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Turista lança garrafa no oceano durante viagem de cruzeiro pela costa do Brasil e, 16 anos depois, mensagem reaparece na Austrália
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 03/09/2026 às 07:51
Atualizado em 03/09/2026 às 07:52
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Bilhete preservado dentro do recipiente permitiu identificar Joe Johnson e relacionar o achado em uma praia do estado de Victoria a um lançamento feito durante um cruzeiro pela costa brasileira, em uma experiência pessoal repetida pelo norte-americano em diferentes viagens.
Uma garrafa encontrada na praia de Peterborough, no estado de Victoria, na Austrália, preservava em seu interior informações suficientes para reconstruir uma história iniciada do outro lado do mundo. O bilhete trazia o nome de Joe Johnson, dados para contato e detalhes sobre o lançamento.
O recipiente, coberto por conchas e outros sinais de exposição ao ambiente marinho, foi localizado por um morador identificado como Tony. Depois que imagens do achado e da mensagem foram publicadas nas redes sociais, foi possível estabelecer a ligação com o norte-americano que havia colocado a garrafa no oceano anos antes.
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A reportagem do UOL registrou que Johnson lançou o recipiente em 11 de março de 2008, durante um cruzeiro entre Rio de Janeiro e Salvador. No próprio bilhete, ele indicou que estava a aproximadamente 129 quilômetros a leste de Salvador.
A mensagem explicava a proposta da experiência: quem encontrasse a garrafa deveria informar o lugar e o momento da descoberta. Com essas informações, Johnson poderia comparar o destino do recipiente com o ponto em que ele havia sido colocado no mar.
Havia também uma recompensa. Johnson oferecia US$ 20 ao descobridor que respondesse à mensagem e fornecesse nome e endereço, criando um incentivo para que o papel não fosse apenas lido e descartado depois de chegar novamente à terra firme.
Garrafas faziam parte de uma experiência repetida em viagens
O lançamento diante do litoral brasileiro não foi uma iniciativa isolada. O bilhete informava que Johnson havia colocado recipientes semelhantes em diferentes oceanos, sempre com a expectativa de receber uma resposta caso algum deles fosse encontrado.
A ABC Radio Melbourne entrevistou Johnson depois da descoberta na Austrália. Ele relatou que ele e a esposa fizeram muitos cruzeiros e que o lançamento de mensagens em garrafas acabou se repetindo ao longo dessas viagens.
A frequência da experiência ajuda a explicar por que Johnson não se lembrava especificamente do recipiente localizado em Peterborough. Ele reconheceu a iniciativa, mas disse que havia colocado tantas garrafas no mar que não guardava a memória individual de cada lançamento realizado.
Mesmo com dezenas de tentativas, os retornos conhecidos foram raros. O UOL informou que o achado australiano representava apenas a segunda vez em que Johnson recebia notícia de uma das mensagens lançadas durante seus cruzeiros.
O funcionamento da experiência dependia de uma sequência incerta. A garrafa precisava permanecer fechada, voltar a alcançar terra firme, ser encontrada por alguém, conservar o bilhete legível e ainda permitir que essa pessoa conseguisse entrar em contato com o remetente pelos dados deixados no papel.
No caso de Peterborough, essas etapas ocorreram depois de 16 anos. Embora a superfície do recipiente apresentasse organismos marinhos aderidos, o material guardado em seu interior permaneceu preservado o suficiente para revelar quem havia feito o lançamento e quais informações ele esperava receber de volta.
Distância não revela a rota percorrida no oceano
O UOL informou que a distância associada ao percurso entre o Brasil e a Austrália ultrapassava 13 mil quilômetros. Esse número, porém, não permite determinar a extensão real da viagem da garrafa, porque não houve acompanhamento de sua posição durante os anos em que permaneceu no mar.
Os dois pontos conhecidos são o local aproximado do lançamento, diante do litoral baiano, e a praia de Peterborough, onde o recipiente reapareceu. Não há registro intermediário capaz de mostrar quais regiões oceânicas foram atravessadas ou quanto tempo a garrafa permaneceu em cada trecho.
Por isso, uma linha traçada diretamente entre Brasil e Austrália não corresponde necessariamente ao caminho feito pelo objeto. Correntes marítimas poderiam ter deslocado o recipiente por uma rota muito mais longa ou irregular, mas as informações disponíveis não permitem reconstruir essa movimentação.
A ausência de rastreamento também diferencia a experiência pessoal de Johnson de um estudo científico sobre circulação oceânica. O norte-americano não acompanhava os recipientes por instrumentos ou medições contínuas; seu objetivo dependia exclusivamente do eventual contato de alguém que encontrasse uma mensagem.
O achado em Peterborough forneceu justamente os dados básicos procurados desde o lançamento: o recipiente havia voltado à terra firme em outro continente e isso havia ocorrido 16 anos depois de ter sido colocado no oceano diante da costa brasileira.
As imagens divulgadas após a descoberta também mostravam uma transformação visível no objeto. A garrafa verde estava coberta por material aderido à superfície, enquanto o bilhete protegido no interior continuava legível e permitia identificar Johnson tantos anos depois.
A repercussão do caso levou a mensagem de volta ao conhecimento do remetente, completando uma das poucas tentativas das quais ele recebeu resposta. Quando a história foi publicada, porém, não havia indicação de que Tony tivesse solicitado os US$ 20 prometidos no bilhete.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

