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Túnel duplo de R$ 228 milhões chega a 83% escavado e vai furar a serra que trava a única ligação rodoviária entre o porto de São Francisco do Sul e o interior de Santa Catarina

Túnel duplo de R$ 228 milhões chega a 83% escavado e vai furar a serra que trava a única ligação rodoviária entre o porto de São Francisco do Sul e o interior de Santa Catarina

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5 min de leitura

Túnel duplo de R$ 228 milhões chega a 83% escavado e vai furar a serra que trava a única ligação rodoviária entre o porto de São Francisco do Sul e o interior de Santa Catarina

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 01/09/2026 às 17:07

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A obra do túnel da BR-280 chegou a 83% de escavação e está furando por dentro a serra que há décadas obriga todo caminhão vindo do porto de São Francisco do Sul a subir uma pista simples e sinuosa para alcançar o interior industrial de Santa Catarina.

O balanço foi divulgado pelo portal NDmais, que acompanha a duplicação da rodovia. Conforme o levantamento, o túnel sozinho custa R$ 228 milhões e terá cerca de um quilômetro em cada sentido, em galerias separadas. A escavação já passou de 83% do previsto, enquanto a execução financeira do trecho está em 82%.

O túnel pertence ao lote 2.2 da duplicação, um segmento de 23,9 quilômetros que vai do km 50,7 ao km 74,6 e atravessa os municípios de Guaramirim e Jaraguá do Sul, com um trecho passando por Schroeder. O prazo contratual para concluir esse lote é dezembro de 2027.

Por que essa serra trava um estado inteiro

A BR-280 não é uma rodovia qualquer no mapa catarinense. Ela liga o litoral norte, onde fica o porto de São Francisco do Sul, ao planalto e ao oeste do estado, atravessando no caminho a região de Joinville e Jaraguá do Sul, que concentra parque industrial pesado, metalurgia e indústria têxtil.

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O problema é o meio do percurso. O trecho de serra funciona há décadas em pista simples, com curvas fechadas e aclive longo, e é por ali que passa o caminhão carregado que sai da fábrica rumo ao porto ou volta do porto rumo à fábrica. Quando um veículo pesado perde velocidade na subida, a fila atrás dele para. Quando um tomba, a rodovia inteira fecha, e não existe rota alternativa decente.

Quem já pegou esse trecho num fim de tarde de sexta entende o problema sem precisar de estudo de tráfego. A fila se forma na base da subida e não anda, e o motorista que precisa entregar no porto no dia seguinte passa a contar o atraso em horas, não em minutos. Além disso, o desgaste da própria rodovia é maior justamente onde o caminhão sobe carregado em marcha reduzida.

Por isso a duplicação virou pauta permanente na região. O investimento total no conjunto da obra chega a R$ 1,7 bilhão, dos quais o túnel é apenas uma fração, ainda que seja a parte tecnicamente mais difícil e a que define o cronograma de tudo em volta.

Furar por dentro em vez de contornar

A decisão de escavar o maciço em vez de contornar a encosta tem uma lógica simples de engenharia. Contornar exigiria cortes profundos no morro, taludes altos e um traçado ainda mais longo, com risco permanente de deslizamento nas chuvas de verão catarinenses. Atravessar por dentro encurta o percurso, elimina a exposição do talude e entrega greide constante, sem a subida que hoje mata a velocidade do caminhão.

Em compensação, túnel é a obra mais cara por metro em qualquer rodovia. Cada avanço depende do tipo de rocha encontrado, e um maciço que muda de característica no meio da escavação altera método, custo e prazo. Chegar a 83% com a execução financeira em 82% indica que, até aqui, o cronograma físico e o desembolso estão caminhando praticamente juntos, o que em obra pública brasileira já é uma informação relevante por si só.

O lote inclui ainda dois elevados, localizados nos km 64,9 e km 65,4, que resolvem cruzamentos hoje feitos em nível. São essas interseções, e não apenas a serra, que respondem por boa parte dos congestionamentos cotidianos entre Guaramirim e Jaraguá do Sul.

O que muda quando a galeria abrir

Do ponto de vista de quem usa a estrada, a mudança prática é previsibilidade. Pista dupla com greide regular significa que o tempo de viagem entre a indústria e o porto deixa de depender de quantos caminhões pesados estão subindo a serra naquela hora. Para operação logística, previsibilidade vale mais do que velocidade máxima, porque é ela que permite programar carregamento, janela de atracação e turno de motorista.

Olhando assim, dá para entender por que uma obra de um quilômetro concentra tanta atenção num estado inteiro. Não é o comprimento que importa, e sim o fato de que esse quilômetro específico está entre a fábrica e o navio. Dessa forma, cada mês de atraso no túnel se converte em custo logístico distribuído por centenas de empresas que nem sabem que dependem dele.

Há também o efeito sobre o próprio porto. São Francisco do Sul movimenta carga que vem de todo o oeste catarinense e de parte do Paraná, e a competitividade de um porto depende tanto do berço quanto do acesso terrestre. Gargalo rodoviário na entrada anula ganho de eficiência no cais.

Vale registrar o que o balanço não informa. A reportagem não nomeia a construtora responsável pelo lote, nem detalha em que data exatamente a escavação alcançou os 83%. Dezembro de 2027 é prazo contratual, não promessa de entrega, e obra de túnel tem histórico conhecido de revisão de cronograma quando a rocha surpreende.

Ainda assim, é difícil não ver o simbolismo do número. Uma obra que passou anos sendo discutida em audiência pública está com mais de quatro quintos do maciço vencidos, e o que separa o caminhão da pista nova agora é menos de um quinto de rocha.

Qual trecho de serra da sua região mais precisaria de um túnel para destravar a economia local?

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Fonte

NDmais — Túnel de R$ 228 milhões avança em trecho da BR-280


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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