensões, mas não comprova sozinho a causa do problema.
A pesquisa realizada por Ferreira na UFMG observou fissuras de 45° em casas nas quais não haviam sido executadas vergas e contravergas. O estudo também destacou a importância da leitura e interpretação dos projetos pela equipe responsável pela execução da alvenaria.
Por isso, as trincas perto de janelas devem ser observadas ainda durante a obra. Corrigir uma falha nessa fase tende a ser mais simples do que descobrir o problema depois da aplicação de revestimentos, pintura e esquadrias.
Verga e contraverga distribuem os esforços
A verga e contraverga ocupam posições diferentes, mas trabalham com uma finalidade relacionada: melhorar a distribuição das tensões na região das aberturas. A verga fica acima do vão. Ela recebe os esforços provenientes das fiadas de alvenaria posicionadas acima da porta ou janela e os direciona para as laterais.
A contraverga fica sob o vão da janela. Sua função está associada à distribuição das tensões na parte inferior da abertura, especialmente na região do peitoril. A NBR 8545 também prevê que, quando os vãos estiverem relativamente próximos e na mesma altura, pode ser utilizada uma única verga sobre eles. A solução, entretanto, deve respeitar as características e especificações da obra.
O que conferir durante a execução
A instalação não deve ser tratada como uma etapa secundária. Antes de fechar o elemento com revestimento, vale conferir:
- largura e altura do vão;
- comprimento do apoio lateral;
- alinhamento e nivelamento;
- posição da armadura, quando houver;
- preenchimento adequado do elemento.
O objetivo é garantir que o sistema executado corresponda ao que foi previsto no projeto.
Fissuras na alvenaria podem indicar falhas de execução
As fissuras na alvenaria são manifestações que precisam ser interpretadas de acordo com o contexto. Uma abertura superficial no revestimento não necessariamente apresenta o mesmo mecanismo de uma fissura que atravessa diferentes camadas.
O estudo desenvolvido por Emerson Campos Contão, também na UFMG, destaca que trincas e fissuras em alvenarias de vedação são manifestações recorrentes e podem estar relacionadas a falhas em diferentes etapas construtivas. O trabalho analisou, entre outros fatores, recalques, ausência de vergas e contravergas, retração da argamassa e umidade.
Assim, fissuras na alvenaria não devem ser simplesmente cobertas com massa ou pintura. Quando reaparecem ou evoluem, é necessário investigar o mecanismo responsável.
Reforço de paredes começa antes do acabamento
O reforço de paredes deve ser planejado junto com a definição dos vãos. Dimensões de portas e janelas, posição das aberturas e detalhes construtivos precisam estar compatibilizados antes do levantamento da alvenaria.
Uma pesquisa da UFMG sobre técnicas construtivas recomenda atenção ao emprego e ao dimensionamento de vergas e contravergas para prevenir fissuras em torno de aberturas. O mesmo trabalho ressalta que outras interfaces, como a ligação entre alvenaria e estrutura, também precisam ser executadas corretamente.
O reforço de paredes não deve ser improvisado depois que a fissura aparece. Alterar dimensões, ferragens ou apoios sem avaliação técnica pode produzir uma solução incompatível com as cargas existentes.
Trincas em paredes podem estar ligadas ao apoio insuficiente
Entre os detalhes que merecem atenção está o comprimento do apoio lateral. Conforme a referência baseada na NBR 8545, vergas e contravergas devem ultrapassar o vão em pelo menos 20 centímetros de cada lado, com altura mínima de 10 centímetros.
Esse número presente na fonte é importante porque o apoio permite que os esforços sejam transferidos para regiões laterais da parede. Entretanto, ele não deve ser interpretado como dimensionamento universal para qualquer situação construtiva.
Em projetos com vãos maiores, cargas diferentes ou sistemas específicos de alvenaria, o dimensionamento deve ser avaliado por profissional habilitado. A solução precisa considerar as condições reais da construção.
Trincas perto de janelas também dependem do peitoril
As trincas perto de janelas não devem ser avaliadas apenas na parte superior da abertura. A região inferior também possui importância no comportamento do conjunto.
É justamente nesse ponto que a contraverga participa da distribuição dos esforços. Sua execução adequada contribui para reduzir concentrações de tensão que podem favorecer fissuras diagonais próximas aos cantos inferiores.
Outro cuidado é manter o vão conforme as dimensões definidas no projeto. A NBR 8545 orienta que os vãos de portas e janelas atendam às medidas e à localização previstas no projeto específico. A norma também prevê o preenchimento das folgas entre alvenaria e esquadria com argamassa de cimento e areia.
Verga e contraverga precisam acompanhar o projeto
A verga e contraverga não devem ser dimensionadas apenas pela aparência da parede. O tamanho do vão, as cargas existentes, o tipo de bloco e a configuração da edificação podem alterar as necessidades da solução.
Uma referência técnica disponível no repositório da UFMG menciona, para determinada abordagem construtiva, transpasse proporcional a 1/5 do comprimento do vão, com mínimo de 40 centímetros. Esse valor aparece como recomendação de Caporrino (2016) no trabalho acadêmico, mas não deve ser confundido com a indicação mínima de 20 centímetros por lado apresentada na NBR 8545.
Essa diferença mostra por que medidas não devem ser aplicadas isoladamente. O projeto e o sistema construtivo precisam orientar a decisão.
Fissuras na alvenaria não devem ser escondidas
Quando surgem fissuras na alvenaria, o acabamento pode tornar o problema menos visível por algum tempo. Isso, porém, não significa que sua causa tenha sido eliminada.
Uma avaliação deve observar se a fissura aumenta, reaparece depois do reparo ou apresenta deslocamento. Também é importante verificar se existem outras manifestações próximas, como infiltração ou deformações.
Em casos persistentes, a avaliação de um profissional habilitado é a conduta mais adequada. O objetivo é identificar a origem antes de escolher o método de recuperação.
Reforço de paredes reduz retrabalho na obra
O reforço de paredes é mais eficiente quando previsto e executado durante a construção. Depois que revestimentos e esquadrias estão instalados, uma intervenção pode exigir remoção de materiais e aumentar o custo do reparo.
Uma execução cuidadosa também facilita a inspeção. Fotografar os elementos antes do revestimento, conferir medidas e registrar alterações feitas durante a obra são práticas simples que ajudam a documentar o serviço.
Para reduzir o risco de problemas, alguns cuidados merecem atenção especial:
- seguir as dimensões estabelecidas no projeto;
- executar corretamente os apoios;
- verificar o posicionamento dos elementos antes do revestimento;
- evitar alterações improvisadas no vão;
- solicitar avaliação profissional diante de manifestações persistentes.
O cuidado que preserva o acabamento
As trincas em paredes próximas a portas e janelas podem estar relacionadas à concentração de esforços nos cantos dos vãos. A falta ou execução inadequada de elementos de suporte é uma possibilidade importante, mas não é a única causa de fissuração.
As trincas perto de janelas merecem observação desde a fase de levantamento da alvenaria. A execução correta da verga e contraverga ajuda a distribuir os esforços e reduz a possibilidade de manifestações associadas aos vãos.
Já as fissuras na alvenaria precisam ser analisadas antes de receber um reparo superficial. Quando persistem, aumentam ou reaparecem, podem indicar que a causa continua ativa.
Por fim, o reforço de paredes deve ser definido conforme o projeto e as características da construção. Os números presentes nas referências técnicas, como os 20 centímetros de extensão mínima por lado e os 10 centímetros de altura mínima indicados na NBR 8545, são parâmetros importantes dentro do escopo da norma, mas não substituem o dimensionamento quando a situação exige análise específica.
Com planejamento, conferência das etapas e mão de obra qualificada, muitos problemas podem ser evitados antes que cheguem ao acabamento. O cuidado começa no vão e termina na qualidade da parede pronta.
Fonte
TupiFM
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Hilton Libório.

